quinta-feira, 29 de julho de 2010

Vício

A saudade tá viciada no sabor das minhas lágrimas.
 
Pedro Torres

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto

No entanto, a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida.
E, eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz

Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.

Eu deixarei... Tu irás e encostarás
a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite

Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço

E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só;
Como os veleiros nos portos silenciosos...

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Do Poetinha, Vinícius de Moraes.

terça-feira, 27 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Beco sem saída...

Não existe beco sem saída, basta voltar por onde entrou.

Pedro Torres

sábado, 3 de julho de 2010

Elleanor Roosevelt

"O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos."

Elleanor Roosevelt

sábado, 5 de junho de 2010

Leva-me!

Além do horizonte, ao gosto que gostei
Perto da fonte dos sonhos que sonhei
Nas noites que acordei, nos dias que dormi

Da vontade que senti, das coisas que esqueci...
Ao viço antes solidário, dos desejos que deixei.
Ora insepultos por Terra, átono, inerte!

Átomo de qualquer força que a liberte!
Traz-me à mansidão das tuas certezas
E ao marasmo de tua perfeição!...

Busca-me dessas relvas olentes
O medo e, foge de mim silêncio!
E não me apavores quietude...

Do que não esqueço um só instante
Dos momentos que estiveram tão iguais
Onde subi ladeiras inteiras e a vi, vida

Nela, tão bela, e senti a vertigem...
Porque é criança quando somos primavera
A abrir clareiras em um peito ainda virgem.

Pedro Torres

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Diaba!

Volta pra casa o poeta ébrio,
Consigo suas palavras mudas...
Gira à procura d’outras vaidades
Ou até encontrar outras verdades
Escorrendo em linhas miúdas...

Não quero chorar rios de felicidades!
Diz-me da torrente da alegria que passa
E dentro da gente, no peito, fica
‘Co um alento de menta matinal e,
Logo após, um café bem quente...

Dar-se um fôlego de correr mil léguas
Sem censurar, sem críticas, sem tréguas,
Até em rimas de métricas sem réguas!
O teu nobre verso doce... Sem defeito!
Tomar um frescor zeferino que o sustente...

Que nada alimentas além da poesia.
Recebe cálices de incalculadas medidas;
E cursa as letras alheias por tuas veias;
Anda as tuas aranhas por tuas teias;
Das tapas ao vento leva-as à ventania...

Eu nada disse do que não houve
Tampouco diria do que houvesse
Deixaria conservar-se à superfície
A dádiva do amor que nos restasse
E algo do sangue que se sangrasse...

Se além do amor perfeito, amasse
E, por aí tu comigo se encontrasse
Talvez existisse um beijo infindo
E fôssemos viver um segredo lindo
De nós dois, pra acordar dormindo.
E beijar e amar e permanecer sorrindo...

Pedro Torres

domingo, 2 de maio de 2010

Ardil

Passaste por mim tal furacão
Fiquei bem no meio da tormenta
Onde tudo era profunda calmaria

Ora quando te vais à ventania
Nada de paz me alimenta
À tortuosa aragem do coração

As frases descolam-se do centro
Já não quero ficar no mesmo antro
Que te achas nesse meu dia tristonho

Senti falta de ti mesmo presente
E só agora que ficaste ausente
Sinto o frio ser enganoso, de tão quente...

Do que estou a rir às gargalhadas
Inda casto alheio às madrugadas
D’onde partiriam tantas alegrias...

É que preciso ler um poema teu
Com um triscado de saudade
Até uma pitada de liberdade

Algo que caiba no peito meu
Como o silêncio dessa noite fria
Ou, a noite desse tenebroso dia

Pedro Torres

Terra Mãe

Oh! Espartacus de poetas guerreiros
Oh! Atlântida de vates submersos
Salve! Meca de incrédulos violeiros
Salve! Jerusalém a mãe dos versos.

Protegei! Musa-mor, nós, teus herdeiros
Exilados, saudosos e dispersos
Abençoai! teus filhos estrangeiros
Que te amam de modos controversos

Oh! Augusta senhora solidária
Fonte de poesia centenária
Guardiã dos umbrais da inspiração.

Soberana dos versos arquiteta
Protetora de quem nasceu poeta
Fiz pra ti este verso em Oraçâo.

Brás Costa, Padre e Poeta (Padroeta)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Egoísmo.

Falam tanto em mal do século que esquecem de fazer o bem do dia.

Pedro Torres