sábado, 5 de junho de 2010
Leva-me!
Perto da fonte dos sonhos que sonhei
Nas noites que acordei, nos dias que dormi
Da vontade que senti, das coisas que esqueci...
Ao viço antes solidário, dos desejos que deixei.
Ora insepultos por Terra, átono, inerte!
Átomo de qualquer força que a liberte!
Traz-me à mansidão das tuas certezas
E ao marasmo de tua perfeição!...
Busca-me dessas relvas olentes
O medo e, foge de mim silêncio!
E não me apavores quietude...
Do que não esqueço um só instante
Dos momentos que estiveram tão iguais
Onde subi ladeiras inteiras e a vi, vida
Nela, tão bela, e senti a vertigem...
Porque é criança quando somos primavera
A abrir clareiras em um peito ainda virgem.
Pedro Torres
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Diaba!
Volta pra casa o poeta ébrio,
Consigo suas palavras mudas...
Gira à procura d’outras vaidades
Ou até encontrar outras verdades
Escorrendo em linhas miúdas...
Não quero chorar rios de felicidades!
Diz-me da torrente da alegria que passa
E dentro da gente, no peito, fica
‘Co um alento de menta matinal e,
Logo após, um café bem quente...
Dar-se um fôlego de correr mil léguas
Sem censurar, sem críticas, sem tréguas,
Até em rimas de métricas sem réguas!
O teu nobre verso doce... Sem defeito!
Tomar um frescor zeferino que o sustente...
Que nada alimentas além da poesia.
Recebe cálices de incalculadas medidas;
E cursa as letras alheias por tuas veias;
Anda as tuas aranhas por tuas teias;
Das tapas ao vento leva-as à ventania...
Eu nada disse do que não houve
Tampouco diria do que houvesse
Deixaria conservar-se à superfície
A dádiva do amor que nos restasse
E algo do sangue que se sangrasse...
Se além do amor perfeito, amasse
E, por aí tu comigo se encontrasse
Talvez existisse um beijo infindo
E fôssemos viver um segredo lindo
De nós dois, pra acordar dormindo.
E beijar e amar e permanecer sorrindo...
Pedro Torres
domingo, 2 de maio de 2010
Ardil
Passaste por mim tal furacão
Fiquei bem no meio da tormenta
Onde tudo era profunda calmaria
Ora quando te vais à ventania
Nada de paz me alimenta
À tortuosa aragem do coração
As frases descolam-se do centro
Já não quero ficar no mesmo antro
Que te achas nesse meu dia tristonho
Senti falta de ti mesmo presente
E só agora que ficaste ausente
Sinto o frio ser enganoso, de tão quente...
Do que estou a rir às gargalhadas
Inda casto alheio às madrugadas
D’onde partiriam tantas alegrias...
É que preciso ler um poema teu
Com um triscado de saudade
Até uma pitada de liberdade
Algo que caiba no peito meu
Como o silêncio dessa noite fria
Ou, a noite desse tenebroso dia
Pedro Torres
Terra Mãe
Oh! Atlântida de vates submersos
Salve! Meca de incrédulos violeiros
Salve! Jerusalém a mãe dos versos.
Protegei! Musa-mor, nós, teus herdeiros
Exilados, saudosos e dispersos
Abençoai! teus filhos estrangeiros
Que te amam de modos controversos
Oh! Augusta senhora solidária
Fonte de poesia centenária
Guardiã dos umbrais da inspiração.
Soberana dos versos arquiteta
Protetora de quem nasceu poeta
Fiz pra ti este verso em Oraçâo.
Brás Costa, Padre e Poeta (Padroeta)
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Egoísmo.
Pedro Torres
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Da juventude extrema
Machado de Assis
terça-feira, 27 de abril de 2010
Abraço?...
Jamais te diria adeus!
Que sei não voltarias
A olhar nos olhos meus,
Enchendo-os de alegrias.
E, sem intervalos de ar
Iniciar uns abraços, sem par...
Mas, desse abraço, poeta!
Desse último, de despedida,
Que se dá antes da partida?!
Eu deixo pro fim da reta!
Pedro Torres
sábado, 24 de abril de 2010
Se Voltares...
O ferro do machado que lhe corta,
Hei de ter a minh'alma sempre morta
Mas não me vingarei de coisa alguma
Se algum dia, perdida pela bruma,
Resolveres bater à minha porta,
Em vez da humilhação que desconforta
Terás um leito sobre um chão de pluma.
Em troca dos desgostos que me deste,
Mais carinho terás do que tiveste
e meus beijos serão multiplicados...
Para os que voltam, pelo amor vencidos,
A vingança maior dos ofendidos
É saber abraçar os humilhados.
Poeta Rogaciano Leite, em Carne e Alma.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Eloquência
Pedro Torres
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Pensadores
Pedro Torres