sábado, 7 de agosto de 2010
Turbilhão
A gente brinca escondendo a dor
E a fantasia do meu ideal
É você, meu amor
Sopraram cinzas no meu coração
Tocou silêncio em todos clarins
Caiu a máscara da ilusão
Dos Pierrots e Arlequins
Vê colombinas azuis a sorrir laiá
Vê serpentinas na luz reluzir
Vê os confetes do pranto no olhar
Desses palhaços dançando no ar
Vê multidão colorida a gritar lará
Vê turbilhão dessa vida passar
Vê os delírios dos gritos de amor
Nessa orgia de som e de dor
La lalaia lalaia lalaia
Poeta Moacyr Franco
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Vício
Pedro Torres
Ausência
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto, a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida.
E, eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... Tu irás e encostarás
a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só;
Como os veleiros nos portos silenciosos...
Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.
Do Poetinha, Vinícius de Moraes.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Sobre o futuro...
Pedro Torres
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Beco sem saída...
Pedro Torres
sábado, 3 de julho de 2010
Elleanor Roosevelt
Elleanor Roosevelt
sábado, 5 de junho de 2010
Leva-me!
Perto da fonte dos sonhos que sonhei
Nas noites que acordei, nos dias que dormi
Da vontade que senti, das coisas que esqueci...
Ao viço antes solidário, dos desejos que deixei.
Ora insepultos por Terra, átono, inerte!
Átomo de qualquer força que a liberte!
Traz-me à mansidão das tuas certezas
E ao marasmo de tua perfeição!...
Busca-me dessas relvas olentes
O medo e, foge de mim silêncio!
E não me apavores quietude...
Do que não esqueço um só instante
Dos momentos que estiveram tão iguais
Onde subi ladeiras inteiras e a vi, vida
Nela, tão bela, e senti a vertigem...
Porque é criança quando somos primavera
A abrir clareiras em um peito ainda virgem.
Pedro Torres
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Diaba!
Volta pra casa o poeta ébrio,
Consigo suas palavras mudas...
Gira à procura d’outras vaidades
Ou até encontrar outras verdades
Escorrendo em linhas miúdas...
Não quero chorar rios de felicidades!
Diz-me da torrente da alegria que passa
E dentro da gente, no peito, fica
‘Co um alento de menta matinal e,
Logo após, um café bem quente...
Dar-se um fôlego de correr mil léguas
Sem censurar, sem críticas, sem tréguas,
Até em rimas de métricas sem réguas!
O teu nobre verso doce... Sem defeito!
Tomar um frescor zeferino que o sustente...
Que nada alimentas além da poesia.
Recebe cálices de incalculadas medidas;
E cursa as letras alheias por tuas veias;
Anda as tuas aranhas por tuas teias;
Das tapas ao vento leva-as à ventania...
Eu nada disse do que não houve
Tampouco diria do que houvesse
Deixaria conservar-se à superfície
A dádiva do amor que nos restasse
E algo do sangue que se sangrasse...
Se além do amor perfeito, amasse
E, por aí tu comigo se encontrasse
Talvez existisse um beijo infindo
E fôssemos viver um segredo lindo
De nós dois, pra acordar dormindo.
E beijar e amar e permanecer sorrindo...
Pedro Torres
domingo, 2 de maio de 2010
Ardil
Passaste por mim tal furacão
Fiquei bem no meio da tormenta
Onde tudo era profunda calmaria
Ora quando te vais à ventania
Nada de paz me alimenta
À tortuosa aragem do coração
As frases descolam-se do centro
Já não quero ficar no mesmo antro
Que te achas nesse meu dia tristonho
Senti falta de ti mesmo presente
E só agora que ficaste ausente
Sinto o frio ser enganoso, de tão quente...
Do que estou a rir às gargalhadas
Inda casto alheio às madrugadas
D’onde partiriam tantas alegrias...
É que preciso ler um poema teu
Com um triscado de saudade
Até uma pitada de liberdade
Algo que caiba no peito meu
Como o silêncio dessa noite fria
Ou, a noite desse tenebroso dia
Pedro Torres
Terra Mãe
Oh! Atlântida de vates submersos
Salve! Meca de incrédulos violeiros
Salve! Jerusalém a mãe dos versos.
Protegei! Musa-mor, nós, teus herdeiros
Exilados, saudosos e dispersos
Abençoai! teus filhos estrangeiros
Que te amam de modos controversos
Oh! Augusta senhora solidária
Fonte de poesia centenária
Guardiã dos umbrais da inspiração.
Soberana dos versos arquiteta
Protetora de quem nasceu poeta
Fiz pra ti este verso em Oraçâo.
Brás Costa, Padre e Poeta (Padroeta)