sexta-feira, 9 de abril de 2010
Passarinha
Meu pássaro canário.
Foi visitar outro cenário
Voar por outra vazante..
Eras tudo... – Oh, passarada vil!
Levaste embora meu amor
E toda chuvarada de abril
O meu sentir mais dolorido
Do meu jardim colorido
A sua mais bonita flor...
Mês que se fez desgosto
Para o fim deste agosto
Em meu poema sutil..
Sol, beirando à já posto
À argúcia do teu rosto
Deixar o corpo febril!
Sentir o frescor do mundo
Vindo da umidade da brisa
Nativa do riacho profundo
Da paz que a gente precisa.
Mas, se uma parte de saudade
Doer sem precisar a dimensão
Do que só um exato silêncio diz...
Lembra-te de nós, infinitamente!
Volta, e chega de tanta saudade!
Dá-me de beber da tua felicidade.
Pedro Torres
segunda-feira, 29 de março de 2010
Condito
Atear sem se queimar,
Dirá viver sem se atirar...
E seguir sem se abater,
Em um amar, sem viver...
Quero as mentiras mais suaves da vida
E de ti os beijos mais doces
Os abraços mais quentes e ternos, quero.
Ou que fiques dormindo um sono bem bom
Enquanto faço café, após nosso amor vingar-se
De toda saudade que sentimos àquele tempo...
Eu quero a tua companhia e teu desejo
Egoisticamente te quero inteirinha minha
E cuidarei de nossas crias, com todo o amor dessa vida
Da luz que irradias no olhar e do teu pulso forte.
Da harmonia, da paz, da calma, da perfeição... Tudo!
Pedro Torres
Doce
Vivia reclamando a desventura
De Deus lhe ter dado ser poeta
Ter-lhe incumbido de uma meta
E enchido seu peito de amargura
De modo que era triste o seu canto
Lágrimas banhavam o seu pranto
E, como anjo, apareceste criatura
Derramando, às canadas, tanta candura
Que quando já pensava: é sem jeito!
O coração bateu como nunca havia batido
E o poeta que acreditava ter morrido
Viu brotar o amor dentro do peito e,
Percebendo que acabara de ter nascido
De tanta felicidade, não coube em um só grito...
Pedro Torres
domingo, 14 de março de 2010
Mil Pedaços
E mesmo assim você me abandonou...
Você quis partir, e agora estou sozinho
Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que-o feriu
Adeus, adeus ,adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
Eu não me perdi,
e mesmo assim ninguém me perdoou..
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser: Vou fugir dessa dor.
Meu amor,
se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços...
Poeta Renato Manfredini Júnior
quinta-feira, 4 de março de 2010
Só Hoje
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal...
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir
(que te faça rir)
Hoje eu preciso te abraçar...
Sentir teu cheiro de roupa limpa...
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz!
Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.
Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.
Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje
Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.
Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.
Hoje preciso de você...
Com qualquer humor, com qualquer sorriso!
Hoje só tua presença...
Vai me deixar feliz.
Só hoje
Poetas Fernanda Mello e Rogério Flausino
terça-feira, 2 de março de 2010
Dias de estradar
Encontramos acasos e abrigos
Eu, não somei tudo quanto podia
De tanto andar por aí, distraído...
Até sem rima pra minha poesia.
E quando pensei ter-me esquecido
Entristecido por tanta desventura
Encontrei na mais linda criatura
Cola pro meu coração partido.
Na matemática das métricas
Ousei desconstruir os versos
Fincados em tempos perversos
Grifei poemas em escritas brancas
Dividi contigo os meus recados
De perdão para os meus pecados
Tudo que pedi me foi negado
Um beijo, um abraço, um fruto
Nada, do que pra sempre muito
Um pouco do que mereço?
Quase toda essa sua sanha
Que o meu anseio assanha
Matar essa vontade tamanha
Que nosso enredo arranha
Antes, quero flores no teu caminho
Os espinhos que aparecerem
Piso-os todos, alegre e sorridente
E sangro todo o sangue que preciso for,
Por sangrar contente!
E sinto toda a delícia da dor...
Das pedras que nos atirarem,
Façamos nossa fortaleza
Um manto de raríssima beleza
Sobre as pedras, observemos os horizontes,
os planos e os largos!
E, sob as pedras, em desenganos,
Nos abriguemos das piores tempestades
Nas mais lindas cavernas calcárias!
Pedro Torres
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Amargurar
Aonde começara a vida
Buscava o findar da morte
E antes que se apercebesse
Um dia antes da véspera
Acordou do pesadelo
Ouvia a dona da voz
Que lhe invadira a alma
Trazendo-lhe a paz, a calma
Ainda que muito feroz
Era tal rugido de leoa
Protegendo sua cria
Mas tudo lhe parecia
Menos doído e enfadonho
Àquele pesadelo medonho
Quis o poeta regressar
Apesar das espinhentas
Cenas de amargurar
Numa vontade ensandecida
Ingeria todo éter que podia
Quem sabe voltava um dia
Àquela paisagem querida
Sentindo o passar da era
Desgraça de sua existência
Chorou e pediu clemência
Pois, bem distante da fera
E tudo se estremeceu
Ao acordar das ondas boas
Do mar que aconteceu
Do barulho que atroas
Era o final da última estação
Quando o pulso inda pulsava
Que a corrente que faltava
Percorreu por sob o chão
E de tanto querer estar
Exclamava sem pensar:
Pode me chamar de louco,
O que veio ainda é pouco!
Reescreva tudo novamente
Alinhe a linha da palma da minha mão
Que eu só restarei contente
Quanto alegre meu coração
E o meu amor sorridente
Comigo para sempre ficar
Sem somente esse atravessar
De um se amar eternamente...
Quero o agora, agora
Que o futuro é de quem lá morar
E quero logo, sem demora
Tudo que me foi dado imaginar!
Pedro Torres
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Em branco
Noite que finda
Esperança vazia
Celeiro de vida...
Não querer falar
E não escutar
E fugir da luta
Sem se queimar...
Alvor d’outro dia
Se de iluminar
Arder dos olhos
Recriar a dança...
E sem qualidades
Em última centelha
O verso espelhar
Doer de saudades...
A pressa é o passo
Fatal da batalha
O cortar de navalha
Do fio e da morte...
Pretender o apreço?
Eis o recomeço
Do teu jardim
E nada de mim...
E, se me falto
Nada me sobra
A merda da obra
Gritar bem alto.
Pedro Torres
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Cinza
Em minh’alma por tanto tão liberta
Ora acorrentada em cais de porto
Donde me carrego e, às vezes, me parto...
E lá, de saudades saciados, já fartos
Irmos caminhar à nossa estrela
Indagar a verdade, por devê-la,
O que nos espaçava, o deserto.
Nada do que antes nunca fora
Sentimos a um só tempo e sendo
O idear, que antes tão cruel,
Desvendar a alegria nesse papel...
Essa tal distância imaginária
Soasse então quão sanguinária
E fosse ilusão mal acabada, fiel
Do que se completa pela metade...
Mil vezes essa dor de não vê-la
Em meu canto inverso de amor
E viver intensamente essa dor
De exercitar a paciência, e tê-la...
Nessa estação inda chovê-la
Uma chuva bem chovida
De olhos d’água, sem retê-la
E permitir aquela correnteza...
Saber-se então de novos saberes
E entalar-se com o líquido precioso
Bebera nada, assim, tão gostoso
Fartar-se, por cumprir deveres...
E nada do que restara
Fora alegria que houvera
Totalmente consumida
Àquela quarta das cinzas...
E o verso triste que escreveria
Por te ter, por te amar,
Transformou-se em poesia,
Que me diz de ti, e do mar...
Pedro Torres
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
L'Âge D'Or
Aprendi a esperar
Mas não tenho mais certeza
Agora que estou bem
Tão pouca coisa me interessa...
Contra minha própria vontade
Sou teimoso, sincero
Insisto em ter
Vontade própria...
Que a sorte foi um dia
Alheia ao meu sustento
Não houve harmonia
Entre ação e pensamento...
Qual é teu nome?
Qual é teu signo?
Teu corpo é gostoso
Teu rosto é bonito...
Qual é o teu arcano?
Tua pedra preciosa?
Acho tocante
Acreditares nisso...
Já tentei muitas coisas
De heroína a Jesus
Tudo que já fiz
Foi por vaidade
Jesus foi traído
Com um beijo
Davi teve um grande amigo
Não sei mais
Se é só questão de sorte...
Eu vi uma serpente
Entrando no jardim
Vai ver
Que é de verdade dessa vez...
Meu tornozelo coça
Por causa de mosquito
Estou com os cabelos molhados
Me sinto limpo...
Não existe beleza na miséria
E não tem volta por aqui
Vamos tentar outro caminho
Estamos em perigo
Só que ainda não entendo
É que tudo faz sentido...
E não sei mais
Se é só questão de sorte
Não sei mais, não sei mais
Não sei mais...
Oh! Oh!
Lá vem os jovens
Gigantes de mármore
Oh! Oh! Oh! Oh!
Trazendo anzóis
Nas palmas da mão
Oh! Oh! Oh! Oh!...
Não é belo todo
E qualquer mistério
Oh! Oh! Oh! Oh!
O maior segredo
É não haver mistério algum
Oh! Oh! Oh! Oh!...
Poeta Renato Manfredini Júnior