No mote do poeta Cancão eu disse:
Seu andar tão fagueiro e provocante
É o remédio pra todas minhas dores
E seu cheiro imitado pelas flores
Me perfuma num sonho inebriante
Ee sse brilho nos olhos, radiante
Noutros olhos, assim não, acharão
No sorriso infiel da multidão
Quando passa exalando o seu perfume
Dorme junto aos teus pés o meu ciúme
Enjeitado e faminto como um cão
E o gingado no corpo que ela faz,
Quando anda em desfile pela praça?!
Com sorriso no rosto, toda graça
Parecendo que o vento corre atrás
E tentando roubar a minha paz
Protuberes que saltam ao coração
Como pássaros retidos num alçapão
E a gaiola mostrando esse volume
Dorme junto aos teus pés o meu ciúme
Enjeitado e faminto como um cão
Vou ao banco, amor, eu logo volto!
Diz-me ela, ao cumprir seus afazeres
Mas, o tempo infeliz dos desprazeres
Faz pirraça e ligeiro eu me revolto
Quando volta, um sorriso eu logo solto
Comemoro a alegria ao coração
Ela ri e eu perco a razão
Pelo brilho do olhar por todo lume
Dorme junto aos teus pés o meu ciúme
Enjeitado e faminto como um cão
Pedro Torres