sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Meu castelo de saudade

Meu castelo de saudade
Vive hoje mal-assombrado
Por fantasmas do passado
Quando foge a claridade.
Nos porões da mente a grade
Da cela que a dor povoa
E o silêncio que atordoa
No quintal de um templo rústico
Meu peito, salão acústico
Lugar que a saudade ecoa.

Pedro Torres.

Saudade, não sei que é Mas, sei bem o que ela faz:

Saudade, não sei que é
Mas, sei bem o que ela faz:
Arranca um tampo da alma
Esconde junto com' a paz
E a gente quase endoidece
Sem conseguir achar mais!

Pedro Torres

Retirei seu retrato da carteira Sem tirar seu amor do coração.

Procurei me afastar, mas foi perdido
Que a lembrança da gente é como um vício
Nos levando pro mesmo precipício
Da memória de um tempo bom vivido.
Que até mesmo um retrato colorido
Já rasgado por sua ingratidão
Acha espaço na estante da ilusão
Pra tirar a razão da prateleira
"Retirei seu retrato da carteira
Sem tirar seu amor do coração."

Pedro Torres
Mote de Zé Adalberto

Destruído o romance entre nós dois
Eu procuro evitar qualquer contato
Pois, não quero borrar nenhum retrato
Com o que sei que aos meus olhos vem depois.
Sequer toco no assunto "de nós", pois
Se isso importa é só a você e eu
Seu direito de amar, não prescreveu
Mas, quem dorme a justiça não socorre
E cada dia que passa um sonho morre
Só a minha ilusão que não morreu!

Você pode ostentar sua "alegria"
Disfarçar no sorriso a sua dor
Se o teu peito não sabe o que é o amor
Eu não posso lhe dar na poesia...
Se hoje tento encontrar na boemia
O que sei que aqui dentro se perdeu
É que a última esperança adormeceu
E acordar desse sono não me ocorre
E cada dia que passa um sonho morre
Só a minha ilusão que não morreu

Pedro Torres

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Saudade

A poesia mais bela sempre aflora
Das raízes do nosso sentimento
Quando as flores do nosso pensamento
São regadas na lágrima ...e ela chora!

Cada gota de pranto ...revigora
A roseira do amor, e o desalento
Vai na brisa inventada pelo vento
Carregando a saudade mundo afora...

Tua ausência de mim, nunca é completa
Porque parte de mim Deus fez poeta
Pra cantar essa falta que me habita

E apesar da tristeza e todo o efeito
Dentre todas que habitam o meu peito
És a minha saudade mais bonita!

Pedro Torres

Haverão sinais e não muitas apostas

Haverão sinais e não muitas apostas
De alguns jogadores sem carta na mesa
Se a aparente vítima frágil, indefesa
Vier mais feroz sem marcas nas costas.
E o tempo não cala nas muitas respostas
Que a vida pergunta sem olhar pra trás
Nem diz se o futuro de sonhos banais
Será melodia de alguma canção
Que música antiga não toca o refrão
De trilha sonora que não volta mais.

Pedro Torres

Se eu pudesse arrumar meu pensamento Eu não tinha saudade mais de nada

Se eu pudesse apagar o meu passado
Não ficava um resquício de lembrança
Do que fez eu nutrir falsa esperança
Desse caso de amor mal terminado.
Cada gota de pranto derramado
Verteu sangue da jura vã quebrada
Com a pupila dos olhos dilatada
De chorar por um falso sentimento
"Se eu pudesse arrumar meu pensamento
Eu não tinha saudade mais de nada"

Pedro Torres
Mote de Severina Branca

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Judas

Minha Cumade Dayane Rocha de Brejinho de Tabira fez um soneto pra um amor de enganação e eu como sei da "história" não resisti em advogar pelo coitado... (risos)

Ela disse:

Judas

És a causa maior do meu desgosto
A pior ilusão que eu já provei
Sinto raiva de mim porque fiquei
Muito tempo sentindo o amargo gosto.

A tristeza reflete no meu rosto
A angústia me toma porque sei
Nessa história fui eu que mais errei
Por deixar o meu peito assim exposto.

Tantas juras dizendo que me amava
E você loucamente me enganava
Com suas feias palavras secas, mudas

Sinto o meu coração aborrecido
Hoje vive doente, enfurecido
Por saber que amava um triste Judas.

Dayane Rocha

Defendendo o tal "Judas" eu disse:

Judas?!

Eu não sei que desgosto sentirias
Se não tens gosto algum pra (des)gostar
Pra perderes não tens que antes ganhar?
Pois, no caso, perdoe-me as ironias...

Tu não podes querer se reclamar
Pois, causaste a ti mesma as agonias:
Se o que dei foram só palavras frias
Porque diabos alegas se queimar?

Não entendo direito esse teu jogo
Mas, pareces ardendo nesse "fogo"
Da fogueira do ilúcido desejo...

Se não tens meu sabor, pois, não te iludas
Que a pessoa pra ser esse teu "Judas"
Não teria que ter te dado um beijo?

Pedro Torres

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dezembro

Era mês de dezembro ...Primavera!
No apogeu da estação linda das flores
Nosso encontro se deu, entre esplendores
De romance, carinho, e fim de espera.

Tê-la outra vez comigo ...Ah, quem dera!
Pra varrer dessa vida as minhas dores
E assistir ao declínio dos horrores
Da saudade ferina, essa pantera...

Entre quadro paredes, dois enredos
Sendo escritos nas digitais dos dedos
E do luar minguante na janela...

Com minh'alma feliz unida à sua
No cenário de amor ...àquela lua,
Dava beijos de luz no corpo dela.

Pedro Torres

Trocadilhando

Quem tenta a verdade acerta
Quem mente está enganado
Quem erra na coisa certa
Acerta quem está errado
Quem na mentira se aperta
Se afrouxa ao ser revelado.

Pedro Torres

domingo, 26 de janeiro de 2014

Cinco (madrigais)

O tempo atravessa
Ruínas passadas
De muitas estradas
Por onde passamos
Calado esse sonho
Em mim se agiganta
E o nó da garganta
Jamais desatamos.

Os olhos já secos
De tanto chorar
E a boca sem par
Que ainda umedece...
E apesar de tudo,
De todas as dores,
Há certos sabores
Que a gente não esquece

Se as minhas virtudes
Não são como as tuas
No encontro das luas
No amor, se repara...
Que o beijo da lágrima,
Se enrosca na elipse
Do abraço no eclipse
Da noite mais rara.

Nos muitos caminhos
De sonhos e metas
Há longínquas retas
Que já se aproximam
Registro o momento
Nos meus alfarrábios
No encontro de lábios
De bocas que rimam.

Da triste partida
Ficou só saudade
Mas, na realidade
Nós nunca partimos
Na música nossa
Tem restos de planos
Que mesmo após anos...
Serão nossos hinos.

Por tudo lhe devo:
Pelo meu eu lírico
E esse universo onírico
Em meu versejar...
Se alguém te ferir
Te lembra do amigo
E conta comigo
Pro que precisar.

Prossigo sozinho
Sem mais esperanças
E as nossas lembranças
Carrego no peito
Ficam cicatrizes
Das idas e vindas
Das histórias lindas
De amor sem defeito.

Continua...

Pedro Torres