quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Teu orgulho assassino infelizmente Mergulhou-nos num mar de amargura

Nosso caso não tem mais o sabor
Do gostinho de amor da nossa história
Nossos traços guardados na memória
Hoje formam só letras de rancor
Eu não quero provar desse amargor
Do teu verso, perverso, sem ternura
Que não mais se alimenta da doçura
Que habita no coração da gente
Teu orgulho assassino infelizmente
Mergulhou-nos num mar de amargura

Pedro Torres

Segue o rumo do teu caminho torto Mas, devolvas pra mim meu coração

Eu que sempre fui um bom marinheiro
Conheci muitos mares de amargura
Mas, meu barco lotado de doçura
Não se perde no mar do estrangeiro
Nem se afoga por falta de um cheiro
Que me negas não sei por qual razão
Se tu queres partir sem direção
Ir em frente buscar um novo porto
Segue o rumo do teu caminho torto
Mas, devolvas pra mim meu coração

Pedro Torres

FIM

Eu espero de ambos o bom senso
Reafirmo que o meu, ta garantido!
Não pretendo chorar arrependido
Nem você vai sofrer,assim eu penso.

Despedidas e choros, eu dispenso
Pra não ver seu semblante comovido
Nem o meu sairá tão abatido
Para isso eu não ando tão propenso

Vou torcer pra que reste a amizade
Esperando de nós, maturidade.
Pra passar no passado uma borracha

E por mais que isso tudo seja triste
Entender que o fim Também existe
Pois o amor não permite ''ou vai ou racha!"

Cicinho Moura

Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio

Ivanildo
Quando canto vejo a negra
Claridade do luar
Vendo a flor colhendo beijos
Dos lábios frios do ar
E a praia enfeitando os fios
Do lençol verde do mar

Geraldo
Sinto a aurora brotar
No formato de miragem
Em cada curva da estrada
Há um leque de paisagem
Abanando as tranças verde
Dos cabelos da folhagem

Ivanildo
Dançando eu vi a imagem
Do filme de Deus coloca
Onde o sol por generoso
Cria, aquece dia, e foca*
É quem dá tudo de si
E nada recebe em troca

Geraldo
Quando o maio se coloca
É mais bonito o sertão
A floresta se ornamenta
De rosa, flor e botão
E as flores brancas à noite
Parece estrelas no chão

Ivanildo
O sopro da viração
Deixa impressão de perfume
Os últimos raios da tarde
Pincelam cristas do cume
Entregam crepúsculo negro
Aos faróis do vaga-lume

Geraldo
Há espirais de perfume
Na mãos cálidas do mormaço
As nuvens do firmamento
Se desmanchando em pedaço
Parece um leque de bruma
Na concha azul do espaço

Ivanildo
Terra que assiste o cansaço
Do passo do retirante
Quando as rajadas cruéis
De uma seca horripilante
Tange a poeira dos rastros
Do camponês emigrante

Geraldo
Pingo de orvalho brilhante
Na floresta da masquina
O pirilampo, um arcanjo
Da lanterna bentilina
A água cristal eterno
Na galeria divina

Ivanildo
Seguir de Deus a doutrina
É dever da criatura
Semeia grãos de virtude
E aguarda a safra segura
Plantando a semente boa
E colhe a espiga madura

Geraldo
Respeito as leis da altura
Na torre do esquecimento*
Viajo o barco dos anos
Com o seu carregamento
Pedras que são extraídas
Nas minas do sentimento

Ivanildo
E a voz do pensamento
Transforma o sonho em cadência
Cantando o lírio dos campos
Dos frutos, a culta essência
A substância abstrata
Nos sonhos da inocência

Geraldo
Onde não foi a ciência
Onde ficou a bonança
A viola é o piano
Que toco desde criança
Sonorizando saudade
Nos teclados da lembrança

Ivanildo
Nos planos que a rima alcança
Tendo a vida por irmã
De noite ilusão perdida
De dia esperança vã
Castelos de pedra hoje
Sonhos de areia amanhã

Geraldo
Na neve da cor de lã
Na minha ilusão de infante
Há um castelo de estrela
Nas barras do meu levante
Que não brilharam até hoje
Brilharão daqui por diante

Ivanildo
Vou voando a todo instante
Para alcançar outro império
As formas de um mundo novo
As luzes de outro hemisfério
Rompendo a marca invisível
Desse profundo mistério

Geraldo
Por ter notas de saltério
O improviso é um santo
Na vida corta as fronteiras
Em sonhos cresce outro tanto
Se transporta sem andar
E voa sem sair do canto

Ivanildo
Como um rugido de espanto
Do tiro da belonave
O fogo apartando a nuvem
O eco espantando a ave
Rompendo o sossego aéreo
Do infinito suave

Geraldo
Deus a ninguém deu a chave
Desse edifício perfeito
Mar gigante, terra enorme
Céu infindo, bosque estreito
Fez tudo e não veio ainda
Dizer porque tinha feito

Ivanildo
Do rio estuário e leito
Da fruta o tempo e a vez
Ano longo dia curto
Semana, estação e mês
Ele fez tudo mas pode
Desfazer tudo o que fez

Geraldo
Manda em tudo o rei dos reis
No raio que do céu desce
Tempestade de desaba
Terremoto que estremece
Em tudo está sua mão
E o homem não reconhece.

Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio.

- Quando canto vejo a negra* (Ivanildo cantou assim)
 - Na dor do esquecimento (Geraldo cantou assim).
- Sonhos de areia amanhã (Contribuição Grupo Epokhé pela intelecção, valeu!)
- Cria, aquece dia, e foca (Conforme entendi, com minhas dúvidas.)

Vendi meu vilão

Teus olhos úmidos, e um violão
Na essência pura e inviolável
Da poesia, dor casta do coração
Tristeza púrpura e indecifrável...

Este é o teu companheiro à solidão,
Das emoções todas tuas, inseparável...
Um olhar tristonho, com que razão
Fitas a tua estrela admirável...

Eu me apartei do meu velho amigo
Já não escuto o seu sonoro abrigo
Falar por mim por seus gemidos..

Mais por precisão, que por descuido,
O vendi, e já não sinto o trinar fluido
Das suas cordas em tons sustenidos

Pedro Torres

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Foste embora sem sequer dizer adeus Só deixaste saudade na partida

Na história bonita que vivemos
Os capítulos finais sem emoção
Duas falas caladas sem razão
Não diziam de tudo que tivemos
Mas, eu sei que nós não nos esquecemos
De um amor que viveu pra toda vida
Sem o beijo de amor da despedida
Nem provar do calor dos braços meus
Foste embora e sequer dizesste adeus
Só deixasse saudade na partida

Pedro Torres

Eu hoje afogo a saudade Num oceano de pranto

A dor que trago no peito
É muito maior que eu
De alguém que percebeu
Ver um sonho ser desfeito
Passando por esse estreito
Só provou do desencanto
Sentindo o frio que o manto
Só lhe cobria a metade
Eu hoje afogo a saudade
Num oceano de pranto

Pedro Torres


Poeta, eu te garanto
Em nome da amizade
Se tratando de saudade
Eu uso esse mesmo manto
Também derramo esse pranto
E canto essa ladainha
Antes de tu,eu já vinha
Atando esse mesmo nó
Pra tua não morrer só
Eu também afogo a minha.

Cicinho Moura

Queria que fosse o sonho Que pra nós nunca acordou

Vejo a lágrima cadente
Tua face percorrer
Por sentires um sofrer
D'outro amor mais que recente
Que não estive presente
Quando para ti voltou
Da saudade que deixou
Ferindo os teus risonhos
Queria que fosse o sonho
Que pra nós nunca acordou

Pedro Torres

Esquecer que nos deixamos Sem nos querermos deixar

Quero uma noite de estrelas
Na noite escura enluada
Nós sentados na calçada
Onde lá possamos vê-las
Plantar flores por devê-las
Nos jardins desse lugar
Vingar sonhos ao luar
Dos planos que nós traçamos
Esquecer que nos deixamos
Sem nos querermos deixar

Pedro Torres

Quando eu morrer, tu Saudade Vais ter saudades de mim.

Minha eterna companheira
Fiel nas noites escuras
O sabor nas amarguras
Dessa vida estradeira
Esperança derradeira
Flor mais linda do jardim
Mas, meu anjo querubim
Eu te digo, sem vaidade,
Quando eu morrer, tu Saudade
Vais ter saudades de mim.*

Pedro Torres

Mote modificado do Poeta Raimundo Asfora.