quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ontem, morreu um pedaço de mim

Ontem, morreu um pedaço de mim
E o resto que ficou inda arde
Na fogueira de sonhos dessa tarde
Vi nossos sonhos chegando ao fim
As cinzas que restaram, no jardim,
Foram por nós dois então lançadas
Nas raízes das flores ali plantadas
Brotaram flores de lindas cores
Colorindo de azul as nossas dores
Perfumando de dor as madrugadas

Pedro Torres

Novembro

Rasguem as nossas cartas de amor
As juras todas que nós dois trocamos
Os abraços todos que abraçamos
Tragam pro nosso peito toda a dor

Esvaziem-nos dos sonhos que sonhamos
Façam tudo com zelo e com primor
Não deixem vestígios desumanos
Como folhas sem pétalas de flor...

Removam-nos do cheiro que sentimos
Todos os risos que nós dois sorrimos
Não deixem nada em nós que nos aqueça

Matem-nos de vazio, e frio e solidão
Extirpem de nós dois o coração
Nada fará com que a gente se esqueça.

Pedro Torres

Disse adeus à pessoa que mais amei

Disse adeus à pessoa que mais amei
Como quem se despede de si mesmo
Sonhos frágeis vagando tão à esmo
Não falavam do sonho que sonhei
Nem das juras sinceras que jurei
Logo eu que jurei jamais mentir
Nessa hora do adeus fui lhe trair
Pois, meu peito dizia volta logo
E a minha boca falava um monólogo
Que um 'te amo' foi o que quis ouvir.

Pedro Torres

A saudade chegou sem avisar Invadiu de uma vez meu coração.

No mote da poetisa Dayane Rocha, eu imaginei dizer:

Trago um sorriso no meu rosto
Lembrando da minha alegria
Quando aquela manhã tardia
Trouxe pra mim o seu gosto
Agora num momento oposto
Que tá distante a minha razão
O meu olhar logo muda de feição
E fica impossível disfarçar
A saudade chegou sem avisar
Invadiu de uma vez meu coração.

Pedro Torres

Passa a vida bailando Pelo bailado da vida

No mote do poeta Raimundo Asfora eu disse:

Passa a vida bailando
Pelo bailado da vida
Quando quimera perdida
Do sono vai despertando
A primavera chegando
Faz colorida alguma
Flor dormente na bruma
Do jardim de esperanças
'Frágeis, fragílimas danças
De leves flocos de espuma'

Pedro Torres

Amar dói!

Não. Eu não esperava que doesse. Pra ser bem franco. Eu nada esperava.
E, agora que dói, não sinto vontade de recusar a dor. Também da dor eu não abdicaria. Ainda que quisesse a renúncia. Por um ato qualquer de razão, ainda assim, por esta mesma razão. Eu teria que aceitar antes a dor. Já dói, e doerá ainda um bom tempo. Que seja bom, pois, o tempo de doer. O tempo antes de doer já não era bom. Amar dói!

Amor não tem bandeira

Amor não tem bandeira
Amor não tem nação
Partido, ou religião
Amor não tem fronteira
Amor é a verdadeira
Ordem do Criador
Ame seja quem for
Foi o que ele disse
Deixe, pois, de tolice.
E viva no seu amor.

Pedro Torres

A estrada do amor que caminhas

Assim olhando quase ninguém vê
Muitos dos mistérios guardados
Obscurecidos, não revelados
Muitos não conseguem sequer ler
As frases imersas de um querer
Resguardadas pelas entrelinhas
Inclinada, porém, nestas linhas
A letra latente de um amor
Na face causando tanto rubor
A estrada do amor que caminhas

Pedro Torres

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

perdoa-me amar-te tanto

agora que derramo o meu pranto
eu de nada lamento.
não há culpa em bem querer
não há culpados.
e que tão boa seria a culpa
de haver-se no amor quedados

Ah! Deus meu, manda-me a tua fúria silenciosa
Ameniza a dor que sinto, imensamente.
Mas, Senhor, se for da vontade tua
Que doa mais, que doa infinitamente.

Senhor dos meus dias, dá-me sabor
Dá-me alento. Sê generoso com teu filho que pede.

Alerta-me, acorda-me.
E me tiras daqui se porventura quiseres.
que não seja o meu querer, jamais
mas que seja o Teu querer infindo.

Que me acordes de um sonho lindo
mas que se façam as tuas promessas
Que acorde, pois, em Teu amor.

Perdoa-me tanto alvoroço.
Não sinto pena de mim, mas do meu dia findo.
Temo a tua ira, Senhor dos dias meus.

Sê meu guardião. Ilumina-me serenamente.
Não me reveles se me orientares.
Ainda que parta na direção contrária.
E que meu coração preso a algo terreno
Também se parta, ou que algo dele se arranque.

Se queres de mim um pedaço, saibas.
Tens de mim todo o meu ser.
Se a mim a alguém ofertei.
Em mim iria tu que És.

te fiz uma prece.

Pedro Torres


terça-feira, 27 de novembro de 2012

A vida sem poesia Seria uma coisa errada*

A vida sem poesia
Seria uma coisa errada*

Viver seria inconstante
Menos belo, menos rico
Sem ler as letras de Chico,
A poesia de Dante
Sem o verso angustiante
De Florbela apaixonada
Sem a rima (não rimada)
De Drummond e companhia.
A VIDA SEM POESIA
SERIA UMA COISA ERRADA.

Sem Dostoiévski e Pessoa,
E sem os quadros de Frida
A vida seria vida
Mas, seria menos boa
Sem fado a linda Lisboa
Seria menos amada
Sem um samba de latada
O Rio, como seria?
A VIDA SEM POESIA
SERIA UMA COISA ERRADA

Viver seria pesado
Sem cor e quase infeliz
Sem um baião de Luiz,
Um romance de Amado
Sem a obra do aleijado
Em Minas perpetuada
Sem a música não falada
Que Vila Lobos fazia
A VIDA SEM POESIA
SERIA UMA COISA ERRADA

Paraíba, o Cariri
Seria um triste recinto
Sem ter Severino Pinto,
Maior poeta que ouvi.
Se Zé de Cazuza, ali
Não fixasse morada.
Mente privilegiada
Para arquivar cantoria.
A VIDA SEM POESIA
SERIA UMA COISA ERRADA

Que dizer do Pajeú?
Sem Rogaciano e Jó
Sem o charme de Filó,
E os versos de Xudú
Sem Catôta, Zé Lulú
E sem ouvir "A estrada"
Na cadência ritmada
E doce da voz de Bia
A VIDA SEM POESIA
SERIA UMA COISA ERRADA.

* Mote meu, adaptado de uma célebre frase de Nietzsche "O mundo sem a música seria um erro" Versos também meus.

Poeta Pe. Brás.