No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
Arrebatado em vastos turbillhões...
Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições...
-Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,
Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...
Poeta Antero de Quental
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
No Turbilhão - Antero de Quental
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Dos problemas
Se seus problemas estão no passado, ótimo, estão resolvidos, pois lá ficaram. Se são do presente, melhor ainda, você identificou a fonte dos males que te cercam. Se forem futuros, oras, pois do futuro cuidem os que lá viverem!
Pedro Torres
Pedro Torres
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Palavra Libertária
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Ventos de outono
Já sinto os ventos morosos
Da chegada do outono,
Folhas caindo do galho
Contra a vontade do dono
Vão aquecer as raizes
... Pra árvore pegar no sono.
Da chegada do outono,
Folhas caindo do galho
Contra a vontade do dono
Vão aquecer as raizes
... Pra árvore pegar no sono.
Outra oubra prima do Padroeta Brás Costa
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
Se eu fosse poeta...
Se eu fosse poeta, seria feliz
Não teria vergonha de mostrar meu pranto
E saberia transformar em canto
As palavras-dores que meu peito diz.
Se eu fosse poeta, seria aprendiz
E quando aprendesse ensinaria tanto
Sentiria um misto de paz e espanto
Quando eu recitasse um verso que fiz.
Mas não sou poeta, não tive essa graça
Por mais que eu deseje, o que quer que eu faça
Em versos, meus ais não sei traduzir.
Se eu fosse poeta, essas minhas dores
Eu as curaria com versos de amores
Não sendo poeta, só as sei sentir.
Não teria vergonha de mostrar meu pranto
E saberia transformar em canto
As palavras-dores que meu peito diz.
Se eu fosse poeta, seria aprendiz
E quando aprendesse ensinaria tanto
Sentiria um misto de paz e espanto
Quando eu recitasse um verso que fiz.
Mas não sou poeta, não tive essa graça
Por mais que eu deseje, o que quer que eu faça
Em versos, meus ais não sei traduzir.
Se eu fosse poeta, essas minhas dores
Eu as curaria com versos de amores
Não sendo poeta, só as sei sentir.
Do Padroeta Bràs Costa
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Canção do Exílio
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
Gonçalves Dias
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
Gonçalves Dias
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Um carrinho de brinquedo...
"Um carrinho de brinquedo
O meu pai fez e me deu
As rodas eram de tábua
Porque não tinha pneu
O volante era um cordão
E o motorista era eu.
Poeta Chico Sobrinho, verso enviado por Felisardo Moura Nunes
O meu pai fez e me deu
As rodas eram de tábua
Porque não tinha pneu
O volante era um cordão
E o motorista era eu.
Poeta Chico Sobrinho, verso enviado por Felisardo Moura Nunes
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domingo, 28 de agosto de 2011
Ao braço do mesmo menino Jesus quando apareceu.
O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.
Em todo o sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.
Poeta Gregório de Matos
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.
Em todo o sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.
Poeta Gregório de Matos
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domingo, 21 de agosto de 2011
Saudade...
Sem querer volto à casa do passado
Percorrendo os corredores da ternura
Me arranho novamente, pois a cura
Que eu busquei, mora lá, do outro lado
Se não quero, a lembrança faz traslado
Me transporta , atinado ao teu olor
Minha boca, lembra a tua, teu sabor
O teu mel, ainda com gosto de capa
Tua imagem, da lembrança não escapa
A saudade, me espinha e cheira a flor
Poeta Aluisio Lopes
Percorrendo os corredores da ternura
Me arranho novamente, pois a cura
Que eu busquei, mora lá, do outro lado
Se não quero, a lembrança faz traslado
Me transporta , atinado ao teu olor
Minha boca, lembra a tua, teu sabor
O teu mel, ainda com gosto de capa
Tua imagem, da lembrança não escapa
A saudade, me espinha e cheira a flor
Poeta Aluisio Lopes
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domingo, 14 de agosto de 2011
A Lágrima
A Lágrima
de Augusto dos Anjos
- Faça-me o obséquio de trazer reunidos
Cloreto de sódio, água e albumina…
Ah! Basta isto, porque isto é que origina
A lágrima de todos os vencidos!
-”A farmacologia e a medicina
Com a relatividade dos sentidos
Desconhecem os mil desconhecidos
Segredos dessa secreção divina”
- O farmacêutico me obtemperou. -
Vem-me então à lembrança o pai Yoyô
Na ânsia física da última eficácia…
E logo a lágrima em meus olhos cai.
Ah! Vale mais lembrar-me eu de meu Pai
Do que todas as drogas da farmácia!
Pedro Torres
de Augusto dos Anjos
- Faça-me o obséquio de trazer reunidos
Cloreto de sódio, água e albumina…
Ah! Basta isto, porque isto é que origina
A lágrima de todos os vencidos!
-”A farmacologia e a medicina
Com a relatividade dos sentidos
Desconhecem os mil desconhecidos
Segredos dessa secreção divina”
- O farmacêutico me obtemperou. -
Vem-me então à lembrança o pai Yoyô
Na ânsia física da última eficácia…
E logo a lágrima em meus olhos cai.
Ah! Vale mais lembrar-me eu de meu Pai
Do que todas as drogas da farmácia!
Pedro Torres
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
Severina Branca, por Zeto.
Sou da casa em que de madrugada
A criança acalenta-se ao cio
E faz sombra com a luz de um pavio
Que tem fogo amarelo igual espada
A mulher nua e fria está deitada
Ao seu lado um parceiro de aventuras
Que lhe mente a tentar fazer ternuras
Traz na bota dinheiro escondido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras
Geralmente depois das oito horas
Tomo banho me arrumo no meu quarto
Para o salão toda enfeitada toda parto
Pra aceitar uns convites, e outros foras.
A cachaça e o fumo são escoras
Dando ao corpo alegrias e torturas
E as doses que eu tomo são tão puras
Que o ambiente se torna colorido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras
O pecado pra mim é testemunha
Pois ladeia o meu peito o tempo inteiro
Do primeiro ao último parceiro
Dou um nome diferente, faço alcunha.
O vermelho é perene em minha unha
Meu trabalho é melhor sendo às escuras
Sou alguém que procura umas procuras
Que navegam no rio do gemido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.
Mas às vezes pra cama eu vou sozinha
Procurei muitos homens não achei
E aquele que eu mais acreditei
Deu-me um “seixo” e eu paguei o quarto à Dinha
Eu já sei que é tardia a ladainha
Parecido com um pingo em pedras duras
Sou irmã, pois, do canto das loucuras
E o meu peito é acorde do alarido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras
Poema transcrito do LP de Zeto – Andarilho
Pedro Torres
A criança acalenta-se ao cio
E faz sombra com a luz de um pavio
Que tem fogo amarelo igual espada
A mulher nua e fria está deitada
Ao seu lado um parceiro de aventuras
Que lhe mente a tentar fazer ternuras
Traz na bota dinheiro escondido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras
Geralmente depois das oito horas
Tomo banho me arrumo no meu quarto
Para o salão toda enfeitada toda parto
Pra aceitar uns convites, e outros foras.
A cachaça e o fumo são escoras
Dando ao corpo alegrias e torturas
E as doses que eu tomo são tão puras
Que o ambiente se torna colorido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras
O pecado pra mim é testemunha
Pois ladeia o meu peito o tempo inteiro
Do primeiro ao último parceiro
Dou um nome diferente, faço alcunha.
O vermelho é perene em minha unha
Meu trabalho é melhor sendo às escuras
Sou alguém que procura umas procuras
Que navegam no rio do gemido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.
Mas às vezes pra cama eu vou sozinha
Procurei muitos homens não achei
E aquele que eu mais acreditei
Deu-me um “seixo” e eu paguei o quarto à Dinha
Eu já sei que é tardia a ladainha
Parecido com um pingo em pedras duras
Sou irmã, pois, do canto das loucuras
E o meu peito é acorde do alarido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras
Poema transcrito do LP de Zeto – Andarilho
Pedro Torres
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