quinta-feira, 30 de julho de 2009

“A morte está enganada, Eu vou viver depois dela”.

Quando eu partir deste abrigo
Seguir à mansão sagrada,
A morte está perdoada
Do que quis fazer comigo,
Quis que eu fosse igual ao trigo
Que ao vendaval se esfarela,
Mas eu vou passar por ela
De cabeça levantada
“A morte está enganada,
Eu vou viver depois dela”.

Manoel Filó

Quadrinhas...

Sou um poeta que prima
Pelas belezas do sertão
Expulso do peito a rima
Presas no meu coração

Só Jesus faz amor todo dia.
Eu vim ao mundo pra ser
Um pecador por merecer
Perdão da Virgem Maria.

Saudade fogueira em brasa
Ímã de mil magnetos...
Oferto a teu pai uns netos
pra vir morar na minha casa

Eu ave da noite e do dia
Se enterrado em cova rasa
Fica de fora uma asa
Por me sobrar poesia

Pedro Torres

À medida que for lembrando das quadrinhas que fiz vou postando aqui, agonizando umas tentativas.

Peço aos poetas da boa poesia que corrijam-me na métrica, porque to aqui pra aprender e quero honrar a iguaria que aprecio.

Divergência

Seja grosseira, me responda aos gritos
Encha de mágoa o meu interior
Seus seios virgens, quentes e bonitos
Também tiveram culpa em minha dor

Sem machucar os corações aflitos
Deve ser muito bom morrer de amor
Seus olhos mostram dois aerólitos
Enfeitando o espaço ao sol se pôr

Já que não posso merecer seu porte
Fico parado condenado a sorte
Que não nos trouxe condições iguais

Eu não sou cofre de guardar segredo
Ou tive culpa de nascer mais cedo
Ou foi você que demorou demais

Manoel Filó

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sem nome

Eu soube de tuas setas
Fiquei até sem palavras...
Ao ouvir por tuas lavras
Das juras suas secretas

Que por minhas portas abertas
Entrara o amor que incendeia
Nesse coração que alardeia
Desde as searas mais desertas

À cidade mais cosmopolita
És a morena mais bonita
Que tem lá na minha aldeia

Essa distância não existe!
E é mentira que estou triste!
É tudo um ledo engano!

Esse teu nada de essência,
Essa dor te tua ausência,
É o meu mais puro insano.

Pedro Torres

Vergonha

Quando passo, entre passos
Nas ruas do meu Recife
Chego em casa em pedaços
Miséria, dor e sofrimento

Nas calçadas e ruas esburacadas
O clamor do cheira cola
Criança de alugueis morrendo de fome
A pedir esmola por amor a um Deus

Velhos, aleijados e desgraçados
O que penso é a humilhação
Que fazem seu instrumento de trabalho
Uns reprovam, outros não

Qual a expectativas para estes seres
Que esquecemos que sentem frio
São almas humanas iguais a nós
Nas suas guerras intimas, estão por um fio

Manoel Fernandes Maia

Eu e o Galo-de -Campina

Triste sina de um Galo-de-Campina
Que era alegre bem antes da prisão,
Mas foi preso nas grades do alçapão
E hoje chora no canto a triste sina.

Eu também tive a sina repentina,
Pois um dia fui livre e hoje não.
Na tristeza, esse Galo é meu irmão:
Minha sina da dele é copia fina.

Hoje a casa do Galo é a gaiola.
Notas tristes no canto é que ele sola.
A saudade do Galo - a vastidão.

O meu canto é um canto de lamento.
A gaiola é o meu apartamento.
E a saudade que eu sinto é do sertão.

Vinicius Gregório

Meu peito e o chão

Preparei minha terra pra plantar,
Mas a chuva não veio até agora...
Enfeitei o meu peito para amar,
E a mulher que mais amo foi embora...

Mas as nuvens já vêm anunciar,
Que uma chuva virá regando a flora.
Só não veio ninguém pra me avisar,
Se quem amo virá na mesma hora.

Mesmo assim o meu peito é como o chão,
Sempre fértil, está de prontidão,
Esperando chover bem de mansinho...

Mas um chão, sem chover, pode rachar
E o meu peito, cansado de esperar,
Rachará nessa seca de carinho!

Vinícius Gregório
Recife 30/04/2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

Doces Lembranças

Mando de volta as cartas que enviaste,
Me declarando tão profundo amor,
E te pergunto por que é que deixaste,
O peito de amas sofrer tanta dor.

Ah! Lindas noites as quais me amaste,
E em beijaste, tal qual beija-flor,
Noites ardentes em que deliraste,
E trouxeste à tona um sonho multicor,

Hoje meu peito triste, amargurado,
Transformou todo sonho do passado,
Neste mundo cinzento em meu presente.

Para mim, restaram só doces lembranças,
Quando agarrava tuas longas tranças,
E tu roçavas em meu corpo quente.

Ciro Menezes

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Anjos

I
Anjos se lançam em pedras rijas
Pedras de amor de sentir-se dor
E são como águas que queimam
Ardem no frio e aquecem-se sós.

Celebram o raiar do sol, diário
Que de lá partem as liras e sons
Dos cânticos de ventos suaves
E das brisas fortes que afagam

Se bárbaros os recentes divinais
Que se apresentam, ora tristes
Para acompanhar o teu pesar,
Ora felizes em teus risonhos.

II

Se acaso então, eletricidade fui, hei
E nos breves penares estaria certo
A água da fonte jorraria no deserto
Cresce em decrescente, ou morrerei

Cheira os panos novos e suaves
Alivia os teus pés nos gélidos rios
Nas cascatas d'onde pedras cristalinas
Refletem linda cores inda impetuosas

Deslembra tudo, doa olor à flor mais cheirosa
Pois que és tu primavera, dês antes perfumosa
Dos espinhos que esmaguei de pés descalços
Pois inexistem travestidas as ruas de percalços

Se te passar, por um som, ou um vento frio
E acaso do cabelo castanho sedoso, um fio
Atrapalhar-se e te tocar suavemente, pensa
Relembra a palavra sinônimo de esquecer.

Descrente da língua pela qual me apaixonara
Triste do poeta que mergulhou nas palavras
Emaranhado no sombrio das letras só vazias
Que não te quero nada mais, nem de menos

Nunca deslembra da poesia de vivenciarmos
Nem por um segredo nosso à desvendarmos
Que fora uma mentira tua de minha ciência
Da carne incólume e imaculada conhecer-te

Das ideias secretas que imaginas não saberia
E não seriam revelados naquele pano branco
Do metro quadrado de linho do poema, mais
Esquece todas as juras vãs que te fiz, d'antes

III

Porque d'agora em diante eu serei mais feliz
Sabedor de tuas promessas de amor constante
Não quero provas da minha amiga verdadeira
Basta-me a tua palavra, honesta que honrarei

Vivo e morrerei por ela, minha adorada amiga
Na minha armadura não penetram lanças vis
E defendo teu reino contra os inimigos cruéis
Pois, existem nesta terra nobres senhores fiéis

Amigos de outras batalhas que travei e venci
Com glória e semblante sempre vencedor
Senti medidas de algum outro digno perdedor
Mas as adversidades fizeram-me crer no amor

E o zelo quis me conduzir a castelos de sonhos
E de ti me lembrei em cada travesseiro macio
E só quando, pra casa voltava cansado da luta
Encontrava no cio o amor de toda a minha vida

IV

Ah! Malditos moinhos que me revelastes certo dia
Faltaram-me palavras já no fim da vida a dizer-te:
Tua honra, por cego, intacta zelei, de tanto querer-te
Poeta pixote, o anjo da sorte, o cavaleiro errante!

Pedro Torres

Herdar o tempo

Eu quebrei mais de um tabú
Dormi no chão comi puro
Vencer na moleza é facil
Mas, eu venci dando duro
Peguei a nave do tempo
Voando atrás do futuro

Poeta Glaubênio Teles