sábado, 20 de dezembro de 2014

Desintoxicação

Preciso, desesperadamente,
De um verso doce de amor.
A frase certa que alivia
Que descansa a alma
E faz sentir de novo algo quente e cheiroso
Como uma xícara de café quente!

Não preciso de um verso-Deus
Que ressuscite nada!
Basta-me, apenas, a poesia...
Expirar esse gás carbônico
Que me seca a inspiração
E repousar meu espírito em um abraço

Único!

Pedro Torres

domingo, 16 de novembro de 2014

Alucinação

Bebo doses maciças de ansiedade
E me ausento do mundo das certezas
Deixo a dúvida arder entre as friezas
Desse breve torpor de realidade.

Anoitece e a fumaça da cidade
Decorada por mil luzes acesas
Pinta o céu de amarelo e as impurezas
Ganham cor, disfarçando a falsidade. 

Eu me esforço em deixar minh'alma sã
E à janela eu convoco outra manhã
Que preencha de luz meu pensamento...

Recordando o perfume da campina
"O silêncio da nuvem me alucina
Nesse mapa irreal de sentimento"

Pedro Torres
Mote de Mariana Véras

Vou vender meu coração Por qualquer tostão furado.

Já se passou tanto tempo
Desde o meu último romance
Que eu nem sei se existe chance
De findar meu contratempo.
Se nem pra ser passatempo
Eu tenho sido sondado
Pra não morrer desprezado
Na primeira ocasião
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Pedro Torres

Porque o espinho faz parte da roseira E é besteira dizer que se esqueceu.

Quando a gente ama mesmo uma pessoa
Não importa se acaso ela nos fira
Que é melhor se calar sendo mentira
Que falar que não ama sendo a toa.
A saudade é o espinho que magoa
Na roseira do sonho que morreu
Eu não posso culpar quem prometeu
Ser amor ao meu lado a vida inteira
Porque o espinho faz parte da roseira
E é besteira dizer que se esqueceu.

Pedro Torres.

O mundo tá se acabando E tem quem diga que não.

Nem se houvesse outra Alcatraz
Cabia tanto bandido!
Que o petróleo foi vendido
Porém, barato demais...
Afundaram a Petrobrás
Num mar de corrupção
E inda tem muito ladrão
Do poço fundo, jorrando...
O mundo tá se acabando
E tem quem diga que não.

Pedro Torres

Na loteria da morte Todos serão contemplados!

NA LOTERIA DA MORTE
TODOS SERÃO CONTEMPLADOS

Dentre os jogos de azar
Nenhum é mais democrático
Pois, sendo um sorteio prático
Ninguém consegue escapar.
Todo mundo vai ganhar
Celebração de finados!
Pois, nesse jogo de dados
Todos têm a mesma sorte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Como bois indo pro abate
É nossa vida terrena
Tentamos fugir da pena
Até que a morte nos mate.
Do rico dono de iate
Ao pobre, de alguns trocados,
Todos serão derrubados
No dia exato do corte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Ter orgulho e vaidade
É vão demais, pode crer
Porque depois de morrer
Se acaba a desigualdade.
No banco da eternidade
Têm-se os débitos sanados
E a conta dos humilhados
Recebe o perdão de aporte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Juntar bens materiais,
Entre outras coisas vãs,
São heresias pagãs
Desnecessárias demais.
Ser rico mesmo, é ter paz
E amigos acumulados
Pra os que ficarem, coitados,
Ter alguém que lhes conforte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

A vida não é cassino
Pra ninguém ganhar aposta
Pois, quem odeia e quem gosta
Enfrenta o mesmo assassino.
O tempo cumpre o destino
Ao qual estamos fadados
E, após, sermos sorteados
Pifa o fraco e bate o forte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Pedro Torres

Quem passar no castelo da saudade Dê lembrança ao amor que já foi meu.

Essa hora que a noite abarca o dia
Numa tarde saudosa de dezembro
Passa um filme na mente, e eu me lembro
Do calor de um abraço que eu queria.
Eu daqui pra morrer só gostaria
De saber se de fato, ela esqueceu
Se ela sabe que o nosso amor morreu
Mas, ficou no meu peito "inda" metade
"Quem passar no castelo da saudade
Dê lembrança ao amor que já foi meu."

Pedro Torres
Mote de Neuza Clementino

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pendurei na parede do meu peito Seu retrato num quadro de saudade!

Meu casebre de sonhos assombrado
Já não vive paixões faz tanto tempo
Que lembranças de amor de passatempo
Tem há tempos meu sono, atormentado.
Sem querer mais lembrar desse passado
Que deixou meu presente na ansiedade
Vou tentando sonhar na liberdade
Do que eu tento esquecer, sem achar jeito...
"Pendurei na parede do meu peito
Seu retrato num quadro de saudade!"

Sem eu ter condições de lhe esquecer
Pelo menos, de um jeito mais completo
Vou vivendo num mundo tão secreto
Que é capaz da vontade se perder.
Não é fácil encontrar algum prazer
Quando a falta não traz felicidade
E remédio pra ausência quando invade
É danado pra não fazer efeito...
"Pendurei na parede do meu peito
Seu retrato num quadro de saudade!"

Pedro Torres
Mote de Catarine Aragão

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Um segundo!

Tem-se tudo e, ao mesmo tempo, nada
Nesse instante se faz mais necessário
Era como se o dia e o calendário
Se encontrassem na data programada.

Um momento sem antes nem depois
Só durante e assim mesmo um infinito
Onde sonhos passeiam, tão bonito
Quanto os raios de um sol que já se pôs.

É uma espera do que não vai chegar
Por estar, já bem antes, onde existe
Num sorriso no rosto, ou pranto triste,
Que inda insiste em querer se apropriar.

Tudo aquilo indomável que nos toma
Paralisa a garganta e o peito expulsa
Quando a voz do desejo sai convulsa
Da megera do orgulho que entra em coma.

Dá-se o fim das razões e toda lógica
Numa ausência completa de conceitos
Nessa força gigante entre dois peitos
Na paixão sem distância ideológica.

Pelo brilho dos cílios se revela
A saudade escorrendo pelos olhos
Como a bruma lançada sob abrolhos
Corre face uma lágrima singela.

Ninguém sabe, de fato, a explicação
Desse grande mistério sem mistério
Dos meandros do íntimo refrigério
Quando as almas se tocam na emoção.

Todos cinco sentidos se aprimoram
Mas, o olhar é de longe o mais arguto
Quando o vento ao passar deixa-lhe enxuto
E põe riso na face dos que choram.

Toda vez que a lembrança acende a chama
Arde um par de saudade onde lhe abraça
E isso é quase metade do que passa
Num segundo de olhar de quem se ama.

Pedro Torres

terça-feira, 15 de julho de 2014

Sonetos (Sem título)

(sem título)

Quem dera um dia um pensamento líquido
Se derramasse por sobre o papel
E o amor surgisse do traço fiel
Da honestidade dum pranto vertido...

Talvez, houvesse o mundo convencido
Que a dor da espera pode ser cruel
Tal qual a abelha que oferece o mel
E ninguém colhe sem qualquer ferido.

Se numa prova de papéis lavados
Ali tocassem teus lábios rosados
Desvendarias todo o seu sabor...

Mas, nada dizes nos teus atos loucos,
E uma saudade vai morrendo aos poucos
Nos labirintos desse doido amor...

Críticas

Entre o orgulho que tanto desconforta
E o vazio de quem não sente falta
Eu prefiro a verdade que se exalta
Quando a falta de alguém nos bate à porta.

Se a mentira vivesse sempre morta
Haveria, somente, na ribalta
A poesia onde o amor do peito salta
E a barragem do olhar abre a comporta.

E se os críticos pensam me abater...
Por não ser mais senhor do meu querer
Quando estou ante a luz do teu olhar...

Eu não posso aceitar com falsidade
Pois, prefiro, mil vezes, ter saudade
Do que não ter amor pra recordar!

(sem título)

Desata o nó que te prende ao chão
Solta o balão da felicidade
Voa bem alto pela imensidade
Sonha mais forte com teu coração.

Decora um hino pra nova canção
Canta um baião de matar saudade
Põe melodia nessa liberdade
No descompasso dessa solidão.

Esquece as dores que no amor tem vida
Abre a janela que o vento convida
E mostra ao mundo já não te importares...

Vai pelas flores, sem jogar espinho
Cuida que a vida te dá um caminho
Pra ser o mesmo se tu regressares.

(sem título)

Queres que eu diga que a saudade manda
Nesse meu peito que te quer, ainda,
Que a nossa história é uma história linda
Que nunca finda porque não desanda.

Mas, eu não sei sequer onde é que anda
Minha alegria pela tua vinda
E, além de tudo, uma história infinda
Não vive só, ausente uma outra banda.

Também precisa se fazer carinho
Ter segurança que todo o caminho
Leva ao reduto da nossa "amizade"...

Amar amar, mas, sem amar a dor
Que a dor faz parte, mas, nenhum amor
Vive, somente, de sentir saudade.

(sem título)

Tu pensas mesmo que acredito em ti?
Nesse arrodeio que sempre tu fazes?
Ganhar intrigas pra perder as pazes
Só pra dizeres que não me esqueci?

Tu sabes tanto que eu não te menti
Nos teus arroubos sempre tão mordazes
Que as tuas juras muito mais fugazes
Deram motivos ao que te pedi

Não me tiveste porque não quiseste
E essa tristeza tua não reveste
Esse meu peito que te pertenceu

Mas, não reclames do que foi-se embora
Porque se acaso tu choras agora
Tens no teu pranto o que já foi meu!

(sem título)

Quem iria entender o nosso amor
E a pureza do nosso sentimento?
Se a saudade desfolha-se no vento
Quem diria querer ser uma flor?

Se tem verdade em tua falsidade
Faltou saudade provando da morte
Sem ter vontade provaste do corte
Que a vida segue sem ter piedade.

Tu me quiseste... reduzido a pó!
Sendo só teu, mas, vivendo só
Como um fantasma dum sonho plebeu

Quem vive a vida sempre na dormência
Não ganha nada, nem experiência
Nem se reclama porque não doeu!

Usura

Jamais perco, no amor, o amor doado
Pois, o amor se renova pra quem doa
Mas, não é por ser livre que a pessoa
Vai doar-se sem ser (de volta) amado.

Logo, não vou querer ser desprezado
Perder tempo com quem não me perdoa
Que o perdão é do amor como a canoa
É das águas do rio... predicado!

Se o teu peito, também, sente saudade
E nos erros ficamos na igualdade
Isso tudo é vingança porque errei?

Como queres partir e alguém amar
Se não sabes sequer me perdoar
Sendo que meu perdão, eu já te dei?

Pedro Torres