Preparei bem cedo o meu currículo
Eu contava de todas as manobras
Que eu fiz quando fui mestre de obras
Mas, julgaram estar muito ridículo
Porque lá só havia um cubículo
Construído com cimento da vontade
Os tijolos fornidos de verdade
Empregados naquela construção
Sustentavam em paredes de razão
Alicerces bem fortes de saudade
Pedro Torres
sábado, 5 de janeiro de 2013
Chora triste a viola com saudade Dos repentes bonitos do seu dono'
'A viola sentida faz questão
De viver enrolada nun recanto
Envolvida daquele pobre manto
De um tecido grosseiro de algodão
Por não ter mais o frevo do baião
De quem dorme o seu eterno sono
Vive ela num triste abandono
Desistida de toda vaidade
Chora triste a viola com saudade
Dos repentes bonitos do seu dono'
Colhido por Pedro Tunú numa cantoria de há
muito tempo em razão da morte do poeta
Canhotinho.
De viver enrolada nun recanto
Envolvida daquele pobre manto
De um tecido grosseiro de algodão
Por não ter mais o frevo do baião
De quem dorme o seu eterno sono
Vive ela num triste abandono
Desistida de toda vaidade
Chora triste a viola com saudade
Dos repentes bonitos do seu dono'
Colhido por Pedro Tunú numa cantoria de há
muito tempo em razão da morte do poeta
Canhotinho.
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Decanto de Poetas
Passa a vida o tempo voa Nas asas da ilusão.
No mote improvisado do poeta Geraldo Amâncio
Pereira eu disse:
Nada daqui nós levamos
Pro outro lado do mundo
Que a vida num segundo
Retém tudo que plantamos
E o que cicatrizamos
Com tanta fé e razão
Cai nas garras da emoção
Arranha tudo e magoa
Passa a vida o tempo voa
Nas asas da ilusão.
Pedro Torres
Pereira eu disse:
Nada daqui nós levamos
Pro outro lado do mundo
Que a vida num segundo
Retém tudo que plantamos
E o que cicatrizamos
Com tanta fé e razão
Cai nas garras da emoção
Arranha tudo e magoa
Passa a vida o tempo voa
Nas asas da ilusão.
Pedro Torres
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Decanto de Poetas,
Poesias Repartidas
Pus no mar do esquecimento As coisas do meu passado
No mote do poeta Silvano Lyra Mauricea eu fiz:
Tudo que não prestava
Eu pus na lata do lixo
Refiz tudo no capricho
Enquanto me preparava
Para o ano que chegava
Pra me sentir renovado
Fui fazendo com cuidado
Faxina no pensamento
Pus no mar do esquecimento
As coisas do meu passado
Pedro Torres
Sempre fico imaginando,
A cena do mar vermelho,
Nem preciso de espelho,
Pra ver o povo passando
Os do Egito naufragando,
Deus mostrando seu cuidado,
Um a um deu grande brado,
Na fala e no sentimento,
Pus no mar do esquecimento,
As coisas do meu passado.
Poetizante BR
Tudo que não prestava
Eu pus na lata do lixo
Refiz tudo no capricho
Enquanto me preparava
Para o ano que chegava
Pra me sentir renovado
Fui fazendo com cuidado
Faxina no pensamento
Pus no mar do esquecimento
As coisas do meu passado
Pedro Torres
Sempre fico imaginando,
A cena do mar vermelho,
Nem preciso de espelho,
Pra ver o povo passando
Os do Egito naufragando,
Deus mostrando seu cuidado,
Um a um deu grande brado,
Na fala e no sentimento,
Pus no mar do esquecimento,
As coisas do meu passado.
Poetizante BR
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Poesias Repartidas
Pus no mar do esquecimento as coisas do meu passado.
No mote do poeta Silvano Lyra Mauricea:
Joguei um amor no lixo
Pois, estava estragado
Eu andava amargurado
Por causa de um capricho
E deletei o prefixo
Do telefone anotado
Não quero nenhum recado
Que fale do sentimento
Pus no mar do esquecimento
As coisas do meu passado.
Não guardo tranco em lombada
Mágoa, rancor, ou ciúme
Como frasco de perfume
Vazio, não serve de nada
Nem amor só de fachada
Que só vinga em feriado
E quando fica afastado
Só nos causa sofrimento
Pus no mar do esquecimento
As coisas do meu passado.
Pedro Torres
Joguei um amor no lixo
Pois, estava estragado
Eu andava amargurado
Por causa de um capricho
E deletei o prefixo
Do telefone anotado
Não quero nenhum recado
Que fale do sentimento
Pus no mar do esquecimento
As coisas do meu passado.
Não guardo tranco em lombada
Mágoa, rancor, ou ciúme
Como frasco de perfume
Vazio, não serve de nada
Nem amor só de fachada
Que só vinga em feriado
E quando fica afastado
Só nos causa sofrimento
Pus no mar do esquecimento
As coisas do meu passado.
Pedro Torres
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Decanto de Poetas,
Poesias Repartidas
Que eu sofria com a falta de atenção Mas você já deixou de fazer falta
No mote do poeta Dudu Morais:
Tua prosa infiel denunciou
Foi você quem seguiu outro caminho
Eu não quero saber do vil espinho
Que um dia o meu peito machucou
Se em mim outro amor se aboletou
Se o frio que sentes te maltrata
E apagaram as luzes da ribalta
No teatro perverso da ilusão
Que eu sofria com a falta de atenção
Mas você já deixou de fazer falta
Pedro Torres
Tua prosa infiel denunciou
Foi você quem seguiu outro caminho
Eu não quero saber do vil espinho
Que um dia o meu peito machucou
Se em mim outro amor se aboletou
Se o frio que sentes te maltrata
E apagaram as luzes da ribalta
No teatro perverso da ilusão
Que eu sofria com a falta de atenção
Mas você já deixou de fazer falta
Pedro Torres
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O nosso amor merecia Ter vivido um pouco mais
No mote do poeta Cicinho Moura :
Terminou o que não finda
E fiquei lembrando o cheiro
Muito quente, verdadeiro
De uma flor muito linda
Eu também lembrei, ainda,
De tudo aquilo que faz
Sentir o doce que traz
O 'néctar que extasia'
O nosso amor merecia
Ter vivido um pouco mais
É alento de esperança
A barra do novo dia
Que nos traz a fantasia
De renovada aliança
O nosso amor na balança
Nunca pesou para trás
Pende pra frente, aliás,
Tem é tanta poesia
Que nosso amor merecia
Ter vivido um pouco mais
Um ano velho termina
Um ano novo começa
Vamos viver sem a pressa
Que nosso amor ilumina
Também essa lamparina
Clareia tanto que faz
Os dias brutos demais
Doces como melancia
O nosso amor merecia
Ter vivido um pouco mais
Pedro Torres
Eu inda sinto na saliva
Como doce que se acaba
Sinto que a paixão baba
Como se estivesse ativa
Como se estivesse viva
Sem the end, sem finais
Mas a nossa história jaz
Na memória de outro dia
O nosso amor merecia
Ter vivido um pouco mais
Hélio Ferreira Lima
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No teatro cruel da falsidade Eu já fui um ator considerado
Mote: Silvano Lyra Mauricea
Nesse palco da vida eu fui artista
Um ator de comédia iniciante
No papel de um grande figurante
Apaixonado pela protagonista
Ela atriz cruel e vigarista
Fez a luzes do palco apagado
Se fingia que havia enganado
Enganava na fala da verdade
No teatro cruel da falsidade
Eu já fui um ator considerado
Pedro Torres
Nossas cenas roubadas entre os atos
A cortina se abriu nessa estreia
Espantamos de vez toda plateia
E erramos os dois feito dois ratos
E a raiva cresceu entre os fatos
E os óscar de mim foi retirado
Eu tentei te gritar fiquei calado
Tu não sabe dizer o que é verdade
No teatro cruel da falsidade
Eu já fui um ator considerado
Dayane Rocha
Eu já fui da mentira o portador
Atuava na arte de iludir
Sempre fui talentoso pra mentir
Dedicado pra ser enganador
Até hoje me chamam traidor
E nem acho esse fardo tão pesado
Ainda sinto saudade do passado
Que eu podia exercer minha maldade
No teatro cruel da falsidade
Eu já fui um ator considerado.
Cicinho Moura
Nesse palco da vida eu fui artista
Um ator de comédia iniciante
No papel de um grande figurante
Apaixonado pela protagonista
Ela atriz cruel e vigarista
Fez a luzes do palco apagado
Se fingia que havia enganado
Enganava na fala da verdade
No teatro cruel da falsidade
Eu já fui um ator considerado
Pedro Torres
Nossas cenas roubadas entre os atos
A cortina se abriu nessa estreia
Espantamos de vez toda plateia
E erramos os dois feito dois ratos
E a raiva cresceu entre os fatos
E os óscar de mim foi retirado
Eu tentei te gritar fiquei calado
Tu não sabe dizer o que é verdade
No teatro cruel da falsidade
Eu já fui um ator considerado
Dayane Rocha
Eu já fui da mentira o portador
Atuava na arte de iludir
Sempre fui talentoso pra mentir
Dedicado pra ser enganador
Até hoje me chamam traidor
E nem acho esse fardo tão pesado
Ainda sinto saudade do passado
Que eu podia exercer minha maldade
No teatro cruel da falsidade
Eu já fui um ator considerado.
Cicinho Moura
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Poesia que veste a alma faz Do poeta um exímio costureiro
No mote do poeta Silvano Lyra Mauricea eu fiz:
A costura da rima no repente
Tece n'alma o puro sentimento
Estes versos nascidos do momento
Sintetizam o que poeta sente
Sai cosendo o sensível pela mente
Na fazenda inconsútil do meeiro
Numa linha de traço verdadeiro
O poema costurado se perfaz
Poesia que veste a alma faz
Do poeta um exímio costureiro
Alfaiate de versos bem preciso
Do poema o poeta tece o fio
A agulha trabalhando no feitio
Duma teia intricada d'improviso
Junta as dores e dela faz o riso
Compra pano pra manga sem dinheiro
E trabalha na roda o dia inteiro
Que nenhuma outra moda lhe apraz
Poesia que veste a alma faz
Do poeta um exímio costureiro
Pedro Torres
No estoque de panos e costuras
Onde as linhas também já fazem parte
Costurando por dentro nossa arte
Etiqueta das roupas são culturas
O botão que é pregado das agulhas
Foi usado também pelo um guerreiro
Eu dei força a Davi tão verdadeiro
Derrubar até mesmo o satanás
Poesia que veste a alma faz
Do poeta um exímio costureiro
Dayane Rocha
A costura da rima no repente
Tece n'alma o puro sentimento
Estes versos nascidos do momento
Sintetizam o que poeta sente
Sai cosendo o sensível pela mente
Na fazenda inconsútil do meeiro
Numa linha de traço verdadeiro
O poema costurado se perfaz
Poesia que veste a alma faz
Do poeta um exímio costureiro
Alfaiate de versos bem preciso
Do poema o poeta tece o fio
A agulha trabalhando no feitio
Duma teia intricada d'improviso
Junta as dores e dela faz o riso
Compra pano pra manga sem dinheiro
E trabalha na roda o dia inteiro
Que nenhuma outra moda lhe apraz
Poesia que veste a alma faz
Do poeta um exímio costureiro
Pedro Torres
No estoque de panos e costuras
Onde as linhas também já fazem parte
Costurando por dentro nossa arte
Etiqueta das roupas são culturas
O botão que é pregado das agulhas
Foi usado também pelo um guerreiro
Eu dei força a Davi tão verdadeiro
Derrubar até mesmo o satanás
Poesia que veste a alma faz
Do poeta um exímio costureiro
Dayane Rocha
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Padre Brás
Mesa Virtual de Glosas I
(Em 28 e 31 de dezembro de 2012)
Padre Brás:
No dia que eu não faço
Um repente de improviso,
Meus olhos ficam sem brilho,
Minha boca sem sorriso
E fica faltando óleo
Nas molas do meu juízo.
Pedro Torres Filho:
Um poeta oleificado
Pela graxa do improviso
Deixa nós 'abestalhado'
Com uma cara de liso,
Chega a ser engraçado
Dizer que não tem juízo.
Zelito Nunes:
Poeta nessa virada,
Peço a Deus que lhe proteja
E quando você voltar
Vamos fazer uma peleja
Com muita gente aplaudindo
E muita grana na bandeja.
Padre Brás:
Sendo assim louvado seja,
Desse jeito vala a pena,
Pernambuco fica estreito,
Recife fica pequena,
Mesmo com tanto barulho,
Recife no mês de julho,
Mercado da Madalena.
Pedro Nunes:
Eu acho que vale a pena
Comprar logo meu ingresso,
Escutar o Padre Brás
Cantando e fazendo verso
Durante o mês de Santana,
Qualquer dia da semana
Vai ser um grande sucesso.
Meca Moreno:
Eu não faltarei, confesso,
Porque nos dois acredito,
O mundo estará atento,
A dupla tem gabarito,
Chegando com todo o gás,
Quero ver o Padre Brás
Na peleja com Zelito.
Pedro Nunes:
Penso que vai ser bonito,
Todos vão se divertir,
Um nasceu no Pajeú,
O outro no Cariri,
Zelito conta seus causos,
Brás declama, ganha aplausos
E a gente morre de rir.
Meca Moreno:
Iremos assim curtir,
Eu já estou ansioso,
Ouvir poemas e causos,
Eita negócio gostoso
Com Padre Brás e Zelito,
Que é um dobrado bendito
Num mundo mais amoroso.
Pedro Nunes:
Vai ser um dia pomposo
Num espaço tão pequeno,
Raios vão cair dos céus,
Os poetas têm veneno,
Mas vai ser melhor ainda
Ouvir a poética linda
Do vate Meca Moreno.
Zelito Nunes:
Sem querer ser presunçoso,
Não foi intenção minha
Provocar tantos poetas
Com minha verve fraquinha
Tanta gente se envolveu
E quase ninguém percebeu
Que o meu verso falta uma linha
Pedro Nunes:
Mano, a culpa não é minha,
Pois lhe ensinei a contar,
Se você não decorou
Pode ainda decorar
Uma tabuada daquelas
Que tinham as folhas singelas
Das cartas do beabá.
Pedro Nunes:
Prepare-se para escalar
Montanha que ninguém iça,
É poeta enquanto dorme,
No altar rezando a Missa,
Expulsa até Satanás
Esse tal de Padre Brás
Quando chega da Suíça.
Padre Brás:
Cheguei agora da Missa
E vi que a briga tá feia,
Zelito e Meca mais Pedro
É verso pra légua e meia,
Eu assisto admirado
E se fosse um delegado
Botava os três na cadeia.
Pedro Nunes:
Isso é uma proposta feia
Pra quem é elogiado
Denunciar à polícia
Para mandar um soldado
Prender poetas mindinhos
Só por causa de uns versinhos
Feitos para um exilado.
Padre Brás:
É que aqui do outro lado
Do Oceano, se a gente
Lê esses versos de classe,
Quase feitos de repente,
Renova a enfermidade
E a chaga da saudade
Volta a sangrar novamente.
Pedro Nunes:
Vou mudar o meu repente,
Trocar a minha toada,
Não quero virar o ano
Numa cela infectada,
Não é lugar de doutor,
Homem livre tem valor,
Um preso não vale nada.
Zelito Nunes:
Nessa noite da virada
Eu como bom brasileiro
Já enfeitei a latada,
Já varri o meu terreiro,
Peru e peixe de coco,
Bucho inchado e arroto choco
No primeiro de janeiro.
Pedro Nunes:
Isso é um desespero
De quem quer farrar demais
Quisera eu assistir
À Missa do Padre Brás,
Escutar o seu sermão,
Comer com moderação,
Pra romper o ano em paz.
Gregório Filomeno Menezes:
Quem não faz extravagância
Ao atravessar o ano
Pode até se sentir bem,
Levando a sério algum plano,
Mas se tudo der prefeito,
Garanto que esse sujeito
Não pertence ao gênero humano.
Pedro Nunes:
Talvez seja um tirano
Que maltrata inocente,
Mas pode ser uma pessoa
De alma benevolente,
Dessas que repartem o pão
Com criaturas que não
Tiveram a sorte da gente.
O clima aqui está quente,
Mas na Suíça é um gelo,
Padre Brás está sumido,
Mas em julho vamos vê-lo
A essa hora do dia
Deve estar na Sacristia,
Pela fé ele tem zelo.
É bom a gente benzê-lo
Quando voltar ao Brasil,
Onde ele está ninguém mata,
Aqui matam de fuzil,
É uma guerra sem nome,
Gente aqui morre de fome,
Gente lá morre de frio.
Meca Moreno sumiu,
Zelito e Brás foram embora,
Fiquei sozinho no Face,
Velei-me Nossa Senhora,
Abandonaram esta praça
Estão bebendo cachaça
O que vou fazer agora?
Melhor aguardar a hora
Do Ano Novo chegar,
Deus me livre que a seca
Em treze vá castigar,
É melhor cair na farra
Pra depois olhar a barra
Quando a manhã despontar.
(Em 28 e 31 de dezembro de 2012)
Padre Brás:
No dia que eu não faço
Um repente de improviso,
Meus olhos ficam sem brilho,
Minha boca sem sorriso
E fica faltando óleo
Nas molas do meu juízo.
Pedro Torres Filho:
Um poeta oleificado
Pela graxa do improviso
Deixa nós 'abestalhado'
Com uma cara de liso,
Chega a ser engraçado
Dizer que não tem juízo.
Zelito Nunes:
Poeta nessa virada,
Peço a Deus que lhe proteja
E quando você voltar
Vamos fazer uma peleja
Com muita gente aplaudindo
E muita grana na bandeja.
Padre Brás:
Sendo assim louvado seja,
Desse jeito vala a pena,
Pernambuco fica estreito,
Recife fica pequena,
Mesmo com tanto barulho,
Recife no mês de julho,
Mercado da Madalena.
Pedro Nunes:
Eu acho que vale a pena
Comprar logo meu ingresso,
Escutar o Padre Brás
Cantando e fazendo verso
Durante o mês de Santana,
Qualquer dia da semana
Vai ser um grande sucesso.
Meca Moreno:
Eu não faltarei, confesso,
Porque nos dois acredito,
O mundo estará atento,
A dupla tem gabarito,
Chegando com todo o gás,
Quero ver o Padre Brás
Na peleja com Zelito.
Pedro Nunes:
Penso que vai ser bonito,
Todos vão se divertir,
Um nasceu no Pajeú,
O outro no Cariri,
Zelito conta seus causos,
Brás declama, ganha aplausos
E a gente morre de rir.
Meca Moreno:
Iremos assim curtir,
Eu já estou ansioso,
Ouvir poemas e causos,
Eita negócio gostoso
Com Padre Brás e Zelito,
Que é um dobrado bendito
Num mundo mais amoroso.
Pedro Nunes:
Vai ser um dia pomposo
Num espaço tão pequeno,
Raios vão cair dos céus,
Os poetas têm veneno,
Mas vai ser melhor ainda
Ouvir a poética linda
Do vate Meca Moreno.
Zelito Nunes:
Sem querer ser presunçoso,
Não foi intenção minha
Provocar tantos poetas
Com minha verve fraquinha
Tanta gente se envolveu
E quase ninguém percebeu
Que o meu verso falta uma linha
Pedro Nunes:
Mano, a culpa não é minha,
Pois lhe ensinei a contar,
Se você não decorou
Pode ainda decorar
Uma tabuada daquelas
Que tinham as folhas singelas
Das cartas do beabá.
Pedro Nunes:
Prepare-se para escalar
Montanha que ninguém iça,
É poeta enquanto dorme,
No altar rezando a Missa,
Expulsa até Satanás
Esse tal de Padre Brás
Quando chega da Suíça.
Padre Brás:
Cheguei agora da Missa
E vi que a briga tá feia,
Zelito e Meca mais Pedro
É verso pra légua e meia,
Eu assisto admirado
E se fosse um delegado
Botava os três na cadeia.
Pedro Nunes:
Isso é uma proposta feia
Pra quem é elogiado
Denunciar à polícia
Para mandar um soldado
Prender poetas mindinhos
Só por causa de uns versinhos
Feitos para um exilado.
Padre Brás:
É que aqui do outro lado
Do Oceano, se a gente
Lê esses versos de classe,
Quase feitos de repente,
Renova a enfermidade
E a chaga da saudade
Volta a sangrar novamente.
Pedro Nunes:
Vou mudar o meu repente,
Trocar a minha toada,
Não quero virar o ano
Numa cela infectada,
Não é lugar de doutor,
Homem livre tem valor,
Um preso não vale nada.
Zelito Nunes:
Nessa noite da virada
Eu como bom brasileiro
Já enfeitei a latada,
Já varri o meu terreiro,
Peru e peixe de coco,
Bucho inchado e arroto choco
No primeiro de janeiro.
Pedro Nunes:
Isso é um desespero
De quem quer farrar demais
Quisera eu assistir
À Missa do Padre Brás,
Escutar o seu sermão,
Comer com moderação,
Pra romper o ano em paz.
Gregório Filomeno Menezes:
Quem não faz extravagância
Ao atravessar o ano
Pode até se sentir bem,
Levando a sério algum plano,
Mas se tudo der prefeito,
Garanto que esse sujeito
Não pertence ao gênero humano.
Pedro Nunes:
Talvez seja um tirano
Que maltrata inocente,
Mas pode ser uma pessoa
De alma benevolente,
Dessas que repartem o pão
Com criaturas que não
Tiveram a sorte da gente.
O clima aqui está quente,
Mas na Suíça é um gelo,
Padre Brás está sumido,
Mas em julho vamos vê-lo
A essa hora do dia
Deve estar na Sacristia,
Pela fé ele tem zelo.
É bom a gente benzê-lo
Quando voltar ao Brasil,
Onde ele está ninguém mata,
Aqui matam de fuzil,
É uma guerra sem nome,
Gente aqui morre de fome,
Gente lá morre de frio.
Meca Moreno sumiu,
Zelito e Brás foram embora,
Fiquei sozinho no Face,
Velei-me Nossa Senhora,
Abandonaram esta praça
Estão bebendo cachaça
O que vou fazer agora?
Melhor aguardar a hora
Do Ano Novo chegar,
Deus me livre que a seca
Em treze vá castigar,
É melhor cair na farra
Pra depois olhar a barra
Quando a manhã despontar.
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