quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Lamentos II

Não, não lamentes, pois, nada perdeste!
Nós não perdemos o que nós plantamos
E com amor no coração nós cultivamos
Pois, não reclames da vida o que recebeste

Se o que havia entre nós tu esqueceste
E não zelaste pelo que nós sonhamos
Se em um pesadelo nós dois acordamos
Acordar deste sonho tu o mereceste

Diria-te ainda de mim uma última frase
Perto de tudo, no meio de algo, longe do quase
Não foi bem aquilo que queríamos estar

Restou, antes de tudo, somente vontades
De dividirmos o tempo em duas metades
Pra depois, na soma, as duas metades juntar.

Pedro Torres

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Lamentos I

Não vida, não vou contra teus argumentos!
Se me privas assim de certa felicidade
Deves ter lá os teus motivos, ou lamentos
Para plantar sofrimento com tanta intensidade

Sei que te amei, e foi divino, de verdade
Mas, não pretendo colher desapontamentos
Que venham a ferir-me por toda imensidade
Depois de sufocares os nossos sentimentos

Antecipaste a morte do que mal nascera
Um sonho lindo de amor que acontecera
Enquanto éramos felizes sem nem saber

Corri então pro meu velho esconderijo
Pras letras gélidas das linhas que redijo
Sem esperar, para não te ver adormecer.

...Novamente.

Pedro Torres

Solução de continuidade

O nosso amor sofreu
Solução de continuidade
Muito cedo ele nasceu
Vivendo noutra cidade
Mais cedo ainda morreu
Sufocado na saudade.

Pedro Torres

Nós cegos

O tempo, fiel desatador de nós
Não desatou o nó entre nós dois
Deixamos tudo para tempos depois
Bem antes de depois ficarmos sós
Fizemos as cordas com os lençóis
Que nós sequer chegamos a sujar
Na cama macia de a gente se amar
Guardamos a noite, acordamos o dia
Elamos os nós com tanta poesia
Que nada no mundo o fez desatar

Pedro torres

Soneto da despedida

Imagine narrar uma cena de amor
Sem se falar das cenas que viveu
Se o abraço sentiu, se tudo valeu
E guardar seu nome com todo pudor

Sem descrever tudo o que aconteceu
Da manhã chuvosa, do cheiro da flor
Do caminho da volta, do perfume seu
Das pedras no caminho, de toda a dor

Da lua tingida de azul escarlate
Dos pingos de chuva fazendo sua parte
Do abraço forte, do beijo que arde

Do frescor da brisa soprando suave
Da entrega sutil da tranca à chave
Das cálidas cenas daquela tarde

Pedro Torres

Abra as portas do rio são francisco Mate a sede do povo do sertão

No mote do poeta Valdir Teles eu imaginei:

Perdoem-me senhores, a minha crítica!
Mas, esta seca já passou dos limites!
Enquanto sobra ação para as elites
O nordeste não vê espaço na política.
No mapa da nação geopolítica
Ninguém atura mais promessa de eleição
President(a), deixe dessa enrolação
Que sertão não escapa com chuvisco
Abra as portas do rio são francisco
Mate a sede do povo do sertão

E o bispo que fez greve de fome,
Por onde anda, o que é feito dele?
Que eu queria tanto propor a ele
Pra fazer greve de sede no abdome
Que sem nada pra comer, ninguém come
Mas, se falta água p’rum cidadão
O juízo seu lhe faz tanta pressão
Que fica manso o sujeito mais arisco
Abra as portas do Rio São Francisco
Mate a sede do povo do sertão

Pedro Torres

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Nesse circo da vida eu sou palhaço

Nesse circo da vida eu sou palhaço
Provocando sorrisos na plateia
Precipitado de quereres na bateia
Garimpados de sonhos qu'eu mesmo braço
O meu sorriso aberto faz o laço
Amarrando saudade nos momentos
Feito quereres em leves sedimentos
Aglomerados de planos pro futuro
Todos eles reunidos num monturo
Espalhados nesse mundo pelos ventos

Pedro Torres

Só canta galopes na beira do mar

Não busque o fel, não fuja da raia
Que aqui não persiste coisíssima alguma
Que diga qualquer coisa da espuma
Das ondas gentis quebrando na praia
Do coco de roda, rodado de saia
Do doce mais doce do doce de amar
E quando a vida quiser lhe abraçar
Estenda seus braços que ela se balança
Pois vida ungida na dura quebrança
Só canta galopes na beira do mar

A lua surgindo, um céu estrelado
Com ventos alísios alisando pelos
A chuva caindo molhando cabelos
Da linda morena de pelo dourado
A festa da vida no seu rebolado
Com tanta alegria no seu rebolar
Que até parece amor quer deixar
Poeta contente quando lhe abraça
E fogueira acesa fazendo fumaça
Cantando galopes na beira do mar

Pedro Torres

Peço a Deus que me mande outra vida Pra eu gastar sentindo esta mesma dor

Eu não devo culpar a tua pouca idade
Ou estes teus medos por vezes infantis
Mas, algumas palavras cruéis e tão vis
De pessoas que só vivem da maldade
É fato que vou sentir muita saudade
Também é fato que 'distância cura amor'
Já dizia Cervantes o grande professor
E, se o tempo não curar essa ferida
Peço a Deus que me mande outra vida
Pra eu gastar sentindo esta mesma dor

Pedro Torres

Na ação do tempo fui condenado À pena perpétua de saudade

Julgado sem direito defensor
Fui banido do país do coração
As juras que juraste com emoção
Foi carrasco cruel de um amor
E o tempo, nosso fiel promotor
Não teve nem dó, nem piedade
E sem fundamentos de idade
Fez o fim do amor ser decretado
Na ação do tempo fui condenado
À pena perpétua de saudade

Pedro Torres