sábado, 30 de junho de 2012

Pisa!

Na política, quando um candidato dá pisa em outro, quem apanha é o povo!


Pedro Torres

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Flores de Inverno

Quero a paz verdadeira 
Eu quero um pouco de calma
Uma palavra derradeira,
Acalanto de minh’alma.

Quero o instante perdido
Naqueláguas benditas
Presente da fidalguia
De minh’alma tão criança

Tranborda a alegria em mim
Eu vejo o nascer poeta.
E trazes-me frases tão repletas
Tal perfume de jasmins.

Diz-me um verso que canto
Pra essas flores vermelhas
Diz-me um sentimento, eu sinto,
Em meu querer sincero.

Eu fico sem versos, poeta.
Pra dizer tanto o que quero.
Não rimo coisa com coisa
Embora fosse o desejo
E as cores que tanto espero
Desbotam quando te vejo.

Bebo da bebida amarga
Conto as primaveras
Tento descobrir segredos
Guardados no teu olhar
E estas flores me distraem
Fico perdido a vagar.

Pedro Torres

Estúpido!

Quando o mundo desafiar a sua inteligência, seja inteligente e finja-se de estúpido!
Política não se faz, política é.

Pedro Torres

Casamento

Há mulheres que dizem:


Meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes.

Eu não. 


A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, de vez em quando os cotovelos se esbarram, ele fala coisas como "este foi difícil" "prateou no ar dando rabanadas" e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

Somos noivo e noiva.

Adélia Prado

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Musa

Pela força do vento que me move
Pela graça da noite e do dia
Pelo dom de poesia que comove
Pela força da fé de uma criança
E o carinho que nos dá mais alegria
Te peço, do tempo não te escondas.

Põe uma flor no cabelo e vai..
Uma papoula vermelha, vai..
Para encher minha vida de esperança, e vai!
Sorri teu sorriso lindo
De canto de boca, vai!..

Pensas que não te vejo,
Mas te vejo sem te ver.
Põe, pois, teu vestido branco,
Esclarece as incertezas, e fita
O ponto de luz na nuvem cinza,
De pingos de chuva na fazenda...
Sente o cheiro do ambiente, e
Mira estrelinhas no céu.
E, com teus olhinhos de mel,
Não te escondas do tempo, e vai!...

Pedro Torres

sábado, 2 de junho de 2012

Absinto

Às vezes o que sinto
Nem eu mesmo sei dizer
Não sei se é de absinto
Ou se a falta é de você.

Pedro Torres

Cantar

Canta um canto de acalanto
Que o canto esconde o pranto
De quem se põe a cantar.

Pedro Torres

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sangrando

Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se
entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e
emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante , cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor , entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

Gonzaguinha

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Esperança

Se rasgo a minh’alma
E expulso do peito um verso
É que bem antes vejo a calma
Desse mundo tão perverso.

O avoo da andorinha
A agouro do bem-te-vi
O céu vermelho da tardinha.

Os gemidos do solo seco
A boca cálida de reza
Do cálice que a gente preza
Ébrio caído em beco!

Então tudo Lhe negaram
Dos pecados todos vossos
E as andorinhas voltaram
Expondo os vossos ossos.

Eis o vento no telhado
Espanando a areia fina
Fazendo graça co'as folhas
Deixando o ar mais gelado
Trazendo o furor da neblina
Sem saída que se escolha....

Ficou, então, o vento mais forte
E fez barulho na palmeira
Eu vi corisco pro norte
Na redenção primeira...

Um recado?! Não sei se posso...
Escapam-me todas as rimas
Embaralhando essas linhas
Nos versos que ora traço.

Veja lá por você mesmo
Deixe cantar o caçote
Não ligue, prepare o pote
Que é noite de trovoada...
Em vinte e três de Maria,
Dias do teu balaio.

Pedro Torres