sábado, 2 de junho de 2012
Cantar
Que o canto esconde o pranto
De quem se põe a cantar.
Pedro Torres
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Sangrando
Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se
entregando
Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando
Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo
Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e
emoção
E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante , cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar
Quando eu soltar a minha voz
Por favor , entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar
Gonzaguinha
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Esperança
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Irmã seca
segunda-feira, 19 de março de 2012
Poeta Brás Costa, do Pajeú à Suíça!
Ouço canções do passado
Faço versos no presente
Escrevo pra minha gente
Deixo meu peito ocupado
Quando me acordo inspirado
Deixo o rumor da cidade
E vou beber liberdade
Para nutrir esperança.
Tomo goles de lembrança
Pra não morrer de saudade.
“Ave Maria, ave Maria, ave Maria. Xudu não tinha tamanho não... Duas rimas acanhadas para homenagear um dos maiores vates que o Nordeste conheceu, ou pior, ainda não conheceu.“ (sic)
II
Quando Deus ficou sabendo
Que a morte desceu do céu
Pra vim buscar Manoel
Foi logo se aborrecendo.
Mas São Pedro foi dizendo:
Vai ser ruim pro Pajeú,
Eles perdem, porém, tu
Ganhas um vate inspirado.
Deus deixou, contrariado,
A morte matar Xudu!
Pela internet, o poeta pediu-me um mote e debulhou de improviso:
III
Choveu a noite todinha
Que passei a noite em claro
Até bem de manhãzinha
A cisterna tá cheinha
O curral tá tão molhado
Que tem bezerro atolado
E boi tremendo de frio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado
Sobra lama na baixada
No pé cerca basculho
Só se escuta o barulho
Das batidas de enxada
Também se escuda a zoada
Que vem forte do roçado
Do ritmo acelerado
Da correnteza do rio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado
Poucos minutos depois, saiu de outra fornada:
Depois que a nuvem excitou-se
Caiu por cima da serra,
Molhou o ventre da terra,
E a seca é que retirou-se.
A esperança arranchou-se
Deixou tudo esverdeado
E o corpo do chão curado
Das feridas do estio.
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado
Brás Costa, no mote de Pedro Torres
IV
Passo dias e dias sem lembrar-me
Mas às vezes me lembro de repente
Da paixão (quase amor) que entre a gente
Acabou quando ela quis deixar-me
Perambulo por becos sem achar-me
Sem amor, sem afeto e esperança
A saudade se avizinha mansa
Se aproxima de mim depois castiga:
‘Vez enquando’ a saudade me obriga
Passar perto da rua da lembrança.
Brás Costa, no mote de Mariana Teles
‘O Poeta Ricardo Moura deu o mote. E pra quem tá longe de casa como você da certo demais...’ (sic)
V
Tem lembrança que afeta e que maltrata
Ela traz sete letras que incomodam,
São roletas travadas que não rodam
Ou um nó que se deu e não desata,
Muitas vezes se torna até ingrata
Se tem cura pra ela, inda não sei
Na passagem dos anos arranjei
Este mal que não da tranquilidade,
Encontrei uns pedaços de saudade
Nos escombros da casa que morei
Ao chegar fiquei perto porteira
Parecia estar vendo no curral,
O meu pai ajeitando um animal
Pra botar o remédio na bicheira,
Até vi que voava a varejeira.
Foram cenas que visualizei,
No presente o passado eu avistei
E pertinho vi minha mocidade
Encontrei uns pedaços de saudade
Nos escombros da casa que morei
Na casinha pequena que eu morava
Só ficou para mim muita saudade
Lá passei toda minha mocidade
Lembro até o lugar que mim deitava
Do campinho pequeno que jogava
Também sei que jamais esquecerei
De uma bola de meia que ganhei
Que me deixou coberto de vaidade
Encontrei uns pedaços de saudade
Nos escombros da casa que morei
E do cheiro gostoso do café
Que a gente sentia lá de fora,
Parecia dizer que era a hora
Que chegava papai de São José
E voltando um pouquinho lembro até
Da primeira pelada que joguei
Lembro o time de jovens que formei
Quase todos contendo a mesma idade
Encontrei uns pedaços de saudade
Nos escombros da casa que morei.
Brás Costa, no mote de Ricardo Moura
No intervalo de um mote e outro, saem uns versinhos sortidos:
VI
Poeta em todas as línguas
É um reconhecimento.
De habilidade na escrita
Classe no comportamento.
Mas, menos em São José
Porque lá, poeta é
Pronome de tratamento.
VII
O que gosto em São José,
É a paisagem discreta.
Em julho a rua da baixa
De festa e gente repleta.
Lá não se diz: Excelência,
Ilustríssimo, Eminência.
Quer tratar com deferência?
Diga: "bonito poeta!!!”
VIII
Eis uma cena completa:
Beleza, ternura e brilho
A mãe ganhando do filho
Beijo de filho e poeta
Até o vento se aquieta
Diminuindo o solfejo
Pra ver no mais santo ensejo
O filho fazer o bem:
Beijar a face de quem
Lhe deu o primeiro beijo.
(Vendo uma bela foto do poeta Felisardo Nunes beijando a face de sua mãe)’ (sic)
IX
Se eu dissesse mentiria
Que em um dia de neve
Não é bom sentir a leve
Carícia da neve fria.
Porém, tudo trocaria
Para assistir no poente
O sol vermelho e valente
Como um soldado na guerra
Se esconder detrás da serra
Lá no Pajeú da gente.
São lindas, eu admito
São belas até demais
As Polis medievais,
As metrópoles de granito.
Mas, São José do Egito
Pra mim é mais atraente
Quero viver novamente
Onde pequeno vivi
E a contragosto saí.
Lá do Pajeú da gente.
Gosto da vida serena
De dez meias fazer bola
Não troco um som de viola
Na orquestra de Viena
Gosto de missa e novena
E cantador de repente
E quando fico doente
Me curo muito barato
Só com remédio do mato
Lá no Pajeú da gente.
Não troco um carro-de-bois
E dois garrotes mistiços
Por todos alpes suíços
Isso eu posso ver depois.
Prefiro feijão, arroz
E não "comer" diferente
Desses que a gente nem sente
O gosto do que foi feito
Que eu só sei comer direito
Lá no Pajeú da gente.
Sou filho de camponês
Não gosto de andar de luva
Não troco o cheiro de chuva
Por um perfume francês
Gosto é de manga "de vez"
Com sal e com aguardente
Dormir ouvindo somente
Pingos batendo na telha
Sonhar com mel de abelha
Lá no Pajeú da gente.
Vendo esses versinhos de Brás, o Poeta Paulo Moura destocou do peito essas linhas:
Andar nessa terra quente!
...E na sombra do umbuzeiro
Escapar desse braseiro
E desse sol inclemente
Depois ouvir um repente
De um verso feito na hora
Ao fundo, a trilha sonora
Do gorjear de um Cancão
São lembranças do sertão
Que sinto no peito agora!
E, em uma homenagem à Dona Zefinha, mãe do poeta, brotaram essas linhas:
X
Com poucas frases poéticas
Elogiá-la me empenho.
Mas, não bastam minhas rimas
Meus versos e meu engenho.
Para falar de Zefinha,
A mulher, mãe e rainha
Dona dos dias que tenho.
Deixe, né eu!?
XI
Quem me critica dizendo:
Que destona e não combina
Eu um homem de batina
Viver meu verso escrevendo,
Menos ainda, bebendo!!!
Como se fosse um plebeu.
Eu digo ao "amigo" meu,
Que pensa em me corrigir
E a quem quiser ouvir
Um claro: "Deixe, né eu!?”
‘Três estrofes num mote meu. Modestamente gostei do mote, espero que sirva de inspiração para meus irmãos poetas.’ (sic)
XII
Eu respeito, mas, quase não entendo
Quem não sabe gostar de cantoria.
Ver um verso nascendo de improviso
Um poeta cantando ao som do pinho
Escutar um poema de Marinho,
E não ver quanto o verso sai preciso.
Não encher sua boca de sorriso
Com dois vates fazendo uma porfia
Ver Cancão recitando pra Maria,
E dizer que é besteira o que está vendo:
Eu respeito, mas, quase não entendo
Quem não sabe gostar de cantoria.
Como posso nascer no Pajeú
Sem vibrar escutando o estribilho
De um "Louro" fazendo um trocadilho
Ritmando nas notas de Xudu.
Como posso escutar Zezé Lulu,
Sem notar toda sua maestria.
Se o fizesse seria covardia
E somente em pensar, já me arrependo.
Eu respeito, mas, quase não entendo
Quem não sabe gostar de cantoria.
Como posso ficar indiferente
Sem sentir as diversas emoções
Vendo a classe das novas gerações
Que garantem futuro pro repente.
Vendo a planta que germina semente
Cai na terra e outra planta cria.
No sertão vejo isso todo dia:
Uma morre e duas vão nascendo.
Eu respeito, mas, quase não entendo
Quem não sabe gostar de cantoria.
‘Essa é pra rir um pouco, porque amar tá difícil, beber tá caro e as férias ainda demoram.’ (sic)
XII
Um verso pra minha vó
Pessoa que me quis bem.
Que me deu muitos conselhos,
Eu esqueci mais de cem.
Mas, um da mente não some:
"Passarim que pedras come,
Sabe o furico que tem."
E, numa prosa em versos, o Poeta Zelito Nunes se antecipa, ‘pagando uns versos’: (rs)
XIV
Amigo poeta Brás
Não fique contrariado
Por eu ainda não ter
Cumprido com o acertado
De lhe mandar sem demora
As fotos do batizado
É que eu sou um retardado
No assunto computador
Não sei copiar, colar
Fazer danlowd o estopor
Vivo mendigando ajuda
Dependendo de favor
Se algum cristão com louvor
Fizesse a vontade minha
Pode crer que com certeza
Eu lhe mandava agorinha
Os retratos meus e seus
Batizando a minha gordinha
Zelito Nunes
A resposta veio nesses conformes:
Espero a vida todinha
Mesmo que não veja o fim
A foto é só pra matar
Essa saudade ruim
Mas, para a minha alegria,
Esqueça a fotografia
Mas não se esqueça de mim.
‘Contando as horas pra nos reencontrarmos em julho meu poeta!!!!’ (sic)
Brás Costa
E assim chegamos a esta segunda-feira, 19 de março de 12.
Pedro Torres
sábado, 17 de março de 2012
Almas nuas
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Dois poetas e um céu estrelado...
Ouvir Estrelas
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
E diz:
Contemplação
Caro Bilac o teu verso
Ajudou-me a refletir
E ensinou-me a ouvir
As filhas do universo.
Quando as vejo reluzir
Fico por horas disperso
Vendo nelas refletir
O que calado converso.
As estrelas reticentes
São as minhas confidentes
Iguais as tuas estrelas.
As minhas são mais singelas
Tu conversavas com elas
Já eu me contento em vê-las.
Ô mundo grande, esse dos poetas!
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Lua nova:
Andas tão formosa e bela,
Permita-nos do teu clarão...
Quando o céu é mais bonito
A reluzir no infinito,
Encantamentos do sertão,
Canto um canto, de verão...
Oh! Enamorada dos poetas,
Musa da inspiração,
Cede um brilho de poesia
Dai-nos da sorte desmedida
Dessa descoberta não tardia.
Permitas a essência
Do que há de mais sagrado
Aconteça nesse instante.
Que nada nesse mundo vale nada,
Nem vale esse choro derramado.
Dá-me um bocado do amor teu,
Não me importa se de falsidade,
Já conheço esse jogo de maldade
Vingue, e chega de tanta saudade!
Pedro Torres
Uma outra alegria...
Eu quero um trago desse teu 'cigarro'
Quero ver-te debulhando as margaridas
Quero as águas transparentes de um riacho
Serei broto num orvalho matutino,
É a poesia renascida, poeta,
A alvorada dos pássaros mais cantantes
Já não choro, minhas lágrimas já secaram!
Das buscas por outras esperanças.
Da gentileza do perfume, que te banha,
Foi essa chuva que banhou o amor da gente?
'Não respondas, deixe-os imaginar'
Dos besouros que não tardam, nas lanternas.
E, ao nascer um novo luar... Outro beijo...
Pedro Torres
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Volverán las oscuras golondrinas
en tu balcón sus nidos a colgar,
y otra vez con el ala a sus cristales,
jugando llamarán;
pero aquellas que el vuelo refrenaban
tu hermosura y mi dicha al contemplar;
aquellas que aprendieron nuestros nombres,
esas... ¡no volverán!
Volverán las tupidas madreselvas
de tu jardín las tapias a escalar,
y otra vez a la tarde, aun mas hermosas,
sus flores abrirán;
pero aquellas cuajadas de rocío,
cuyas gotas mirábamos temblar
y caer, como lágrimas del día...
esas... ¡no volverán!
Volverán del amor en tus oídos
las palabras ardientes a sonar;
tu corazón, de su profundo sueño
tal vez despertará;
pero mudo y absorto y de rodillas
como se adora a Dios ante su altar,
como yo te he querido... desengáñate,
¡así no te querrán!
Gustavo Adolfo Becquer