domingo, 20 de novembro de 2011

Belo Monte

Se você não quer ver a Usina Hidroelétrica do Belo Monte Construída, desligue todos os seus equipamentos eletrônicos e não assista TV, inclusive, os reclames publicitários doidivanas, sem fundamentos concretos, contra a construção da represa.

Não navegue na internet, muito menos, imprima quaisquer documentos sobre o assunto, pois isso irá gerar demanda por mais energia e, por conseguinte, a necessidade de suprí-la.

Então, se você realmente quer fazer algo, e acredita que sua ação pode mudar alguma coisa, desconecte-se! A começar pelo PC que você está usando agora pra ler esta mensagem.

Desligue a sua TV; Não use o microondas, tampouco, chuveiro elétrico. Quando o sol se puser no horizonte, não utilize nenhum meio de iluminação artificial, pois todas elas, de forma direta ou indireta, requerem eletricidade para que existam.

Assim, não compre, ou utilize, nada que careça de energia elétrica para sua confeção; Se manufaturados, exija que todas as matérias primas empregadas sejam renováveis, ou que não haja produtos industrializados na sua composição.

Porém, se você considera essa postura não mais que um devaneio, por compreender importante a construção da usina, ou não, compartilhe uma informação verdadeira sobre o assunto, mas, antes de fazê-lo: Informe-se!

















Pedro Torres

Vaqueiro herói

Num dia de vaquejada
Nas quebradas do sertão
Um cavalo preto encosta
Na porteira do mourão
Aguardando o boi Bordado
Na festa de apartação

Abre logo essa cancela
Que o ‘pordo’ quer correr
Sou vaqueiro e minha sina
É fazer o boi valer
E o Bordado vai cair
Quem quiser, pague pra ver

Assim pensava o vaqueiro
O melhor da região
Um moleque bom de gado
Montado num campeão
Aboiando pra donzela
Que ganhou seu coração

“A moça pra ser bonita
Tem que ter pele morena
A cintura bem fininha
E a boca bem pequena
Dessas que a morte mata
E a gente chora com pena”

O vaqueiro herói desfila
Ele, o cavalo e a rês
O boi não volta ao curral
Se lá morrer um dos três
Pra cumprir o seu destino
Sai correndo de uma vez

Êh! Valeu vaqueiro
O seu nome e a sua fama
Se espalhou pelo sertão


Êh! Valeu vaqueiro
A lembrança e a saudade
Dilacera o coração...


Letra da música: Vaqueiro Herói, de nossa autoria, em parceria com o compositor e músico, Poeta Miguel Nascimento.

Pedro Torres
Recife, 2000.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Estrelas do passado

Já errei muito mais do que devia
Hoje estou começando a errar bem menos
Meus deslizes começam a ser pequenos
Bem menores que a ânsia de chegar
Eu sai sem saber como voltar
Eu segui os atalhos do destino
Apanhei pra deixar de ser menino
E hoje apanho tentando não errar

Já andei muitas braças, muitas léguas
Já tive grandes e enormes bons amigos
Tive vários amores, tive abrigos
Tive abalos, caí, me levantei
Tive acasos, perdi, também ganhei
Meus pecados paguei em alto preço
Me perdoe se achar que eu mereço
Se mereço até eu nem mesmo sei

Sei que nada se perdera por completo
Ainda resta um restinho de esperança
Um fiapo, uma nesga de lembrança
De um passado feliz que me marcou
Um poeta, um boêmio, um cantador
Um balcão, uma prosa, uma piada
Um soneto, um repente, uma noitada
E uma canção pelas retinas desabou

Meu desafio pelas léguas caminhou
Fui ferido e feri quem me feriu
E ferindo, a ferida se abriu
Nunca mais suturou, tornou-se chaga
E uma canção de amor me embriaga
Em doses de versos Buarqueanos
E uma bandeira branca em fino pano
Bem no seio de minha alma foi fincada

Foi ficando cada vez mais hasteada
E bem no alto tremula irradiante
Acenando aos poetas mais errantes
Quero paz e o resto a gente enterra
Qualquer mágoa nesse instante se encerra
Meu abraço abre os braços para os teus
E se teus braços chegarem junto aos meus
Eu abraço e nunca mais teremos guerra.

Do palhaço do circo do futuro, Poeta Maciel Melo.

Versos inversos, em tempos perversos...

No tempo das mesmas desesperanças e solidão, poetas escrevem suas metas.

Antes, a entrega insólita, depois, o amanhecer à luz da Divina Providência.

E assim se deu:

- Primeiro, disse do começo ao fim, o Poeta Augusto dos Anjos:

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

- Depois, disse da lida, o Poeta Brás Costa:

Caro Augusto,

Eu também sepultei minhas quimeras
Muitas vezes bebi ingratidão
Passei anos sem ver as primaveras
Oscilando entre outonos e verão.

Também eu, me envolvi de solidão
Naufragado nos mares das esperas
Quase vi minha frágil embarcação
Afundar-se com minhas poucas eras.

Mas contudo, poeta, não me rendo
Não ataco essa vida (nem defendo)
Tem quem luta, e tem quem só almeja!

E assim ponho em risco a minha paga
Afagando essa mão que me afaga
E beijando essa boca que me beija.

Poeta Brás Costa.

Nosso amor da besta-fera

Se não fosse o ser, não era
Se não fosse o tá, não tava
Se não fosse bom, minguava
Nosso amor da besta-fera;
Mas de tão bom se supera
E de tão grande ele alcança
A distância que avança
Nesse chão que nos separa
E de tanto ser, não para
De ter sempre uma esperança.

Esperança na melhora
Num futuro mais sereno
Onde um tempo mais ameno
Tenha mais tempo que agora
Mas enquanto não aflora
A melhora em nossa agrura
Nosso amor inda segura
Tudo quanto é empecilho
Como quem anda no trilho
Do trem que leva a loucura!

Poeta Jessé Costa Belo Jardim, 15/11/2011.

Se decidires voltar...

Se decidires voltar
Entres sem fazer rumores
Não despertes minhas dores
Sei que não vens pra ficar.
No quarto podes entrar
Mas não me olhes sorrindo
E não me jures mentindo
Pois não creio mais em nada:
Entres sem fazer 'zuada'
Que a minha dor tá dormindo.

Poeta Brás Costa.
Górdoba, 15.11.2011

Cutucado pelo Padroeta Brás Costa pra fazer um verso no mote, o Poeta Lima Júnior sacudiu lá do sertão:

Se voltares qualquer dia
Te achegues de mansinho,
É que meu peito é fraquinho
Para tamanha alegria!
E o tecido que cobria
Meu coração, ta puindo
E o que acalentei sentindo
Pode acordar sem razão .
Não faça zoada não,
"Que a minha dor tá dormindo."

Poeta Lima Júnior
Tuparetama, 16.11.2011

E eu presenciando essa peleja de versos magistrais me alegro, e, ainda há quem não encontre a felicidade, nas coisas simples, dos poetas geniais.

E eu, me enxerindo, disse no mote:

Se te bater no juízo
De tu quereres voltar
Venha sem nem me avisar
Mas, não me escondas teu riso.
Pois, é tudo que eu preciso
Pra te receber sorrindo
Mas, eu vou te advertindo
Não faças muito barulho
Sacudindo o teu orgulho
"Que a minha dor tá dormindo."

Pedro Torres

domingo, 13 de novembro de 2011

Zé Cardoso - Ser Doutor...

Aprendi a cantar sem professor
Com a graça de Deus eu sou completo
Você vem me chamar de analfabeto
Exibindo o diploma de doutor
No congresso que eu for competidor
Vou ganhar de você de dez a zero
Seu doutor eu vou ser muito sincero
Se eu deixar de cantar não sou feliz
Ser poeta eu sou porque Deus quis
Ser doutor não sou porque não quero.

Poeta Zé Cardoso.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Lei Maria da Penha em cordel...


Divulgação de explêndido cordel do cantor, repentista e arte educador cearense Tião Simpatia!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sorrir e Cantar

Quando falas porque vivo sorrindo
Falas também por viver cantando
Se a vida é bela e se este mundo é lindo
Não há razão para eu viver chorando

Cantar é sempre o que a fazer eu ando
Sorrir é sempre meu prazer infíndo
Se canto e rio, é porque vivo amando
Se amo e canto, é por que vivo rindo.

Se o pranto morre quando nasce o canto
Eu canto e rio pra matar o pranto
E gosto muito de quem canta e rí

Logo bem vês por estes dotes meus
Que quando canto estou pensando em Deus
E quando rio estou pensando em tí.

Poeta Rogaciano Leite, em Carne e Alma

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eulália

Deixei-a solitária por uns dias,
Enquanto melhorava do ciúme,
E saí pra evitar muitas porfias
Que entre nós se davam de costume.

Nesse tempo eu andava arruinado...
E as brigas entre nós, frequentemente,
Transformavam a abelha do passado
Numa aranha de dor sempre presente!

Então o inseto que fazia, outrora,
Mel de carícias na feliz colmeia,
Vinha fazendo entre nós dois, agora,
O fel da vida - numa horrível teia!

Corri mundos, andei por terra estranha,
Procurando renúncia, esquecimento...
Mais, dia-a-dia, se infiltrava a aranha
Na teia enorme do meu pensamento!

Mandava-lhe presentes de onde estava,
Escrevia-lhe cartas carinhosas
Pedindo que esperasse que eu voltava
E novamente nasceriam rosas...

Mas, uma noite, triste noite, amigo,
Eu entrei num cassino, que amargura!
Ah! Não chores de ouvir o que te digo
Nem te rias da minha desventura!

A sala estava cheia de cinismo
Dos que, no vício, vão matar a sede...
Era um antro de fumo e alcoolismo,
Com visões sensuais pela parede!

Um perfume de bétulas e sândalos
Recendia da carne e sedas finas,
E a luz envergonhada dos escândalos
Parecia tremer sob as cortinas!

A dona do cassino, a abelha-mestra
Do cortiço infeliz, torpe e devasso,
Dava bebida aos maganões da orquestra
E mandava agitar sempre o compasso...

Enquanto os instrumentos gargalhavam
Na frivolência do pagode insano,
Eu distinguia as notas que choravam
Nas cordas ultrajadas de um piano!

Mais tarde, era o intervalo do pecado...
Enquanto a orquestra demorava o ensaio,
A pianista curvando-se ao teclado,
Dedilhava a canção Rosa de Maio...

Era aquela canção - quando partimos -
A que Eulália tocava todo o mês...
Pois foi no mês de maio que nos vimos,
Eulália e eu - pela primeira vez!

Recordação, saudade, sofrimento...
Aproximei-me sem saber por quê...-
Era Eulália que estava no instrumento!
Sim, Eulália... vestida de "soirée"!

Quando me viu, eu vi também seu vulto
Afogar-se nas brumas de um desmaio...
E até hoje em minh`alma um piano oculto
Vive sempre a tocar Rosa de Maio!

Poeta Rogaciano Leite, no seu livro Carne e Alma.