sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Apressa!

"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo."

José Saramago

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Ao poeta Antonio Pereira

O Poeta Antônio Pereira uma dia aconselhou:

Quem quiser plantar saudade,
Escalde bem a semente
E plante na terra seca
Em dia de sol bem quente,
Pois se plantar no molhado,
Ela nasce e mata a gente..

Vivendo lá longe nas europas, com um cadinho de saudade do seu sertão que quer tanto bem, o Padroeta Brás Costa, respondeu do jeito que se dá:

Ao poeta Antonio Pereira

Caro poeta, confesso, não segui corretamente
O seu poético conselho e não plantei a semente
Ao invés de escaldá-la
Eu preferi não plantá-la
Pensando que a evitasse
Mas para surpresa minha
Na cova do amor qu'eu tinha
Um pé de saudade nasce...

É, meu poeta, a saudade nasce sem ninguem plantar
E quanto a sua semente, é mesmo inutil escaldar
Mesmo que escalde a semente
Que a plante em terreno quente
E que não chova um sereno
Como pé de carrapicho
Ela faz esse capricho
Nasce e alastra o terreno.

Mas, obrigado poeta, pelo conselho no verso
Não se ofenda se eu sigo um caminho diverso
Vou plantá-la num baxio
Perto das margens dum rio
Onde a terra é irrigada
Já que eu não posso com ela
Vou assim vivendo dela
Pra morrer dessa danada.

Brás Costa, Górdoba, outubro de 2011.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Que país é esse?

"O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus".

Oswald de Andrade

sábado, 8 de outubro de 2011

Dos problemas

O que seriam das soluções, se não fossem os problemas?...

Pedro Torres

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

No Turbilhão - Antero de Quental

No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
Arrebatado em vastos turbillhões...

Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições...

-Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...

Poeta Antero de Quental

Dos problemas

Se seus problemas estão no passado, ótimo, estão resolvidos, pois lá ficaram. Se são do presente, melhor ainda, você identificou a fonte dos males que te cercam. Se forem futuros, oras, pois do futuro cuidem os que lá viverem!

Pedro Torres

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ventos de outono


Já sinto os ventos morosos
Da chegada do outono,
Folhas caindo do galho
Contra a vontade do dono
Vão aquecer as raizes
... Pra árvore pegar no sono.
 
Outra oubra prima do Padroeta Brás Costa

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Se eu fosse poeta...

Se eu fosse poeta, seria feliz
Não teria vergonha de mostrar meu pranto
E saberia transformar em canto
As palavras-dores que meu peito diz.

Se eu fosse poeta, seria aprendiz
E quando aprendesse ensinaria tanto
Sentiria um misto de paz e espanto
Quando eu recitasse um verso que fiz.

Mas não sou poeta, não tive essa graça
Por mais que eu deseje, o que quer que eu faça
Em versos, meus ais não sei traduzir.

Se eu fosse poeta, essas minhas dores
Eu as curaria com versos de amores
Não sendo poeta, só as sei sentir.

Do Padroeta Bràs Costa

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Canção do Exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Gonçalves Dias

Um carrinho de brinquedo...

"Um carrinho de brinquedo
O meu pai fez e me deu
As rodas eram de tábua
Porque não tinha pneu
O volante era um cordão
E o motorista era eu.

Poeta Chico Sobrinho, verso enviado por Felisardo Moura Nunes