domingo, 28 de agosto de 2011

Ao braço do mesmo menino Jesus quando apareceu.

O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.

Em todo o sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.

Poeta Gregório de Matos

domingo, 21 de agosto de 2011

Saudade...

Sem querer volto à casa do passado
Percorrendo os corredores da ternura
Me arranho novamente, pois a cura
Que eu busquei, mora lá, do outro lado
Se não quero, a lembrança faz traslado
Me transporta , atinado ao teu olor
Minha boca, lembra a tua, teu sabor
O teu mel, ainda com gosto de capa
Tua imagem, da lembrança não escapa
A saudade, me espinha e cheira a flor

Poeta Aluisio Lopes

domingo, 14 de agosto de 2011

A Lágrima

A Lágrima
de Augusto dos Anjos

- Faça-me o obséquio de trazer reunidos
 Cloreto de sódio, água e albumina…
 Ah! Basta isto, porque isto é que origina
 A lágrima de todos os vencidos!

-”A farmacologia e a medicina
 Com a relatividade dos sentidos
 Desconhecem os mil desconhecidos
 Segredos dessa secreção divina”

- O farmacêutico me obtemperou. -
 Vem-me então à lembrança o pai Yoyô
 Na ânsia física da última eficácia…

E logo a lágrima em meus olhos cai.
 Ah! Vale mais lembrar-me eu de meu Pai
 Do que todas as drogas da farmácia!

Pedro Torres

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Severina Branca, por Zeto.

Sou da casa em que de madrugada
A criança acalenta-se ao cio
E faz sombra com a luz de um pavio
Que tem fogo amarelo igual espada
A mulher nua e fria está deitada
Ao seu lado um parceiro de aventuras
Que lhe mente a tentar fazer ternuras
Traz na bota dinheiro escondido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Geralmente depois das oito horas
Tomo banho me arrumo no meu quarto
Para o salão toda enfeitada toda parto
Pra aceitar uns convites, e outros foras.
A cachaça e o fumo são escoras
Dando ao corpo alegrias e torturas
E as doses que eu tomo são tão puras
Que o ambiente se torna colorido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

O pecado pra mim é testemunha
Pois ladeia o meu peito o tempo inteiro
Do primeiro ao último parceiro
Dou um nome diferente, faço alcunha.
O vermelho é perene em minha unha
Meu trabalho é melhor sendo às escuras
Sou alguém que procura umas procuras
Que navegam no rio do gemido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Mas às vezes pra cama eu vou sozinha
Procurei muitos homens não achei
E aquele que eu mais acreditei
Deu-me um “seixo” e eu paguei o quarto à Dinha
Eu já sei que é tardia a ladainha
Parecido com um pingo em pedras duras
Sou irmã, pois, do canto das loucuras
E o meu peito é acorde do alarido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Poema transcrito do LP de Zeto – Andarilho

Pedro Torres

terça-feira, 19 de julho de 2011

Diamantes

Se quiseres conhecer o caráter de uma mulher, dá a ela um diamante. Se seus olhos brilharem mais que o diamante, o diamante é verdadeiro.

Pedro Torres

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Candeia

O teu caminho é iluminado, mas não deves correr com a vela acesa.

Pedro Torres

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sociedade Global

Tenha consciência de que você é substituível, uma reles formiguinha num imenso formigueiro, então, faça a sua parte com a máxima dedicação, essa é a sua melhor chance.

Pedro Torres

Geração Coca-Cola

É fácil falar em geração perdida, difícil é dizer quem a perdeu.

Pedro Torres

A Luta por Cidadania

Quem se conscientiza dos seus direitos dá o primeiro passo para a sua conquista.

Pedro Torres

domingo, 19 de junho de 2011

Suave

Resisti à tentação da doce morte
No tempo que vivia a esperança
E o céu noturno era de estrelas
E o sonho de viver uma criança
E o fugidio tempo, um prisioneiro...

Deleito-me agora co'a amarga vida
Esperando um passar de nevoeiro
Quem sabe volte o céu estrelado
E como acontecia no passado
As constelações possa eu voltar a vê-las.

Pedro Torres