domingo, 21 de agosto de 2011

Saudade...

Sem querer volto à casa do passado
Percorrendo os corredores da ternura
Me arranho novamente, pois a cura
Que eu busquei, mora lá, do outro lado
Se não quero, a lembrança faz traslado
Me transporta , atinado ao teu olor
Minha boca, lembra a tua, teu sabor
O teu mel, ainda com gosto de capa
Tua imagem, da lembrança não escapa
A saudade, me espinha e cheira a flor

Poeta Aluisio Lopes

domingo, 14 de agosto de 2011

A Lágrima

A Lágrima
de Augusto dos Anjos

- Faça-me o obséquio de trazer reunidos
 Cloreto de sódio, água e albumina…
 Ah! Basta isto, porque isto é que origina
 A lágrima de todos os vencidos!

-”A farmacologia e a medicina
 Com a relatividade dos sentidos
 Desconhecem os mil desconhecidos
 Segredos dessa secreção divina”

- O farmacêutico me obtemperou. -
 Vem-me então à lembrança o pai Yoyô
 Na ânsia física da última eficácia…

E logo a lágrima em meus olhos cai.
 Ah! Vale mais lembrar-me eu de meu Pai
 Do que todas as drogas da farmácia!

Pedro Torres

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Severina Branca, por Zeto.

Sou da casa em que de madrugada
A criança acalenta-se ao cio
E faz sombra com a luz de um pavio
Que tem fogo amarelo igual espada
A mulher nua e fria está deitada
Ao seu lado um parceiro de aventuras
Que lhe mente a tentar fazer ternuras
Traz na bota dinheiro escondido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Geralmente depois das oito horas
Tomo banho me arrumo no meu quarto
Para o salão toda enfeitada toda parto
Pra aceitar uns convites, e outros foras.
A cachaça e o fumo são escoras
Dando ao corpo alegrias e torturas
E as doses que eu tomo são tão puras
Que o ambiente se torna colorido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

O pecado pra mim é testemunha
Pois ladeia o meu peito o tempo inteiro
Do primeiro ao último parceiro
Dou um nome diferente, faço alcunha.
O vermelho é perene em minha unha
Meu trabalho é melhor sendo às escuras
Sou alguém que procura umas procuras
Que navegam no rio do gemido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Mas às vezes pra cama eu vou sozinha
Procurei muitos homens não achei
E aquele que eu mais acreditei
Deu-me um “seixo” e eu paguei o quarto à Dinha
Eu já sei que é tardia a ladainha
Parecido com um pingo em pedras duras
Sou irmã, pois, do canto das loucuras
E o meu peito é acorde do alarido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Poema transcrito do LP de Zeto – Andarilho

Pedro Torres

terça-feira, 19 de julho de 2011

Diamantes

Se quiseres conhecer o caráter de uma mulher, dá a ela um diamante. Se seus olhos brilharem mais que o diamante, o diamante é verdadeiro.

Pedro Torres

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Candeia

O teu caminho é iluminado, mas não deves correr com a vela acesa.

Pedro Torres

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sociedade Global

Tenha consciência de que você é substituível, uma reles formiguinha num imenso formigueiro, então, faça a sua parte com a máxima dedicação, essa é a sua melhor chance.

Pedro Torres

Geração Coca-Cola

É fácil falar em geração perdida, difícil é dizer quem a perdeu.

Pedro Torres

A Luta por Cidadania

Quem se conscientiza dos seus direitos dá o primeiro passo para a sua conquista.

Pedro Torres

domingo, 19 de junho de 2011

Suave

Resisti à tentação da doce morte
No tempo que vivia a esperança
E o céu noturno era de estrelas
E o sonho de viver uma criança
E o fugidio tempo, um prisioneiro...

Deleito-me agora co'a amarga vida
Esperando um passar de nevoeiro
Quem sabe volte o céu estrelado
E como acontecia no passado
As constelações possa eu voltar a vê-las.

Pedro Torres

domingo, 8 de maio de 2011

Das portas

Quem nunca bateu a porta de um poeta, jamais encontrou-o de portas abertas.

Pedro Torres