domingo, 19 de junho de 2011

Suave

Resisti à tentação da doce morte
No tempo que vivia a esperança
E o céu noturno era de estrelas
E o sonho de viver uma criança
E o fugidio tempo, um prisioneiro...

Deleito-me agora co'a amarga vida
Esperando um passar de nevoeiro
Quem sabe volte o céu estrelado
E como acontecia no passado
As constelações possa eu voltar a vê-las.

Pedro Torres

domingo, 8 de maio de 2011

Das portas

Quem nunca bateu a porta de um poeta, jamais encontrou-o de portas abertas.

Pedro Torres

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Espelho D'água

Até quem caminha olhando pro chão enxerga o céu no espelho que a chuva cria quando cai sobre sua cabeça...

Pedro Torres

domingo, 17 de abril de 2011

Noite silenciosa

Naquele dia
Quase que por piedade
Uma chuva bem fininha
Acalmava o universo
E deixava a noite fria

Tudo era lembrança e vazio
Só a presença forte, e saudade...
Em tamanho desvario,
Um cheiro de liberdade...

Sentindo o entardecer
Da noite, o enternecer
A inevitável vontade
De a luz adormecer.

Que a graça de cair
Das mais altas nuvens
Fosse apenas voar
Por um breve instante

Bem abaixo a escuridão
Logo acima o brilho da lua
No meio à multidão
Um calor urgente de rua...

Pedro Torres

sábado, 18 de dezembro de 2010

Apótema

Nesta distância que nos encontramos
Não sei dizer quem está mais distante
Não sei qual dos dois está mais triste
Sei apenas até quando nos amamos

Nada do que não senti foi pecado
Nada que não existiu foi passado
Nem uma fração do erro cometido
Bastaria para o sonho adormecido

Quando o único presente for o abraço
Quando eu andar já quase louco
Eu vou chorar só mais um pouco
Pra aliviar meu cansaço

Pedro Torres

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Job Patriota

A dor de mim se aproxima
E pra não perder a calma,
Passo uma esponja de rima
Nos ferimentos da alma.

Job Patriota
Sempre um poeta socorre um outro numa dor

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Da Lucidez

É a possibilidade do amor
De ele acontecer de fato
De deixar você estupefato
Essa lucidez é quase dor

Ausência de medo, e medo,
De não sentir mais ausência,
E essa ausência é o segredo
Morrer para reviver o Aedo

O iminente perigo da felicidade
E a fragilidade de um riso largo
Que esbanjo por saber de algo
Que trazes, e meu peito invade

Doar-se a quem vence o herói
Ou ao imensamente insólito
De ser infinitamente incógnito
Que sua mísera essência corrói

Pedro Torres

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Reto

Confio às colunas deste edifício
O tempo, a honestidade, a fama.
Pois, não me custa morrer a míngua.
Se ao quedar inerte mostrar-te a língua
A libra, a improbidade, a tua lama.
E se reto fosses ao fim do início

E fui ao longe trabalhar outra ideia
Voltei com alguns calos e um plano
Armar a tenda pra nossa grande plateia
Da geração que plantaremos ano a ano

Por ti lutei com feras selvagens
Deslumbrei-me com lindas paisagens
E vi a luz desaparecer ao entardecer
De o tal crepúsculo, a morte do dia...

Também o tempo se fez ausente
Foi quando te senti presente
E o espaço insuficiente
Pra o poeta amar eternamente

Cada falta tua e cada volta
Cada falha nossa e o recomeço
Essa dor que o tempo transporta
À saudade que o coração suporta.

Pedro Torres

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sorriso

É preciso o sangue de nossos pés
Regue o caminho por onde andarmos
Pisando-o bravamente,
Por sobre espinhos, e até...
Inocentemente, que um irmão.
Pisasse-se das flores ali surgidas
E nada se violasse àquele arbusto.
Caminhais, pois em frente e adiante.
Sejais, pois pioneiro e rasga a carne.
Deixa-a exposta a teus inimigos
Em plena luz do dia e espera
A dor é menor do que parece
O que lhe é ofertado perece
É que de adubo servirá aos entes
Mas como nada lhes fez contentes
Não fica nessa terra em prejuízo
Aquele que tiver um reles juízo
Porá na boca para brilhar teus dentes
Um insustentável e incompreensível sorriso...

Pedro Torres

Pranto

Ninguém pergunta da minha dor
Mas, pra que preciso que alguém o faça.
Se somente eu chorarei o meu pranto
Uma a uma as minhas lágrimas...

Não! Não dou a ninguém, pois,
Quem não me fez Feliz antes.
Fico quieto no meu canto
E cozo todo meu amargor.

Delicio-me sozinho com minha dor
Compraz-me a companhia do silêncio
Porque a tormenta atormenta-me melhor
E de nada mais poderei saber do amor

Pedro Torres