Como quem foi atingido
Por um trem desgovernado
Meu coração sente o baque
Da pancada do passado
Que a saudade é um maquinista
Doido, cego e embriagado.
Eu não tenho razões pra celebrar
A chegada do ano que está vindo
Como eu, quem saudade está sentindo
É provável que queira concordar.
Mas, a mágoa decerto vai passar
Porque o tempo não para, e essa fera
Que abocanha meus dias nessa era
Em que o amor se tornou obsoleto
Vai fazer desse ano em branco e preto
Uma linda e florida primavera.
Pedro Torres