O fruto do seu desejo
O seu olhar de paixão
O terreno no coração
E o gosto doce do beijo...
Aproveitei o ensejo
Comprei tudo na parcela
Fora amor, que devo a ela,
Não levo nada, de nada,
A morte está enganada,
Eu vou viver depois dela.
Eu discuti com a vida
Pelo pretório dos anos
Foram tantos desenganos
Que a fé tomou guarida
De tão grande, essa ferida
Quase não cabe na cela
E, no final da querela,
A pena foi decretada:
A morte está enganada
Eu vou viver depois dela
Quem passa por esta vida
E vive à melhor maneira
No último subir ladeira
Tem força reconduzida...
Pra quando for na descida
Não precisar de banguela
E, quando subir por ela,
A força ser recobrada
A morte está enganada
Eu vou viver depois dela
Quem nessa vida plantar
Outra vida por semente
É jardineiro presente
Se planta, deve regar.
Se se põe a cultivar
E pela raiz ele zela
Colhe na vida mais bela
As ramas todas brotadas
A morte está enganada
Eu vou viver depois dela
Ocupei essa morada
Sem pagar nem aluguel
Parece até lá no céu
Que moro sem pagar nada...
E a dívida acumulada
Já virou uma novela
Paguei a última parcela
Uma conta bem salgada
A morte tá enganada
Eu vou viver depois dela
Atravessa tempo e espaço
Tem métrica, rima, compasso
Num poemar infinito
E sinto algo esquisito
Quando estou bem junto a ela
Eu fico grudado nela
Ela em mim fica grudada
A morte está enganada
Eu vou vier depois dela)
Pedro Torres
Olá, Amanda Lemos!
ResponderExcluirReceber visitas no blog é muito bom quando aqui a gente publica o que sente e experiencia, é ainda mais gratificante quando a visita é de uma colega blogueira e poetisa como você.
Adorei a tua visita e o teu blog que agora estou seguindo.
Cheiro no coração!
Pedro