Caiu-se por terra meus sonhos,
E da árvore frondosa as folhas.
E despida de todos os pudores
A vi desnuda de quaisquer ares.
Jaz no chão, agora mais fecundo:
Todas suas flores antes cheirosas
E o idealizar deste poeta errante.
Peregrino desta trilha de húmus...
Fecundar a Terra em novo chão
Enfrentar feras, alimentar o cão
Vigília amiga do corpo cansado
E armo a rede segura e durmo.
E ali dos mais altos patamares,
Descubro um bocado de pano.
É linho branco puro estendido
São meus amores desertos, uno.
Já desejar somente não basta
E se na primavera não partira
E fosse aqui à quadra partida,
Enterrar-se do cadáver fedido.
Sob uma frutífera planta vil
Dês que frutos doces dera.
E o infeliz poeta primaveril
Morto fertilizasse a Terra.
Pedro Torres