Triste é a sina de quem vai
Pra longe de quem mais ama.
Se amor é ficar partindo
Leva consigo um coração, ainda
Esse órgão que não pensa, pulsa
E em cada pulsar seu, uma saudade
Jorra das veias desse poeta, cuja arte
É buscar a sorte sempre, noutra parte...
Lá do alto daquelas montanhas
Seco, de ar frio e poluído
Me lembrarei dos passarinhos
Que alimentei quando criança.
Lembro já das invernadas
Do meu recanto querido
Quando tudo era verdinho
E havia água nos rios e açudes
Esconder-me por entre as ramas
Verdinhas... Penso nelas e dói a alma
Tenho que alimentar a calma
Que alegria e felicidade eu deixo contigo...
O coração de quem caminha
Um caminhar sem destino, Criado!
Penar, fica boa e tira a sorte na moeda
Cara ou coroa, não importa, se fica inclinada...
Que merda precisar disso
Pra trocar por um pão qualquer
Não seria mais fácil, mulher
Plantar e colher o que come?
Ainda que da arte pura e linda
Viesse o alimento, nada seria
Mais belo que a liberdade
Da não economia, a verdade.
Que absoluto propormos ao menino
O querubim, iluminado, divino
Qualquer norte que se aproveite
Por tempero, uma canada de azeite...
Pedro Torres