Para nós, loucos de todos os gêneros, "tomar banho de chuva", não significa apenas molhar-se com a água fresca que, uma vez resfriada nas densas nuvens, volta à Terra.
É o delírio de cada célula nervosa do nosso corpo à doer-se de saudade dos pingos que ainda gotejando em nossas cabeças em brasa, e esse fogo, Raio de Sol, ninguém mais vê.
Para nós, poetas de todos os gêneros, "dar-se ao vício", não significa abrir só uma garrafa de aguardente e dela sorver todo o seu conteúdo, tantas e tantas vezes e tanto, até que o organismo acostume-se com o etéreo e eterno liquefazer-se.
É glosar paixões e engasgar-se com o beber, por esquecer-se completamente de respirar, enquanto não saciada a sede de amar. Mas, esse liquido, Amor, ninguém mais vê.
Para nós, doidos de pedra, sem gênero, "viver é mais do que um conceito alheio e abstrato", não tem derivações ideológicas, nem correntes filosóficas. Não se explica, não tem retrato!
Vês! Já há correntes na filosofia! Brindemos à poesia e à cicuta então!...
Pedro Torres