quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sangrando

Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se
entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e
emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante , cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor , entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

Gonzaguinha

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Esperança

Se rasgo a minh’alma
E expulso do peito um verso
É que bem antes vejo a calma
Desse mundo tão perverso.

O avoo da andorinha
A agouro do bem-te-vi
O céu vermelho da tardinha.

Os gemidos do solo seco
A boca cálida de reza
Do cálice que a gente preza
Ébrio caído em beco!

Então tudo Lhe negaram
Dos pecados todos vossos
E as andorinhas voltaram
Expondo os vossos ossos.

Eis o vento no telhado
Espanando a areia fina
Fazendo graça co'as folhas
Deixando o ar mais gelado
Trazendo o furor da neblina
Sem saída que se escolha....

Ficou, então, o vento mais forte
E fez barulho na palmeira
Eu vi corisco pro norte
Na redenção primeira...

Um recado?! Não sei se posso...
Escapam-me todas as rimas
Embaralhando essas linhas
Nos versos que ora traço.

Veja lá por você mesmo
Deixe cantar o caçote
Não ligue, prepare o pote
Que é noite de trovoada...
Em vinte e três de Maria,
Dias do teu balaio.

Pedro Torres