domingo, 16 de novembro de 2014

Alucinação

Bebo doses maciças de ansiedade
E me ausento do mundo das certezas
Deixo a dúvida arder entre as friezas
Desse breve torpor de realidade.

Anoitece e a fumaça da cidade
Decorada por mil luzes acesas
Pinta o céu de amarelo e as impurezas
Ganham cor, disfarçando a falsidade. 

Eu me esforço em deixar minh'alma sã
E à janela eu convoco outra manhã
Que preencha de luz meu pensamento...

Recordando o perfume da campina
"O silêncio da nuvem me alucina
Nesse mapa irreal de sentimento"

Pedro Torres
Mote de Mariana Véras

Vou vender meu coração Por qualquer tostão furado.

Já se passou tanto tempo
Desde o meu último romance
Que eu nem sei se existe chance
De findar meu contratempo.
Se nem pra ser passatempo
Eu tenho sido sondado
Pra não morrer desprezado
Na primeira ocasião
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Pedro Torres

Porque o espinho faz parte da roseira E é besteira dizer que se esqueceu.

Quando a gente ama mesmo uma pessoa
Não importa se acaso ela nos fira
Que é melhor se calar sendo mentira
Que falar que não ama sendo a toa.
A saudade é o espinho que magoa
Na roseira do sonho que morreu
Eu não posso culpar quem prometeu
Ser amor ao meu lado a vida inteira
Porque o espinho faz parte da roseira
E é besteira dizer que se esqueceu.

Pedro Torres.

O mundo tá se acabando E tem quem diga que não.

Nem se houvesse outra Alcatraz
Cabia tanto bandido!
Que o petróleo foi vendido
Porém, barato demais...
Afundaram a Petrobrás
Num mar de corrupção
E inda tem muito ladrão
Do poço fundo, jorrando...
O mundo tá se acabando
E tem quem diga que não.

Pedro Torres

Na loteria da morte Todos serão contemplados!

NA LOTERIA DA MORTE
TODOS SERÃO CONTEMPLADOS

Dentre os jogos de azar
Nenhum é mais democrático
Pois, sendo um sorteio prático
Ninguém consegue escapar.
Todo mundo vai ganhar
Celebração de finados!
Pois, nesse jogo de dados
Todos têm a mesma sorte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Como bois indo pro abate
É nossa vida terrena
Tentamos fugir da pena
Até que a morte nos mate.
Do rico dono de iate
Ao pobre, de alguns trocados,
Todos serão derrubados
No dia exato do corte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Ter orgulho e vaidade
É vão demais, pode crer
Porque depois de morrer
Se acaba a desigualdade.
No banco da eternidade
Têm-se os débitos sanados
E a conta dos humilhados
Recebe o perdão de aporte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Juntar bens materiais,
Entre outras coisas vãs,
São heresias pagãs
Desnecessárias demais.
Ser rico mesmo, é ter paz
E amigos acumulados
Pra os que ficarem, coitados,
Ter alguém que lhes conforte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

A vida não é cassino
Pra ninguém ganhar aposta
Pois, quem odeia e quem gosta
Enfrenta o mesmo assassino.
O tempo cumpre o destino
Ao qual estamos fadados
E, após, sermos sorteados
Pifa o fraco e bate o forte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Pedro Torres

Quem passar no castelo da saudade Dê lembrança ao amor que já foi meu.

Essa hora que a noite abarca o dia
Numa tarde saudosa de dezembro
Passa um filme na mente, e eu me lembro
Do calor de um abraço que eu queria.
Eu daqui pra morrer só gostaria
De saber se de fato, ela esqueceu
Se ela sabe que o nosso amor morreu
Mas, ficou no meu peito "inda" metade
"Quem passar no castelo da saudade
Dê lembrança ao amor que já foi meu."

Pedro Torres
Mote de Neuza Clementino