terça-feira, 15 de julho de 2014

Sonetos (Sem título)

(sem título)

Quem dera um dia um pensamento líquido
Se derramasse por sobre o papel
E o amor surgisse do traço fiel
Da honestidade dum pranto vertido...

Talvez, houvesse o mundo convencido
Que a dor da espera pode ser cruel
Tal qual a abelha que oferece o mel
E ninguém colhe sem qualquer ferido.

Se numa prova de papéis lavados
Ali tocassem teus lábios rosados
Desvendarias todo o seu sabor...

Mas, nada dizes nos teus atos loucos,
E uma saudade vai morrendo aos poucos
Nos labirintos desse doido amor...

Críticas

Entre o orgulho que tanto desconforta
E o vazio de quem não sente falta
Eu prefiro a verdade que se exalta
Quando a falta de alguém nos bate à porta.

Se a mentira vivesse sempre morta
Haveria, somente, na ribalta
A poesia onde o amor do peito salta
E a barragem do olhar abre a comporta.

E se os críticos pensam me abater...
Por não ser mais senhor do meu querer
Quando estou ante a luz do teu olhar...

Eu não posso aceitar com falsidade
Pois, prefiro, mil vezes, ter saudade
Do que não ter amor pra recordar!

(sem título)

Desata o nó que te prende ao chão
Solta o balão da felicidade
Voa bem alto pela imensidade
Sonha mais forte com teu coração.

Decora um hino pra nova canção
Canta um baião de matar saudade
Põe melodia nessa liberdade
No descompasso dessa solidão.

Esquece as dores que no amor tem vida
Abre a janela que o vento convida
E mostra ao mundo já não te importares...

Vai pelas flores, sem jogar espinho
Cuida que a vida te dá um caminho
Pra ser o mesmo se tu regressares.

(sem título)

Queres que eu diga que a saudade manda
Nesse meu peito que te quer, ainda,
Que a nossa história é uma história linda
Que nunca finda porque não desanda.

Mas, eu não sei sequer onde é que anda
Minha alegria pela tua vinda
E, além de tudo, uma história infinda
Não vive só, ausente uma outra banda.

Também precisa se fazer carinho
Ter segurança que todo o caminho
Leva ao reduto da nossa "amizade"...

Amar amar, mas, sem amar a dor
Que a dor faz parte, mas, nenhum amor
Vive, somente, de sentir saudade.

(sem título)

Tu pensas mesmo que acredito em ti?
Nesse arrodeio que sempre tu fazes?
Ganhar intrigas pra perder as pazes
Só pra dizeres que não me esqueci?

Tu sabes tanto que eu não te menti
Nos teus arroubos sempre tão mordazes
Que as tuas juras muito mais fugazes
Deram motivos ao que te pedi

Não me tiveste porque não quiseste
E essa tristeza tua não reveste
Esse meu peito que te pertenceu

Mas, não reclames do que foi-se embora
Porque se acaso tu choras agora
Tens no teu pranto o que já foi meu!

(sem título)

Quem iria entender o nosso amor
E a pureza do nosso sentimento?
Se a saudade desfolha-se no vento
Quem diria querer ser uma flor?

Se tem verdade em tua falsidade
Faltou saudade provando da morte
Sem ter vontade provaste do corte
Que a vida segue sem ter piedade.

Tu me quiseste... reduzido a pó!
Sendo só teu, mas, vivendo só
Como um fantasma dum sonho plebeu

Quem vive a vida sempre na dormência
Não ganha nada, nem experiência
Nem se reclama porque não doeu!

Usura

Jamais perco, no amor, o amor doado
Pois, o amor se renova pra quem doa
Mas, não é por ser livre que a pessoa
Vai doar-se sem ser (de volta) amado.

Logo, não vou querer ser desprezado
Perder tempo com quem não me perdoa
Que o perdão é do amor como a canoa
É das águas do rio... predicado!

Se o teu peito, também, sente saudade
E nos erros ficamos na igualdade
Isso tudo é vingança porque errei?

Como queres partir e alguém amar
Se não sabes sequer me perdoar
Sendo que meu perdão, eu já te dei?

Pedro Torres