quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Um segundo!

Tem-se tudo e, ao mesmo tempo, nada
Nesse instante se faz mais necessário
Era como se o dia e o calendário
Se encontrassem na data programada.

Um momento sem antes nem depois
Só durante e assim mesmo um infinito
Onde sonhos passeiam, tão bonito
Quanto os raios de um sol que já se pôs.

É uma espera do que não vai chegar
Por estar, já bem antes, onde existe
Num sorriso no rosto, ou pranto triste,
Que inda insiste em querer se apropriar.

Tudo aquilo indomável que nos toma
Paralisa a garganta e o peito expulsa
Quando a voz do desejo sai convulsa
Da megera do orgulho que entra em coma.

Dá-se o fim das razões e toda lógica
Numa ausência completa de conceitos
Nessa força gigante entre dois peitos
Na paixão sem distância ideológica.

Pelo brilho dos cílios se revela
A saudade escorrendo pelos olhos
Como a bruma lançada sob abrolhos
Corre face uma lágrima singela.

Ninguém sabe, de fato, a explicação
Desse grande mistério sem mistério
Dos meandros do íntimo refrigério
Quando as almas se tocam na emoção.

Todos cinco sentidos se aprimoram
Mas, o olhar é de longe o mais arguto
Quando o vento ao passar deixa-lhe enxuto
E põe riso na face dos que choram.

Toda vez que a lembrança acende a chama
Arde um par de saudade onde lhe abraça
E isso é quase metade do que passa
Num segundo de olhar de quem se ama.

Pedro Torres

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