quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Codinome

Pare com seus gestos loucos
Se vê que não quer me amar.
Aprenda martar-me aos poucos
"Que eu sei morrer devagar."

A partir dessa quadra do Poeta Diomedes Mariano eu construí um mote e disse:

Codinome

Esse teu jeito, faceiro,
Faz minh'alma ficar tonta
E o coração paga a conta
No débito de amor e cheiro.
E o teu sorriso certeiro
Como quem quer me matar
Combina com o teu olhar
Convidando meu carinho
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Pela minha experiência
É melhor nem ter contato
Já da pra ver o "retrato"
Desse encontro de carência.
Se eu provar da doce essência
Do teu cheiro e embriagar
É capaz de eu não voltar
Ou me perder no caminho
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Mulher, mas que ingratidão
Não tem porque tanta pressa
Que bem a gente começa
E voltas pra solidão.
Se queres meu coração
Primeiro tens que ganhar
Que eu talvez não saiba amar
Mas, aprendo, com jeitinho
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Teu silêncio me condena
Que minh'alma fica aflita
Mas, quem mandou ser bonita
Igual a flor da açucena?!
E a tua pele, morena,
Se acaso se arrepiar
Pode até me assassinar
Na furada desse espinho
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Eu já cresci, pra ter medo
Do teu jogo feminino
Misterioso, assassino
Nas veredas desse enredo.
Na palma do meu segredo
Me perco, ao te encontrar
Mas, se for pra revelar
Eu revelarei baixinho:
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Doce demais, sei que abusa
Mas, pra quê tanto azedume?!
Deixa desse teu ciúme
Sabes que és minha musa.
E hoje ninguém mais usa
Dessa história de agradar
A quem não deseja amar
Pelo menos um pouquinho
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Esse sabor de distância
Que amarga na minha boca
Vem de uma vontade louca
Que provoca a minha ânsia.
Porque tu tens a fragrância
Das flores desse lugar
És como o sonho a voar
Nas asas de um passarinho
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Meu coração como a lua
Sempre se expõe só metade
Porque metade é saudade
Oculta na face tua.
E a claridade insinua
O brilho do teu olhar
E o calor de regressar
De uma ave pro seu ninho
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Não se avexe não, meu bem,
Que a vida segue o compasso
Sem ter que apetar o passo
O que é da gente já vem.
Pois, não se importa se alguém
Insiste em não navegar
Como o rio vai pro mar
Nós vamos no burburinho
“Me mate devagarinho
Que eu sei morrer devagar.”

Pedro Torres
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