segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Tem um resto de amor mal resolvido Perturbando meu sono a noite inteira.

Nosso amor para além da eternidade
Não durou dois verões e meio inverno.
Quando o céu transformou-se num inferno
No silêncio da nuvem de saudade...
Dediquei-me a zelar nossa amizade
No percurso da história interrompida
Construindo um Amor pra toda a vida
No terreno arenoso do seu peito....
"Meu castelo de sonhos foi desfeito
No momento da sua despedida."

Dei pra ela: romance e sentimento
Em um livro de amor que lhe escrevi
E apesar de ser pouco o que vali
Seu valor foi pra mim os 100%.
E "inda" há chagas abertas, no momento,
Duma história bonita e verdadeira
Foi gigante e hoje só resta uma beira
Do que houve em meu peito adormecido
"Tem um resto de amor mal resolvido
Perturbando meu sono a noite inteira."

Pedro Torres

sábado, 20 de dezembro de 2014

Desintoxicação

Preciso, desesperadamente,
De um verso doce de amor.
A frase certa que alivia
Que descansa a alma
E faz sentir de novo algo quente e cheiroso
Como uma xícara de café quente!

Não preciso de um verso-Deus
Que ressuscite nada!
Basta-me, apenas, a poesia...
Expirar esse gás carbônico
Que me seca a inspiração
E repousar meu espírito em um abraço

Único!

Pedro Torres

domingo, 16 de novembro de 2014

Alucinação

Bebo doses maciças de ansiedade
E me ausento do mundo das certezas
Deixo a dúvida arder entre as friezas
Desse breve torpor de realidade.

Anoitece e a fumaça da cidade
Decorada por mil luzes acesas
Pinta o céu de amarelo e as impurezas
Ganham cor, disfarçando a falsidade. 

Eu me esforço em deixar minh'alma sã
E à janela eu convoco outra manhã
Que preencha de luz meu pensamento...

Recordando o perfume da campina
"O silêncio da nuvem me alucina
Nesse mapa irreal de sentimento"

Pedro Torres
Mote de Mariana Véras

Vou vender meu coração Por qualquer tostão furado.

Já se passou tanto tempo
Desde o meu último romance
Que eu nem sei se existe chance
De findar meu contratempo.
Se nem pra ser passatempo
Eu tenho sido sondado
Pra não morrer desprezado
Na primeira ocasião
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Pedro Torres

Porque o espinho faz parte da roseira E é besteira dizer que se esqueceu.

Quando a gente ama mesmo uma pessoa
Não importa se acaso ela nos fira
Que é melhor se calar sendo mentira
Que falar que não ama sendo a toa.
A saudade é o espinho que magoa
Na roseira do sonho que morreu
Eu não posso culpar quem prometeu
Ser amor ao meu lado a vida inteira
Porque o espinho faz parte da roseira
E é besteira dizer que se esqueceu.

Pedro Torres.

O mundo tá se acabando E tem quem diga que não.

Nem se houvesse outra Alcatraz
Cabia tanto bandido!
Que o petróleo foi vendido
Porém, barato demais...
Afundaram a Petrobrás
Num mar de corrupção
E inda tem muito ladrão
Do poço fundo, jorrando...
O mundo tá se acabando
E tem quem diga que não.

Pedro Torres

Na loteria da morte Todos serão contemplados!

NA LOTERIA DA MORTE
TODOS SERÃO CONTEMPLADOS

Dentre os jogos de azar
Nenhum é mais democrático
Pois, sendo um sorteio prático
Ninguém consegue escapar.
Todo mundo vai ganhar
Celebração de finados!
Pois, nesse jogo de dados
Todos têm a mesma sorte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Como bois indo pro abate
É nossa vida terrena
Tentamos fugir da pena
Até que a morte nos mate.
Do rico dono de iate
Ao pobre, de alguns trocados,
Todos serão derrubados
No dia exato do corte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Ter orgulho e vaidade
É vão demais, pode crer
Porque depois de morrer
Se acaba a desigualdade.
No banco da eternidade
Têm-se os débitos sanados
E a conta dos humilhados
Recebe o perdão de aporte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Juntar bens materiais,
Entre outras coisas vãs,
São heresias pagãs
Desnecessárias demais.
Ser rico mesmo, é ter paz
E amigos acumulados
Pra os que ficarem, coitados,
Ter alguém que lhes conforte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

A vida não é cassino
Pra ninguém ganhar aposta
Pois, quem odeia e quem gosta
Enfrenta o mesmo assassino.
O tempo cumpre o destino
Ao qual estamos fadados
E, após, sermos sorteados
Pifa o fraco e bate o forte
Na loteria da morte
Todos serão contemplados!

Pedro Torres

Quem passar no castelo da saudade Dê lembrança ao amor que já foi meu.

Essa hora que a noite abarca o dia
Numa tarde saudosa de dezembro
Passa um filme na mente, e eu me lembro
Do calor de um abraço que eu queria.
Eu daqui pra morrer só gostaria
De saber se de fato, ela esqueceu
Se ela sabe que o nosso amor morreu
Mas, ficou no meu peito "inda" metade
"Quem passar no castelo da saudade
Dê lembrança ao amor que já foi meu."

Pedro Torres
Mote de Neuza Clementino

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pendurei na parede do meu peito Seu retrato num quadro de saudade!

Meu casebre de sonhos assombrado
Já não vive paixões faz tanto tempo
Que lembranças de amor de passatempo
Tem há tempos meu sono, atormentado.
Sem querer mais lembrar desse passado
Que deixou meu presente na ansiedade
Vou tentando sonhar na liberdade
Do que eu tento esquecer, sem achar jeito...
"Pendurei na parede do meu peito
Seu retrato num quadro de saudade!"

Sem eu ter condições de lhe esquecer
Pelo menos, de um jeito mais completo
Vou vivendo num mundo tão secreto
Que é capaz da vontade se perder.
Não é fácil encontrar algum prazer
Quando a falta não traz felicidade
E remédio pra ausência quando invade
É danado pra não fazer efeito...
"Pendurei na parede do meu peito
Seu retrato num quadro de saudade!"

Pedro Torres
Mote de Catarine Aragão

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Um segundo!

Tem-se tudo e, ao mesmo tempo, nada
Nesse instante se faz mais necessário
Era como se o dia e o calendário
Se encontrassem na data programada.

Um momento sem antes nem depois
Só durante e assim mesmo um infinito
Onde sonhos passeiam, tão bonito
Quanto os raios de um sol que já se pôs.

É uma espera do que não vai chegar
Por estar, já bem antes, onde existe
Num sorriso no rosto, ou pranto triste,
Que inda insiste em querer se apropriar.

Tudo aquilo indomável que nos toma
Paralisa a garganta e o peito expulsa
Quando a voz do desejo sai convulsa
Da megera do orgulho que entra em coma.

Dá-se o fim das razões e toda lógica
Numa ausência completa de conceitos
Nessa força gigante entre dois peitos
Na paixão sem distância ideológica.

Pelo brilho dos cílios se revela
A saudade escorrendo pelos olhos
Como a bruma lançada sob abrolhos
Corre face uma lágrima singela.

Ninguém sabe, de fato, a explicação
Desse grande mistério sem mistério
Dos meandros do íntimo refrigério
Quando as almas se tocam na emoção.

Todos cinco sentidos se aprimoram
Mas, o olhar é de longe o mais arguto
Quando o vento ao passar deixa-lhe enxuto
E põe riso na face dos que choram.

Toda vez que a lembrança acende a chama
Arde um par de saudade onde lhe abraça
E isso é quase metade do que passa
Num segundo de olhar de quem se ama.

Pedro Torres

terça-feira, 15 de julho de 2014

Sonetos (Sem título)

(sem título)

Quem dera um dia um pensamento líquido
Se derramasse por sobre o papel
E o amor surgisse do traço fiel
Da honestidade dum pranto vertido...

Talvez, houvesse o mundo convencido
Que a dor da espera pode ser cruel
Tal qual a abelha que oferece o mel
E ninguém colhe sem qualquer ferido.

Se numa prova de papéis lavados
Ali tocassem teus lábios rosados
Desvendarias todo o seu sabor...

Mas, nada dizes nos teus atos loucos,
E uma saudade vai morrendo aos poucos
Nos labirintos desse doido amor...

Críticas

Entre o orgulho que tanto desconforta
E o vazio de quem não sente falta
Eu prefiro a verdade que se exalta
Quando a falta de alguém nos bate à porta.

Se a mentira vivesse sempre morta
Haveria, somente, na ribalta
A poesia onde o amor do peito salta
E a barragem do olhar abre a comporta.

E se os críticos pensam me abater...
Por não ser mais senhor do meu querer
Quando estou ante a luz do teu olhar...

Eu não posso aceitar com falsidade
Pois, prefiro, mil vezes, ter saudade
Do que não ter amor pra recordar!

(sem título)

Desata o nó que te prende ao chão
Solta o balão da felicidade
Voa bem alto pela imensidade
Sonha mais forte com teu coração.

Decora um hino pra nova canção
Canta um baião de matar saudade
Põe melodia nessa liberdade
No descompasso dessa solidão.

Esquece as dores que no amor tem vida
Abre a janela que o vento convida
E mostra ao mundo já não te importares...

Vai pelas flores, sem jogar espinho
Cuida que a vida te dá um caminho
Pra ser o mesmo se tu regressares.

(sem título)

Queres que eu diga que a saudade manda
Nesse meu peito que te quer, ainda,
Que a nossa história é uma história linda
Que nunca finda porque não desanda.

Mas, eu não sei sequer onde é que anda
Minha alegria pela tua vinda
E, além de tudo, uma história infinda
Não vive só, ausente uma outra banda.

Também precisa se fazer carinho
Ter segurança que todo o caminho
Leva ao reduto da nossa "amizade"...

Amar amar, mas, sem amar a dor
Que a dor faz parte, mas, nenhum amor
Vive, somente, de sentir saudade.

(sem título)

Tu pensas mesmo que acredito em ti?
Nesse arrodeio que sempre tu fazes?
Ganhar intrigas pra perder as pazes
Só pra dizeres que não me esqueci?

Tu sabes tanto que eu não te menti
Nos teus arroubos sempre tão mordazes
Que as tuas juras muito mais fugazes
Deram motivos ao que te pedi

Não me tiveste porque não quiseste
E essa tristeza tua não reveste
Esse meu peito que te pertenceu

Mas, não reclames do que foi-se embora
Porque se acaso tu choras agora
Tens no teu pranto o que já foi meu!

(sem título)

Quem iria entender o nosso amor
E a pureza do nosso sentimento?
Se a saudade desfolha-se no vento
Quem diria querer ser uma flor?

Se tem verdade em tua falsidade
Faltou saudade provando da morte
Sem ter vontade provaste do corte
Que a vida segue sem ter piedade.

Tu me quiseste... reduzido a pó!
Sendo só teu, mas, vivendo só
Como um fantasma dum sonho plebeu

Quem vive a vida sempre na dormência
Não ganha nada, nem experiência
Nem se reclama porque não doeu!

Usura

Jamais perco, no amor, o amor doado
Pois, o amor se renova pra quem doa
Mas, não é por ser livre que a pessoa
Vai doar-se sem ser (de volta) amado.

Logo, não vou querer ser desprezado
Perder tempo com quem não me perdoa
Que o perdão é do amor como a canoa
É das águas do rio... predicado!

Se o teu peito, também, sente saudade
E nos erros ficamos na igualdade
Isso tudo é vingança porque errei?

Como queres partir e alguém amar
Se não sabes sequer me perdoar
Sendo que meu perdão, eu já te dei?

Pedro Torres

terça-feira, 6 de maio de 2014

23 Sonetos

Paciência

Quem no amor quer ter reciprocidade
Antes tem que aprender a dar valor.
Porque a vida apresenta-nos o amor
Mas, nem sempre, já traz felicidade.

Quando o amor se divide na metade
Uma parte, na ausência, sente dor
Mas, tem outra (a que dá pra vida cor)
Essa fica escondida na saudade.

É por isso que o amor é paciente
Tudo crê, tudo sofre, tudo sente
Tudo espera e, suporta a sua cruz…

Vence todo o deserto das agruras
Atravessa o cansaço das lonjuras
Pra chegar ao destino de ser luz!

Esperar

Todo o tempo que a vida demandar
Pra que eu possa dizer que fui feliz
(Pela hipótese de a vida não ter bis)
Eu prefiro, no amor, sempre esperar.

Porque o tempo não custa pra passar
E, no caso, não tem melhor juiz
Pois, o corte ou se torna cicatriz
Ou o amor que sangrou pode voltar.

Outro amor como o nosso não é fácil!
Não se imita o licor da Flor do Lácio
E ter pressa não faz, antes, chegar...

Se a Saudade me segue machucando
Eu te espero, ainda que sangrando,
Todo o tempo que a vida demandar!

Tu!

Fios dourados das manhãs de maio
Frescor da brisa das auroras lindas
Calma contente de tristezas findas
Cena de risos, texto sem ensaio.

Gota que orvalho à flor deita em desmaio
Brilho estelar das noites infindas
Fertilidade das chuvas bem vindas
Bonança acesa no clarão dum raio.

Musa da lira dum poeta parco
Erato amável a guiar meu barco
Neste oceano de teu mar sem fim...

Perdoa-me tanto me faltar motivos
Não ter palavras, verso, adjetivos
Que digam tudo que tu és pra mim!

"Sem se falar…"

Se o silêncio não mente e poderia,
No máximo, ocultar uma verdade
Que tu me esconderias: ter saudade
Ou a vaidade de quem não me queria?

Tu quiseste, portanto, a realidade
É que ocultas de mim a nostalgia
De não creres no amor que eu te teria
Ou no qual tu me negas por maldade...

Se eu me calo e, assim mesmo, tu me escutas
Não pareces ser das gentes astutas
Mas, ao menos, assim, tu não me mentes…

Pois, se sabes de mim tudo que sinto
E eu te amo e a mim mesmo eu nunca minto
É amor, oras, o que por mim tu sentes!

Navegar

No vazio silêncio do meu peito
Sem ouvir os sinais, sem direção
Meu caminho se perde, sem a voz,
Da saudade que fala ao coração.

Se o poeta não vive sem o amor
E, por sorte, Deus quis me ver poeta
Sem te ter ao meu lado, sem senti-la
A minh'alma intranquila se aquieta.

Eu não sei viver sem o teu afago
Poesia pra mim é como o lago
E teu colo pra mim é como o mar...

Sem te ter é inútil até morrer
Que o poeta não sabe nem viver
Se não tem seu amor pra navegar.

Vazio

Nesse vazio que meu peito sente
Há quase tudo que tu não levaste,
Da imensa falta que tu me deixaste
A tua ausência que se faz presente.

És tudo e nada, estrela displicente,
No brilho opaco desse meu contraste
Desde o amor próprio que sofreu desgaste
Até a carência forte e inconsequente.

Se o teu calor na minha alma teima
É que a vontade de tão forte queima
E ninguém foge de sentir vontade…

Tua lembrança, mesmo de relance,
Até conforta, na morte da chance,
Só não suporto mais tanta saudade!

"Eu não me iludo mais!"

Eu já te disse que eu não mais me iludo
Com tuas frases lindas e perfeitas...
Quero a certeza das promessas feitas
Realizadas, uma a uma, e tudo!

Eu quero o abraço, com que me endireitas
E essa saudade morta... sobretudo!
Eu quero a pele tua de veludo
Incendiada nas chamas refeitas!

Quero matá-la de amor e carinhos
Nestes meus braços cansar-te de aninhos
Curar-te a sede com litros de beijos

Mas, eu preciso ser-te bem sincero
Faz tanto tempo que eu tanto te espero
Que já não cabe em mim tantos desejos!

"Teto de Estrelas"

Esse teto de estrelas sobre a gente
Brilha mais quando está na escuridão
De igual forma, a saudade no sertão
Faz mais perto a distância pra quem sente.

E quando a alma se toca, é indiferente
Se houve "tempo perdido" e solidão
Que um abraço conserta o coração
Onde a emenda sequer fica aparente.

Se o meu peito optou por te esperar
Quem sou eu pra querer contrariar
Essa voz do querer que não se quis?

E ao lembrar-me do amor que tu possuis
A minh'alma rebrilha o mar de luz
Da beleza que tens quando sorris!

Fronteiras

Muito além das fronteiras da amizade
Nosso amor se fez sólido cumprindo
Do querer bem ao outro nunca findo
Ao que nasce pra ser eternidade.

Pois, o amor sempre traz felicidade
Mas, não dá pra viver sempre sorrindo
Já que há dias que a lágrima caindo
Molha o chão da lembrança, e dá saudade…

Não me esqueço de ti! Meu sofrimento
É saber que a distância no momento
Em que lembro não faz a dor passar.

E me afasto, meu bem, pra não sofrer
Que é enorme a diferença entre esquecer
E viver sem poder nem mais lembrar.

Carma

Relembrando um romance do passado
Numa história na qual eu fui vilão
Posso, enfim, ter chegado a conclusão
Que hoje eu pago, contigo, o meu pecado.

Eu não fiz por querer, mas, enganado
Pela força insensata da atração
Foram quase dois anos de ilusão
E o meu erro ao final foi perdoado.

Pois, se cada existência é exclusiva
Sempre frustro, em mim mesmo, a expectativa
Quando penso em voltar, seguindo a norma...

Quem me quis, talvez, não me queira mais
E eu te quero, mas, nunca volto atrás
Porque podes pensar da mesma forma!

Insistência

Com você insistindo em fazer falta
Os meus dias têm sido de amargura
Que é terrível ficar nesta lonjura
E o silêncio gritando na voz alta.

No apagar-se das luzes da ribalta
Que minh'alma perdida te procura…
Como se não bastasse essa tortura
Vem mais essa distância ditar pauta.

Compreendo as razões de meu tormento
E respeito, demais, o teu momento,
Mas, prefiro calar a voz que o exalta…

Sóbrio, ainda, refém da realidade,
Só não sei mais conter tanta saudade
Com você insistindo em fazer falta!
"O que queres?"

O que queres que eu diga? Que não quero?
Que cansei de esperar que te decidas?
Que a saudade presente em nossas vidas
É por causa de mim, que nunca espero?

Ou tu queres saber se te venero
E haverão outras estações floridas?
Se as lembranças quedaram-se partidas
Ou o que resta de nós é quase zero?

Se o teu cheiro inda está na minha roupa...
Se minh'alma padece quase louca...
Ou se o tempo caminha feito lesma...

Se não somos no amor tão diferentes
E o que eu sinto é igualzinho ao que tu sentes
Pois, pergunta de mim para ti mesma!

Sonho meu!

"O que tens é só teu" ...ninguém te altera!
Tua essência, aliás, é inviolável...
Nesse olhar de mistério indecifrável
Tens bem mais que a ilusão de uma quimera.

És ver taça de luz da primavera,
Tanto néctar da flor ...admirável!
És beleza sublime, ser amável,
És a fonte de dor de quem te espera!

És meu mar, no oceano teu, absorto!
E teu colo, pra mim? Último porto,
Onde atraco meu barco junto ao teu!

És a minha saudade mais sentida!
És a vida que tem dentro da vida!
És a parte melhor que Deus me deu!

Exigência

Fiz de tudo que pude e que não pude
Contornando nas crises tua ausência
Pois, não queiras cobrar-me paciência
Se não queres mudar tua atitude.

Só quem vive a esperar que a vida ajude
Nunca prova o sabor da experiência.
Pois, se falto ao fazer-te uma exigência
Ter orgulho, também, não é virtude!

Quando tudo é silêncio, e estás ausente,
Eu não sei que delírio faz-me a mente
Ir além destas linhas que redijo...

Se me perco de mim, nesta ansiedade,
E me abraço ao torpor duma saudade
A minh'alma reclama, e eu te exijo!

Ironia

Ah! se soubesse como o verso nasce...
Da pontiaguda dor da realidade
Da voz aguda da desigualdade
Talvez, se amasse, nunca mais amasse!

E, então, fugisse do que não renasce
Do sonho inútil de matar saudade
Do vil tormento de sentir vontade
E ter que dá-la pra que o tempo passe...

Quem sabe, assim, se toda dor sentisse
E se voltasse pra que alguém sorrisse
As dores todas fundas se findassem...

Talvez, notasse, veja que ironia
Que se calava toda a poesia
Quando os poetas todos se calassem!

Motivos

Quando a vida cruzou nossos caminhos
Eu não pude entender o seu propósito.
Que meu peito tornara-se um depósito
De tristeza, comum entre os sozinhos.

Sequer pude notar a transição
Entre aquilo que estava e agora era.
Quando fui perceber a primavera
Era tarde demais pra dizer não!

Assim como, a primeira iniciativa,
A segunda que trouxe a negativa
Me tomou de repente, e sem porquê!

Nesse amor que à saudade se moldava
Quando, enfim, compreendi quanto te amava
Era tarde demais pra ter você!

Detalhes

Deus te deu mil encantos, formosura
E a textura da pele inspira o pêssego
Deu-te um ar de mistério e um beijo sôfrego
E uma luz que é pra escuridão ter cura.

Pôs em ti os segredos divinais
Da doçura do sumo da romã
Teu sorriso traduz uma manhã
Das auroridades celestiais

Do vermelho da boca à tez da face
Há detalhes, minúcias de quem nasce,
Nas belezas que não sabem ser rudes

Mas, se tudo que tens surgiu de Deus
Pois, acode o clamor dos versos meus
Deixa o mundo acabar-se, mas, não mudes!

"Mil vezes!"

Tua ausência incomoda, mas, não deixa
De ser uma lição de realidade
Pois, é inútil querer quem não se queixa
De outro lado, também, de ter saudade.

E a saudade faz parte, mas, não pode
Ser a essência maior de quem se ama
Que não importa, contanto, que incomode
Ela gosta é do peito que se inflama.

Cada dia que passa é mais cinzento
E não dá pra apagar do pensamento
Que a lembrança se enrosca feito um nó...

Sendo assim, eu também de ti me afasto
Que se for por amor pouco e já gasto
Eu prefiro mil vezes ficar só!

"Quase!"

Como um jogo de amor sem ter respostas
Para as muitas perguntas que calamos...
No silêncio, a saudade que escutamos
Faz a sorte pra nós virar as costas.

Se o destino zerou nossas apostas?!
Cada chance que nós desperdiçamos
Cobrou juros de tudo que sonhamos
Pelas cartas que nunca foram postas!

Sem julgar as questões da pouca idade
E os pecados da nossa ingenuidade
Nosso amor passou da primeira fase...

E mesmo hoje não sendo o mesmo nível
O que houve entre nós foi tão incrível
Que se não foi o céu, inda foi "quase!"

Sonhos

Nosso amor se perdera por completo...
Não restava mais sonho ou esperança
E só às vezes à luz de uma lembrança
Eu sentia o meu ser mais inquieto.

Tanto amor declarado, tanto afeto,
Resumidos à falsa insegurança
De quem nunca mostrou ter confiança
No que o peito dizia ser concreto.

Triste fim! Eu pensava... e meu cansaço
Reclamava, na ausência de um abraço,
Descontente por ter chegado ao fim...

Muito tempo depois, adormecido,
Sonhei sonhos de um filme colorido
E acordei com você dentro de mim.

"Esse rio..."

Pajeú que não passa, eu estou indo
Para ver o teu chão umedecido.
Quero ver outro dia amanhecido
E teu corpo de verde se cobrindo.

Quero ver tua mata reflorindo
Ver teu leito de novo abastecido
E um "sereno" recém adormecido
Na manhã que nasceu de um sonho lindo.

Pelas praças, felizes namorados
Se escondendo da luz, incendiados,
Nos abraços que aquecem-lhes do frio...

Contemplar o raiar de uma alvorada
E cantar-te contente, a passarada,
Serenatas nas margens desse rio.

Teimosia

Se esse meu coração me obedecesse
Eu, talvez, já tivesse me esquecido
Mas, meu peito (por mim mesmo traído)
Nem parece querer que não doesse.

Ah! Se ao menos de longe conhecesse
As maldades de alguém, por precavido,
Bateria mais calmo, advertido,
Que seria melhor se nem batesse...

E essa dor lancinante que te corta
Não pulsava de novo em tua aorta
Pelo sangue de quem não te queria.

Sempre apanhas por não saber bater.
Coração, por acaso se eu morrer
Foi por causa da tua teimosia!

"Veneno!"

Devo ainda lembrar, de vez em quando,
Porque amor não se apaga como o giz.
Fica o corte, e se forma a cicatriz,
Que com o tempo, também, vai se apagando…

Se eu fiquei com meu coração sangrando
Foi, talvez, porque um dia fui feliz
Por julgar ser sincera aquela atriz
Sem notar quanto estava me enganando.

Ela jovem, bonita, toda encanto,
Suas juras me convenceram tanto
Que eu jurava ter conhecido o céu…

Ledo engano e, somente agora, eu vejo
Que o veneno contido no seu beijo
Era muito pior que a cascavel!

Pedro Torres
Fã!

Refletindo as razões do afastamento
E os motivos de ter havido o "corte"
Percebi que no amor é bem mais forte
Quem confessa primeiro o sentimento.

Meu ciúme não serve de argumento
E, apesar, de a razão me dar suporte
Se não for perdoar, pois, nem se importe
Deixe que eu sei lidar com sofrimento…

Já faz tempo que a gente não procura
Um caminho que abrande essa lonjura
Que esse teu fã, talvez, já nem mereça…

Bote um vale na conta da saudade
E se for pra esquecer, fique à vontade,
Mas, que eu amo você, nunca se esqueça!

Pedro Torres

terça-feira, 1 de abril de 2014

"Sem cobranças!"

Não se cobra atenção, nem sentimento
Que se não vem por gosto não compensa.
Pois, se for pra valer que me convença
Não com frases, mas por comportamento.

Há dois fins naturais pra o sofrimento:
Ou uma espera ao final tem recompensa
(Pondo fim ao que lhe causava a ofensa)
Ou deleta-se o amor do pensamento!

Nunca é fácil acertar na decisão
Mas, o amor não nasceu pra o coração
Viver sempre sentindo, apenas, dor...

Quem espera demais um dia cansa
E eu não vou lhe fazer qualquer cobrança
Mas, não espere eu voltar quando eu me for!

Pedro Torres

Último Porto!

Sem querer, sem sonhar, sem esperança
Decidiu por um fim na própria vida!
Que ninguém vive só de ter lembrança
E, estas, tem só quem tem vida vivida.

Sua alma vagava, assim, perdida
Prosseguindo no curso da mudança
Vegetando, com toda a segurança,
De quem luta batalha já vencida.

Dirigiu-se à beirada de um abismo
Esquecido da fé, do catecismo,
Consciente que iria ao último porto...

Com seus olhos vidrados no infinito
Sem amor, sem saudade, no seu grito
Quis matar-se, porém, já estava morto!

Pedro Torres

Se não sabe a quem dar seu coração Eu prefiro sair da sua vida!

Se o melhor é amar que ser amado
Eu não tenho a pergunta pra resposta
Porque sei só de quem meu peito gosta
E que amor não é só ser desprezado.
Quem só tem uma dúvida do lado
É melhor ter certeza na partida
Que recíproca nunca é dividida
Com quem compra parcelas de ilusão
"Se não sabe a quem dar seu coração
Eu prefiro sair da sua vida!"

Pedro Torres
Mote da poetisa Lucélia Santos

A saudade é essa lágrima Que escorre lenta na face

A saudade é essa lágrima
Que escorre lenta na face
Calada, quente, desliza
Desenhando aonde passe
As gravuras de uma lápide
Dum sonho que não renasce.

Pedro Torres

Eu já sei que você não me merece Que esse teu coração não vale nada

Eu já sei que você não me merece
Que esse teu coração não vale nada
Mas, que posso fazer, minha adorada
Se esse meu coração nunca te esquece?

Pedro Torres

domingo, 23 de março de 2014

Esperar

Todo o tempo que a vida demandar
Pra que eu possa dizer que fui feliz
(Pela hipótese de a vida não ter bis)
Eu prefiro, no amor, sempre esperar.

Porque o tempo não custa pra passar
E, no caso, não tem melhor juiz
Pois, o corte ou se torna cicatriz
Ou o amor que sangrou pode voltar.

Outro amor como o nosso não é fácil!
Não se imita o liquor da Flor do Lácio
E ter pressa não faz, antes, chegar...

Se a Saudade me segue maltratando
Eu te espero, ainda que sangrando,
Todo o tempo que a vida demandar!

Pedro Torres

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Eu disfarço, pra não mostrar saudade, Muito embora eu esteja quase morto.

Ela é como a santa no altar
Do meu templo de amor que fiz abrigo
E esse laço de nós é tão antigo
Que mil eras não podem desatar.
Posso mil oceanos desbravar
Só encontro em seu colo algum conforto
Como bom marinheiro encontra o porto
Pra ancorar-se ao cair da tempestade
Eu disfarço, pra não mostrar saudade,
Muito embora eu esteja quase morto.

Pedro Torres

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Dos espinhos...

Tantas idas e vindas confirmavam:
“- Nosso amor não morrera nas raízes!"
E a lembrança dos dias mais felizes
Eram flores bonitas que murchavam.
Sem distâncias perversas se podavam
Os espinhos da falta que ressoa
Que o passado ferindo, só magoa
Quem não planta esperança no presente
Se o passado voltasse, certamente
Não voltava somente a parte boa.

Nossos erros ficavam no passado
Numa campa de sonhos e carinhos
Adubando a esperança nos caminhos
Com o espinho da dúvida podado.
Na certeza do equívoco foi dado
Todo espaço do orgulho que maltrata
E esse nó na garganta só desata
No calor de um abraço, simplesmente
Se o passado voltasse pro presente
Eu matava a saudade que me mata.

Se assim fosse, também, nós dois seríamos
Mas, não somos e a "falta" não é minha
Meu castelo de sonhos, sem rainha,
Vira escombros do amor que construíamos.
Na aventura inocente que vivíamos
Não daria pra ter os dois caminhos
Encontrados no rumo dos carinhos
Com o amor adentrando em nossas portas
Hoje as flores sonhadas estão mortas
Num jardim de esperança sem espinhos

Pedro Torres

domingo, 16 de fevereiro de 2014

"Depois..."

Nosso caso foi breve, passageiro
Mas, vivido com toda a intensidade
Que apesar de meu peito inda ferido
Eu não posso negar sentir saudade.

Fui sincero ao dizer que te amava
Pra você destruir o que era nosso
Pois, se queres que espere eternamente
Sinto muito, meu bem, mas, eu não posso!

Se quiser aventuras, "pegue o beco!"
Que não vou reclamar, de lábio seco,
Pela falta do beijo de nós dois...

Cada dor nessa vida tem seu preço
Mas, não posso ficar, se não mereço,
Nessa espera infinita de um depois.

Pedro Torres

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ela

Minha vida sem ela não tem vida
Minha noite sem ela é sem luar
Minha alma sem ela não tem par
Minha dor, sem a dela, é suicida.

Minha ausência sem ela é garantida
Minha mágoa sem ela é de amargar
Minha praia sem ela não tem mar
Minha estrada sem ela é dividida

Minha busca sem ela não tem alma
Minha paz sem a dela não tem calma
Minha calma sem ela é agonia...

Tudo e nada na alma de um poeta
Não é nada se tudo lhe completa
E nada sou, sem ela, a poesia.

Pedro Torres

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Recolho-me humildemente À minha insignificância...

Recolho-me humildemente
À minha insignificância...
Toda vez que um prepotente
Por vaidade ou por ganância
Tenta impor suas virtudes
Goela abaixo com arrogância!

Pedro Torres

Essência

Como a rosa perfuma a mão que a esmaga
A minh'alma perdoa os teus deslizes
Porque amor que não morre, e tem raízes
Faz a essência, no peito, encontrar vaga.

Se a distância nos fere feito a adaga
Da lembrança dos dias mais felizes
É provável que as nossas cicatrizes
Sejam marcas que o tempo nunca apaga.

E "quem sabe?" o destino, mais na frente,
Une os rastros de dor que fez da gente
Andarilhos do amor, sem vaidade...

E no abraço acalmando os meus anseios
Eu devolva no ardor entre teus seios,
Uma lágrima de amor ...e de Saudade!

Pedro Torres

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mas, duvido esquecer do beijo meu Quando a boca encostar em outro alguém!

"Tudo bem!" vá provar dos mil sabores
Que essa vida de amores sempre oferta
Mas, nem pense em achar a porta aberta
Onde foram trancadas minhas dores.
Se a saudade quiser causar pavores
Eu não deixo, pra não virar refém
Se teu peito esqueceu, pois, "tudo bem!"
Também finjo que o meu te esqueceu...
"Mas, duvido esquecer do beijo meu
Quando a boca encostar em outro alguém!"

Pedro Torres
Mote de Dayane Lopes

Acho muito quem dá pouco A quem não merece ter

Acho muito quem dá pouco
A quem não merece ter
Porque o espinho que nos fere
Tá na flor do bem querer
E o cheiro dela machuca
Onde a saudade bater.

Pedro Torres

És a minha esperança renovada.

Posso até parecer precipitado
Mas, a gente já sabe disso tudo
Que você não se ilude, e eu não me iludo
Pois trazemos, os dois, um machucado..
Chega assusta a palavra "apaixonado"
Mas, minh'alma se sente enamorada
Pela flor mais bonita e delicada
Que essa vida plantou no meu jardim
E hoje quero cuidar, porque pra mim
És a minha esperança renovada.

Pedro Torres

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sem saber que sentiria Fome até de bucho cheio!

Talvez o cheiro que empaca
Na narina e no juízo
Faça o verso de improviso
Sair com a rima fraca...
Que a saudade é como faca
Repartindo o pão no meio
Onde alguém num gesto feio
Quer sempre a maior fatia
Sem saber que sentiria
Fome até de bucho cheio!

Vivo repleto de nada
De vazio, de ilusões
Fazendo metamorfose
De algumas decepções
Ando à estrada sem seguro
Me iluminando no escuro
Ao largo, às vezes, do dia
Não sei ser bom nem ruim
E quando não caibo em mim
Me derramo em poesia.

Pedro Torres

Já faz tempo que a gente não procura Um diálogo que encontre uma saída

Já faz tempo que a gente não procura
Um diálogo que encontre uma saída
Pra essa estrada da gente dividida
Que tem vezes parece até tortura.
E outro amor que seria a nossa cura
Não penetra num coração blindado
Que o futuro não faz novo passado
Se o que passa não vive pro presente
E a lembrança, no caso, é bem recente
Mas, não faz nenhum erro perdoado.

Pedro Torres

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Vingas

Sou repleno de mim por ter raízes
Neste solo fecundo da humildade
Onde as flores bonitas da amizade
São esteio dos dias meus felizes

Se minh'alma carrega cicatrizes
Dos espinhos cruéis da falsidade
Não me cabe julgar quem tem verdade
Pela sombra de folhas infelizes

Vão-se os dias, também as estações
E com o tempo se fecha os machucões
No caminho do golpe derradeiro

Cada parte de mim que planta o bem
Sem migalhas, nem húmus de ninguém
Agradece, florindo, ser inteiro!

Pedro Torres

Condor

Onde estiveres sei que escutarás
Meu canto novo sem chorar lamentos
No colo quente dos teus sentimentos
Que à brisa fria tu te esquentarás;

Se as ventanias que atravessarás
Traz tua calma pros meus aposentos
Voa até mim com a paz dos ventos
E, voar alto, teu condor, verás...

Cobra meus lábios junto aos teus ...com juros
E te cobrirei com mil beijos puros
Mas, não te vingues nunca do vazio

Gasta meu nome junto a identidade
Chove torrentes de amor e saudade
Deságua em mim ...como fosses rio.

Pedro Torres

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Lembrança

Eu me esforço tentando acreditar
Que com o tempo a lembrança se arrefece
Mas, quem tenta ir embora, só se esquece
Que a saudade se lembra de voltar.

Na distância da troca de um olhar
Tudo aquilo que passa, permanece
E a vontade do abraço nos aquece
Derretendo a coragem de evitar.

Já minh'alma parece que passeia
E se ausenta de mim por um momento
Na iminência do beijo, em teu abrigo

De tal forma que sinto em minha veia
Correr todo o calor do sentimento
Que até tento negar, mas, não consigo!

Pedro Torres

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

E a saudade covarde só não mata Porque tem o prazer de torturar

Muitas vezes a dor é igual sopapo
Na ferida da perna da pessoa
Que a casquinha já tá ficando boa
E alguém puxa de vez o esparadrapo.
Pois, tem vezes que fica algum fiapo
De lembrança enganchada no lugar
E quem puxa de vez pode arrancar
Um pedaço da dor que não se trata
"E a saudade covarde só não mata
Porque tem o prazer de torturar!"

Pedro Torres

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Saudade tem cor de giz Riscado num quadro escuro

Saudade tem cor de giz
Riscado num quadro escuro
São riscos brancos de luz
Iluminando o futuro
Que o apagador nunca apaga
A dor de um fim prematuro.

Pedro Torres

domingo, 2 de fevereiro de 2014

"Amor Proibido..."

Quando alguém se revela em nossas vidas
E sabemos, no amor, sua importância
Não tem bala ou nenhuma substância
Pra empatar de as paixões serem sentidas.
Se as estradas do amor são divididas
E os casais sofrem com a divisão
Nos caminhos sem rumo da ilusão
Qualquer lágrima ultima-se, e cai
"Que paixão sem o "XÃO" o nome é PAI
Mas, o pai não empata essa paixão"

Compreendo, mas, sou um bom sujeito
Que o ciúme é maior de pai pra filha
Mas, seguimos, os dois, na mesma trilha
Nos atalhos do nosso amor perfeito.
Nos perdemos, por não ter o direito,
De falar com a voz do coração
E, mesmo mudos, na força da atração,
No silêncio da boca, o olhar atrai
"Que paixão sem o "XÃO" o nome é PAI
Mas, o pai não empata essa paixão"

Todo ímpar na vida tem seu par
E na soma perfeita somos pares
Nosso caso de amor foi pelos ares
Mas, no caso, não deu pra não se amar...
Decidimos, porém, nos afastar
Pra não dar asas pra imaginação
Mas, no curso do rio, a inspiração
Sempre inunda na face e o verso sai
"Que paixão sem o "XÃO" o nome é PAI
Mas, o pai não empata essa paixão"

Quantos são os casais só de aparência
Que não têm verdadeira afinidade?
Que na essência não têm felicidade
Por forçar entre si a convivência?
Quando o "Pai" da Divina Providência
Determina pra dois uma união
Faz um laço na ponta do cordão
Que somente Ele mesmo Deselai
"Que paixão sem o "XÃO" o nome é PAI
Mas, o pai não empata essa paixão"

A saudade pra nós é igual sentença
Que no apelo do amor ninguém cumpriu
Como dois foragidos, e quem abriu
Nossa cela de dor foi nossa crença.
Que apesar da aparente diferença
Nas questões de idade, e formação
Como o espelho reflete o sim e o não
Nossa imagem invertida nunca trai
"Que paixão sem o "XÃO" o nome é PAI
Mas, o pai não empata essa paixão"

Pedro Torres
Mote de Jeferson Silva

Mas, com o tempo irá morrer à míngua Quem quiser insistir que amor não há!

No final da novela "amor à vida"
Teve um beijo que há muito era esperado
Niko e Félix, casal apaixonado
Numa cena romântica e "atrevida."
Foi por causa da cena transmitida
Que se deu todo esse "BÁ-FÁ-FÁ"!
Que os hipócritas com sua língua má
Reclamaram do beijo, sem ver língua
Mas, com o tempo irá morrer à míngua
Quem quiser insistir que amor não há!

Pedro Torres

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Sem que, nem verbo, poesia!

Palavras e frases, canções melodias
Com versos e inversos de doces receitas
Nuance de cores por luzes perfeitas
De até certo ponto em tons de poesias...

Caminhos sem rumos, e estradas vazias
Nos rastros e curvas de ruas estreitas
Mentiras sinceras, sem hipocrisias,
Perfume das flores de olentes colheitas

Das linhas contíguas em cada quarteto
Ao cume elevado do fim do terceto
Todo o brilhantismo no final da meta

Cadência de rimas no encontro do par
E toda a esperança na íris do olhar
Do sonho sem verbo de um peito poeta.

Pedro Torres

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Meu castelo de saudade

Meu castelo de saudade
Vive hoje mal-assombrado
Por fantasmas do passado
Quando foge a claridade.
Nos porões da mente a grade
Da cela que a dor povoa
E o silêncio que atordoa
No quintal de um templo rústico
Meu peito, salão acústico
Lugar que a saudade ecoa.

Pedro Torres.

Saudade, não sei que é Mas, sei bem o que ela faz:

Saudade, não sei que é
Mas, sei bem o que ela faz:
Arranca um tampo da alma
Esconde junto com' a paz
E a gente quase endoidece
Sem conseguir achar mais!

Pedro Torres

Retirei seu retrato da carteira Sem tirar seu amor do coração.

Procurei me afastar, mas foi perdido
Que a lembrança da gente é como um vício
Nos levando pro mesmo precipício
Da memória de um tempo bom vivido.
Que até mesmo um retrato colorido
Já rasgado por sua ingratidão
Acha espaço na estante da ilusão
Pra tirar a razão da prateleira
"Retirei seu retrato da carteira
Sem tirar seu amor do coração."

Pedro Torres
Mote de Zé Adalberto

Destruído o romance entre nós dois
Eu procuro evitar qualquer contato
Pois, não quero borrar nenhum retrato
Com o que sei que aos meus olhos vem depois.
Sequer toco no assunto "de nós", pois
Se isso importa é só a você e eu
Seu direito de amar, não prescreveu
Mas, quem dorme a justiça não socorre
E cada dia que passa um sonho morre
Só a minha ilusão que não morreu!

Você pode ostentar sua "alegria"
Disfarçar no sorriso a sua dor
Se o teu peito não sabe o que é o amor
Eu não posso lhe dar na poesia...
Se hoje tento encontrar na boemia
O que sei que aqui dentro se perdeu
É que a última esperança adormeceu
E acordar desse sono não me ocorre
E cada dia que passa um sonho morre
Só a minha ilusão que não morreu

Pedro Torres

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Saudade

A poesia mais bela sempre aflora
Das raízes do nosso sentimento
Quando as flores do nosso pensamento
São regadas na lágrima ...e ela chora!

Cada gota de pranto ...revigora
A roseira do amor, e o desalento
Vai na brisa inventada pelo vento
Carregando a saudade mundo afora...

Tua ausência de mim, nunca é completa
Porque parte de mim Deus fez poeta
Pra cantar essa falta que me habita

E apesar da tristeza e todo o efeito
Dentre todas que habitam o meu peito
És a minha saudade mais bonita!

Pedro Torres

Haverão sinais e não muitas apostas

Haverão sinais e não muitas apostas
De alguns jogadores sem carta na mesa
Se a aparente vítima frágil, indefesa
Vier mais feroz sem marcas nas costas.
E o tempo não cala nas muitas respostas
Que a vida pergunta sem olhar pra trás
Nem diz se o futuro de sonhos banais
Será melodia de alguma canção
Que música antiga não toca o refrão
De trilha sonora que não volta mais.

Pedro Torres

Se eu pudesse arrumar meu pensamento Eu não tinha saudade mais de nada

Se eu pudesse apagar o meu passado
Não ficava um resquício de lembrança
Do que fez eu nutrir falsa esperança
Desse caso de amor mal terminado.
Cada gota de pranto derramado
Verteu sangue da jura vã quebrada
Com a pupila dos olhos dilatada
De chorar por um falso sentimento
"Se eu pudesse arrumar meu pensamento
Eu não tinha saudade mais de nada"

Pedro Torres
Mote de Severina Branca

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Judas

Minha Cumade Dayane Rocha de Brejinho de Tabira fez um soneto pra um amor de enganação e eu como sei da "história" não resisti em advogar pelo coitado... (risos)

Ela disse:

Judas

És a causa maior do meu desgosto
A pior ilusão que eu já provei
Sinto raiva de mim porque fiquei
Muito tempo sentindo o amargo gosto.

A tristeza reflete no meu rosto
A angústia me toma porque sei
Nessa história fui eu que mais errei
Por deixar o meu peito assim exposto.

Tantas juras dizendo que me amava
E você loucamente me enganava
Com suas feias palavras secas, mudas

Sinto o meu coração aborrecido
Hoje vive doente, enfurecido
Por saber que amava um triste Judas.

Dayane Rocha

Defendendo o tal "Judas" eu disse:

Judas?!

Eu não sei que desgosto sentirias
Se não tens gosto algum pra (des)gostar
Pra perderes não tens que antes ganhar?
Pois, no caso, perdoe-me as ironias...

Tu não podes querer se reclamar
Pois, causaste a ti mesma as agonias:
Se o que dei foram só palavras frias
Porque diabos alegas se queimar?

Não entendo direito esse teu jogo
Mas, pareces ardendo nesse "fogo"
Da fogueira do ilúcido desejo...

Se não tens meu sabor, pois, não te iludas
Que a pessoa pra ser esse teu "Judas"
Não teria que ter te dado um beijo?

Pedro Torres

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dezembro

Era mês de dezembro ...Primavera!
No apogeu da estação linda das flores
Nosso encontro se deu, entre esplendores
De romance, carinho, e fim de espera.

Tê-la outra vez comigo ...Ah, quem dera!
Pra varrer dessa vida as minhas dores
E assistir ao declínio dos horrores
Da saudade ferina, essa pantera...

Entre quadro paredes, dois enredos
Sendo escritos nas digitais dos dedos
E do luar minguante na janela...

Com minh'alma feliz unida à sua
No cenário de amor ...àquela lua,
Dava beijos de luz no corpo dela.

Pedro Torres

Trocadilhando

Quem tenta a verdade acerta
Quem mente está enganado
Quem erra na coisa certa
Acerta quem está errado
Quem na mentira se aperta
Se afrouxa ao ser revelado.

Pedro Torres

domingo, 26 de janeiro de 2014

Cinco (madrigais)

O tempo atravessa
Ruínas passadas
De muitas estradas
Por onde passamos
Calado esse sonho
Em mim se agiganta
E o nó da garganta
Jamais desatamos.

Os olhos já secos
De tanto chorar
E a boca sem par
Que ainda umedece...
E apesar de tudo,
De todas as dores,
Há certos sabores
Que a gente não esquece

Se as minhas virtudes
Não são como as tuas
No encontro das luas
No amor, se repara...
Que o beijo da lágrima,
Se enrosca na elipse
Do abraço no eclipse
Da noite mais rara.

Nos muitos caminhos
De sonhos e metas
Há longínquas retas
Que já se aproximam
Registro o momento
Nos meus alfarrábios
No encontro de lábios
De bocas que rimam.

Da triste partida
Ficou só saudade
Mas, na realidade
Nós nunca partimos
Na música nossa
Tem restos de planos
Que mesmo após anos...
Serão nossos hinos.

Por tudo lhe devo:
Pelo meu eu lírico
E esse universo onírico
Em meu versejar...
Se alguém te ferir
Te lembra do amigo
E conta comigo
Pro que precisar.

Prossigo sozinho
Sem mais esperanças
E as nossas lembranças
Carrego no peito
Ficam cicatrizes
Das idas e vindas
Das histórias lindas
De amor sem defeito.

Continua...

Pedro Torres

Minha paz

Ébrio de palavras, tomando vinho
Com medo do silêncio, silenciar-me
Num momento vão e, sem soar alarme,
Decretar-me um viver triste, sozinho.

Sinto meus erros martelando tudo
Quebrando a paz no breu desses meus dias,
E sinto falta das nuas poesias
Hoje caladas no teu peito mudo.

Traz-me essa alegria do teu riso lindo
E a graça inteira de outro dia findo
Junto de ti, na luz do bem querer

Quero esse abraço teu sincero e franco
Curtir preguiças de um domingo branco
Matar saudade e no teu amor: Viver!

Pedro Torres

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

É inútil tentar fingir

É inútil tentar fingir
Quando a tristeza lhe invade
Que orgulho é coisa pequena
Diante da imensidade
Do coração que soluça
Sentindo a dor da saudade.

Nem toda dor é saudade
Nem todo pranto é tristeza
Nem toda força é coragem
Nem toda queda é fraqueza
Nem todo riso é alegria
Nem toda dúvida é certeza.

Pedro Torres

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Os Barcos

Como barcos perdidos sem ter norte
Nos perdemos na rota de ilusões
Procurando encontrar nas direções
Algum porto seguro em que se aporte.

Nunca é fácil, na dor, tentar ser forte
Porque a dor se acomoda nas razões
E se a ausência machuca os corações
Não tem esse remédio para o corte.

Ela esteve comigo nas tormentas
Tempestades de inveja, violentas
Como prova maior da lealdade...

Acordamos depois, já naufragados,
Num oceano de sonhos, rebocados
Pelo barco pesqueiro da saudade.

Pedro Torres

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Inspiração

De onde vim, pra onde vou...
Não sei, mas quero chegar!
Só sei que agora aqui estou
E que não vim pra ficar...

Não sei que fui, nem que sou
Também que irei me tornar
Se me peço, se me dou
Onde vou, se devo estar...

No êxtase, às vezes, contudo
Eu voo sinto-me em tudo
Da vastidão desbravada.

Após o auge da torpeza
Ao pousar, vem-me a certeza,
De saber que não sou nada!

Pedro Torres

Caminhos

De quantos caminhos nós dois precisamos,
Em tantos atalhos que o peito padece,
Se a curva da vida jamais amortece
A dor da partida que nunca evitamos?

Em cada silêncio perdido buscamos
A voz que preencha um peito que esquece
E mesmo na ausência nós dois escutamos
Falando a saudade que nunca emudece.

Parece que o mundo nos conta um segredo
Soprando nas folhas do tempo um enredo
Escrito na tinta da sinceridade.

Vivemos negando pra nós os carinhos
E a gente se perde em tantos caminhos
Pra sempre escrever sobre a mesma saudade.

Mariana Véras & Pedro Torres

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

E a saudade covarde só não mata Porque tem o prazer de torturar

Quando a gente se afasta de quem ama
Pela dúvida de ser correspondido
Não existe no mundo um comprimido
Pra tratar da saudade que se inflama.
Quando a falta se arrancha em nossa cama
Ela vira uma taboa ao se deitar
O travesseiro não fica no lugar
Nem afofa, por mais que você bata
“E a saudade covarde só não mata
Porque tem o prazer de torturar”

Pedro Torres

Porque a vida é esse segredo Que o tempo sabe a resposta.

Um alguém que de alguém gosta
Não deve de amar ter medo
Porque a vida é esse segredo
Que o tempo sabe a resposta.

Pedro Torres

"Não!"

Não me importunes mais, ..."não sabes quanto"
Estou cansado dos teus fingimentos!
Sem guardar mágoa, sem ressentimentos,
Hei de enxugar sozinho todo o pranto.

Não te enciumes, pois, os sentimentos
Que foram teus, tu os desprezaste tanto
Que se voltares, todo aquele encanto,
Não trás de volta nossos bons momentos.

- Não me procure, deixe-me sozinho,
eu mato o tempo com goles de vinho!
(Ao menos isso é bom pro coração...)

E ainda que uma lágrima transborde
Não faças com que minha dor se acorde
Que eu não quero sonhar com ilusão!

Pedro Torres

Ter amor é o melhor bem

Ter amor é o melhor bem
Que alguém tem sem ter vaidade
E o maior valor que tem
É dividir a saudade.

Pedro Torres

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Metades

Quem tem medo de amar e não se apega
Perde a parte melhor que tem na vida
Porque a flor só nos fere na partida
Se não for verdadeira, nossa entrega.

Se a roseira do sonho ninguém rega
Só nos resta no espinho ter ferida
Que é possível negar a dor sentida
Mas, ao próprio sentido ninguém nega.

E, no amor, pra metades serem dois
É preciso, antes, ser inteiros, pois
Dois inteiros não faz-se de metade

Mas, sem ti a minh'alma é incompleta
Porque Deus fez metade em mim poeta
E fez outra metade de saudade.

Pedro Torres

Cada um ama de um jeito Eu amo à minha maneira

Cada um ama de um jeito
Eu amo à minha maneira
Não ofendo a companhia
De quem a minha não queira
Porque a flor que nos espinha
É a mesma flor que nos cheira.

Pedro Torres

Eu não entendo a derrota De quem foge da batalha

Eu não entendo a derrota
De quem foge da batalha
Sem lutar contra a distância
Que fere feito navalha
Deixando atrás os pedaços
Que a dor saudade espalha.

Pedro Torres

Só curo no colo dela Minhas feridas de amor!

O primo, Poeta Pedro Menezes, me presenteou com um mote seu agora e eu improvisei:

Eu não sei se é seu perfume
Ou seu sorriso bonito
Que faz o meu peito aflito
Esquecer do meu queixume.
E por mais que eu me acostume
Com o seu abraço e o calor
Do beijo que tem sabor
Mais doce que a "siriguela"
"Só curo no colo dela
Minhas feridas de amor!"

Depois que a lida estradeira
Me vence pelo cansaço
Volto pra pétala do abraço
Da minha flor verdadeira.
Nas vezes que ela me cheira
E eu sinto o cheiro da flor
É tanto alívio pra dor
Que eu só sei fazer com ela
"Só curo no colo dela
Minhas feridas de amor!"

Me perfumei de carinhos
De flores falsificadas
E sofri com as perfuradas
De alguns covardes espinhos.
Depois que os nossos caminhos
Se encontraram pude por
No meu peito sonhador
Outro amor sem ter sequela
"Só curo no colo dela
Minhas feridas de amor!"

Pedro Torres
Mote do Primo Pedro Menezes.

Bonito, Poeta!

Eu não vejo beleza em quase nada Que não tenha beleza interior!

Num primeiro momento a boniteza
Causa impacto na hora da paquera
Mas, sem ter conteúdo a primavera
Tão sonhada não passa de impureza.
Quando a força maior da natureza
Põe perfume na pétala da flor
Também dota a raiz para transpor
Sua essência na seiva perfumada
“Eu não vejo beleza em quase nada
Que não tenha beleza interior!”

Você pode mudar sua roupagem
Colorir seus cabelos de outro tom
Usar caros perfumes e batom
Enfeitar-se com uma tatuagem.
Sem leitura, ou cultura na bagagem
A mudança restringe-se ao exterior
Que cabelo se pinta de outra cor
Mas, a alma não pode ser pintada
"Eu não vejo beleza em quase nada
Que não tenha beleza interior."

Pedro Torres
Mote de Lenelson Piancó

domingo, 19 de janeiro de 2014

Quando alguém machucar seu coração Lembre as marcas que estão dentro do meu.

Vocação pra ser santo, eu nunca tive
Mas, não nego um amor só por vaidade
Pois, quem vive de orgulho, na verdade,
Só disfarça a saudade que ela vive.
Nossos erros são muitos, inclusive
Acredito o maior deles foi seu
Que do amor que você me prometeu
Não pagou nem 1/3 da ilusão
"Quando alguém machucar seu coração
Lembre as marcas que estão dentro do meu."

Pedro Torres
Mote de Marcos Rabelo

Pra vingar duas sementes.

Se a sinceridade for pré-requisito
Pro teu coração no pulsar mais ligeiro
Prometo a promessa de ser o primeiro
A não prometer e deixar pro infinito.
Que até seja breve, mas muito bonito
Pra que seja pleno por quanto durar
Se o acaso do abraço quiser nos queimar
Então que nos queime, com um fogo intenso
Se for igualzinho do jeito que penso
A gente só apaga, na beira do mar...

Se essa flor tua cheirar
Como exalas poesia
Num beija-flor eu queria
Um dia me transformar..
Seria para pairar
Tuas pétalas olentes
Se dizes mesmo o que sentes
Talvez também eu plantasse
Um pé de amor e regasse
Pra vingar duas sementes.

Pedro Torres

sábado, 18 de janeiro de 2014

Sempre que a poesia Lhe traz varrida no vento.

Já tive uma margarida
Perfumando meu jardim
Mas, um beija-flor ruim
Beijou-a à pétala ferida.
E a essência da minha vida
Da flor do meu sentimento
Volta no meu pensamento
Com qualquer brisa macia
Sempre que a poesia
Lhe traz varrida no vento.

Pedro Torres

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Porque sei que alguém me esquece Mas, sei esquecer também!

Não há desgosto que faça
Meu coração de refém
Nem mágoa que torne amargo
O doce que a vida tem
Porque sei que alguém me esquece
Mas, sei esquecer também!

Pedro Torres

Delírio

Falei pra Deus ...confessei-Lhe tudo!
Feito silêncio, compreendi que nada
Era mais alto do que a voz calada
Desse meu peito que gritava mudo!

Passa esse tempo ...tão veloz e rudo
Chego ao destino da minha alvorada
Cubro de fé meu peito, e sobretudo
Planto sementes pra estação florada...

Visto um sorriso diante do espelho
Pro meu olhar, de chorar vermelho,
Disfarçar dores como algum colírio...

Com alma aflita parto, incontinenti,
Certo que a vida se fará presente
Quando acodar-me desse meu delírio!

Pedro Torres

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Bato um prego na taboa do improviso Viro a ponta e duvido desvirar.

Um dos estilos mais empolgantes , bem humorados e criativos da cantoria de repente do nordeste do Brasil é o ‘mote em desafio’ em que os cantadores de viola trocam insultos, se gabam dos seus dotes magníficos, numa apoteose de versos e rimas brilhantes. Eu provoquei uma turma com o mote:

“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

E começou a peleja:

Pode ser no martelo agalopado
Ou dez pés do martelo alagoano
No serrote da rima eu causo um dano
E não tem como ser mais consertado.
Pois, poeta de verso pé-quebrado,
Não se atreva a vir me desafiar
No repente, se não quiser levar
Marteladas na sola do juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pedro Torres, mote e glosa.

Eu não sou cantador, porém conheço
Dessa arte sublime as artimanhas,
Sei por onde caminha, as entranhas,
Os mistérios, veredas e o endereço.
Os seus versos eu sempre enalteço,
Mas poeta não queira se afoitar,
Pois aquele que tenta se exaltar
Muitas vezes termina em prejuízo.
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Grande abraço poeta Pedro Torres.

Orlando Queiroz

Eu sou um cantador de fino trato
Muito novo, porém sou bom de briga
Que meu verso penetra na barriga
E querendo bater eu bato e mato
No repente só perco pra Nonato
Mas, num risco constante de ganhar
E quem quiser pode vir me enfrentar
Consciente que apanha sem aviso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Gislândio Araújo

Pode ser de qualquer jeito a tua rima
Venha em pé ou deitado tanto faz
Venha aqui e me mostre que é capaz
De mudar totalmente o meu clima
Meu motor já disparou a ventoinha
Mas duvido num instante ele esfriar
Se quiser pode vim desafiar
Mais prepare bem, as armas do juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Tallys Barbosa

O meu verso é dotado pela ética
Que constrói toda a minha fantasia
Hoje eu sou professor de poesia
Nas sextilhas dou aula em minha métrica
Nos sonetos eu mostro com estética
O sentido real de improvisar
Eu respondo em galope a beira mar
Se quiser me enfrentar eu já te aviso:
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Renato Santos

Faço um verso a tocar numa viola
Trago a rima num simples pensamento
E por isso não perco pra um jumento
Que do verso, passou longe da escola
Ainda achando pouco é boiola
Que só vive mesmo a se "amostrar"
Mas agora eu vim pra lhe calar
Porque poeta ruim eu chego e piso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Felipe Emanoel

Quando canto a plateia não me cobra,
Já Gislândio Araújo só engana,
Sou o doce extraído duma cana
E você o bagaço quando sobra,
À van Gogh eu comparo a minha obra,
À Da Vinci, Picasso e Renoir,
Quando eu entro no jogo é pra ganhar
Nem o dono do mote eu aliso...
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Bandeira Júnior

Ô Bandeira você se desmantela
Dirigindo pra mim essa tolice
E essa sua medíocre idiotice
É imensa, perdida e sem cautela
Parecida demais ao dono dela
Que só sabe mentir e se julgar
Mas Gislândio Araújo vai botar
Pra lascar o seu verso e seu juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Gislândio Araújo

Eu produzo repente dirigindo
Mas só faço porque eu me garanto,
Sou atento e veloz do mesmo tanto
Que é Sebastian VETTEL competindo,
Eu sou multifunções e sou bem vindo
Em qualquer solo firme qu'eu pisar.
Nem parado você vai avisar
Uma estrofe do jeito que eu aviso...
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Bandeira Júnior

Pinto foi "CASCAVEL" nesse sertão
No veneno do bote fez escola
Mas, o cabra que fez minha viola
Fez com raspa de tronco de pião.
É por isso que pinto foi então
Obrigado a cantar noutro lugar
Onde eu vou, cascavel não pode entrar
Se quiser me enfrentar, esconda o guiso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Lenelson Piancó

Mestre Lenelson Piancó, vosmecê, bateu em Pinto???
Isso aí, é garapa... "Foiguêdo" de menino.

Zé Limeira com seu jeito estabanado
Ao me ouvir, já saía em disparada,
Lourival, pra esconder sua enrascada
Só fazia trocadilhos, pé quebrado.
Rogaciano para mim, um iletrado
Nunca fez Poesias, a se louvar,
Ensinei todos eles a versejar
E Reensino a qualquer um, se for preciso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

No cenário de nome cantoria
O poeta que me ver trema na base
O mais bravo se transforma num covarde
Ajoelha-se e esquece a valentia
Lourival hoje vivo ainda estaria
Se não tivesse vindo me desafiar
Fenelom, Valdir Teles e Ademar
Se vier me enfrentar tem prejuízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pra cantar com poeta igual você
Desço o nível para o modo iniciante
Pois não adianta mostrar pra ignorante
Tudo aquilo que ele não vai entender
Tu só conheces pedregulho e massapê
Limpar mato fazer broca e destocar
Copiar versos me ouvir e me imitar
Não arranca uma frase do juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Edvânio Moraes

Vi poetas tentando, e eu admito
Pois, fizeram uns versos mais ou menos
Alguns médios, e outros tão pequenos
Que acho até que isso seja o mais bonito.
Pelo esforço em tentar barrar um mito
Vale um prêmio, só por participar
Só não venha depois querer tratar
"Pé-quebrado", tampouco, dor de siso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pedro Torres

Pedro Torres você entrou na briga,
Um conselho de amigo agora eu digo:
Foi o diabo que amassou o trigo
Desse pão que encheu tua barriga,
Se quiser ir conosco, que nos siga,
Se quiser, nessa casa pode entrar
Mas depois vai dizer por onde andar:
'Nessa casa do cão nunca mais piso!'
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Bandeira Júnior

Edvânio Moraes você não sabe
O tamanho da minha poesia
Veja só meu repente por um dia
Que talvez você pare e não se gabe.
A grandeza divina que me cabe
Pra eu ser um doutor no improvisar
Nem o Cristo querendo retirar
Não consegue porque sou ofensivo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Eu não vou aguentar mais desaforo
Por que sou repentista genial
Vou fazer a Bandeira virar pau
E meter o cacete no seu couro
Igualmente seu Pinto fez com Louro
Vou fazer para ver você chorar
E depois sem poder mais aguentar
Vir pedir que eu seja compreensivo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Gislândio Araújo

Para Gislândio Araújo, Tallys Barbosa, Merisvan, Junior , Pedro Tôrres Filho , Felipe Emanoel e Yago Tallys.

Quem quiser me vencer tá condenado
Sou espinho matando qualquer rosa
Merisvan já tracei, Tallys Barbosa
Eu deixei o rebolo estropiado.
Pedro Tôrres - o filho - Oh! Deus, coitado
Apanhou pra jamais se levantar
Veio um tal de Gislândio me enfrentar
Viu meu "prego" e pediu: bote! Eu preciso...
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Nenem Patriota Chárliton

Ao Mestre Nenem

Esse fresco chegou todo se achando
Se dizendo ser grande na poesia
Mas não foi em nenhuma cantoria
Que não fosse seus mimos lá cantando.
É um pobre poeta, e ensinando
Um aluno já toma o seu lugar
E Neném Patriota pra ensinar
Tem que ter mais saber e outro juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Gislândio Araújo

Ao Gislândio Araújo vou dizer
Que você fica longe do meu rastro,
Sou Bandeira e Bandeira tem um mastro
E esse mastro em seu lombo vou descer
O seu sonho é um dia me vencer
Mas você não irá realizar,
Mas o sonho que tenho de matar
Nesse mote de Pedro eu realizo...
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Bandeira Júnior

Eu duvido Gislândio de Brejinho
Não pisar em poeta do seu porte
Pois você pra cantar tem que ter sorte
Ou se perde na beira do caminho.
Não preciso de sorte, pois meu pinho
Paralisa você se me olhar
E seu verso só vai me acompanhar
Quando Deus for demente e indeciso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Gislândio Araújo

Você pensa que é, mas nem parece,
Você pensa que vai, mas nunca chega,
De surpresa a sua estrofe é pega
Quando a minha é melhor, logo aparece
Um poeta que logo a enaltece
E não para de me elogiar.
No meu chão você vai escorregar
No seu chão, vou ligeiro e nem deslizo...
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Eu não fui, com você deselegante,
A peleja foi tão maravilhosa!
Os poetas puseram em cada glosa
Poesia pra todos, o bastante.
Boa noite poeta e nesse instante
Vou dormir e um recado vou deixar:
Veja só esse trio espetacular:
Você Eva e Adão no paraíso...
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Bandeira Júnior

Jurando... kkkk

Junto Pinto, Lenelson Piancó
Pedro Torres o filho e até seu pai
Toda vez que levanto um fraco cai
Nem o diabo "guentou" e ficou só
De Gislândio Araújo deixo o pó
Quem viria bater já quer voltar
Do restante que sobra eu vou juntar
E engolir nem que tenha prejuízo.
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Dayane Rocha

Quando trago o meu verso mais feroz
Vejo Torres caindo de joelho
E Dayane se dana no mar vermelho
Borra a boca, desemboca, vira foz
Toda vez qu’eu levanto minha voz
Não encontro quem queira desafiar
Cantador corre mudo sem cantar
Cantador foge se tiver juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Hélio Ferreira Lima

Deus me livre de te desafiar
És perfeita na rima e na poesia
Não tem rifle que atire e tem valia
Que consiga teu verso derrubar
Os teus versos são de arrepiar
Até poeta, que rima nunca usa
O teu verso em calor só usa blusa
Pra matar de tremor quem desafia
O teu verso foi feito de magia
É por isso que chamo tu de MUSA.

Eu não vou respeitar o verso teu
Pois não tem o que me amedrontar
Se na rima só tens a lamentar
Se o confronto vai ser com o verso meu
Na poesia que faço, até ateu
Reconhece, Jesus vem pra salvar
Não encontro poeta pra rimar
Pois rimando comigo é indeciso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Iranildo Marques

Verso pra poeta da terra de Lampião tem que ser
desse quilo. kkkkkkkkkk

Iranildo, no seu campeonato
Pra saber quem melhor faz poesia
Eu não vou competir, mas, gostaria
De dizer pra você um simples fato:
Se Cumade ganhar eu não lhe mato
Não lhe mato, mas, só se ela ganhar
E no arrocho de verso que eu vou dar
É melhor colocar nela um sorriso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar”

Pedro Torres

Pra falar de poesia eu sou de fato
Não arredo um centímetro de perdão
Eu não corro da briga nem com o cão
E na briga eu almejo, atiro e mato
Pois meu verso é real e vem no ato
E você não tem bala pra atirar
Lampião vai aqui pra lhe falar
E dizer pra você o que é preciso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Iranildo Marques

Pajeú de nós abençoado Poeta grande!
Kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Quem sou eu pra temer um “lampião”
E eu vou lá arengar com querosene?
Se você não herdou do verso o gene
Eu 'enxerto' você com meu facão.
Mais ligeiro que um raio e seu trovão
Na lapada da rima a ribombar
Se fizer profissão no versejar
Vai morrer pobre e duro, fraco e liso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar”

Pedro Torres

Saiu fraco demais poeta.... kkkkkkkkkkkkkkk

Tu não podes falar em tal pobreza
Nesse verso bonito em desafio
Pois a rima que fazes não tem brio
Falta muito pra vir junto a beleza
Mas se queres falar dessa nobreza
Falta muito pra tu desafiar
Lampião o teu bucho vai cortar
Sem mandar nem sequer um só aviso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Tu não vais arengar com Lampião
Pois teu verso não pode acreditar
Se sonhar ainda hoje vai melar
Tua fronha, o lençol e o teu colchão
Pois a merda que sai, respeita não
Nem avisa o que vem pra te manchar
Lampião nunca vai te perdoar
E eu mando uma Fralda se preciso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Iranildo Marques

Lembrando que pra esse 'serviço' qualquer bisturi enferrujado serve. kk (Dedicado a Nenem Patriota Chárliton, Gislândio Araújo, Bandeira Júnior, Tallys Barbosa, Renato Santos, Lenelson Piancó, Iranildo Marques, Hélio Ferreira Lima, Orlando Queiroz, Felipe Emanoel, Edvânio Moraes, exceto Cumade "Dayane Rocha" e Lucélia Santos pela inviabilidade da circuncisão.) kkkkkk

Se o poeta não for Rei dos Judeus
Nem tiver um João que lhe consagre
Não tem obra terrena, nem milagre
Que lhe faça imitar os versos meus.
Jesus, bom, perdoou os fariseus
Mas, eu, ruim, não preciso perdoar
E o "defeito" pagão pra lhe empatar
Com meu verso afiado eu circunciso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pedro Torres

Quem conhece o meu verso se amedronta
Porque sabe da minha imensidade
E apesar dessa minha pouca idade
Cantador com juízo não me afronta
Que poetisa como eu já nasce pronta
Pra nos palcos da vida duelar
Na peleja eu sou primeiro lugar
E vitória é palavra que eu repriso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Lucélia Santos

Pedro vem me falar de bisturi
Mas sua faca é um pintinho atrofiado
Se brincar até foi circuncisado
Pra virar esse grande travesti
Ao me ver sua face não sorri
Sua voz já começa a gaguejar
Diz que é ruim, mas é frouxo de lascar
Em seu lombo eu cavalgo, cuspo e piso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Renato Santos

Renatinho é melhor manter a calma
Não me trate com tanta intimidade
Ou, sem pena e com grande crueldade
Eu devolvo pro inferno a sua alma.
Dou-lhe emprego de cortador de palma
Pra você, seu irmão alimentar
E antes de você vir pra ruminar
Já lhe disse, mas, novamente friso:
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pedro Torres

Olha Pedro, em poesia eu bem te digo
Minha alma é divina aos olhos teus
Fale a mim como fala ao próprio Deus
Se ajoelhe ligeiro caro amigo
Ou então você vai correr perigo
De sumir da existência milenar
Um palhaço é melhor pra te julgar
Pois teu verso ao meu ver só traz o riso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Renato Santos

Jogo a praga dos sete Barrabás
Pra você fazer versos por mil anos
E ao chegar já nos últimos enganos
Essa praga trazer você pra trás.
Como eu, grandioso não serás
Nem que tentes meus versos copiar
Teus garranchos não podem arranhar
Na planície de um verso meu conciso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pedro Torres

Jogar praga é pra quem não se confia
No seu verso que sai lá da cachola
Pedro Tôrres me vendo pede esmola
Pra tentar aprender o que é poesia
Eu lhe digo com fé, sabedoria
Vá buscar outra coisa, pra brincar
Pois no verso tu vai se machucar
Se não for eu te bato se preciso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Renato Santos

Teu espelho está cheio de batom
Quando mudas pra 'Shirley' toda noite
Inda assim quando sentes meu açoite
Não consegues fazer um verso bom.
Mas, por via das dúvidas o tom
Dos meus versos contigo vou mudar
Pra não ver 'um bebê" querer chorar
Com meu verso batendo em seu juízo
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pedro Torres

O teu prego tá todo enferrujado
De levar marteladas de meus versos
Nem se quer num milhão de universos
Os teus versos chegaram do meu lado
Meu sorriso já sai metrificado
Quanto a 'Shirley' só tu para inventar
E o batom do espelho eu vou contar
Foi você ao beijar o meu sorriso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Renato Santos

Cantador que no canto só enrola
Cantador que no palco é só mentira
Dou-lhe um corte no couro tiro a tira
Depois bato no couro e tiro sola
Depois bato no quengo, na cachola
Só pra ver se ele tem o que mostrar
Quanto mais eu bato, o seu cantar
Não tem rumo é tão feio e impreciso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Hélio Ferreira Lima

Eu preciso beber água potável
Pra, com sede, matar a minha sede,
Só preciso de uma boa rede
Pra tirar um cochilo agradável,
Pro negócio ser auto sustentável
Eu preciso de grana pra girar,
Mas poeta pra me atrapalhar
Eu com toda certeza, não preciso!
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Bandeira Júnior

Se juntar, tudinho não dá uma caldo
Que Pudesse uma criança alimentar
Tanta gente querendo improvisar,
Mas passando na peneira não tem saldo.
Como após do incêndio, no rescaldo
Pouca coisa se tem de aproveitar
Tem somente o Cariri a despontar
Como fontes, de criar com o juízo
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

O Desafio, Pedro Torres começou
Mas pelo jeito, se acha arrependido
O seu lombo se encontra mais moído
Do que a cana, que a porca chupou
Quando o vento nessas bandas aqui chegou
Nos chamando pra peleja enfrentar
O Cariri começou a se alegrar
E pensei, neste povo agora eu piso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Alberto Quintans

Para os santos, meu Deus, agora apelo:
Dai-me forças, ó Pai Onipotente,
Pra que eu sobreviva e aguente
As pancadas poéticas do Martelo.
Um segredo, amigos, lhes revelo:
Quando vejo vocês a versejar
Só me resta aplaudir e exclamar
Eita fábrica de versos padrão ISO!
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Orlando Queiroz

Tem poeta no meio dessa história
Esnobando que tem terceiro grau,
Mas comigo, sem dó, boto no pau,
E no meu ABC não tem vanglória,
Tem poeta que só na palmatória
Que consigo lhe alfabetizar,
Mesmo assim se ele não assimilar,
Nos caroços de milho alfabetizo...
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Bandeira Júnior

Na cultura do mundo eu vi nascer
A poesia que é fenomenal
Vi um Pinto, Otacílio e Lourival
Que ligavam querendo era aprender
Na pintura também eu vi crescer
O Van Gogh, Da Vinci e Renoir
Todos eles pediram p'reu ensinar
E por isso ganharam o paraíso.
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Iranildo Marques

Dedicado pra Bandeira Júnior pela 'parte que me toca" kkkkk

Sou formado na escola do versejo
Onde o verso é matéria obrigatória
Pois, me diga, poeta, nesta história
Quem de fato é poeta sertanejo.
Eu pelejo, pelejo, mas não vejo
Como podes querer “impressionar”
No repete, com “Góga” e Renoir
Se não podes comprar um quadro liso?
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar!”

Pedro Torres

Dedicado pra Bandeira Júnior pela 'parte que me toca" kkkkk

Sou formado na escola do versejo
Onde o verso é matéria obrigatória
Pois, me diga, poeta, nesta história
Quem de fato é poeta sertanejo.
Eu pelejo, pelejo, mas não vejo
Como podes querer “impressionar”
No repete, com “Góga” e Renoir
Se não podes comprar um quadro liso?
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar!”

Pedro Torres

Quem deseja cruzar o meu caminho
Eu aviso, são fortes minhas rimas.
Já foi peso pra Jó, pra Louro e Dimas
Otacílio, Diniz e Canhotinho
Entrei numa peleja com Marinho
Que parou sem poder me acompanhar
Pinto velho tentou me enfrentar,
Mas calou-se ao sentir o prejuízo
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Carlos Aires

Não temi cantador que não me teme
Na peleja tinha punho, voz e pinho
Com a direita dei tapa no Canhotinho
Que a esquerda até hoje ainda treme
Até hoje no Monteiro Pinto geme
Com vergonha do seu mais fino piar
Meti medo, fiz um Louro se pelar
Pra plateia se encher de pleno riso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar”

Ai arrependido de bater nos mestres do repente, eu disse:

Pra bater em mulher, bêbado e defunto
Qualquer um no repente se aproveita
Cantador que é fraco não respeita
A memória do repente, o conjunto
Mas eu vendo injustiça subo e munto
Numa besta que inda tenta poetar
Boto espora, boto para esfolar
Cantador sem respeito e sem juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar”

Hélio Ferreira de Lima

Foi José de Jesus o carpinteiro
E o que fez pelo Pai foi consagrado
Já na terra cantando fiz dourado
E aprovado já fui no mundo inteiro
Desempeno a madeira tão ligeiro
Como um verso que faço sem pensar
E coloco no espaço pra voar
Cantador que comete erro eu aviso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar”

O serrote já serra na medida
E compasso por verso não precisa,
Bom Poeta na métrica improvisa
Ao deixar repentistas sem saída.
Tanto faz na subida ou na descida
Na ladeira não sobe quem parar
E não peça pra eu ir lhe carregar
Que no carro da rima forte eu piso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar”

Os troféus que tu tens são mais de cem
E as medalhas são todas feitas de ouro
Humildade pra mim é um tesouro
Que carrego no peito e me faz bem
A riqueza não serve pra quem tem
Um tesouro de bens pra humilhar.
Eu prefiro ter fé e me salvar
Pra levar paz e amor ao paraíso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar”

Andrade Lima

Onde moro poeta é bicho extinto
Não conheço nenhum além de mim
Se tiver logo logo terá fim
Que o meu verso é maior do que o de pinto
Quando marco presença em um recinto
Os poetas recusam me enfrentar
É "Patu" médio oeste potiguar
Onde reina meu verso e meu sorriso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Lucélia Santos

Pode ser com teu verso na viola
Até mesmo cantando em teu curral
Tu pra mim és um grande sem moral
Que precisa voltar para a escola
É chamado por ai de cú de sola
Pois a todos seu rabo que mostrar
Se tu quer, pode vim desafiar
Mais se prepare pra levar um prejuízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar!”

Tallys Barbosa

Eu não roubo a sua profissão
Que é de ser a dama do cabaré
Que esse cabra fugiu de são José
Para "DAR" com maior satisfação
Está muito feioso seu baião
Se não sabe o que faz vá estudar
Que esse verso acabou de lhe queimar
O neurônio restante em seu juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar!”

Felipe Emanoel

Direito de resposta à Pedro Torres:

Valorizo um poeta cantador
Que na beira da praia ganha o pão,
Limitado, mas põe o coração
Na viola e improvisa com amor,
Valorizo o poeta embolador,
Muitas vezes rimando por rimar,
Não queria falar, mas vou falar:
Cantador como tu, desvalorizo...
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar!”

Bandeira Junior

Eu perder no repente não dou vez
Com meu dom, consciência e meu talento
Rapidez, construção, conhecimento
Segurança, vocábulo, altivez
Idioma do russo ao japonês
Aramaico e latim eu sei cantar
E se alguém no alemão vier testar
Sei de Hitler discursos no juízo
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar!”

Fale em fome que eu vou falar em pão
Fale em seca que dou banho de inverno
Fale em céu que do céu vou ao inferno
Fale em mar que só falo no sertão
Mostre Deus que lhe mostro logo o Cão
Mostre sorte que eu sei mostrar azar
Mostre o ódio que eu mostro o verbo amar
Mostre Pedro que eu mostro o paraíso
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar!”

Nenem Patriota Chárliton

Se esse belo trabalho, pro papel,
For passado daqui, futuramente,
Quer que seja em um livro diferente,
Quer que seja, quiçá em um cordel,
Quando o bom editor duro e cruel
Rigoroso demais for revisar,
Vai dizer: "só seus versos vão passar,
E os dos outros poetas nem reviso!"
“Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar!”

Bandeira Junior

Na prisão da saudade eu sempre vivo
Mas, liberto do peito as minhas dores
E na cadeia onde muitos cantadores
Não conseguem cantar, sou produtivo.
Sempre encontro na rima algum motivo
Para o meu coração se libertar
E se a lei da atração me aprisionar
Sei do artigo, parágrafo, e o inciso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pedro Torres

Na caatinga enfrentei onça pintada
Pantanal já matei foi sucuri
Na Amazônia eu já gritei daqui
E deixei jacaré, de mão atada
Se você conhecer minha laçada
Vai saber que a brabeza vai chorar
Lampião já correu sem aguentar
Me pedindo socorro e hoje eu friso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Esse MOTE de Pedro fez história
Os poetas no verso foram fortes
E é preciso nascer mais outros MOTES
Que derrubem e registrem na memória
Para nós a escrita é uma glória
A poesia só tem é que ganhar
Nesse verso que fui improvisar
Revirei coração e o juízo
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Iranildo Marques

Provocando as poetisas...

Poesia é um bem pra quem quiser
E muito embora eu não tenha preconceito
Há mulheres querendo ter direito
Mas, nem tudo na vida é o que se quer...
E o que dá na cabeça da mulher
Pra querer com o homem se igualar
Se na arte sublime do versar
O ambiente é hostil pro indeciso?
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Pedro Torres

Ainda tá pra nascer um cantador
Que consiga alcançar o meu repente
Pois o que tá contido em minha mente
Só se chega enfrentando o meu labor
Que provoca sufoco, causa dor
E que faz o juízo revirar
Pois que sou pesadelo no sonhar
E da dor sou o corte mais preciso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Monique D'Angelo

Poeta veio, num vai dar na pedra não! Kkkk

Pedro Torres versando sem Saudade
É o mesmo que praia sem ter sol,
Pescaria sem isca no anzol
E ir sem grana ao Shopping da cidade,
Mas partindo pra briga de verdade
A tendência é de Pedro se acabar,
O saudoso poeta vai passar
Por acocho, aperreio e desaviso...
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Bandeira Junior

Aprendi que quem canta improvisado
Tem o mundo guardado em sua mente
Eu não sou um poeta diferente
Este mundo também tenho guardado
Outros mundos até tenho buscado
Pra um dia qualquer eu lhe usar
Quando alguém vier me desafiar
Aí sim vou ao mundo que preciso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Elizeu Meneses Goncalves

Não existe no mundo quem consiga
Compor como vocês estão compondo,
Cada verso que surge é mais redondo,
Na beleza a estrofe se abriga.
Ninguém tem essa têmpera, essa liga,
Nem os astros da Música Popular:
Ivan, Chico (sempre espetacular),
Caetano, Lobão, Wagner Tiso...
Bato um prego na tábua do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar.

Orlando Queiroz

Pistoleiro me marca e não me mata,
Vendedor insistente não me vende,
Armadilha de laço não me prende,
Todo nó que eu der, ninguém desata,
Se der praga de mosca e de barata
Pago alguém para vir dedetizar
Mas poeta sem ter o que mostrar,
Essa praga sou eu quem dedetizo...
"Bato o prego na tábua do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar"

Bandeira Junior

Na Viola sou rei da profissão
E artesão como Mestre Vitalino
No Cangaço serei sempre um Virgulino
Na Sanfona - Luiz Rei do Baião
Como Senna na pista - Campeão
Que não há quem assuma seu lugar
Serei eu no campo da arte titular
Sem temer a esses vates, sou preciso
"Bato um prego na tábua do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar".

No repente cantando sou perverso
Não tolero poeta "puxa saco"
Bato nele sem pena quando ataco
Com meus dons picotando cada verso.
Como um pássaro que voa no Universo
Eu percorro os lugares pra exaltar:
Oceano, montanha, terra e mar.
No sistema solar meus pés eu friso
"Bato um prego na tábua do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar".

Pedro Torres lançou aos glosadores
E na glosa primeira Pedro fez
Um chamado de filho em altivez
Por duelo “raçudo” e multicores.
E no chão, Pajeú terra das flores
Enfrentei o desafio e vou honrar
Dando viva a Cultura Popular
Nessa verve que brilha em meu sorriso.
"Bato um prego na tábua do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar".

Andrade Lima

Villanova se perde na poeira
Que o meu verso veloz deixa na estrada
Valdir Teles, Geraldo e uma cambada
De poetas, de mim levam rasteira
Os Nonatos derrubo na primeira
Martelada do verso a galopar
E se alguém sonha um dia em me ganhar
Deixo aqui nesses versos meu aviso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Lucélia santos

Cabra bom até hoje eu não conheço
Em matéria de fazer um Poesia,
O que escuto é um monte de heresia
Se vier, pro meu lado, acha tropeço.
Eu ensino, mas pra isso tem um preço
E fiado não me venha aqui falar,
Se não pode seu estudo custear
Não encoste no meu lado, se for liso
"Bato um prego na taboa do improviso
Viro a ponta e duvido desvirar."

Alberto Quintans

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Tem coisa que a gente sonha E nem quando acorda passa

Sonhei com ela, abraçado
Dividindo o travesseiro
Me perfumando do cheiro
Do seu cabelo lavado...
O seu lábio tatuado
Na lateral de uma taça
E a lua, pela vidraça,
Iluminando, risonha
Tem coisa que a gente sonha
E nem quando acorda passa.

Se a dor não passou ainda
É que estes teus olhos meigos
São como doutores leigos
Tratando uma dor infinda.
Se a nossa história era linda
Terminou, não sei porquê
Pois, só depois é que vê
Quem fica, a realidade
"Quando eu não sinto saudade,
Sinto falta de você!"

Pedro Torres
Mote do Poeta Aldo Berto (Aldo do Gás)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Pajeú

Ah, Pajeú! se acaso eu regressar
Não seria acaso porquê regressei
És o pedaço de chão que deixei
Antigamente, sem querer deixar.

Faz uma cara que me abandonei
Nessa odisséia para vir ao mar
Pois, não te assustes se eu puder salgar
As tuas águas com o que já chorei

Ouvi que a seca tem te castigado
Que o solo seco, pelo sol rachado
Não dá futuro para as tuas lavras

E mesmo havendo tanto sofrimento
Não mando um pingo de ressentimento
Nessa umidade de minhas palavras.

Pedro Torres

domingo, 12 de janeiro de 2014

A saudade se alimenta Da pele de sonhos mortos

A saudade se alimenta
Da pele de sonhos mortos
Das distâncias percorridas
Por vários caminhos tortos
E o afastamento do cais
Onde o amor fundou dois portos.

Pedro Torres

sábado, 11 de janeiro de 2014

Você trouxe pra mim o seu sorriso Mas, levou na partida a minha paz!

Inda sinto a pancada do machado
Devastando a floresta do meu peito
E um amor que eu jurava tão perfeito
Virar cinzas no incêndio do passado.
Apesar de hoje estar fragilizado
E a saudade querer olhar pra trás
Desse amor "Sonrizal" que se desfaz
No teu peito vazio, eu não preciso
Você trouxe pra mim o seu sorriso
Mas, levou na partida a minha paz!

Pedro Torres

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Mas, a chave da saudade Não entra no cadeado.

Meu coração sonhador
Bastante fragilizado
Hoje tenta a todo custo
Se libertar do passado
Mas, a chave da saudade
Não entra no cadeado.

Pedro Torres

Lentamente levando a minha vida Pela estrada veloz que dá na morte!

Não nasci pra agradar a seu ninguém
Vivo sempre pra ser, e não pra ter
Que eu não sei como alguém pode crescer
Quando tudo que vale é o que se tem.
E quem faz do caráter maior bem
Não há força no mundo que lhe entorte
Não preciso contar com "bambo" ou sorte
Pra acertar, uso a fé, que é garantida
Lentamente levando a minha vida
Pela estrada veloz que dá na morte!

Pedro Torres

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Mais estranho é querer beijar no rosto Quando a boca dos dois já se conhecem.

Sou teu fã, mas, também sou fã da vida
E acho lindo, no amor, quando dá voltas
Mas, não guardo rancor e nem revoltas
Só ao doce a minh'alma dá guarida...
E a lembrança do beijo está vencida
Que tem coisas que os corações esquecem
E tem outras que ficam, permanecem
Mas, não lembra se tem o mesmo gosto
"Mais estranho é querer beijar no rosto
Quando a boca dos dois já se conhecem."

Pedro Torres

Poeta, eu sei que você Quer que eu lhe declare guerra

Poeta, eu sei que você
Quer que eu lhe declare guerra
Mas, eu prefiro zelar
Pelo chão da minha terra
Que você não vale um grama
Daquilo que o gato enterra!

Pedro Torres

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Reviravoltas

Me deixa em paz! Preciso de descanso..
Leva pra longe esse teu riso lindo
Não me procura, nunca mais, fingindo
Com teu sorriso doce, falso e manso.

Meu peito agora está em mil pedaços
Mas logo mais eu junto os seus caquinhos
E a cola forte que tem nos carinhos
Hei de encontrar rendido em outros braços

Nas muitas voltas que essa vida dá
Talvez, encontres na saudade má
As mesmas dores fundas que senti

E ao regressares com as faces rubras
Envergonhada tu, talvez, descubras
Ser a ilusão maior que eu já vivi!

Pedro Torres