sexta-feira, 31 de maio de 2013

Já não sei se não sei como se amar Ou se amo só quem não vale nada!

O Poeta Jessé Costa fez essa estrofe belíssima, e não pude conter em me arriscar no seu belíssimo mote:

Tantas vezes entrei de peito aberto
E saí com o peito ensanguentado
Que me pego julgando estar errado
Por viver insistindo que dá certo
Já cheguei muitas vezes muito perto
Mas no fim sempre findam a estrada
Tanta gente querendo ser amada
E eu cansado de nunca a encontrar
Já não sei se não sei como se amar
Ou se amo só quem não vale nada!

Jessé Costa

Vivi muitas histórias e loucuras
Nos jardins perfumosos dos amores
Com romances de casos promissores
E outras tantas fugazes aventuras...
Já não conto por quantas finas juras
Vi roseira do amor ser desfolhada
E no vento que as fez despetalada
Vis espinhos tomarem seu lugar
"Já não sei se não sei como se amar
Ou, se amo só quem não vale nada!"

Pedro Torres
Mote: Jessé Costa

Pra sentir esse teu cheiro de mangue Misturado ao meu cheiro de sertão

Na doçura que tem na maresia
E no sal da saudade que nos arde
Pro calor do suor da meia tarde
Ter sabor de pecado e poesia...
Quero as honras da tua companhia
No arrepio do beijo com paixão
Ter do cheiro do amor a sedução
Numa praia em que tu mais eu se encangue
Pra sentir esse teu cheiro de mangue
Misturado ao meu cheiro de sertão

Pedro Torres
Mote: Carina Acioly

A penumbra da noite denuncia A saudade no peito do poeta

Quando o escuro da noite se aproxima
E o barulho da vida se arrefece
Não é noite, nem dia, mais parece
Uma pausa que Deus botou no clima.
Pensamentos se fundem numa rima
Quando a alma se faz mais inquieta
No infinito outra cena se completa
Sob luz que ilumina a poesia
A penumbra da noite denuncia
A saudade no peito do poeta

Pedro Torres
Mote: Mariana Véras

Pintando meus madrigais Na tinta do pensamento.

I

Conforto-me na imensidão
Dos meus próprios devaneios.
Sentindo faltar-me os seios,
No colo da solidão,
Rasgado, o meu coração
Colore meu sofrimento
De um antigo sentimento
Que já não existe mais
Pintando meus madrigais
Na tinta do pensamento.

II

Descolorida esta noite
Nas aquarelas sonoras
Dou voz ao silenciar
Na mudez das altas horas
Me acalanta a calmaria
Minh'alma pinta poesia
Recolorindo o momento
Numa esperança de paz
Pintando meus madrigais
Na tinta do pensamento.

Pedro Torres

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Às vezes a nossa alma Sofre o fardo da distância

Às vezes a nossa alma
Sofre o fardo da distância
A tristeza nos abate
Reprimindo toda ânsia
É um recado que o tempo
Nos dá com toda elegância.

Pedro Torres

Sem buscar encontrar, encontraria O amor mais perfeito e mais bonito.

Como fosse as curvas do carvalho
O meu peito também nos galhos seus
Trás as marcas feridas nos adeus
E das gotas geladas de um orvalho.
No caminho da vida sem atalho
Resisti a vendavais quase infinitos
Intempéries por mares tanto aflitos
Que pensei que jamais eu poderia
Sem buscar encontrar, encontraria
O amor mais perfeito e mais bonito.

Pedro Torres
29.01.2013

Sem buscar encontrar, encontraria O amor mais perfeito e mais bonito.

Como fosse as curvas do carvalho
O meu peito também nos galhos seus
Trás as marcas feridas nos adeus
E das gotas geladas de um orvalho.
No caminho da vida sem atalho
Resisti a vendavais quase infinitos
Intempéries por mares tanto aflitos
Que pensei que jamais eu poderia
Sem buscar encontrar, encontraria
O amor mais perfeito e mais bonito.

Pedro Torres
29.01.2013

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Talvez um dia ela aprenda A dor que eu tô sentindo

Talvez um dia ela aprenda
A dor que eu tô sentindo
Quem sabe assim ela entenda
Quando me avistar sorrindo
Que não existe uma emenda
Pra uma saudade partindo...

Pedro Torres

terça-feira, 28 de maio de 2013

O peito guarda o momento Que a mente quer esquecer.

Toda a nossa imperfeição
Tem um qualquer de perfeito
Que a lógica perde o efeito
Nos assuntos da paixão
Coração perde a razão
Ninguém manda no querer
Sem ter medo de sofrer
E, mesmo com sofrimento
"O peito guarda o momento
Que a mente quer esquecer."

Nós tentamos nos deixar
No mínimo umas mil vezes
Fomos rudes, descorteses
Ficamos sem se falar
Buscamos nos afastar
De um jeito torto de ser
Pra as algemas desprender
Na chave do esquecimento
"E o peito guarda o momento
Que a mente tenta esquecer"

Pedro Torres
Mote: Mariana Véras

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Te entendo perfeitamente Como é ruim ser desprezado

Te entendo perfeitamente
Como é ruim ser desprezado
Lembra do caso entre a gente
Que era eu o apaixonado?

Pedro Torres

Esse laço que hoje soltas Foi no meu peito amarrado

Esse laço que hoje soltas
Foi no meu peito amarrado
E a vida dá muitas voltas
Pra ficar preso à passado!

Pedro Torres

Saudade, me diga apenas Porque tanto me torturas.

Saudade, me diga apenas
Porque tanto me torturas.
Não basta o desassossego
Desse viver de lonjuras?
Também queres as estrelas
De minhas noites escuras?

Pedro Torres

Porque nem tudo são flores No jardim bruto da vida...

Mexer com quem tá quieto dá nisso. Provoquei o Poeta Marquinhos da Serrinha e fizemos:

Eu no meu amor primeiro
Com lindas flores sonhava
E as noites que namorava
Se passavam tão ligeiro
Mais com o tempo fui grosseiro
Ao lhe pedir revisão
Achei na ocasião
Que iria ter melhoras
E o tempo aumentou as horas
Das noites de solidão.

Marquinhos da Serrinha, Emanoel Marques Marcos

Ferido, o meu coração
Vagueia em noites escuras
Buscando noutras procuras
Uma luz pra escuridão
Reaprendendo o perdão
Para uma jura fingida
Que fez no peito a ferida
Motivo das minhas dores
Porque nem tudo são flores
No jardim bruto da vida...

Pedro Torres

Dez minutos de amor sendo com ela Vale o resto da vida sem amar

Pelo cheiro da flor da goiabeira
Que se encontra no pé do seu cangote
Feito a água fresquinha de um pote
De seu beijo no bom da brincadeira
No arrepio que dá quando me cheira
Que é treinada na arte do cheirar
Do carinho que faz pra me ganhar
E o calor que só tem no abraço dela
Dez minutos de amor sendo com ela 
Vale o resto da vida sem amar

Pelo brilho do olhar, por toda a luz
Por seu riso bonito e radiante
Pela dose do beijo inebriante
Das belezas sublimes que conduz
Toda cor da manhã em tons azuis
Do seu jeito sincero de abraçar
E o perfume das árvores do lugar
Toda vez que eu voltar da casa dela
Dez minutos de amor sendo com ela 
Vale o resto da vida sem amar

Pedro Torres
Mote: Luiz Homero

Todo dia o sol mata a madrugada Toda noite vai preso novamente

Liberdade de amores madrugueiros
Se acorrentam nas noites encantadas
Viajando com ela por estradas
Mais longínquas do cálido trigueiro..
Pós um tempo de andanças nosso cheiro
Faz pedir um repouso e um banho quente
Pro descanso de amor por entre a gente
Pra alforria da noite enluarada
Todo dia o sol mata a madrugada
Toda noite vai preso novamente

Pedro Torres
Mote: Manoel Filó

domingo, 26 de maio de 2013

Se amar cor morena for pecado Alguém reze por mim que estou perdido

Sou culpado de amar essa morena
Mais bonita que tem na minha aldeia
Que o seu corpo banhado à lua cheia
Tem a cor do pecado da açucena
Se o seu cheiro causar-me alguma pena
Eu confesso o meu erro cometido
Vou viver minha vida de bandido
Sem querer nunca mais ser perdoado
"Se amar cor morena for pecado
Ninguém reze por mim que estou perdido."

Pedro Torres
Mote: Desconheço o autor.

Das estradas duvidosas Que o meu peito conheceu

Das estradas duvidosas
Que o meu peito conheceu
Uma delas tinha curvas
Onde um sonho meu viveu
E ainda causa-me assombros
Sem saber se já morreu..

Pedro Torres

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Eu devia era ter dois corações Um batendo por mim outro por ela.

Cada um de nós dois partiu p'rum lado
Você foi a procura de outro alguém
Eu saí procurando alguém também
Mas fiquei com a mente no passado
Com os sintomas de um ex,apaixonado
Eu beijava outro alguém pensando nela
Dia e noite eu só via o rosto dela
Viajando nas minhas ilusões
Eu devia era ter dois corações
Um batendo por mim outro por ela.

Cicinho Moura

E esse peito cansado de tragédias
Faz uns dias que bate acelerado
Muito embora ele esteja apaixonado
Corre léguas das pistas das comédias
Por histórias imensas a outras médias
Hoje busca um agir com mais cautela
Descompassa feliz por causa dela
Mas, cansado com tantas frustrações
Que eu devia era ter dois corações
Um batendo por mim outro por ela

Pedro Torres
Mote: Cicinho Moura

Não há quem calcule os espaços Deixado nos corações

Não há quem calcule o espaço
Deixado nos corações
Depois que soltam-se os laços
Dos nós das decepções.

Pedro Torres

Que pouco pra mim é nada E tudo pra mim é pouco.

Sou intenso e não me nego
Sou forte quando me entrego
Sou tudo quanto carrego
Nesse meu coração louco
sigo assim minha jornada
Sem temor da caminhada
Que pouco pra mim é nada
E tudo pra mim é pouco.

Pedro Torres

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Vou fazer novos planos pro futuro Sem lembrar do que houve no passado.

Vou lembrar de você algum momento
Mesmo que a lembrança me enlouqueça
Pra tentar evitar que isso aconteça
Vou lutar contra o próprio sentimento
Coloquei nosso amor em julgamento
E a sentença saiu,Foi condenado!
Eu também não lamento o resultado
Apesar de ter sido um golpe duro
Vou fazer novos planos pro futuro
Sem lembrar do que houve no passado.

Cicinho Moura, mote e glosa.

Um silêncio que às vezes fala aos gritos
Faz saudade dizer que estamos quites
'Em alguns traços de versos e grafites
Gritam mudos dois corações aflitos'
Duas almas pecando por conflitos
Em um curso de amor semiacabado
Já paguei muito alto o meu pecado
Mas, não devo e não quero pagar juro
Vou fazer novos planos pro futuro
Sem lembrar do que houve no passado.

Pedro Torres
Mote: Cicinho Moura

Suportei seus caprichos e manias
Pelo tempo que achei conveniente
Fui sincero, leal e paciente
Mas, cansei de viver de fantasias
Se a saudade furtou-me as alegrias
Já paguei muito alto meu pecado
Naveguei por teu mar apaixonado
Numa busca de achar porto seguro
Faço agora outros planos pro futuro
Sem lembrar do que houve no passado.

Pedro Torres
Mote (alterado): Cicinho Moura

Nossas flores sonhadas estão mortas Num jardim de esperanças sem espinhos.

Se o passado voltasse, certamente
Não voltava somente a parte boa
Mas, gostar desse tanto da pessoa
Faz ficar tudo muito diferente
Voltariam as brigas entre a gente
Mas, também voltariam os carinhos
Deus escreve direito Seus caminhos
Muito embora Ele faça em linhas tortas
Nossas flores sonhadas estão mortas
Num jardim de esperanças sem espinhos.

Pedro Torres

Foram duas estradas tortuosas
Que eu trilhei, mas de forma sucessiva,
Uma história foi morta, e a outra viva
Vi morrer nas angústias duvidosas...
No entanto sugiram-me outras rosas
Com outras tantas promessas de carinhos,
Do que importa surgir mais cem caminhos?
Se o meu mundo era só de duas portas...
Nossas flores sonhadas estão mortas
Num jardim de esperança sem espinhos

Dudu Morais

Foi você quem pediu pra lhe esquecer, Me agradeça, atender o seu pedido?!

Retraçadas as cartas do destino
Esperamos, até cair a ficha
Diz que Deus não demora, mas capricha
E nos deu nesse caso algum ensino.
Se saudade não mata, tira um fino
E faltou bem pouquinho pra ter sido
Outra vítima do seu peito bandido
E aconteça o que for de acontecer
Foi você quem pediu pra lhe esquecer,
Me agradeça, atender o seu pedido?!

Pedro Torres

No terreiro da casa do meu peito Nasce um pé de saudade todo dia

Construí um castelo de saudade
Onde antes havia uma morada
Quando sento à tardinha na calçada
Uma angústia profunda me invade
Na lembrança me perco na metade
Do passeio do vão da alegria
Certas vezes percebo que Maria
Tá presente na casa de algum jeito
No terreiro da casa do meu peito
Nasce um pé de saudade todo dia

Pedro Torres
Mote: Felisardo Moura Nunes

"Manoel atingiu a perfeição Na conduta, bondade e poesia."

Pela homenagem do Balaio Cultural de Tuparetama ao Poeta Manoel Filó, meu tio e padrinho, eu tentei no mote de Felisardo Moura Nunes

Construindo castelos de amizade
Com as pedras mais rijas do carisma
Da humildade, do humor, por esse prisma
Manoel foi um rei, não é verdade?
Padeceu, como todos, de saudade
E sofreu ao faltar-lhe uma alegria
Mas, na vida quem tem FilóSOFIA
Tem um reino de amor no coração
"E Manoel atingiu a perfeição
Na conduta, bondade e poesia."

Perfeição nessa vida se completa
Ao voltarmos pra casa do Maestro
De quem dá nessa vida todo o Estro
Para uns poucos que cumprem Sua meta
E "Padrinho" na vida foi poeta
Pois, sofreu pra tentar uma alforria
Labutou, percorreu com alegria
Os caminhos da sua imperfeição
Aqui vimos cumprir esta missão
Mas, Manoel a cumpriu com poesia.

Pedro Torres

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Se o passado voltasse pro presente Mataría a saudade que nos mata!

Numa análise sincera dos pedidos
Pela marca invencível da distância
Percebemos faltar a substância
Pro perdão de alguns crimes cometidos
Reclamamos, também, sermos vencidos
Pelo orgulho covarde que maltrata
Cada golpe que a sorte nos desata
Marca mais nosso peito já carente
Se o passado voltasse pro presente
Mataria a saudade que me mata!

Pedro Torres

A saudade presente no meu peito Fere mais que navalha afiada

Nosso caso de amor tão complicado
Por motivos diversos se perdeu
Mas, não dá pra dizer quem mais sofreu
Ou chorou em silêncio, mais calado
Quem de nós tem no peito tatuado
As lembranças de um tempo insatisfeito
Quem tentou se esquecer sem achar jeito
E quem sofre por dois de madrugada
Fere mais que navalha afiada
Essa dor de saudade no meu peito

Pedro Torres
Mote (alterado) Jeverson Madureira

O silêncio entre nós é passaporte
Que não leva ao caminho que eu queria
Já cansei de esperar pra ver o dia
Que o destino mudasse a nossa sorte
Nosso filme de amor recebeu corte
E a distância se fez mais complicada
Como a flor que ficou despetalada
Por um vento covarde e com defeito
A saudade presente no meu peito
Fere mais que navalha afiada

Pedro Torres
Mote Jeverson Madureira

Paixão é troço esquisito Que faz sofrer quem se apega

Em homenagem a minha amiga Carol Monteiro... kk

Paixão é troço esquisito
Que faz sofrer quem se apega
E depois sentimos falta
Quando um vento lhe carrega
Parece leite de sapo
Que bate no olho e cega...

Pedro Torres

terça-feira, 21 de maio de 2013

A mente quer se esquecer Mas, o coração não deixa.

Os seus passinhos pequenos
Nervosos, como uma gueixa
O seu cheiro inebriante
Completam a minha queixa
Porque depois de romper
A mente tenta esquecer
Mas, o coração não deixa.

Pedro Torres

Saudade igual maribondo

Saudade igual maribondo
Não perdoa insensatez
Ferroa e guarda o ferrão
Pra ferroar outra vez

Pedro Torres

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Duas saudades perpétuas E uma história dividida

Dois corações machucados
Com marcas pra toda vida
Duas portas entreabertas
Onde o vento faz partida
Duas saudades perpétuas
E uma história dividida

Pedro Torres

Nada quero saber do seu passado Meu desejo é fazer você feliz.

No mote do grande poeta Manoel Filó eu disse:

Se você já passou por mil amores
E viveu sua vida intensamente
Se seu último caso mais recente
Terminou lhe causando muitas dores
Se floriu primaveras, já viu flores
E o perfume grudou no seu nariz
Se seguiu o destino que bem quis
Ou se traz o seu peito inda marcado
Nada quero saber do seu passado
Meu desejo é fazer você feliz.

Se atiraram teu nome pelo vento
E a incerteza te causa algum queixume
Nós brigamos por causa de ciúme
E fugimos do nosso sentimento
Se a saudade só causa sofrimento
E das brigas restaram cicatriz
Nosso tempo perfeito é o juiz
E a sentença é um abraço apaixonado
Nada quero saber do seu passado
Meu desejo é fazer você feliz.

Pedro Torres
Mote: Manoel Filó

Saudade é "merthiolate"

Saudade é "merthiolate"
Do que arde, em um corte
Quem nunca sentiu ardendo
Não sabe o que é ter sorte!

Pedro Torres

Palavras são como vento Despetalando virtudes

Palavras são como vento
Despetalando virtudes
Numa roseira de sonhos
No jardim das atitudes.

Pedro Torres

A saudade é o elixir Que cura as chagas do amor.

Ressentimentos cruéis
De raiva, mágoa ou rancor
Se desfazem na lembrança
De um sorriso encantador
Que a saudade é o remédio
Que cura as chagas do amor.

Pedro Torres

A poesia é o sumo Da fruta da experiência

A poesia é o sumo
Da fruta da experiência
Não se azeda com vaidades
Não se altera em sua essência
É o néctar da flor sublime
Perfume dessa existência.

Pedro Torres

Nos braços frios da noite Por madrugadas afora

Nos braços frios da noite
Por madrugadas afora
Agarrado ao travesseiro
Qualquer criatura chora
Que a saudade faz uma emenda
Onde a lembrança se tora.

Pedro Torres

domingo, 19 de maio de 2013

Proseando...

Ontem pelejando até tarde da noite com o Xará poeta Pedro Fernandes, poeta grandioso de Tuparetama, também minha cidade, a gente brincou dizendo:

Tem certas paixões que iludem
Nos alegrando por tê-las
E depois que se desfazem
Nós lamentamos perdê-las
Porém, quem perde esse teto
Ganha o brilho das estrelas.

Pedro Torres

Ver a manhã escondê-las
Na claridade do astro,
A bordo da convivência
A paixão gruda no mastro
Na primeira tempestade
Some sem nem deixar rastro.

Pedro Fernandes

Paixão ao fazer cadastro
Não nos pede CPF
Mas, depois nos negativa
Não paga a conta e se esquece
Pode até ser duradouro
Mas, é só pra quem merece.

Pedro Torres

A rede que a paixão tece
É de baixa qualidade,
Os punhos são muito frágeis
Sucumbem na gravidade
O fundo fraco se tora
E o iludido se escora
No chão frio da saudade.

Pedro Fernandes

Pelo espelho da vaidade
A paixão faz com batom
Alguns traços em vermelho
Dizendo o quanto foi bom
Mas, depois que descolore
Não conheço quem não chore
Com a mudança do tom.

Pedro Torres

Da voz inda ouve o som
Onde passou tem o cheiro
Toda paixão é enchente
afoga a razão primeiro
Quando passa se reclama
No peito ela deixa lama
E nela inscrito: SOLTEIRO.

Pedro Fernandes

Como a luz de um candeeiro
Se a luz for muito pouca
A chama logo se apaga
Fica uma escuridão louca
Na sala, esquece da janta
Lhe trava um nó na garganta
Que chega a voz fica rouca

Pedro Torres

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Decepções amorosas
Todo mundo um dia tem
Não corro atrás de ilusões
O que é meu um dia vem
Perdi a fé em promessa
E a minha vida pregressa
Não interessa a ninguém

Pedro Torres

Iludir-se por alguém
É caminhar no escuro,
Acreditar em promessa
É pagar conta com juro
Dar satisfação da vida
Eita coisinha perdida
São três coisas sem futuro.

Pedro Fernandes

Ficar em cima do muro
Pra quem está apaixonado
É coisa que não dá certo
E quem fizer está errado
Como os lados da moeda
De um lado tem uma queda
Do outro, é o outro lado.

Pedro Torres

Para tanto, não serve, o meu diploma.

Lendo uns versos trocados e com um vinho
Eu revolvo o baú da nossa história
Com lembranças da nossa trajetória
E um retrato tirado em nosso ninho.
Sinto apenas, faltar-me teu carinho
Pelas dores do peito meu ferido
E por todo o passado já vivido
Se a saudade que tanto desconforta
Te fizer vir bater à minha porta
Te direi, novamente, fui vencido!

Os meus pés também gelam de saudade
Não há mágoa nenhuma que resista
Há um palco de luz pra todo artista
Que ilumina a poesia à claridade
Faço versos falando-te a verdade
Do sentir compulsivo que me toma
Meu perfume me lembra o teu aroma
Na essência do amor mais verdadeiro
Só preciso de um pouco do teu cheiro
E pra tanto, não serve, o meu diploma.

Pedro Torres

Mas, não negue ser minha primavera Do contrário, que morra apaixonada

Diga a todos que já não me ama mais
Ou, melhor, diga até que nunca amou
Que só raiva de mim foi que restou
Pra esse amor hoje é tarde demais
Nosso "filme" não tá mais em cartaz
E você nunca foi por mim amada
Que entre nós jamais existiu nada
Fale toda a "verdade", o que se espera?!
Mas, não negue ser minha primavera
Do contrário, que morra apaixonada

Pedro Torres

TEM QUE SER DO SERTÃO PRA ENTENDER

quem pequeno mudar pra capital
pouco a pouco se esquece dos costumes
do cheirinho do mato e dos perfumes
e na estrada a caminho de Natal
toda vez que avistar um "animal"
qualquer coisa se mexe no seu ser
que é difícil demais se esquecer
quão cheiroso é curral na invernia
Mas, sem jeito é explicar com poesia
"TEM QUE SER DO SERTÃO PRA ENTENDER"

Pedro Torres
6:42

Antes de amar observe Se o coração tá vazio

Antes de amar observe
Se o coração tá vazio
Se não tiver, esvazie
Pra viver amor sadio.

Pedro Torres

Mas, nada fica de graça E o troco é merecimento.

Tem gente que planta intriga
E usa inveja por fermento
Passando em cima dos outros
Para obter crescimento
Mas, nada fica de graça
E o troco é merecimento.

Pedro Torres

Certas paixões iludem Nos alegrando por tê-las

Tem certas paixões que iludem
Nos alegrando por tê-las
E depois que se desfazem
Nós lamentamos perdê-las
Porém, quem perde esse teto
Ganha o brilho das estrelas.

Pedro Torres

sábado, 18 de maio de 2013

Pelo bronze infinito, bem vermelho
Desse sol no horizonte em minha vida
Vejo as marcas, chegadas e partida
Que eternizam a imagem feito espelho.
Cicatrizes que marcam meu joelho
Com promessas de um sonho inacabado
De saudades meu ser foi tatuado
E essa tinta resiste a própria morte
"Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado."

Pedro Torres
Mote: Severina Branca

Desilusões amorosas Todo mundo um dia tem

Decepções amorosas
Todo mundo um dia tem
Não corro atrás de ilusões
O que é meu um dia vem
Perdi a fé em promessa
E a minha vida pregressa
Não interessa a ninguém

Pedro Torres

Mas, passa na relva do chão da campina Perfuma essa carta antes de entregar.

Lhe mando um bilhete, por ti, passarinho
Que digas para ela que me viste rindo
Não conte que viste meu ser se partindo
Chorando em riachos, faltar seu carinho
Vai lá bem ligeiro, voando baixinho
Por campos risonhos pra se alegrar
Te banha nas cores da luz do luar
E leva um alento pra minha menina
Mas, passa na relva do chão da campina
Perfuma essa carta da beira do mar.

Pedro Torres

Esquecer ninguém esquece Mas, aprende a viver sem.

Às vezes nos dedicamos
Com toda sinceridade
Por um amor verdadeiro
Mas, padecemos saudade
Que a flor da felicidade
Não mostra o espinho que tem
E é triste sofrer também
Por alguém que não merece
"E esquecer ninguém esquece
Mas, aprende a viver sem."

Pedro Torres

Fiquei triste depois que acordei Por saber que não foi realidade.

No improviso com a poetisa Dayane Rocha a gente disse:

P. No meu sonho de cheiros e perfumes
D. O teu cheiro ficou no meu nariz
P. Acordei desse sonho mais feliz
D. E mudando a rotina dos costumes
P. Percebi-me de novo nos verdumes
D. Me senti sabiá na liberdade
P. Com as asas pesadas da saudade
D. Sem voar pelos campos que sonhei
Fiquei triste depois que acordei
Por saber que não foi realidade.

Pedro Torres & Dayane Rocha
Mote: Dayane Rocha

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Que a vingança maior dos ofendidos É saber abraçar os humilhados

Nessa insana disputa em que vivemos
Pra medirmos dos dois quem amou mais
Com "mais nunca" e promessas de "jamais"
Não sabemos sequer quem ama menos
Pelo saldo de brigas, não podemos
Entender porque estamos separados
Qualuer dia, perdidos e cansados
Nos vingamos, num abraço, arrependidos
Que a vingança maior dos ofendidos
É saber abraçar os humilhados

Pedro Torres
Mote: Rogaciano Leite

Essa chuva que cai agora à tarde
Desde ontem castiga teu poeta
Que minha alma de dor fica inquieta
E a saudade aqui dentro bate e arde.
Solto o choro, sozinho, e sem alarde
Transpassado de frio e solidão
Por lembrar-me o calor da tua mão
No meu rosto enchugando o pranto meu
Teu poeta de ti não se esqueceu
Todo o resto, amor meu, foi ilusão.

Pedro Torres

Se eu tiver que viver só de clausura
No obscuro silêncio do meu quarto
Nem que o peito sucumba de um infarto
Eu jamais vou quebrar a minha jura
Minha essência, onde habitas tem fartura
Das lembranças de um abraço que me aquece
Certas coisas na vida se merece
São conquistas que o tempo dá de graça
Passa tudo na vida, tudo passa
Mas, nem tudo que passa a gente esquece.

Pedro Torres
Mote: Raimundo Asfora

"Enterrei no meu peito uma semente
Sem saber que plantava uma saudade"
Mas, a flor que nasceu só por vaidade
De nós dois se perguntam ela mente.
Não perfuma o querer que ainda sente
Se acovarda negando o amor viver
Pois, que negue fingindo se esquecer
Negue enfim, tudo o que quiser negar
Você pode até mesmo se afastar
Só não pode mandar no seu querer.

Pedro Torres

Triste eu seria se não...

Triste eu seria se não conhecesse teu sorriso e esse teu olhar acanhado de quem tem um segredo no coração e uma poesia na alma.

Triste eu seria se não guardasse no meu coração as marcas de tua passagem como uma brisa marinha. Ah! Lógico que não vou te comparar com ciclones e furações destruidores, porque és suave e sutil como a manhã fresca da primavera.

Triste eu seria se não me apaixonasse por você sem quaisquer resquícios de lógica ou razão. Que não fosse inteiro sentimento, puro, sem nem traços de realidade o que, deveras, dói.

Triste eu seria se não te soubesse linda. Se não visse além de toda meiguice do teu olhar e riso sincero, que não te escondes de mim. E, se não tivesse provado do teu abraço, eu seria triste.

Seria triste se não tivesse decorado o teu cheiro, antes mesmo de te reencontrar, e que perfuma os meus dias, noites, madrugadas e, tardes vazias...

Triste eu seria se não doesse em mim a tua ausência.

Triste eu seria se não me importasse a tua tristeza.

Triste eu seria se não ligasse pra chuva molhando tuas saudades.

Triste eu seria se não houvessem os quilômetros. Eu seria triste....

Pedro Torres

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Negreja o vício sorrindo, Brilha a virtude chorando.

Nos obscuros porões
Da minha linda cidade
Crianças de pouca idade
Hoje se tornam ladrões.
Aprisionado aos grilhões
De viver drogas cheirando
Outro crime alimentando
E os corruptos assistindo
Negreja o vício sorrindo,
Brilha a virtude chorando.

Pedro Torres
Mote: Teodoro Nunes da Costa

Fiquei sofrendo à mercê Do teu peito apaixonado.

Sem entender o porquê
De nós termos terminado
Eu pus a culpa em você
Sem saber que estava errado
Fiquei sofrendo à mercê
Do teu peito apaixonado.

Pedro Torres

No meu reino só existe uma rainha.

Minha forma de amar, por desmedida
Vez por outra me causa confusão
Mas, não nego doar meu coração
Vivo histórias de amor pra toda vida
Se eu provar do sabor da despedida
Certamente, que a culpa não foi minha
Não que eu seja "o rei de andar na linha"
Mas, não fujo de um lindo sentimento
Nem me apego a coisinhas de momento
No meu reino só existe uma rainha.

Pedro Torres

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah!  Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Eu deixei de querer quem me queria Pra sofrer por alguém que não me quis

Prós e contras pesados e medidos
De uma história que já nasceu errada
Minha cota de dor foi bem salgada
Na contagem dos erros cometidos...
Percebendo os sinais sem dar ouvidos
Pelo intuito maior de ser feliz
Fui viver de esperanças pueris
Por alguém que somente me iludia
E deixei de querer quem me queria
Pra sofrer por alguém que não me quis

Pedro Torres
Mote: Desconheço o autor

Sorte no jogo...

Quem tiver azar no amor
Pode pensar noutra cena
E a minha sorte tá pouca
Vou jogar na mega-sena

Pedro Torres

Quando a última esperança tombar morta Você pode dizer que me esqueceu!

Pra quem foi educada na internet(e)
Com joguinhos de amores tão banais
Perguntando ao 'Google' o que se faz
Cada vez que uma história se repete...
Não me leve por mal, não me interprete
Só não quero saber do que ocorreu
Não pergunte se "alguém" me pertenceu
Nem se guardo outro amor atrás da porta
Quando a última esperança tombar morta
Você pode dizer que me esqueceu!

Pedro Torres
Mote: Dudu Morais

Adubei com as cinzas uma semente Sem saber que adubava uma saudade

Na fogueira que fiz do meu passado
Juntei juras, retratos e um desenho
Gastei álcool, um fósforo e com empenho
Queimei tudo no fogo devotado
Na moldura da caixa decorado
Uma história de amor pela metade
Hoje pago essa conta da maldade
Do meu ato, estúpido e inconsequente
Adubei com as cinzas uma semente
Sem saber que adubava uma saudade

Queimei todos os sonhos de menina
Num incêncio que fiz dentro do peito
Hoje quero voltar mas não tem jeito
Escondi-me no sol de uma neblina
Nessa vida de sonhos bailarina
Me perdi pela estrada da ilusão
Se recordo de nós uma canção
Uma lágrima me banha de saudade
Fiz fogueira da minha vaidade
Na caixinha, se foi meu coração

Ana Clara

Amores tantos se perdem Por faltar siceridade

Amores tantos se perdem
Por faltar siceridade
E por sobrar egoísmos
Nos dispêndios da vaidade
Que a conta fica impagável
Na fatura da saudade.

Pedro Torres

Tem nesse entroncamento Choro, perdão e saudade

Chegamos na encruzilhada
Do nosso caso recente
E do que houve entre a gente
Hoje não resta mais nada
Fiquei na beira da estrada
Meu cheiro, minha vontade
E me perdi na metade
Das vias do esquecimento
Tem nesse entroncamento
Choro, perdão e saudade

Pedro Torres
Mote: Silvano Lyra

Meu coração é um louco, Precisa do teu hospício.

Já provei das mil loucuras
De teus beijos sedutores
Do reluzir, dos primores
De teu olhar de brancuras
Bebi das doses mais puras
Lancei-me no precipício
Fiz de teu corpo meu vício
E achei tudo muito pouco
Meu coração é um louco, 
Precisa do teu hospício.

Ao percorrer teus abraços
Tornei-me um alienado
Meu coração disparado
Pelo calor dos teus braços
Caí nas garras dos laços
Dos beijos sem sacrifício
Me perdi desde o início
Pois me deixaste um oco
Meu coração é um louco, 
Precisa do teu hospício.

Pedro Torres

Farol navegante, candeia de planos Calor das espumas da beira do mar

No doce mistério que tens no teu riso
De espelho de luzes brilhando qual lua
Toda a transparência de tua alma nua
Por luzes de rimas no céu do improviso
Nas vias celestes do espaço preciso
Há dunas de sonhos pra gente se amar
Do mares de amores de se navegar
És toda esperança, cruzar de oceanos
Farol navegante, candeia de planos
Calor das espumas da beira do mar

Pedro Torres

Assassinamos o amor E o gosto ficou mais acre

Nos enganamos pensando
Não termos rompido o lacre
Que éramos no amor herméticos
Partimos para o massacre
Provamos do dissabor
Assassinamos o amor
E o gosto ficou mais acre

Pedro Torres

terça-feira, 14 de maio de 2013

Sinceridade é o amálgama Da verdadeira amizade

Sinceridade é o amálgama
Da verdadeira amizade
Do mesmo jeito que o amor
Tá na raiz da saudade

Pedro Torres

A vil mentira nos fere Fazendo perder a calma

A mentira vil nos fere
Fazendo perder a calma
Onde, a verdade conserta
Com leves toques na alma

Pedro Torres

Pra quem tava como eu Triste, frio e abatido

Pra quem tava como eu
Triste, frio e abatido
Receber outra estocada
No meu peito já ferido
Não sei que desgraça eu fiz
Mas, devo ter merecido!

Pedro Torres

Esse teu beijo é cachaça No bar da minha saudade

Vivendo na desventura
Da busca da dose pura
Do teu beijo de aventura
Pra saciar-me a vontade
Foge o riso, foge a graça
Passa tudo, mas não passa
Que esse teu beijo é cachaça
No bar da minha saudade

Na falta de um bom vinho
Sentindo faltar carinho
Me dirijo a um barzinho
Buscando a felicidade
Mas, só encontro a desgraça
Que essa ressaca não passa
E esse teu beijo é cachaça
No bar da minha saudade

Pedro Torres

Hoje espero de novo aquela chama Percorrer todo íntimo do ser meu.

Dia 5, mês 10, ano passado
Me encantei com o olhar e com o riso
Do calor que tomou-me, e sem aviso
Fez meu peito bater descompassado
Dia 3, do mês 3, fez-se encantado
Pois, minh'alma na tua se aqueceu
Como alguém que jamais se esqueceu
Do calor de um abraço de quem ama
Hoje espero de novo aquela chama
Percorrer todo íntimo do ser meu.

Pedro Torres

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Um cego estranha os valores Quando lhe esnobam na oferta

Um cego estranha os valores
Quando lhe esnobam na oferta
E as vezes nos enganamos
Com gente que é muito esperta
Mas, certas lições ensinam
Dar valor a coisa certa

Pedro Torres

Todos meus versos de amor Que faço são pra você

Todos meus versos de amor
Que faço são pra você
Mas eu não sei o porquê
Nos escondermos da flor
Se até mesmo o beija-flor
Já sabe onde você mora
Desse amor que não tem hora
De vez em quando perfuma
Mas outra flor se enciúma
Parece até que ela chora

Quando me falta o versejo
Me foge a inspiração
Lembro a nossa perfeição
Declamo pro teu desejo
Lembro do gosto do beijo
Desse abraço que extasia
De você, minha alegria
Embora haja um problema
Que quando falta um poema
Te declAMO em poesia

Ana Clara Souza

domingo, 12 de maio de 2013

No lugar que enterrei o nosso amor Só brotou um pezinho de saudade.

Uma rama de amor é quase nada
Não perfuma uma vida no presente
Porque a dor da saudade que se sente
Tem a mágoa no cheiro misturada
Inclusive, essa flor foi perfumada
No jardim deslumbrante da verdade
Mas o cheiro maior da falsidade
Se instalou na raiz da minha flor
E no lugar que enterrei o nosso amor
Só brotou um pezinho de saudade.

Pedro Torres

Adubei muito bem o meu terreno
Escolhi bem alegre uma semente
Cuidei dela e doei meu “solo quente”
E da noite sentia o seu sereno
Mas eu fui obrigada a por veneno
E matei mais sem ter tanta vontade
Fiz a cruz encostei lá numa grade
Só eu sei o tamanho dessa dor
No lugar que enterrei o nosso amor
Só brotou um pezinho de saudade.

Dayane Rocha

Mote: Erivoneide Amaral

Por amores desleais Cada qual que pague o preço

Por amores desleais
Cada qual que pague o preço
Dessas aventuras tolas
Tem uma que eu não me esqueço
E tô pagando uma conta
Maior do que a que mereço.

Pedro Torres

Se teu beijo tivesse envenenado Eu beijava sabendo que morria

Nem que fosse somente a última vez
Que em vida eu pudesse lhe beijar
Beijaria você sem perguntar
Dava ouvido pra minha insensatez
Decisão quando certa é sem talvez
Se chegou o momento não tardia
Acabava de vez essa agonia
Morreria beijando apaixonado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Essa louca paixão me enfeitiçou
Já não sei qual o mês que estou vivendo
O meu dia não passa, estou sofrendo
Como quem se perdeu e não se achou
O meu peito parece que inchou
A pressão vive com arritmia
Tenho dor de cabeça todo dia
Desconfio que estou enfeitiçado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Comecei ter insônia pra dormir
Passo horas rolando pela cama
Como é ruim acordar sem minha dama
Num colchão que comprei pra dividir
Eu queria você só pra sentir
O seu cheiro de amor que me alivia
Essa dor que carrego de agonia
Nesse peito que vive aperreado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Vem aqui, me ajuda não me deixa
Vem trazer seu amor como remédio
Não suporto o martírio, nem o tédio
É única razão da minha queixa
Já não como mais frutas, nem ameixa
Que era a fruta de todas que eu comia
Preferida porque nela eu sentia
O seu gosto de mel adocicado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Tenho tanta esperança de te ver
Ter você novamente em minha vida
Eu me lembro da nossa despedida
Nos amando até o amanhecer
Começamos de noite até nascer
O raiar desse sol que irradia
Quando os raios penetram, arrepia
Nosso corpo que fica arrepiado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Autor dos versos: Rubens do Valle
Autor do mote: Rubens do Valle e Pedro Torres Filho

Mesmo que contivesse algum veneno
Nestes teus róseos lábios de aventura
Eu provava da dose bem mais pura
Sem tomar um qualquer contraveneno.
Que na força do teu "beijo sereno"
Tens o doce da flor da ambrosia
Todo mel cujo gosto anestesia
E nos mata sem ser ressucitado
'Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria.'


Quero a dose maior que for possível
Não importa o vitríolo dos teus lábios
Busco a cura por todos alfarrábios
Mas, eu provo o teu beijo irresistível.
Se osculares de um jeito bem incrível
Ponha em prática o amor da teoria
Que  veneno de amor causa agonia
Mas, só mata se for bem aplicado
"Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria"

Pedro Torres
Mote: Pedro Torres & Rubens do Valle

É que a porta do peito se abriu Com o sopro do vento da saudade.

No mote imenso apresentando pela prima poetisa Ana Clara eu disse:

Esta noite eu sentindo um arrepio
Com um vento soprando na janela
Deu saudade do corpo quente dela
Me aquecendo na hora que faz frio
Pela fresta da porta um assovio
Que quebrava o silêncio da cidade
E os meus pés congelando na umidade
Desse vento gelado que surgiu
"É que a porta do peito se abriu
Com o sopro do vento da saudade."

Nas histórias de nossa parceria
Há alguns versos gritando nosso enredo
Tantos gritos calados sem segredo
Reclamando um abraço em poesia...
Nesta noite de vento e gelosia
Pela fresta de nossa alacridade
Passa a brisa da noite com maldade
Atiçando a vontade que surgiu
"É que a porta do peito se abriu
Com o sopro do vento da saudade."

Pedro Torres
Mote: Desconheço o autor.

sábado, 11 de maio de 2013

Mas, cuidado pra não chamar meu nome Num momento qualquer de fantasia...

Com você fui fiel tal cão de guarda
Destemido, e até mesmo submisso
Mas, você não assume compromisso
Pra fingir-se pra "alguém" na retaguarda.
Com você disfarçando a sua farda
Me encontrei com você naquele dia.
Lhe fiz versos de amor na poesia
E fui o pão que matou a sua fome
Mas, cuidado pra não chamar meu nome
Num momento qualquer de fantasia...

Pedro Torres

Mãe,

Quantos quilos, arrobas, quanta libra,
Mediriam o calor que tem teu seio?
Todo amor que tu ofertas sem receio
Dando o néctar da vida de tua fibra?

Se lutarmos batalhas, teu ser vibra
Como fosse o teu ser partido ao meio
Dividida essa força em nosso anseio
Na balança da vida se equilibra..

Do teu ventre fizeste uma morada
E o teu exemplo nos serve na jornada
Pro caminho da vida és nosso trilho

E esse espelho pra nós reflete a luz
Pois, és mãe igualzinha a de Jesus
E meu orgulho, mamãe, é ser seu filho

Pedro Torres

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Passarinho que canta na prisão É pedindo, por Deus, a liberdade.

Passarinho cantando na floresta
Tem o tom da alegria no seu canto
Mas, se preso em gaiola solta o pranto
Pois cantar, é somente o que lhe resta
Vendo a luz da campina pela fresta
Ele canta chorando com saudade
No lamento sensível pela grade
Das taliscas perversas do alçapão
Passarinho que canta na prisão
É pedindo, por Deus, a liberdade.

Enjaulado outro pássaro resiste
Às agruras da triste penitência
Em seu canto rogando por clemência
Não se esconde, gorjeia, mas é triste
Quando lembra do verde que persiste
Nas lagoas barrentas da cidade
Trava o canto na goela com vontade
De ser livre e voltar pra imensidão
Passarinho que canta na prisão
É pedindo, por Deus, a liberdade.

Pedro Torres, mote e glosa

Minha casa tem nela uma cadeia
Pela qual é bonita só por fora
Tem um pássaro cantando chega chora
Da pra ver no gogó a sua veia
Uma aranha que é livre em sua teia
Do bichinho ninguém tem piedade
O seu canto é bonito isso é verdade
Mas tem nele o cantar da solidão
Passarinho que canta na prisão
É pedindo, por Deus, a liberdade.

Dayane Rocha

Assassino pratica mais de um crime
Mas se for abastado e bem esperto
Se for preso o regime é semiaberto
E passarinho é fechado seu regime
Seu cantar é bonito e tão sublime
Mas se ver que não tem felicidade
Quem pratica na vida essa maldade
Não tem alma, amor nem coração
Passarinho que canta na prisão
É pedindo, por Deus, a liberdade.

Passarinho precisa de alforria
tando preso precisa ficar solto
porque se tiver grade em seu envolto
vem tristeza em lugar da alegria
ao envés de cantar apenas pia
se cantar, canta menos da metade
ficou preso durante toda idade
sem ter visto as belezas do Sertão
Passarinho que canta na prisão
É pedindo, por Deus, a liberdade.

Rubens Diniz

Quem escuta do pássaro a melodia
Ele estando trancado na gaiola
Nem percebe que a nota que ele sola
Representa um pedido de alforria
Desejando da mata a sombra fria
Ver de novo do dia a claridade
Ele deve sentir tanta saudade
Que despeja seu pranto na canção
Passarinho que canta na prisão
É pedindo, por Deus, a liberdade.

Cicinho Moura

A sentença que cumpre injustamente
E lhe obriga a viver na detenção
Desarmado indefeso sem ação
Sem ter culpa, está preso inocente
Da floresta tão bela vive aumente
Amargando a tristeza e a saudade
E o infame que o pôs atrás da grade
Se deleita ao ouvir sua canção
Passarinho que canta na prisão
É pedindo, por Deus, a liberdade.

Carlos Aires

Hoje o dia amanheceu Com cara de poesia.

Sabendo de umas chuvas lá pelo meu sertão do Pajeú eu dei o mote:

Hoje o dia amanheceu
Com cara de poesia.

Pedro Torres

E os poetas vendo aquela beleza ou por estar lá ou por tê-la na lembrança como eu disseram:

O sol surgiu diferente
Com muito mais brilho e cor
E um canário cantador
Trinou alegre e contente,
A brisa vem do nascente
minha face acaricia,
E nos olhos de Luzia
Tem uma imagem, sou eu
Hoje o dia amanheceu
Com cara de poesia.

Pedro Fernandes

Pois aqui no meu sertão
A cor do céu tá mudada
Já tem nuvem carregada
Pronta pra molhar o chão
E soprando inspiração
causando tanta alegria
Na casca da melancia
Um cancão adormeceu
Hoje o dia amanheceu
Com cara de poesia.

Dayane Rocha

Quem é poeta se inspira
com borboleta e saúva
de cada pingo de chuva
uma rima o mesmo tira
com curimã e traíra
com caçada e pescaria
com sapo, com rã , e gia
com sabiá e sofreu
Hoje o dia amanheceu
Com cara de poesia.

Rubens Diniz

A chuva traz esperança
muda o tempo esfria o clima
acabando a baixa estima
e aumentando a confiança
o pendão do milho dança
na música que o vento cria
se algo de triste havia
não há mais porque choveu
Hoje o dia amanheceu
Com cara de poesia.

Rubens Diniz

Ao final da noite escura
Nasce o sol de um dia novo!
Sobe o cantar do meu povo
Ao infinito de altura!
O poeta, que procura
Sentir o que não sentia
Encontra a paz, nesse dia,
Que a Vida lhe concedeu...
Hoje o dia amanheceu
Com cara de poesia.

Compadre Lemos

quinta-feira, 9 de maio de 2013

No meu sertão nordestino Quando cai a chuva santa

No meu sertão nordestino
Quando cai a chuva santa
As nuvens se enchem de água
Desata o nó da garganta
É como se o céu chorando
Molhasse a raiz da planta

Pedro Torres

Depois quis perdoar-te, mas, não pude Pois, mentiste pra mim o tempo todo

Tuas juras de amor de falsidade
Simulando um amor pra ter carinho
Escondendo na flor o vil espinho
Simplesmente, por uma vaidade
Se havia em você qualquer verdade
Ela estava encoberta pelo lodo
E eu caí nas garras desse engodo
Procurando encontrar uma virtude
Depois quis perdoar-te, mas, não pude
Pois, mentiste pra mim o tempo todo

Um castelo de areias e mentiras
Soerguido com juras dos escombros
Hoje espantam-me ainda os assombros
Provocados no som da minha lira
Como pedra de funda que se atira
Pra bem longe causando uma maldade
Na travessa da esquina da verdade
Tu furaste o sinal na contramão
Nesse amor com sabor de ilusão
E requintes cruéis de falsidade

Pedro Torres

Pra sepultar desenganos Na terra fria das dores.

Quatro pontos cardeais
Quatro começos sem fins
Beija-flores sem jardins
Quatro sonhos desiguais
Nas dimensões divinais,
Arco-íris tem sete cores
Primavera não dá flores
Nas quatro estações do ano
Pra sepultar desengano
Na terra fria das dores.

Pedro Torres

Meu caminhar é a moda E a tendência é ser feliz!

No palco das incertezas
Da vida, e dos percalços
Ando com meus pés descalços
Calcárias pedras, ferezas
Cristalinas correntezas
Do meu destino aprendiz
Roda gigante, raiz
No sobe e desce da roda
Meu caminhar é a moda
E a tendência é ser feliz!

Pedro Torres

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Saudade boa é purinha Sem carecer de mais nada

Saudade boa é purinha
Sem carecer de mais nada
Quem sente saudade assim
É pessoa abençoada
Triste mesmo é ter saudade
Com uma mágoa misturada.

Pedro Torres

Traz o fardo pesado da distância Por mil léguas tiranas de saudade.

Há uma (dor-esperança) no meu peito
Que não acho um remédio pra curar
Quando trato pra ver a dor passar
A esperança desfaz todo o efeito..
Medicina pro amor não tem perfeito
Traz cansaço pro colo da vontade
Faz poeta andarilho em liberdade
Sentir falta d'alguma substância
Traz o fardo pesado da distância
Por mil léguas tiranas de saudade.

Pedro Torres

terça-feira, 7 de maio de 2013

Decepção tem um preço Bem maior para quem paga

Decepção tem um preço
Bem maior pra quem lhe paga
Como perder-se um mel puro
Que em vaso sujo se estraga
E a mágoa deixa uma nódoa
Que tingimento não apaga

Pedro Torres

Quando alguém machucar seu coração Lembre as marcas que estão dentro do meu

Não reclamo seus erros, nem condeno
Tome o rumo pra si que bem entende
Tudo passa, na vida, e a gente aprende
Que rancor nada mais é um veneno
Sinto falta do seu corpo moreno
E o calor que outro dia me aqueceu
Mas, você foi embora e se perdeu
Pela estrada insensata da ilusão
"Quando alguém machucar seu coração
Lembre as marcas que estão dentro do meu"

Caminhei no vazio dos teus passos
Cada passo que dei foi na alegria
De encontrar nosso amor na poesia
E nas linhas discretas dos teus traços
Nessa busca implacável dos cansaços
Descansei no calor do colo teu
Nos meus braços você se aqueceu
Mas, calor não requenta uma paixão
"Quando alguém machucar seu coração
Lembre as marcas que estão dentro do meu."

Pedro Torres
Mote: Marcos Rabelo


Eu tentei dispensar minha saudade Mas pensando em você dormi com ela..

À pedido da conterrânea Emonik Vasconcelos, eu tentei assim:

Altas horas da noite sem ter sono
Revirando na cama pra dormir
Me lembrava o seu jeito sorrir
E chorava, em silêncio, o abandono
Travesseiro sobrando sem ter dono
E eu olhando na agenda a foto dela
Com vontade de ter de novo aquela
Ligação, pra falarmos (à vontade)
Eu tentei dispensar minha saudade
Mas pensando em você dormi com ela..

Ter lhe visto pra mim foi como teste
Pra provar toda a minha resistência
Que apesar dos meus anos de existência
Os meus dias melhores tu me deste.
Se esse sonho despido não me veste
Talvez seja um excesso de cautela
Pois, saudade demais abre a cancela
Que a tramela se quebra na vontade
Eu tentei dispensar minha saudade
Mas pensando em você dormi com ela.


Pedro Torres

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ao Sol

Astro rei incandescente
De infinita grandeza
Reluzindo no horizonte
Invocando a realeza
As velas do seu farol
Nas labaredas do sol
Arquétipos de nobreza.

Pedro Torres

Tem chapeleiro se dando bem por aí.. rs

Tem também gente que diz
Pra exercer seu papel
Que é melhor conquistar todas
Que ser sujeito fiel
E depois vem reclamar
Que precisou alargar
As abas do seu chapéu

Pedro Torres

A tardinha

Aquarela com que o sol
Colore as faces do ocaso
Pra lançar no poço raso
Do incandescente farol.
Escurecendo o arrebol
Faz um silêncio profundo
Deixa o sonho mais fecundo
E apaga a luz da tardinha
Vai levar a manhãzinha
Pro outro lado do mundo.

Pedro Torres

Não é justo eu chorar apaixonado Porque sempre sorriu da minha dor

Hoje ris como alguém que enfim festeja
Ter um peito por dor estilhaçado
Eu não julgo haver nada engraçado
Mas, se queres assim, então, que seja!
Hoje ainda esse meu olhar mareja
E o meu quadro também muda de cor
Lhe desejo que arranje um outro amor
E o seu riso retorne redobrado
Não é justo eu chorar apaixonado
Porque sempre sorriu da minha dor

Pedro Torres
Mote: Manoel Filó

E os garranchos da tua covardia Arranharam demais meu coração

Dediquei pra você juras sinceras
Fui leal, mas paguei um alto preço
Do descaso que eu sei que não mereço
Aos teus contos forjados das quimeras
Rabisquei de intricadas primaveras
A alguns versos que fiz por devoção
Mas, você me pagou com ingratidão
Dando flores pra outra poesia
E os garranchos da tua covardia
Arranharam demais meu coração

Pedro Torres

É melhor aceitar que dói bem menos

Reconheço os meus erros cometidos
Mas, se encerra de vez nosso romance
De voltarmos não tem a menor chance
Que os teus "crimes" não vão ser esquecidos.
Dos espinhos que trazes escondidos
Cada ponta feria-me em seus venenos
Procederes, covardes, tão pequenos
Que só trazem pro caso mais revolta
E não guarde esperança de ter volta
É melhor aceitar que dói bem menos

Pedro Torres

Quem passar no castelo da saudade Dê lembrança ao amor que já foi meu

Quando tudo se fez mais complicado
Nossa história virada pelo avesso
Indo em busca de um novo endereço
Me perdi pela estrada do passado
Fui num bosque de sonhos encantado
Onde o amor mais bonito floresceu
Nosso reino de luz que ali nasceu
Se perdeu não vê mais a claridade
Quem passar no castelo da saudade
Dê lembrança ao amor que já foi meu

Quando o tédio se arrancha em nossos dias
E a lembrança de alguém só nos magoa
É difícil querer que outra pessoa
Nos dê ânimo pra o amor e poesias.
Porque a falta nos tira as alegrias
E a tristeza não traz quem se perdeu
Se um de nós por acaso se esqueceu
Não fui eu, e só resta outra metade...
"Quem passar no castelo da saudade
Dê lembrança ao amor que já foi meu"

Pedro Torres
Mote: Poeta Ednei

Contradição III (Sina de Margarida)

Margarida de muitos beija-flores
Que forneces pra tantos teu perfume
Não verás nesta vida um só queixume
De ninguém que provar dos teus sabores

Nos jardins perfumosos dos amores
Na disputa das flores, por costume
Tu não podes sequer sentir ciúme
D'outras flores que ofertem seus olores

És de muitos o néctar para a fome
Sem zelares, porém pelo teu nome
Só recebes alcunhas, por sobeja

Triste sina que tens flor margarida
Pertenceres a tantos nessa vida
Sem jamais pertencer-te quem te beija

Pedro Torres

domingo, 5 de maio de 2013

Já não há mais uma chance Para qualquer reincidência

Já não há mais uma chance
Para qualquer reincidência
E é melhor ficar atentos
Pra algum sinal de carência
Que errar uma vez perdoa-se
Mas, duas é incompetência

Pedro Torres

Seja burra, covarde, fuja e morra Mas, não negue que já me pertenceu

Você pode dizer para as amigas
Que não quer mais saber do nosso caso
Que não fui pra você mais que um atraso
E "cantei mil e tantas raparigas"...
Que cansou, porque só restavam brigas
E fui um tonto que não lhe mereceu
Que faz tempo que já se esqueceu
E não há mais perdão que nos socorra
Seja burra, covarde, fuja e morra
Mas, não negue que já me pertenceu

Pedro Torres

"Saudade só é saudade Quando morre a esperança"

"Saudade só é saudade
Quando morre a esperança"
Depois que a minha morreu
Eu fiquei como criança
Que o seu brinquedo sumiu
E depois não conseguiu
Retirá-lo da lembrança...

Pedro Torres

Das flores mais perfumosas Que eu provei por derradeiro

Das flores mais perfumosas
Que eu provei por derradeiro
Eu inda sinto o sabor
Do seu perfume primeiro
E basta um tico de nada
Dessa "essência" amadeirada
Para mata-me de cheiro...

Pedro Torres

Conheço muitos amores Que começam na amizade

Conheço muitos amores
Que começam na amizade
O nosso amor foi o inverso
E na nossa infantilidade
Descuidamos do que havia
E depois da fantasia
Ficamos só na saudade...

Pedro Torres

O amor não tem fronteiras Também não sabe limites

O amor não tem fronteiras
Também não sabe limites
Para que o sonho aconteça
Basta apenas que acredites
Mas, não permita que os outros
Se metam dando palpites

Pedro Torres

E nem venha dar uma de santinha Que santinha, sabemos, que não és

Eu não posso escusar sua atitude
Foi de caso pensado, e eu não aceito
Pois, que tire pra si melhor proveito
Do seu modo de agir sempre tão rude
Cometi muitos erros, mas não pude
Evitar dessa vida os seus viés
"Dar as mãos pra você fincar os pés,
Sem saber o que queres com a minha?"
E não venhas dar uma de santinha
Que santinha, sabemos, que não és

Pedro Torres

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Não tem sorriso que pague O preço de uma saudade.

Quem descobrir seu amor
Cuide dele o quanto antes
Não se perca por instantes
Que não lhe acresça calor...
Aprenda a dar mais valor
Ao que é tudo na metade
Zele pela claridade
Pra que a luz nunca se apague
Não tem sorriso que pague
O preço de uma saudade.

Pedro Torres

essas linhas que escreves não são tuas E essas linhas que escrevo não são minhas

Cada parte de um todo tem metade
Da metade de tudo que eu preciso
Me contento com o nada de sorriso
E, de tudo, me inteiro na saudade
Sinto apenas, faltar-nos igualdade
Pela tinta dar cor às manhãzinhas
Faltar pena pro cinza que escrivinhas
Sobrar versos pra duas almas nuas
Que estas linhas que escreves não são tuas
E essas linhas que escrevo não são minhas

Pedro Torres

Duas almas vivendo de metade E a saudade pra nós foi a sentença.

Padecemos da fera insegurança
Que é comum em casais que estão distantes
Que essa estrada longínqua dos amantes
Só se encurta pra quem tem confiança.
Hoje existe somente na lembrança
Um retrato da nossa indiferença
Nosso caso foi vítima da descrença
E sofremos em pé de igualdade
Duas almas vivendo de metade
E a saudade pra nós como sentença.

Pedro Torres

E o baú de saudade que eu carrego Tá pesado demais pr'eu carregar.

Mas, se eu perceber que nâo aguento
Que o fardo da ausência está pesado
Lamentando esse fim inesperado
Já cansado de tudo eu paro e sento
Dispensando desculpa ou argumento
Eu respondo pra quem me perguntar,
Eu já ando cansado de negar
E a partir de agora eu nâo mais nego:
Que o baú de saudade que eu carrego
tá pesado demais pr'eu carregar.

Cicinho Moura

Nesse mote 'de peso' do poeta Cicinho Moura eu tentei assim:

Nessa estrada que leva ao coração
Transportei suas juras insinceras
Colhi rosas de lindas primaveras
Mas, enchi de saudade um matulão
Trabalhei dia e noite, fiz serão
Fiz mil talhos na mão pra calejar
Com martelo tentei lhe arrancar
Mas, saudade chegou torcendo o prego
E o baú de saudade que eu carrego
Tá pesado demais pr'eu carregar.

Nossa história bonita se encerra
Sem haver entre nós um só culpado
(Que esse lance 'de nós' só deu errado
Pela ausência do laço, que nos cerra...)
Fomos cúmplices maiores desta terra
Mesmo longe de haver algum lugar
Fui um tolo, e cheguei a duvidar
Mas, depois percebi que fui um cego
E o baú de saudade que eu carrego
Tá pesado demais pr'eu carregar.


Pedro Torres
Mote: Cicinho Moura

Meu coração deu um grito De extrema felicidade

Meu coração deu um grito
De extrema felicidade
Quando chegou na cidade
E viu seu riso bonito
Meu peito que andava aflito
Bateu mais descompassado
Por sentir-se aliviado
De remover toda a ânsia
E assassinar a distância
Num abraço apaixonado.

Pedro Torres

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Contradição II

Foste a flor mais bonita do jardim
Que floresce no peito de quem ama.
Hoje tenho a lembrança que se inflama,
Nesse incêndio que faz dentro de mim.

Nossa história bonita teve fim
Na fumaça que o tempo faz da chama
E a saudade deitou-se em minha cama,
Na esperança de ouvir de novo um sim.

Meus quereres, por fim, foram vencidos
E os meus sonhos quedaram-se sentidos
Sem resquícios das nossas ambições...

Impuseste entre nós uma mordaça
E hoje cato os caquinhos da vidraça
Da janela das minhas ilusões

Pedro Torres