quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Teu orgulho assassino infelizmente Mergulhou-nos num mar de amargura

Nosso caso não tem mais o sabor
Do gostinho de amor da nossa história
Nossos traços guardados na memória
Hoje formam só letras de rancor
Eu não quero provar desse amargor
Do teu verso, perverso, sem ternura
Que não mais se alimenta da doçura
Que habita no coração da gente
Teu orgulho assassino infelizmente
Mergulhou-nos num mar de amargura

Pedro Torres

Segue o rumo do teu caminho torto Mas, devolvas pra mim meu coração

Eu que sempre fui um bom marinheiro
Conheci muitos mares de amargura
Mas, meu barco lotado de doçura
Não se perde no mar do estrangeiro
Nem se afoga por falta de um cheiro
Que me negas não sei por qual razão
Se tu queres partir sem direção
Ir em frente buscar um novo porto
Segue o rumo do teu caminho torto
Mas, devolvas pra mim meu coração

Pedro Torres

FIM

Eu espero de ambos o bom senso
Reafirmo que o meu, ta garantido!
Não pretendo chorar arrependido
Nem você vai sofrer,assim eu penso.

Despedidas e choros, eu dispenso
Pra não ver seu semblante comovido
Nem o meu sairá tão abatido
Para isso eu não ando tão propenso

Vou torcer pra que reste a amizade
Esperando de nós, maturidade.
Pra passar no passado uma borracha

E por mais que isso tudo seja triste
Entender que o fim Também existe
Pois o amor não permite ''ou vai ou racha!"

Cicinho Moura

Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio

Ivanildo
Quando canto vejo a negra
Claridade do luar
Vendo a flor colhendo beijos
Dos lábios frios do ar
E a praia enfeitando os fios
Do lençol verde do mar

Geraldo
Sinto a aurora brotar
No formato de miragem
Em cada curva da estrada
Há um leque de paisagem
Abanando as tranças verde
Dos cabelos da folhagem

Ivanildo
Dançando eu vi a imagem
Do filme de Deus coloca
Onde o sol por generoso
Cria, aquece dia, e foca*
É quem dá tudo de si
E nada recebe em troca

Geraldo
Quando o maio se coloca
É mais bonito o sertão
A floresta se ornamenta
De rosa, flor e botão
E as flores brancas à noite
Parece estrelas no chão

Ivanildo
O sopro da viração
Deixa impressão de perfume
Os últimos raios da tarde
Pincelam cristas do cume
Entregam crepúsculo negro
Aos faróis do vaga-lume

Geraldo
Há espirais de perfume
Na mãos cálidas do mormaço
As nuvens do firmamento
Se desmanchando em pedaço
Parece um leque de bruma
Na concha azul do espaço

Ivanildo
Terra que assiste o cansaço
Do passo do retirante
Quando as rajadas cruéis
De uma seca horripilante
Tange a poeira dos rastros
Do camponês emigrante

Geraldo
Pingo de orvalho brilhante
Na floresta da masquina
O pirilampo, um arcanjo
Da lanterna bentilina
A água cristal eterno
Na galeria divina

Ivanildo
Seguir de Deus a doutrina
É dever da criatura
Semeia grãos de virtude
E aguarda a safra segura
Plantando a semente boa
E colhe a espiga madura

Geraldo
Respeito as leis da altura
Na torre do esquecimento*
Viajo o barco dos anos
Com o seu carregamento
Pedras que são extraídas
Nas minas do sentimento

Ivanildo
E a voz do pensamento
Transforma o sonho em cadência
Cantando o lírio dos campos
Dos frutos, a culta essência
A substância abstrata
Nos sonhos da inocência

Geraldo
Onde não foi a ciência
Onde ficou a bonança
A viola é o piano
Que toco desde criança
Sonorizando saudade
Nos teclados da lembrança

Ivanildo
Nos planos que a rima alcança
Tendo a vida por irmã
De noite ilusão perdida
De dia esperança vã
Castelos de pedra hoje
Sonhos de areia amanhã

Geraldo
Na neve da cor de lã
Na minha ilusão de infante
Há um castelo de estrela
Nas barras do meu levante
Que não brilharam até hoje
Brilharão daqui por diante

Ivanildo
Vou voando a todo instante
Para alcançar outro império
As formas de um mundo novo
As luzes de outro hemisfério
Rompendo a marca invisível
Desse profundo mistério

Geraldo
Por ter notas de saltério
O improviso é um santo
Na vida corta as fronteiras
Em sonhos cresce outro tanto
Se transporta sem andar
E voa sem sair do canto

Ivanildo
Como um rugido de espanto
Do tiro da belonave
O fogo apartando a nuvem
O eco espantando a ave
Rompendo o sossego aéreo
Do infinito suave

Geraldo
Deus a ninguém deu a chave
Desse edifício perfeito
Mar gigante, terra enorme
Céu infindo, bosque estreito
Fez tudo e não veio ainda
Dizer porque tinha feito

Ivanildo
Do rio estuário e leito
Da fruta o tempo e a vez
Ano longo dia curto
Semana, estação e mês
Ele fez tudo mas pode
Desfazer tudo o que fez

Geraldo
Manda em tudo o rei dos reis
No raio que do céu desce
Tempestade de desaba
Terremoto que estremece
Em tudo está sua mão
E o homem não reconhece.

Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio.

- Quando canto vejo a negra* (Ivanildo cantou assim)
 - Na dor do esquecimento (Geraldo cantou assim).
- Sonhos de areia amanhã (Contribuição Grupo Epokhé pela intelecção, valeu!)
- Cria, aquece dia, e foca (Conforme entendi, com minhas dúvidas.)

Vendi meu vilão

Teus olhos úmidos, e um violão
Na essência pura e inviolável
Da poesia, dor casta do coração
Tristeza púrpura e indecifrável...

Este é o teu companheiro à solidão,
Das emoções todas tuas, inseparável...
Um olhar tristonho, com que razão
Fitas a tua estrela admirável...

Eu me apartei do meu velho amigo
Já não escuto o seu sonoro abrigo
Falar por mim por seus gemidos..

Mais por precisão, que por descuido,
O vendi, e já não sinto o trinar fluido
Das suas cordas em tons sustenidos

Pedro Torres

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Foste embora sem sequer dizer adeus Só deixaste saudade na partida

Na história bonita que vivemos
Os capítulos finais sem emoção
Duas falas caladas sem razão
Não diziam de tudo que tivemos
Mas, eu sei que nós não nos esquecemos
De um amor que viveu pra toda vida
Sem o beijo de amor da despedida
Nem provar do calor dos braços meus
Foste embora e sequer dizesste adeus
Só deixasse saudade na partida

Pedro Torres

Eu hoje afogo a saudade Num oceano de pranto

A dor que trago no peito
É muito maior que eu
De alguém que percebeu
Ver um sonho ser desfeito
Passando por esse estreito
Só provou do desencanto
Sentindo o frio que o manto
Só lhe cobria a metade
Eu hoje afogo a saudade
Num oceano de pranto

Pedro Torres


Poeta, eu te garanto
Em nome da amizade
Se tratando de saudade
Eu uso esse mesmo manto
Também derramo esse pranto
E canto essa ladainha
Antes de tu,eu já vinha
Atando esse mesmo nó
Pra tua não morrer só
Eu também afogo a minha.

Cicinho Moura

Queria que fosse o sonho Que pra nós nunca acordou

Vejo a lágrima cadente
Tua face percorrer
Por sentires um sofrer
D'outro amor mais que recente
Que não estive presente
Quando para ti voltou
Da saudade que deixou
Ferindo os teus risonhos
Queria que fosse o sonho
Que pra nós nunca acordou

Pedro Torres

Esquecer que nos deixamos Sem nos querermos deixar

Quero uma noite de estrelas
Na noite escura enluada
Nós sentados na calçada
Onde lá possamos vê-las
Plantar flores por devê-las
Nos jardins desse lugar
Vingar sonhos ao luar
Dos planos que nós traçamos
Esquecer que nos deixamos
Sem nos querermos deixar

Pedro Torres

Quando eu morrer, tu Saudade Vais ter saudades de mim.

Minha eterna companheira
Fiel nas noites escuras
O sabor nas amarguras
Dessa vida estradeira
Esperança derradeira
Flor mais linda do jardim
Mas, meu anjo querubim
Eu te digo, sem vaidade,
Quando eu morrer, tu Saudade
Vais ter saudades de mim.*

Pedro Torres

Mote modificado do Poeta Raimundo Asfora.

Pintando seus madrigais Na tinta do pensamento.

Quem já nasceu com a estrela
Para dizer-nos poesia
É só ver acometê-la
A saudade um só dia
Numa explosão de alegria
Faz brilhar seu sentimento
Decorando o firmamento
Com luzes celestiais
Pintando seus madrigais
Na tinta do pensamento.

Pedro Torres

Deixa seu peito frustrado Mas, toda dignidade

Quem já amou já conhece
A dor do amor ausente
De não ter sempre presente
Quem a gente nunca esquece
Se manda um SMS
Pra não morrer de saudade
A TIM lhe faz a maldade
De segurar o recado
Deixa seu peito frustrado
Mas, mantém dignidade

Pedro Torres

Você foi por que quis Mas, só volta se eu quiser

Eu já passei dessa fase
Não quero mais aventuras
Não me interessam mais juras
Nem amores só de quase
Mas, lhe digo numa frase:
Faça o que você fizer
Se realmente vier
Venha me fazer feliz
Que você foi por que quis
Mas, só volta se eu quiser

Pedro Torres

Seu amor ainda vive no meu peito Machucando a ferida que restou

Em setembro inda lembro à tardinha
Quando tudo pra nós teve início
E passamos um tempo bem difícil
Afastado um do outro, e adivinha?!...
Hoje, sinto se por uma falha minha
Algum verso que fiz te magoou
Pois, o tempo parece nem passou
Nosso amor 'inda' é do mesmo jeito
Seu amor ainda vive no meu peito
Machucando a ferida que restou

Pedro Torres

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Entra ano e sai ano e nada vem O sertão continua ao Deus dará

Ivanildo
Sertanejo não tem mais por quem chame
Não terá como nunca teve antes
Porque todos os seus representantes
São barões e filhinhos de madames
Passeando em Brasília e em Miami
Ipanema, Gramado e Guarujá
Muito longe do voo do carcará
Tão distantes da sombra do moquém
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Geraldo
Todo ano os recursos são criados
Pra salvar o nordeste brasileiro
Mas, ninguém ver a cor desse dinheiro
Muito menos os pobres flagelados
Os bilhões e bilhões são desviados
Com farinha, feijão, arroz e chá
Fica tudo nas mãos de marajá
Prefeitura galpão e armazém
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Ivanildo
Quando a seca esturrica o meu sertão
O problema se torna mais sinistro
O governo despacha algum ministro
Para vir conhecer a região
Ele vê a miséria de avião
Faz promessa discurso e Blá! Blá! Blá!
Garantindo recursos que não há
Prometendo o dinheiro que não tem
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Geraldo
Essa tal emergência é uma piada
Que humilha e ofende o camponês
Condenado a lutar de seis a seis
Transformado em cossaco de estrada
Obrigado a trocar a sua enxada
Por um carro de mão e uma pá
E o salário no fim do mês não dá
Pra comer rapadura com xerém
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Ivanildo
Assim vive o sertão com sua gente
Sofredora, oprimida e infeliz
Se mudando pra o sul desse país
E desejando o nordeste independente
Enganando o jejum com aguardente
Mastigando um pedaço de preá
Combatendo os espinhos de juá
Embalado na música do vem-vem
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Geraldo
É preciso que alguém se manifeste
E apareça um sujeito de coragem
Pra poder desmanchar a engrenagem
Que impede o progresso do nordeste
Ou, então o sertão cabra-da-peste
Qualquer dia não mais aguentará
Expulsando os políticos ruins de lá
Que votar em corrupto não convém
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Ivanildo
Afinal, sertanejo nordestino
Pra o Brasil é somente mão de obra
Coisa ruim pra ele tem de sobra
Não consegue mudar o seu destino
Aguardando um milagre do divino
Ou, um outro Getúlio ou JK
Apegado à promessa e patuá
E invocando os espíritos do além
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Geraldo
No sertão quando é tempo de eleição
Os políticos se mandam de Brasília
Deixam lá as mansões e a família
Para vir pedir voto no sertão
Inventando pra tudo solução
Sustentando que nada faltará
Quando passa eleição somem de lá
Nunca mais dão notícia a seu ninguém
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Ivanildo
É difícil um ministro senador
Calcular quanto vale um sertanejo
Para uns é apenas um despejo
Elemento volúvel sem valor
No sertão nunca chega um salvador
Quando chega é algum Ali Babá
E os quarenta ladrões de Bagdá
Se transforma em sessenta, oitenta e cem
Entra ano e sai ano e nada vem
O sertão continua ao Deus dará

Ivanildo Villanova e Geraldo Amâncio

Se vais copiar, cita ao menos a fonte. Obrigado!

Pedro Torres

Sorte do dia: Como se amarrado pela corda do tempo num pé de distância, sufocando de saudade.

Sorte do dia: Como se amarrado pela corda do tempo num pé de distância, sufocando de saudade.

Pedro Torres

O Brasil todo chorou O luto em Santa Maria

Trabalho do Poeta Rubens do Valle enviado ao Decanto de Poetas:

O Brasil todo chorou
O luto em Santa Maria

Uma festa divulgada
Todos na ansiedade
Amigos de faculdade
Iam pra essa balada
Uma banda badalada
Quis tocar na “Kiss” no dia
Mais a morte ninguém via
E foi a que mais tocou
O Brasil todo chorou
O luto em Santa Maria

Uns foram pisoteados
Outros sequer entenderam
Uns na frente já correram
Em meio aos desesperados
Não foram carbonizados
Morreram na agonia
Todos por asfixia
Quem caiu não levantou
O Brasil todo chorou
O luto em Santa Maria

Fumaça preta matando
Jovens bem estruturados
Correndo agoniados
Desesperados, gritando
Pedindo socorro quando
Ninguém mais nada ouvia
E a morte com covardia
Foi a que mais escutou
O Brasil todo chorou
O luto em Santa Maria

Mais de duzentas pessoas
Morreram sem ver seus entes
Não beijaram seus parentes
Morreram todas atoas
Até mesmo as coroas
De flores naquele dia
A cidade não vendia
Alegando que acabou
O Brasil todo chorou
O luto em Santa Maria

Celulares não paravam
De tocar dentro das calças
Em bolsas que tinham alças
Socorristas escutavam
Chorando ali lamentavam
Sabendo o que ocorria
Enquanto mãe, pai e tia.
Comentavam, só chamou.
O Brasil todo chorou
O luto em Santa Maria

A mídia inteira cobriu
Este cenário de drama
Governo e primeira dama
O Brasil inteiro viu
Depois ninguém mais dormiu
Aceitar ninguém queria
E na Tv só se via
Choro de quem comentou
O Brasil todo chorou
O luto em Santa Maria

Jovens bonitos, saudáveis.
Cheios de vida e amor
Acabaram-se no calor
Dos gritos inconsoláveis
Os atos irresponsáveis
Ceifaram quem não devia
Num ato de covardia
Muita gente ali pagou
O Brasil todo chorou
O luto em Santa Maria

Autor de mote e versos: Rubens do Valle.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Chorinho 'midiático'!

Muito duro, cruel, nós lamentamos
Cada vida ceifada à fumaraça
Pra que Deus os acolha nós rogamos
Confortando as vítimas da desgraça

Na fogueira das vidas contemplamos
Só carbonos impressos na fumaça
No sertão do nordeste a seca passa
Na maior estiagem que passamos

Ninguém sabe daqui quantos morreram
E políticos que aqui se elegeram
Com ceninha de choro que se veste

Com milhares de mortes no sertão
Dilma chora fingindo comoção
Esquecendo a tragédia no nordeste

Pedro Torres

Mergulho no mar de saudade

Mergulhado no mar de uma saudade
Os sargaços de cheiros me prendiam
Lá no fundo, amarrado na vontade
Das lembranças mais doces  que traziam

Pedro Torres

É o chicote do verso a lapear

O 'azideia' de Jessier Quirino que o Poeta Esdras Galvão passa pra nós. kk

"É o chicote do verso a lapear"

Poeta Jessier Quirino... E a gente brincou:

Vou tocando no verso a boiada
No tangido de rimas sem contê-las
Dois bois brancos mugidos de estrelas
E na métrica vou dando ferroada
Com ferrão que tem ponta afiada
E cantando na estrada do rimar
Cantador que quiser me atrapalhar
Leva pau na moleira pra aprender
Que a lapada no lombo a lhe doer
É o chicote do verso a lapear

Pedro Torres

O duelo do verso é arriscado
Mas é bom apanhar na poesia
Essa surra não dói mas contagia
Haja vista eu já ser acostumado
Quem duela comigo é preparado
E eu devo também me preparar
Quando pego na arma pra atirar
Já vejo ele com o dedo no gatilho
O poeta Pedro Torres Filho
É o chicote do verso a lapear.

Cicinho Moura

Nessa lida de verso e de repente
Vai tangendo com força de garrote
Desamarra a rodilha de um pote
Carregado duma água muito quente
Se o rescaldo dessa rima diferente
Lhe fizer de su'a canga se soltar
Na forquilha logo voltas pro lugar
Que tangendo essa junta vai Cicinho
E o barulho que escutas miudinho
É o chicote do verso a lapear

Pedro Torres

Eu preciso sair não volto cedo
Que a lapada do verso é muito quente
O rojão desse estilo é diferente
E o poeta mais fraco sente medo
Esse Pedro é poeta e tem segredo
E tá muito difícil desvendar
Eu também não desejo cutucar
É melhor preservar o pé-do-ouvido
Do que ter que sair daqui corrido
Com o chicote do verso a lapear

Cicinho Moura

Precaução:

É estranho e comum em nossa vida
Mas, o súbito existe e acontece
Vem às vezes de forma merecida
Também vem quando a gente não merece

E depois uma dor acontecida
Serve como um ensino, e a gente cresce
Com o tempo a lembrança tão doída
Ameniza, jamais desaparece!

É comum que quem já foi machucado
Se aproxime do amor, com mais cuidado
Pois, o medo nos serve de defesa

E no jogo do amor não é errado
Exigir de quem tá do outro lado
Que também jogue as cartas sobre a mesa.

Cicinho Moura

Se a distância maltrata um estradeiro A saudade o machuca nos detalhes

A saudade é estar sempre presente
Tão somente a lembrança de alguém
É querer ver de novo, tudo bem
Mas, sem ver, fica tudo diferente...
Numa cena de um filme comovente
Que se passa sem cortes... sem retalhes...
Nem que muitos perfumes tu espalhes
Não te livras das marcas de um cheiro
Que a distância maltrata um estradeiro
E a saudade o machuca nos detalhes

Pedro Torres

Encontrei meu amor mais verdadeiro No silencio da troca de um olhar

Passeando na noite da campina
De mãos dadas seguindo à casa dela
No abraço do adeus olhei pra ela
E fugiu-me uma lágrima cristalina...
O silêncio da noite e a neblina
E o perfume das árvores do lugar
No caminho da volta à me lembrar
Do sabor mais incrível de um cheiro
Encontrei meu amor mais verdadeiro
No silêncio da troca de um olhar*

Tanto eu quanto ela já passamos
Por momentos de grande intensidade
Dividimos, contudo, ...só saudade
Pois no resto de tudo, nos somamos.
E eu podia jurar que nos amamos
Pelo toque sentido, ...sem tocar
Como o ímpar na vida encontra o par
Eu senti na minh'alma até seu cheiro
"Encontrei meu amor mais verdadeiro
No silêncio da troca de um olhar."

Foi um breve momento que ficou
Como chama que arde sem fumaça
Pois, sabemos, na vida, tudo passa
Mas, aquele momento não passou.
Seu olhar mais bonito se encontrou
Com meus olhos e quis se demorar
E aqui dentro do peito vi queimar
Seu amor como fosse um fogareiro
"Encontrei meu amor mais verdadeiro
No silêncio da troca de um olhar.”

Pedro Torres

Quando tudo parecia não dar certo
Ele entrou em minha vida pra mostrar
Que quem ama não quer te ver sofrer
Muito menos fazer você chorar
Me mostrou que o amor é verdadeiro
Que incrível é a força de amar
Que a vida lhe mostra outros caminhos
Quando os outros parecem se fechar
Encontrei meu amor mais verdadeiro
No silêncio da troca de um olhar*

Angela Rocha, poetisa autora do mote.

Um soneto de amor bonito.

No aperto de mãos da despedida
O suor misturou-se a comoção
Anulando o perfume da paixão
E deixando no canto o da partida.

O achado de nós perdeu a ida
No caminho do eu, da solidão
Pois sem nós, eu não tenho a condição
De seguir linha reta sem saída.

Eu conjugo o presente no passado
Pra sentir o meu corpo ser tocado
Pelas mãos que acenam em tom de adeus,

Quando choro por ver as suas costas
O relógio me chega com respostas
Me dizendo que o tempo é um senhor Deus.

Thyelle Dias.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Saudade é um pernilongo

Saudade é um pernilongo
Que quando pro quarto vai
Tira o sossego da gente
Leva tabefe e não cai
Arrodeia o corpo todo
Dá a mulesta e não sai.

Elenilda Amaral

Tabefe, o mesmo que bofetada.
Mulesta, o mesmo que gôta serena.

O Livro dos Dias

Ausente o encanto antes cultivado,
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado.

Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar,
E teu desejo inverso é velho amigo,
Já que o tenho sempre a meu lado.

Hoje então aceitas pelo nome
O que perfeito entregas mas é tarde.

Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embriagado pela fome
Exatos: teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomasse como bênção.

Não esconda tristeza de mim,
Todos se afastam quando o mundo está errado.

Quando o que temos é um catálogo de erros,
Quando precisamos de carinho,
Força e cuidado..

Este é o livro das flores!
Este é o livro do destino!
Este é o livro de nossos dias!
Este é o dia de nossos amores!

Renato Manfredini Júnior, Renato Russo.

Sabes!?

Quero um hortelã
A sereníssima vontade de tocar meu violão.
Quero uma manhã, quero uma tarde.

Quero ir até qualquer lugar de bike.
Quero os quereres que quero realizados.
E quero o teu abraço quente, num friozinho...

Quero um lugar secreto pra gente.
Quero te beijar, mas, que meu beijo roube o teu.
Quero que chores de amor... Que sara!

Amor de lágrimas, de mares, de calor, de seca,
De lençóis subterrâneos e de tudo que a vida dá.
Ah! Quero embriagar-me contigo...

E sumirmos sem dar notícias,
E sermos a notícia...

Quero o teu riso, e quero te fazer raivinha,
Até me bateres de tanto 'ódio'...
E depois me olhes com esse teu olhar e amor.

Quero fazer um café que preste,
Que não fazes ideia.... Ah! O café...
O teu café que adorarei...

Quero improvisar pra ti, quero dizer-te dos improvisos.
Que sejam nada mais, nem ninguém, que nós,
Sem nós!

Que sejamos nós como já o é,
Mas, que estejamos, principalmente,
Juntos!

Ah! E se me compreendes é porque te compreendi.
Não tem essa história de maiores histórias
Sem findar ainda uma outra história, num livro que é nosso!

Não tem razão de lamentares, pois, nada lamento.
Não houve culpados, mas, irresponsáveis, sem zelo,
Sem razão, sem respeito, sem o que temos.

E qual história é finda?
Ah! Realidade da qual foges, e foges,
E me perco em quereres, meus e, teus sem que saibas...

Eu sei!

Pedro Torres

Inda tardando...

E quando sarar essa ferida no teu peito,
Talvez, estejas pronta para sarar,
A que fizeste no meu...

Quando parares de buscar a ilusão,
De amar quem não te ama,
E ceder a derrota do amor que te aquecerá.

Calores que buscas sentir em fogareis,
Extintos pelo extintor vida,
Que não se cuida da validade do pó.

E quando em prantos te afogares,
Encontrarás a mim que mergulhei,
No teu imenso infinito e permaneci.

Não é mercadoria de moda, de estação,
Estará ainda na prateleira da vida,
Quando tiveres com quê pagar.

Mas, cuida pois estará lá, mas,
Será quanto mais fresco o quanto antes, o
Comprares.

Tenho um coração repleno de ideais,
Sinto há tempos a dor de nós dois,
Em abraços e choros e gozos...

Sinto, também, às vezes,
Vontade de correr moleque,
Apenas pelo prazer do vento na cara...

E aquela sensação, sem preço, de mover-se.

Pedro Torres

Augusto dos Anjos, apaixonado.

Quadras

Embala-me em teus braços,
De amores bons à sombra -
Quero em cheirosa alfombra
Pousar os sonhos lassos!

Teus seios, oh! morena
- Relíquias de Carrara -
Têm a ambrosia rara
Da mais rara verbena.

Aperta-me em teu peito,
E dá-me assim, divina,
De lírios e bonina
Um veludíneo leito.

Assim como Jesus,
Eu quero o meu Calvário
- Anelo morrer vário
Dos braços teus na Cruz!

Por que não me confortas?!
Bem sei, perdeste a olência,
Morreu-te a redolência,
Alma das virgens mortas -

Mas não! Apaga os traços
De tão funéreo aspeito...
Aperta-me em teu peito,
Embala-me em teus braços!

Augusto dos Anjos, apaixonado.

No mural que só se mantém restrito Pra pegar outro tolo apaixonado

Como fosse o quintal de uma esfinge
Onde quem não decifra ela devora
Seu mural de recados toda hora
Um passante inocente ela atinge
Os antigos recados que restringe
Pra enganar algum besta ali parado
Que só vê um ou outro seu recado
Junto a outros recados, lá escrito
No mural que só se mantém restrito
Pra pegar outro tolo apaixonado

Pedro Torres

Garimpeiros de rimas...

Para garimpar sorrisos
Não faz uso da bateia
O poeta no improviso
Traz a rima pra plateia
Para coroar de risos
Certas tristezas plebeias.

Pedro Torres

sábado, 26 de janeiro de 2013

Destes plurais

E, se os poetas amassem
Da forma como queriam
Cada vez que se acordassem
Os sonhos seus dormiriam

Poetas sonham acordados
Vivendo em mundos de sonhos
Se não fossem assim amados,
Que seriam dos risonhos?

Estes 'experts' das lonjuras
Das distâncias, todas elas,
Viveriam das loucuras
De viver distante delas

Pedro Torres

No mural que só se mantém restrito Pra pegar outro tolo apaixonado

Como fosse o quintal de uma esfinge
Onde quem não decifra ela devora
Seu mural de recados toda hora
Um passante inocente ela atinge
Os antigos recados já restringe
Pra enganar algum besta ali parado
Que só vê um ou outro seu recado
Junto a outros recados, lá escrito
No mural que só se mantém restrito
Pra pegar outro tolo apaixonado

Pedro Torres

Galopes III

Morena bonita de vestido lindo
Olhando o infinito pisando na areia
No teu infinito, olhar de sereia
Numa bela tarde as ondas ouvindo
E a bruma leve teus pés recobrindo
Que música suave do meu poemar
Jamais poderia a ti declarar
Em versos tão pobres, pobre sonhador
Que diga a beleza de todo esplendor
De tu colorindo as cores do mar

Esse teu vestido tão curto e bonito
Tu o enfeitavas mais que ele a ti
Da morna maresia que eu senti ali
O calor mais terno do Ser Infinito
A brisa da praia cumpria o seu rito
Pra bem de 'levinha' te acalentar
Num dia propício de sonhos sonhar
Os teus pés descalços sentindo a areia
Como a jangada que mar serpenteia
Te serpenteava's na beira do mar

Pedro Torres

Candeias

É imensa, é gigante, e eu não queria
Sentir nem um tanto do que sinto
Da saudade do beijo do absinto
Que me davas com toda fantasia

Passam horas e horas, passa o dia
Meu querer, de querer-te inda faminto
Não se farta em ausência ou teoria
Nem das chamas de um fogo já extinto

Pela tênue e lúgubre luz de vela
Vejo vultos passarem na janela
Da lembrança a causar-me mil assombros

Na garganta um grito já quase rouco
Cada dia que passa aumentando um pouco
Da saudade que pesa nos meus ombros

Pedro Torres

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Breves

Falas pouco. Em pausas entrecortadas de silêncios,
Que nada dizem, porque silêncios.
Mas, que silêncios um tudo ou nada, dizem...

Como se a dor afugentasse, tão equivalente
Quanto se saciasse por senti-la, por sentir dela,
Um rescaldo qualquer de vida...

E um gesto, uma voz, abraço de quebrar costelas,
Trouxesse ainda esperança em mais vida,
Como se puxasse pelos cabelos, novamente...

E davam-se os diálogos....
Indagávamos mudos, ouvíamos surdos,
Respostas que nos puxassem, de novo, pelos cabelos.

Até os próximos não diálogos, Breves.

Pedro Torres

Pé no bucho!

Para a seca que se arrasta
Ir-se embora do sertão
(Para o Vinho do sermão)
Pro gado que já não pasta
Peço a Deus que dê um basta
Faça a esperança viva
Cuspindo a 'Santa Saliva'
No sertão formando chuvas
Que até as raríssimas uvas
Quando há chuva se cultiva

Neste inferno tão tacanho
Nós oramos para Deus
Que pelos desígnios Seus
Abasteça o seu rebanho
De chuvas lhes dê um banho
Que nesse tempo tão rude
Deus de toda a plenitude
Para nós mande a invernia
E sem ter velhacaria
Faça esborrotar açude

Na continuação eu peço desculpas pela irreverência, mas como disse o Poeta Manoel Filó: 'Quem pratica um ato errado / Dependendo da pessoa / Mesmo que seja pecado / Com certeza Deus perdoa.'

Pedro Torres

Cai um pingo de chuva no sertão Pra florir um broto de esperança



No sertão maltratado pelo estio
Quando cai pelo chão a chuva santa
Uma flor bem bonita se levanta
Como fosse a natura em arrepio
Por motivo da terra sentir frio...
Tira a seca do trono da matança
Pra dizer-nos do tempo de bonança
Faz zoada no tambor de um trovão
Cai um pingo de chuva no sertão
Pra florir um broto de esperança

Pedro Torres

Esse vírus em mim já não tem cura A doença que tenho é a saudade.

Resolvi visitar um bom doutor
Pra saber o que tá acontecendo
Eu sentindo uma parte já morrendo
E a outra igual a uma flor...
Onde as pétalas caindo, já sem cor
O seu caule sem vida sem vontade
Eu não sei se é maligno ou tem “bondade”
Os remédios não servem na “mistura”
Esse vírus em mim já não tem cura
A doença que tenho é a saudade.

O doutor afirmou com a certeza
Que esse vírus se expande bem ligeiro
Que não tem injeção e nem dinheiro
Que transforme de novo essa beleza
Não possui nenhum ser com a riqueza
Pra sair dessa sua enfermidade
Nosso corpo todinho ela invade
E causando na gente uma frescura
Esse vírus em mim já não tem cura
A doença que tenho é a saudade.

Os sintomas são sempre repentino
Febre alta, um vazio no coração
Uma angústia uma triste solidão
Já não sei qual será o meu destino
Não consigo entoar meu próprio hino
Causa assim uma grande crueldade
Eu queria um pouquinho de piedade
Mas a vida não deu outra abertura
Esse vírus em mim já não tem cura
A doença que tenho é a saudade.

Dayane Rocha

‘’Aqui jaz uma vítima do amor.’’

Eu já disse a você, ainda repito
Pois, sentir sem dizer é um tormento
Mas, você ignora o sentimento
Duvidando de um amor grande e bonito

Eu não vou afirmar, mas, acredito
Que você quer me ver no sofrimento.
Declarar meu amor sem fingimento
E lhe ver duvidar do que foi dito

Pelo jeito só vai levar a sério
Quando vir meu caixão, e o cemitério
Recebendo o mais novo morador

E escrito no mármore esculpido
Pra quem ama e não é correspondido:
‘’Aqui jaz uma vítima do amor.’’

Cicinho Moura

Que não há neste mundo um só 'remédio' Que nos livre da dor de uma saudade

Não importa o tamanho dessa dor
Se nos dói por sentir amor ausente
“Não há cura pra isso, infelizmente...”
nem que queira o mais ínclito doutor
E até com os recursos todos ao dispor
Por saber dessa dura realidade
Que nos dói sem dó nem piedade
Seja grande, enorme, ou mesmo médio
Diz: não há neste mundo um só 'remédio'
Que nos livre da dor de uma saudade

Não há cura, porém, se alivia...
Se a ausência se dá só por distância
Pra passar, talvez, um pouco a ânsia
Dê um beijo que é a anestesia
Mas, não tente passar com poesia
Que a dor só lhe aumenta a vontade
Se a lembrança de um amor lhe invade
Lhe encontra e causa imenso tédio
E não há neste mundo um só 'remédio'
Que nos livre da dor de uma saudade

Nos andares do prédio do amor
Você pode tentar pela garagem
Esconder-se da dor pela passagem
Mais estreita de um largo corredor
A saudade sobe de elevador
E lhe pega no andar da ansiedade
E os degraus só alcançam até metade
Que é grande a altura desse prédio
Que não há neste mundo um só 'remédio'
Que nos livre da dor de uma saudade

Não conheço no mundo um curandeiro
Que nos livre do feitiço do amor
Nem existe o tal beijo matador
Que conserte a ausência de um cheiro
Se não for o real e derradeiro
Bem molhado e cheio de verdade
Com respeito, amor, sinceridade
Talvez,  passe por este intermédio
Mas, não há neste mundo um só 'remédio'
Que nos livre da dor de uma saudade

Pedro Torres

VERSO DO DIA (Pelo Poeta Nal Nunes)

Bernardo Nogueira, da cidade de Teixeira-PB, no século passado sagrou-se como um dos mais afamados improvisadores. Certa vez, deram uma "espinha de peixe", ( turutututututu) talvez para testar mais ainda sua capacidade de improviso. Ele, incrivelmente, disse:

TURUTUTUTUTUTU:

Fui a uma farinhada
Na aldeia dos tapuias
De cento e cinquenta cuias,
Já vi que farra animada!
Tinha mandioca raspada,
Farinha quente, beiju
A roda do caititu
Era grande, era pesada
E a cevadeira danada,
Turutututututu.

Bernardo Nogueira.

Autor do texto e resgate poético: Poeta Nal Nunes

Eu quis te dizer...

A lágrima é o argumento da alma, eu quis te dizer...

Que percebas em um Raio de Sol inesperado
Que atravesse as frestas de uma janela
E cruzem o ambiente...

Sente as partículas suspensas no ar?
São restos de ti, da poeira que somos...

Não sou o centro do universo, não somos.
Na nossa insignificância, somos iguais,
Como estas partículas bailando no ar...

São partes de nós, de hoje e de ontem,
E há partes de mim, de ti, e de tudo lá.

Sopra-as e não se desfazem, alimenta-as de ti...
Que venhas, pois, quão Raio de Sol na manhã clara,
Ou à tardinha, mas não tarda.

Tens minha honra e meu respeito, eu zelo,
Quero tua força restabelecida, a que vi.
Conheço a tuas essência sagrada, está intacta,
Te ofenderam à carta, do lacre íntimo, na pele,
Rasgaram-te, estás rasgada, e sangrando...

Oferta-me a tua lágrima verdadeira,
Derramada, de amor. Quente.
E eu te amo ainda... E terno, e bom.

Ainda naquela festa, estavas toda sorrisos...

Lembra-te do olhar amigo que te investigara?
Não havias de esconder...  Porque apenas tu não percebes?

E se vim à prosa, e aqui compreendeste,
Pois que compreendas que não vi tua prosa,
E te compreenderia melhor em prosa,
Do que em teu Poesia, eu quis te dizer...

Pedro Torres

Se te bater no juízo...

No mote do Pe. Brás.

Se te bater no juízo
De tu quereres voltar
Venhas sem nem me avisar
E não me escondas teu riso
Ele é tudo o que eu preciso
Pra te receber sorrindo
Mas, eu vou te advertindo
Não faças muito barulho
Sacudindo o teu orgulho
Que a minha dor tá dormindo.

Pedro Torres

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Assim

Me ame, mas ame bem devagarinho.
Me ame bem de levinho...
O vento só transporta as coisas leves.

Pedro Torres

Que viver sem você é não viver Que morrer sem te ter é descansar

Pela grandiosidade do mote eu penso que seja da Poetisa Dayane Rocha, foi quem me apresentou, mas criou em um momento de alta inspiração e não recorda.

Na lembrança eu trago o teu carinho
E minh'alma por dentro semimorta
Tua ausência que tanto desconforta
Cada instante que eu fico sozinho
Mas, eu sigo trilhando o meu caminho
Sem saber bem ao certo onde vai dar
Não desisto, porém, de te encontrar
Na leveza que eu trago no meu ser
Que viver sem você é não viver
Que morrer sem te ter é descansar

Pedro Torres

Alimento-me da tua lembrança
Pois sem ti, os meus dias são sem cores
Quando acordo, te vejo em meus louvores
Quando durmo, te sonho em esperança
O meu pão tem sabor da confiança
De um dia contigo namorar
Se a vida este prêmio me negar
Eu prefiro bem antes perecer
Que viver sem você é não viver
Que morrer sem te ter é descansar.

Dayane Rocha

Ondas do mar...

Às vezes eu fico triste
Parece um como represa
Represa de coisas que passam
E que ficam.

De coisas que por leveza
Foram levadas pelo vento
Ou por arrogância minha

Como é minha a arrogância
E também o egoísmo, pesaram...
Tenho isso.

O que ficou e um pouco de sorte
Que também tens. E sei que vens
vais...

Essa dor em mim...
Como o inexorável movimento
Das ondas do mar

A bruma nos faz algum carinho
Se nos prostramos a isso,
A esperar.

Um pouco de paciência e ela vai
Enquanto esperamos ir...
Lembramos que voltam,

As ondas do mar...

Pedro Torres

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Só ficaram presentes de nós dois Estilhaços de sonhos na lembrança

Na vidraça do meu peito ferido
Uma marca do teu batom vermelho
Que o vapor do chuveiro no espelho
Faz lembrar do romance acontecido
Nessa história escrita sem sentido
Inda trazem as marcas da mudança
Que fizeram quebrar nossa aliança
E o rancor se instalou logo depois
Só ficaram presentes de nós dois
Estilhaços de sonhos na lembrança

Pedro Torres

Quando batem as seis horas

No mote do Poeta Alexandre Morais eu disse:

Faz-se um silêncio profundo
Aproxima-se a hora calma
É quando se sente n'alma
O ser ficar mais fecundo
No globo vil tão rotundo
Que se vive das escoras
Já farto dessas demoras
Corre a lágrima fugidia
Sentindo o peso do dia
Quando batem as seis horas

Pedro Torres

Pois, nas causas perdidas do amor Todo dia eu aprendo um pouco mais

O teu beijo é punhal bem afiado
Faz o caso de amor sem solução
Num processo na corte da paixão
Certamente eu seria condenando
S'eu provar desse teu beijo molhado
Vou cumprir a perpétua em alcatraz
Mas, eu quero ele assim, e aliás
Bem cravado em meu peito sofredor
Pois, nas causas perdidas do amor
Todo dia eu aprendo um pouco mais

Pedro Torres

Ficha limpa o amor eu sei que tem
As razões na defesa são potentes
E ao saber que tem bons antecedentes
Já mais teme injustiça de ninguém
Testemunhas fajutas não convém
Se são vistas nas leis contratuais
Mas no núcleo das cláusulas sensuais
Não tem forças nenhuma de impor
Pois, nas causas perdidas do amor
Todo dia eu aprendo um pouco mais

Heleno Alexandre.

Quem nasceu pra voar e faz seu ninho Também sabe encontrar um novo galho

Inspirado numa música dos Nonatos eu fiz:

Vou furar uma latinha de cachaça
Na caneta da saudade traiçoeira
Botar fogo na lenha da lareira
Pra levar minhas dores na fumaça
Se mais tarde andando pela praça
Eu sentir o calor de um agasalho
Que me queime no frio desse orvalho
Vou arder com todo meu carinho
Quem nasceu pra voar e fazer ninho
Também sabe encontrar um novo galho

Pedro Torres

Inda tenho em meu peito uma ferida Sem querer sempre volto a machucar.

No mote da Poetisa Dayane Rocha eu fiz:

Certos dias a saudade me apavora
Sinto o cheiro bem forte do perfume
O motivo maior do meu queixume
Que seu corpo exalava, muito embora
Eu não sinta mais o cheiro de outrora
Sinto a dor no meu peito maltratar
Vou ao bar 'tomar uma pra passar
Mas, não passa e fica até mais dolorida
Inda tenho em meu peito uma ferida
Sem querer sempre volto a machucar.

Pedro Torres

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Depois que a chuva voltou.

No mote de Dedé Monteiro, o Poeta:

Ficou correndo alegria
Nas manhãs da minha terra
Pois, no inverno se encerra
Um período de agonia
O sapo lá 'cantou' gia
A gia um sapo 'cantou'
Um com o outro se casou
Deram cria as ‘giazinhas’
Alegrando as manhãzinhas
Depois que a chuva voltou.

A mãe natura fez festa
Para o seu pródigo filho
Já que o inverno andarilho
Retornou para a floresta
No bredo se ouve a seresta
Que a seca antes calou
Pois, quando o trovão zoou
Na zabumba do infinito
Acabou-se o esquisito
Depois que a chuva voltou.

Na primeira trovoada
Foi tão grande a algazarra
Que até calou-se a cigarra
Também 'a' carão calada
Sentindo a chuva gelada
Do descanso se acordou
O seu canto, assim, soltou
A seca que lhe prendia
Decretou-se a alforria
Depois que a chuva voltou.

A nhambu deitou madorna
Sentindo o santo bulcão
Pois, que a seca no sertão
Morreu nessa tarde morna
Caatinga ora se adorna
Nas cores que o céu pintou
Deste verde que injetou
Nas folhinhas da jurema
Pela veia do xilema
Depois que a chuva voltou.

A sede que ali matava
Morreu de sede também
E agora o 'vai-e-vem'
Que a seca afugentava
Fez que foi numa oitava
Na metade recuou
Sertanejo se alegrou
Já solta sorriso à toa
Sentindo uma coisa boa...
Depois que a chuva voltou.

A vaca lambendo a cria
Que a seca ‘stava lambendo
E o caldeirão fervendo
Cozinhando aquela gia
Somente na poesia
Pois, o leite já 'qualhou'...
O 'bodin' 'quage' engordou...
Vai é ter coalhada em casa
Com esse ‘bodin’ na brasa
Depois que a chuva voltou..

Pedro Torres

O sapo que não cantava
Na orquestra do jardim
Na tristeza botou fim
Fez sorrir o que chorava.
E eu só me admirava
Co'o canto que'le entoou.
A ventania espalhou
O coro da saparia
Aí ninguém mais dormia
Depois que a chuva voltou.

O bem- te- vi que não via
Cantou: "bem-te-vi" de mais,
Beija-flor voou pra trás
Vendo a água que escorria.
Um furão que já dormia
Deu um pinote e acordou,
A mão de deus reformou
A caatinga adormecida
E a natura ganhou vida
Depois que a chuva voltou.

O sertanejo invencível
Ajoelhado no chão
Implorou por compaixão
Pelo sofrimento horrível.
Mas pra deus tudo é possível
Um trovão ele escutou,
Deu um sorriso e chorou
Lavando a face de fé,
Voltou a ficar de pé
Depois que a chuva voltou.

Elenilda Amaral

O sinal foi uma flor
No mandacaru aberta
É a mostra mais que certa
Que tá perto o fim da dor
Vamos ter mais de uma cor
Na caatinga que secou
O pasto se levantou
A cacimba ficou cheia
A barragem ficou meia
Depois que a chuva voltou

Hoje está tudo mudando
Diz o velho sertanejo
No sertão também eu vejo
O matuto festejando
Vendo o verde levantando
Com a chuva que molhou
Asa Branca retornou
O sapo canta contente
Ficou feliz nossa gente
Depois que a chuva voltou

Cada gota que caiu
Com reza foi recebida
Pela gente tão sofrida
Que nesta hora sorriu
Para Deus se dirigiu
Agradecendo chorou
Dizendo assim, graças dou,
Por salvar o meu torrão
E também molhou o chão
Depois que a chuva voltou

Wellington Rocha

Sertão chegou tua vez
De sentir felicidade
Depois de toda maldade
Que a seca ingrata te fez
Com as chuvas desse mês
A quentura amenizou
E o sertanejo vibrou
O fim desse tempo estio
Já planejando um plantio
Depois que a chuva voltou.

Daqui pra frente a caatinga
Começa a ficar mais bela
Mostrando a beleza dela.
É assim que ela se vinga!
E cada gota que pinga
Na plantinha que murchou
É como se fosse um ''gol''
Do do astro do infinito
Pra tudo ficar bonito
Depois que a chuva voltou.

Assim não se ouve mais
Lamento, reclamação,
Nem choro em televisão
Nas manchetes dos jornais
Muda tudo, e aliás
Onde ainda não mudou?
Por aqui já começou!
E o sertanejo valente
'Tá' até mais sorridente
Depois que a chuva voltou.

Com essa chuva esperada
E o inverno na ativa
A vegetação nativa
Fica mais esverdeada
Multiplica a passarada
Que nunca mais entoou
Bacurau que não cantou
Nas estacas dos currais
Canta até não querer mais
Depois que a chuva voltou.

Cicinho Moura

Logo que a chuva surgiu
Molhando nosso sertão
O som do pássaro carão
Lá na lagoa se ouviu
A velha acauã fugiu
O seu canto se calou
O sertanejo louvou
A Deus pelo fim do drama
Onde era poeira é lama
Depois que a chuva voltou

O sertanejo contente
Começa arar seu roçado
Tem muito pasto pra o gado
Que estava magro e doente
O semeio da semente
Também já se iniciou
Alegria retornou
Por ali ninguém mais chora
A tristeza foi embora
Depois que a chuva voltou!

Hoje é a realidade
Onde só era esperança
O jovem, o velho, a criança
Esbanja felicidade
Quem sofreu necessidade
De comida se fartou
A fome se afastou
Tem almoço janta e ceia
Fartura e barriga cheia
Depois que a chuva voltou

O abutre se esnobava
Ao devorar as carcaças
Bem feliz com as desgraças
Que a seca provocava
O luto se espalhava
Mas o tempo ruim passou
O gado todo engordou
Quando o pasto floresceu
Urubu emagreceu
Depois que a chuva voltou!

Carlos Aires

A seca por ser feroz
Nesse sertão sofredor
Os homens trabaiador
Saíram dele veloz
Ninguém ouvia sua voz
Mais Deus também se alembrou
Asa branca retornou
Com o ronco do trovão
Veio de novo ao sertão
Depois que a chuva voltou.

Os rios agora correndo
Água de novo juntando
O povo se animando
Não guentava tá sofrendo
Mas agora tá chovendo
Todo mundo se animou
A natureza cantou
A sua santa riqueza
Aumentando a beleza
Depois que a chuva voltou.

A safra tá pra chegar
Pois a água floresceu
Rosinha “endoideceu”
Quando falou em casar
Ela feliz vai ficar
Luizinho já ficou
Na canção anunciou
Que vai ser no fim do ano
Já bolaram até um plano
Depois que a chuva voltou.

Os besouros estão voltando
Os sapos já comemora
Um casal que se namora
Um no outro esquentando
O pai fica vigiando
Os olhos arregalou
A menina se encantou
A moça dali fugiu
E pra casa ressurgiu
Depois que a chuva voltou.

A mata se recobriu
O povo ficou contente
A terra tá sorridente
E novamente floriu
Depois que a vaca pariu
A cria se levantou
Depois lhe amamentou
Ela ficou protegendo
Alegre saiu correndo
Depois que a chuva voltou.

Agricultor agradece
Por ter chuva no seu chão
Pra molhar a plantação
Ele fez a sua prece
O seu patrão obedece
E também já lhe pagou
Uma pinga ele tomou
Antes de chegar em casa
Já tinha carne na brasa
Depois que a chuva voltou.

Quem tá longe alegre fica
Pela a chuva do sertão
Em jornal, televisão
Ver a terra ficar rica
Pra tomar banho de bica
Até vó se animou
De alegria até chorou
Pois está tudo molhado
Vai plantar no seu roçado
Depois que a chuva voltou.

Dayane Rocha

É flash pra todo lado E uma zabumba tocando

Nuns versinhos de improviso com a poetisa Dayane Rocha saiu:

(com perdão dos pé-quebrado...)

D
O céu muda sua cor
Como na experiência
Vai ter chuva com frequência
Aqui no interior
No rádio, computador
Já tá tudo anunciando
O sertão se animando
E o povo tudo animado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

P
É são Pedro anunciando
Que vai tirar um retrato
Para o cidadão do mato
Ir a terra preparando
Vez em quando serenando
Pra encher de esperança
Coração entra na dança
Ouvindo o som do tambor
Decretando o esplendor
De um tempo de bonança

D.
Passando a seca tão rude
Vem o tempo de fartura
Pra ver preá, tanajura
E água enchendo açude
Inverno na plenitude
Alegrando o sertanejo
São os retratos que vejo
Colorindo esse quadro
A terra formando um adro
E o povo todo em festejo

P
Tantas almas quase mortas
Depois de tanto verão
Que o açude do coração
Tinha fechado as portas
Mas agora eu vejo as hortas
De água sendo regadas
E o trovão fazer zoada
Depois de fazer clarão
Parece até ser ‘JOÃO’
Abrindo do céu comportas

D
Um barulho tão bonito
Lá do céu já vem surgindo
Uns tem medo vão dormindo
Outros acham esquisito
Espantando até mosquito
As nuvens se derrapando
Relampo anunciando
O trovão vai ser danado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

P
Escutando a gritaria
Dos anjos todos no céu
Saem retirando o véu
Que a seca antes vestia
Vai chegando a invernia
A paisagem colorando
E o verde novo brotando
No baixio semimundando
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando

P
Já foi dada a largada
Pra corrida do inverno
Seca corre do inferno
Chuva chega de lapada
E no céu toda a zoada
De uma nuvem estourando
O céu de prantos rasgando
O choro antes guardado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando

D
Eu fico toda contente
Quando isso acontece
A mão de Deus é quem desce
Me inspira no repente
Interessante essa gente
Que quando tá trovejando
Fica tudo amarelando
Pense num medo danado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

P
O trovão só nos dá medo
Porque não temos costume
Mas é a seca com ciúme
Da chuva molhando o bredo
Pro flash não tem segredo
Quando o céu sai clareando
É o relampo soltando
O que estava entalado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando

D
A chuva cai na biqueira
Um pingo em cima da cama
Painho logo reclama
Nunca viu tanta goteira
Se parece com peneira
Bacias se espalhando
A paciência acabando
E os troço tudo molhado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

P
Quando zoa a chuva santa
Fazendo grande algazarra
Cala o choro da cigarra
Que do barulho se espanta
Soltando o nó da garganta
Que a seca tava engasgando
As nuvens ficam chorando
Soltando pingos gelados
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando

D
Tem chuva tem alegria
Tem colheita, plantação
Uma boa irrigação
Cai do céu nessa invernia
Os pássaros cantam de dia
A noite já tão sonhando
Logo cedo acordando
Cantando bem embalado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

P
Quando a luz dá sinal
Nesse flash do infinito
Faz um clarão bem bonito
De brilho fenomenal
Como se fosse o cristal
Da máquina fotografando
Com São Pedro retratando
A cena do céu nublado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando

D
Uma torneira ligada
Pra molhar esse sertão
Com essa transposição
Dilma tá é desligada
Se acalme camarada
Deus pra nós está olhando
Você não tá se importando
Mas aqui nesse roçado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

P
Já se passou a eleição
E o voto perdeu valor
Mas a nuvem furta-cor
Vem colorindo o sertão
Não fazer transposição
Só dinheiro derramando
Deixa o sertão lamentando
Por ter em você votado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando

D
Um matuto bem feliz
Quando começa a chover
Eu já começo correr
Mãe me chama de infeliz
Num é assim que se diz
Mas por mim pode ir rezando
Que eu não tô nem ligando
Muito menos preocupado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

P
Quando a seca apavora
Nesse meu sertão querido
Vê-se o chão bem ressequido
Ardendo de mundo afora
Mas, um dia chega a hora
De ver o tempo mudando
E uma rã anunciando
O inverno foi decretado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando

D
É o frio fazendo a festa
Se “aprochega” com a saudade
Um moleque em liberdade
E um véim franzindo a testa
Numa vida feita esta
Quero tá me enrolando
Noutro ser tá se esquentando
E dormir agasalhado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando..

Pedro Torres e Dayane Rocha

E os sentimentos jogados Na calçada da saudade

No mote da conterrânea Gerlane Brito eu disse:

Estas tuas juras vãs
Que desfilas em avenidas
São só promessas fingidas
Que dizes todas manhãs...
Sem ligar pros amanhãs
E até sem sentir verdade
Nessa rua da vontade
Vi meus desejos lançados
E os sentimentos jogados
Na calçada da saudade

Pedro Torres

É consequência do olhar...

A paixão vem do desejo
O cheiro vem da vontade
Da distância sem saudade
Do gosto doce do beijo
Da trocação de sobejo
Da vontade de abraçar
De no fogo se queimar
De se arder por toda a vida
Mas, a lágrima incontida
É consequência do olhar...

Pedro Torres

E fiquei sentindo o cheiro Do cheiro que não dei nela

Na primeira ligação
Lá pelo mês de setembro
Cada instante eu inda lembro
Por sentir meu coração
Aumentando a pulsação
Sentindo saudade dela
Mandei um cheiro pra ela
Nesse contato primeiro
E fiquei sentindo o cheiro
Do cheiro que não dei nela

Pedro Torres

A mulher que eu amava foi embora A saudade me mata a passos lentos

No mote do Poeta Manoel Filó, meu padrinho:

Um segundo pra quem sente saudade
Só parece durar mais de um mês
Toda vez que me lembro de quem fez
Pouco caso de uma felicidade
Se mudou pra viver noutra cidade
E eu fiquei na cidade dos tormentos
SAUDADENSE ficou nos documentos
Registrando o lugar que vivo agora
A mulher que eu amava foi embora
A saudade me mata a passos lentos

Pedro Torres

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tatuei as lembranças do passado Pra borracha do tempo não limpar.

Ainda pelejando no mote da Poetisa Erivoneide Amaral eu fiz:

Tatuei as marcas desse amor
Desenhadas no símbolo do infinito
Nossa história de enredo tão bonito
Foi gravada por um tatuador
No meu ombro eu gravei de rubra cor
O teu cheiro e o gosto de te amar
E o teu jeito tão lindo de me olhar
Fiz no peito de sonhos tatuado
Tatuei as lembranças do passado
Pra borracha do tempo não limpar.

Pedro Torres

Deixei marcas expostas de nós dois
pra que nada se desse por perdido
esse amor que era bom e escondido
exibimos pro povo só depois
pra dizer a notícia ele se pois
mas depois começou a se afastar
esse elo entre nós, tentou quebrar
super bond colou e bem colado
tatuei as lembranças do passado
pra borracha do tempo não limpar.

Dayane Rocha

Apesar desse término repentino
Eu aceito esse fim, infelizmente
Pois não tenho poder suficiente
Pra lutar contra a força do destino
Mas o toque do seu cabelo fino
O seu cheiro e a forma de amar
Toda vez que insisto em relembrar
O coração chega bate acelerado
Tatuei as lembranças do passado
Pra borracha do tempo não limpar.

Cicinho Moura

Galope

P. Fogueira queimando a noite inteira...
C. Aquece a lembrança do nosso passado
P. A brasa queimando no fogão pecado
C. Renasce a saudade, quer queira ou não queira
P. Quando te abraçava naquela fogueira
C. Sentindo no peito o fogo à queimar
P. Fazendo meu peito mais forte pulsar
C. Queimando meu sonho da doce ilusão
P. Que ainda morava no meu coração
C. Fazendo fumaça na beira do mar

Pedro Torres e Cicinho Moura

C. Morena formosa de pele macia
P. Que passa atiçando as minhas virtudes
C. Mas, tenha cuidado com tais atitudes
P. Que para o amor não tem teoria
C. Eu ter te encontrado foi grande ironia
P. Pois, eu não buscava o amor encontrar
C. Mas, deu na medida de a gente se amar
P. A minha metade do lado de fora
C. Mostrando ao mundo que a gente se adora
P. Cantei meu galope te amando no mar

Cicinho Moura e Pedro Torres

P. Quando o teu olhar bateu com o meu
D. Eu senti o meu mais forte brilhando
P. Teu lindo sorriso eu admirando
D. As mãos enganchadas no cabelo teu
P. Quando te beijei meu corpo ferveu
D. Senti tuas mãos meu corpo tocar
P. E a gente se amando na luz do luar
D. Teu corpo suava e o meu só gemia
P. A gente fazendo a linda poesia
D. Cantando distante da beira do mar

Dayane Rocha e Pedro Torres

P. Correndo o sertão bela vaquejada
D. Eu vi o meu mundo mudando de cor
P. Correndo o bordado pelo corredor
D. Aboiando e guiando a grande boiada
P. Voando baixinho nessa cavalgada
D. Esperando esse prêmio da vida ganhar
P. Sentindo o galope o meu corpo tomar
D. Tentando esquecer da doce ilusão
P. Eu vejo o boiato cair pelo chão
D. Caindo na faixa bem longe do mar

Pedro Torres e Dayane Rocha

Vem o choro da nuvem carregada Traz de volta o sorriso do sertão.

No sertão quando a seca apavora
Sertanejo padece o sofrimento
No horizonte bem triste o firmamento
De tristeza profunda também chora
De chover no sertão não vê-se a hora
Pra acabar de uma vez a aflição
Faz-se a reza bem forte pro trovão
Despejar sua lágrima encantada
Vem o choro da nuvem carregada
Traz de volta o sorriso do sertão.

Pedro Torres
Mote de Erivoneide Amaral

Todo valentão tremia Na mão do rei do cangaço!

No mote do Poeta Manoel Ferreira:

Uma perigosa fera
Justiça em carne viva
Por essa perspectiva
Era isso o que ele era
Lampião essa pantera
A vergonha no espinhaço
Também um facão de aço
Na cintura ele trazia
Todo valentão tremia
Na mão do rei do cangaço!

Das veredas justiceiro
Não temia a maldição
Do cangaço no sertão
O capitão cangaceiro
Até mesmo no estrangeiro
Sua fama tem espaço
E fatiava em pedaço
Para mostrar valentia
Todo valentão tremia
Na mão do rei do cangaço!

Juntava reis da preguiça
Por dentro do 'aveloz'
Na caatinga feroz
Para fazer sua liça
Era pra fazer justiça
Que durante seu andaço
Para não ter embaraço
Ali mesmo ele fazia
Todo valentão tremia
Na mão do rei do cangaço!

Pedro Torres

Depois de chorar por ti Resolvi sorrir sozinho

No mote da conterrânea Maria Antônia Siqueira eu disse:

Você partiu, me deixou,
Eu me perdi nessa estrada
E o frio da madrugada
Foi o que mais incomodou.
Quando a lágrima rolou,
Senti faltar seu carinho.
Que eu sigo este caminho
Se tem outro, eu esqueci...
Depois de chorar por ti 
Resolvi sorrir sozinho

Pedro Torres

Eu senti uma lágrima cristalina No mais doce sabor que tem no mar.

Numa tarde vazia de domingo
Eu sai para caminhar na praia
As meninas passando, tanta saia
Tantas cores que eu sequer distingo
Depois disso eu senti cair um pingo
Dessa água que veio de algum lugar
A saudade no peito a me rondar
Como fosse uma ave de rapina
Eu senti uma lágrima cristalina
No mais doce sabor que tem no mar

Quantos versos de amor eu fiz chorando
Esperando que uma dor passasse?!..
Mas, a lágrima que em meu peito nasce
Sai das margens de um peito sangrando...
Me peguei várias vezes em ti sonhando
Com teu jeito bem firme de abraçar
Com o calor que havia em teu olhar
E o brilho que tardas na retina
Eu senti uma lágrima cristalina
No mais doce sabor que tem no mar

Pedro Torres

No momento final da despedida
Quis provar outra vez da sua boca,
Minha alma sem ti já tava "oca"
Mesmo antes de ver tua partida.
Você veio, me olhou, disse: querida
Descobri que não posso te amar
Não mereces que eu fique a te enganar
Namorando uma outra noutra esquina:
Eu senti uma lágrima cristalina
No mais doce sabor que tem no mar

Te beijei pra guardar como lembrança
O sabor mais gostoso que senti,
Nesse beijo final eu percebi
Que esvaia meu resto de esperança.
Foi um beijo sem gosto e sem cobrança
Nem o mel poderia lhe adoçar,
Mesmo assim fiz questão de te beijar
Pra não ter um ataque de angina
Eu senti uma lágrima cristalina
No mais doce sabor que tem no mar.

Elenilda Amaral

Vendo tudo só na televisão.

Nunca mais se ouviu: 'AÇUDE SANGROU'
A maior alegria de sertanejo
Eu procuro uma nuvem, mas não vejo
Pra saber por que ela nos deixou..
Nunca mais a chuva aqui chorou
Com saudade de ver água no chão
É a seca assolando o meu sertão
E a Dilma, presidenta da desgraça
Nessa seca infeliz que hoje passa
Vendo tudo só na televisão.

Pedro Torres

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hoje eu quero sonhar bem acordado Já que quando eu sonhei tava dormindo

Eu sonhei com nós dois a noite inteira
Numa cena de amor linda demais
Os teus beijos molhados, toda paz
Do barulho da chuva na biqueira
E a luz refletida da lareira
Na camisa que vi você vestindo
Acordei desse sonho já sorrindo
Mas, você não estava do meu lado
Hoje eu quero sonhar bem acordado
Já que quando eu sonhei tava dormindo

Pedro Torres

Antes de me deitar fiquei pensando
No teu jeito mansinho de falar
Coração começou a se acalmar
E no sono gostoso fui pegando
Com nós dois bem juntinho vou sonhando
O teu corpo no meu estou sentindo
Cobertor a nós dois está cobrindo
Mas com meu travesseiro agarrado
Hoje quero sonhar bem acordado
Já que quando sonhei tava dormindo.

Foi um sonho de amor que eu sonhei
Foi tão lindo tão puro tão real
Nessa história não tinha "lobo mal"
Mais no bosque contigo até andei
Tua face todinha inda beijei
Mas depois já não tava te sentindo
E por outro caminho fui seguindo
Acordei desse sonho já frustrado
Hoje quero sonhar bem acordado
Já que quando sonhei tava dormindo.

Dayane Rocha

Nos embalos de um sono sedutor
Te senti em meus braços aquecendo,
Tu querendo dormir e eu querendo
Tomar doses infindas de amor.
Envolvidos no mesmo cobertor
Acordei sem querer, do sonho lindo
Não estavas comigo...eu fui sentindo
Que sonhar por sonhar não valeu nada
Hoje eu quero sonhar bem acordada
Já que quando eu sonhei tava dormindo

Nosso encontro de corpos atraídos
emendados no toque de um beijo
Exalando o perfume do desejo
No calor de dois corpos aquecidos.
Nossa cama foi palco dos gemidos,
Mas o sono cruel foi se sumindo
Acordei sem te ter comigo rindo
Fiz questão de tomar uma lapada
Hoje eu quero sonhar bem acordada
Já que quando eu sonhei tava dormindo.

Elenilda Amaral

Se não falo por mim dizendo'a gente' É bem certo que eu estou mentindo...

Desses casos de amor bem indecisos
Que parecem mais chuva no sertão
Que demora a cair água no chão
Quando cai é um pingo, e sem avisos
Faz uns versos falando em improvisos
Que viveu um amor muito do lindo
Se aparece no face é só sorrindo
Disfarçando a dor que também sente
Se não falo por mim dizendo'a gente'
É bem certo que eu estou mentindo...

Pedro Torres

Ágda e Lara

Ágda e Lara*

Dos sabores melhores dessa vida
Não há doce mais doce que se amar
É sentir na respiração contida
O sabor que resiste ao respirar

E se parte, em desdém, lacrimejar
Outra parte tem lágrima incontida
Pois, o sal que tão bem nos salga o mar
Também salga uma lágrima fugida

Ágda e Lara, duas partes de um só
Do cordão que desata-se do nó
Pra soltar toda luz que se contia

Duas almas que Deus fez geminada
No negror deste céu da madrugada
O clarão de uma estrela Poesia

Pedro Torres

Duas primas por afinidade que Deus não achou onde botar tanto amor e poesias que as fez duas.

Mas, se for me esquecer, faz gentileza De esquecer-me, mas, bem devagarinho

Vai ficar tanta coisa de você,
Parecendo até que você ficou
No querer-te amar que em mim restou
Desse caso que finda sem porquê
Te ofereço mil flores de um buquê
Um abraço e um beijo com carinho
Em um dia de sol e um aninho
Pra quem sabe matar toda tristeza
Mas, se for me esquecer, faz gentileza
De esquecer-me, mas, bem devagarinho

Pedro Torres

Eu não posso escolher o que sentir Mas, eu posso escolher o que fazer.

Na frase adaptada de William Shakespeare eu fiz:

O que eu sinto não é nenhum segredo
Você sabe que "Txamo" até demais
Mas, você escolheu não querer mais
E não posso viver só nesse enredo
Lhe confesso que até já senti medo
Mas, a vida foi feita pra viver...
E hoje eu vivo tentando lhe esquecer
Sem saber se sequer vou conseguir
"Eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer"

Bem tu sabes, palavras têm a cor
Dessa tinta que pinta o sentimento
Do que paira na mente, no momento
Que o poeta reclama a sua dor...
Tu negaste a nós dois o nosso amor
E hoje choro sentindo esse sofrer
Que só sinto por teu belo prazer
Nesse verso que nasce sem fingir
"Eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer."

Não percebes o quanto nos amamos
Nossos versos só falam de 'nós dois'?
Dos mesmíssimos, cansados, 'pro depois'
Que no tempo nós dois abandonamos?...
Eu não sei porque já não conversamos
Das palavras que saem sem querer
Num rimado somente pra correr
Do que a gente jamais irá fugir
"Eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer."

E se nos conduzisse novamente
Nosso caso pra corte do amor?
Dessa vez eu seria o promotor
No processo eu faria diferente..
Um abraço de paz, primeiramente
Com um cheiro que pode até arder
Pois, é inútil tentarmos prometer
Sem sabermos sequer como cumprir
"Eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer."

EiTA! quantas juras nós fizemos
Nos pronomes da gente, possessivos
Que falavam dos erros excessivos
De alguns deles, que ainda cometemos..
Dois caminhos difíceis percorremos
Complicados demais ..."pra se dizer"
Se a saudade só vem pra nos bater
Talvez haja um motivo de ela vir
"Eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer."

Nossa história não tem nenhum segredo
Muito embora ter sido "transitório"
Foi gigante em 'termos' do "notório"
Nesse filme de amor sem um roteiro
Mas, te amo é o 'script' verdadeiro
Pois, quem ama não tem o que temer
Nem a morte, pois, mesmo pra morrer
A mortalha do amor irei vestir
"Eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer."

Na balança dos erros cometidos
Você ganha de mim de dez a zero
Já quis muito você, mas, hoje eu quero
Nossos planos de vez ser esquecidos...
"- Recaídas de beijos comovidos?
Lhe garanto não mais acontecer!..."
Nessa história que agora eu vou varrer
Pra distância mais longe que existir
"Que eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer."

Pedro Torres
A última estrofe nasceu em 27.04.2013

"Como é triste essa dor e a solidão
De um amor calejado e traiçoeiro
Minha história é um filme com roteiro
De lamento, de dor e ingratidão
Foi escrita com versos de ilusão
Com palavras rimando sem querer
Mas se nosso senhor me der poder
Eu encontro um caminho pra seguir
Eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer."

Esdras Galvão

*Não entendi as aspas em toda a estrofe, mas, tá valendo.

Eu não posso escolher um sentimento
Mas, se acaso, algum me contagia
Tenho dele total autonomia
Pra guia-lo a favor,ou contra o vento
Não faltou-me atitude um só momento
Mas, se isso algum dia acontecer
Eu farei o possível pra saber
Onde errei,e procuro corrigir
Eu não posso escolher o que sentir
Mas, eu posso escolher o que fazer.

Poeta Cicinho Moura

Como uma borboleta...

Você veio provar das minhas flores
Como faz borboleta em um jardim
Adejou, pairou, e até pousou em mim.
Mas, após saciar-se dos sabores...

...Foi-se embora buscar noutros olores
O cheiro doce que encerra o jasmim.
Nesse campo florido só de amores
Saciou-se os desejos, tudo enfim...

...Delicada e levada por momento
Não nutriu-se sequer do sentimento
Que bem sabe no meu pomar havia.

E, valendo-se da força de algum vento
Foi voar, e talvez por ironia
Hoje nega que eu fui seu alimento.

Pedro Torres

Eu não quero um amor só pelo lance E nem cabe outro alguém no peito meu.

Te amei de uma forma tão intensa
Que perdi por completo o meu juízo
Logo eu que pensei que o paraíso
Fosse o fruto do amar-se a recompensa
Hoje apenas essa falta tão imensa
Que eu sinto desses olhinhos teu
Mas, eu sei que você não mereceu
E não vou insistir nesse romance
Eu não quero um amor só pelo lance
E nem cabe outro alguém no peito meu.

Pedro Torres

E a dor que eu trago no meu peito São as marcas de um amor ferino.

Sou cigano andarilho nessa estrada
Que conhece os perigos do lugar
Muito antes de em um lugar passar..
Mas, um dia me encantei com seu olhar
Como sóis no céu do meu luar
E cai na cilada do destino
Eu sofri pra deixar de ser menino
Hoje sofro depois de homem feito
E a dor que eu trago no meu peito
São as marcas de um amor ferino.

Pedro Torres

sábado, 19 de janeiro de 2013

Maresia

Vou-me embora pro mar!
lá tem as águas salgadas
das praias que me banharei

Vou-me embora pro mar!
vou levar as minhas mágoas
pra lavar naquelas águas

Vou-me embora pro mar
pra levar as minhas dores
e voltar trazendo amores

Vou-me embora pro mar...
vou buscar as alegrias
que eu sei que tem por lá

Vou-me embora pro mar...
Vou-me embora pro mar...
Vou-me embora pro mar...

Pedro Torres

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O Ocaso...

A noite, mãe carinhosa
Sente o filho no abandono
Ouve o sussurro da tarde
Depois, escuta um ressono
Assopra as velas do sol
Deixando a luz bem fraquinha
Vai apagando a tardinha
Pro dia pegar no sono...

Pedro Torres

O silêncio da noite é quem tem sido Testemunha das minhas amarguras

Para a Primeira Dama da Poesia do Pajeú, Severina Branca, eu fiz estas humildes estrofes nos motes dela e no mote da Poetisa, neta de Zé de Cazuza, ou filha do filho dele, Ágda Moura.

Logo agora que amanheceu o dia
O meu peito de dor se escureceu
Me lembrando de quem já se esqueceu
Que me disse jamais esqueceria...
Já não mais me apetece a poesia
E não ouço, também, as falsas juras
Que ouvia nos tempos das venturas
De quem disse jamais ter-se esquecido
O silêncio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Vou sangrando em minh'alma esta ferida
Desta chaga que em mim ficou aberta
No silêncio maior ela secreta
Dos fedores maiores dessa vida!
E assim, por eu ser a mais sentida,
Vou buscando alívio pras torturas
E uma luz que me livre das negruras
Do existir por lembranças perseguido
-No silêncio da noite que tem sido
Testemunha das minhas amarguras¹-

Já não tenho em mim mais esperança
Não consigo brincar de ser feliz
No viver torturante, por um triz,
Eu me lembro de quando fui criança
Só o fel desse peso na balança...
E, se ganho uma bonequinha branca
Vem o cão da saudade e lhe arranca
E nem deixa eu brincar de ser menina...
Que o escuro da vida severina
Foi severo com Severina Branca...

Eu gozei pueris facilidades
Permitidas por via da minha tez
E senti no meu corpo a maciez,
Dos romances de efemeridades...
Depois disso eu só tenho saudades
Que eu sinto como se na alavanca
Da pesada e mui ingrata chibanca
Destocassem as raízes da minha sina
Que o escuro da vida severina
Foi severo com Severina Branca...

Tantas vezes me lembro a alacridade
De uns dias remotos que vivi
Dos amores fugazes que senti
Que meu peito ribomba de saudade...
Eu sentindo a prisão da vil idade
No escuro dessa vida que me espanca
Na lembrança carrasca que me tranca
Nos porões de uma vida de rotina
Que o escuro da vida severina
Foi severo com Severina Branca...

Pedro Torres

¹Licença poética no mote da Poetisa Severina Branca.

Um desate

Inda lembro do nosso último cheiro
Na escada do teu apartamento
Eu deixei contigo o sentimento
E sai como faz um estradeiro

Caminhei à esmo por um dia inteiro
Carregando no peito o meu lamento
Uma pena, um papel e um tinteiro
Eu queria pro registro do momento

Fiz um verso de amor naquele dia
Mas, o vento o levou na ventania
Nossa história marcada por partidas

E chegadas, em um porto comum
Dois corpos separados, e duas vidas
Com o sonho de um dia sermos um...

Pedro Torres

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Foi a flor pelo vento desfolhada

Coloquei teu retrato em um prego
Na parede, lembrando quem eu quis
Você hoje é quem pede pra ter bis
Mas, um bis que a mim mesmo eu me nego
Nosso abraço atado em um nó cego
Era 'eu e tu' e uma cama desforrada
Teu batom na camisa amassada
Pendurada na estante dessa cena
Que me lembra do dia que essa morena
Foi a flor pelo vento desfolhada

Pedro Torres

Facebook...

Estes versinhos foram dedicados a amigas no meu perfil do Facebook

Estes olhos de tons esverdeados
E o batom colorindo a tua face
São detalhes em um verso que nasce
Descrevendo os bosques encantados
São estrelas em um céu lá incrustados
Como fossem também lindos brilhantes
Suas cores de verdes deslumbrantes
Iluminam os dias mais escuros
Nas veredas estreitas de futuros
Brilharão estes olhos fulgurantes

Chuva molha o cabelo da menina
De arrepio, tesão e de vontade
Na paixão mais louca ela arde
Com o sopro da brisa na neblina
Brilha a luz da estrela matutina
O sou quente provendo seu calor
E um cheiro que é dado com ardor
Traz pra ela o gosto de um beijo
Saciando, enfim, todo o desejo
De viver, um intenso e grande amor.

Pedro Torres

Entrelinhas de um rascunho vivido

Uma carta e nada mais...
foi o que restou da despedida
nela toda história contida
até da cama os rituais

Feriram-me feito punhais
a carta e a sua saída
a saída foi mais sentida
pois, o estrago foi demais

Mas, me trás conforto a carta
pois, no conteúdo ela relata
nosso amor em partes iguais

Queria mais, e você negou
e no final só me restou
... uma carta e nada mais...

Poeta André Miron, Tabira 17.01.2013

Sorte do dia: O tempo mata a dor, mas, a danada estrebucha até morrer...

Sorte do dia: O tempo mata a dor, mas, a danada estrebucha até morrer...

Pedro Torres

Quando eu não tiver mais esperança, Em minh'alma eu não mais existirei.

No mote construído numa frase da Poetisa

Lucélia Santos eu brinquei a brincadeira que o Poeta Lima Júnior começou

Nesse imenso vazio que deixaste
Não consigo encontrar qualquer virtude
Pra curar meu viver assim tão rude
Sem saber se sequer tu me amaste
Nesse escuro, porém, vejo o contraste
Nos quereres de amor que eu te jurei
Quanto tempo na vida que esperei
E quebraste de vez nossa aliança
Quando eu não tiver mais esperança,
Em minh'alma eu não mais existirei.

Em minh'alma eu não mais existirei,
Quando eu não tiver mais esperança
Tu quebraste de vez nossa aliança
Todo tempo na vida que esperei
Nos quereres de amor que te jurei
Nesse escuro, porém, vejo o contraste
Sem saber se sequer tu me amaste
Pra curar meu viver assim tão rude
Não consigo achar qualquer virtude
Nesse imenso vazio que deixaste

Pedro Torres

Águas Passadas

Foi divino, foi lindo, foi real
Esse amor que nós dois o destruímos
Tantos erros que nós não discutimos
Mas, o tempo não volta e foi fatal.

Nem havia pra nós qualquer sinal
Pra negar tudo quanto nós sentimos
Hoje à cinzas nós dois nos reduzimos
Conduzindo esse amor pro seu final

Eu não guardo de ti quaisquer mágoas
Como fosse o moinho e suas águas
Não reclamo do tempo sucedido

Também, sei que o final foi prematuro
Mas, não vou esperar nenhum futuro
Que o futuro é só um hoje acontecido

Pedro Torres


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A chuva é quem veste a planta Que a seca deixou despida.

A planta sente saudade
Por sentir-se no abandono
E se despe pelo outono
Por lhe faltar umidade
Antes, pra felicidade
Sentindo a dor da partida
A nuvem na despedida
Desata o nó da garganta
"A chuva é quem veste a planta
Que a seca deixou despida."

As folhas caem do galho
Deixando a planta bem nua
Quando a seca lhe insinua
Desfazer-se do agasalho
Fica chorando o orvalho
Por se sentir iludida
Mas, depois é revestida
Com pano da chuva santa
"A chuva é quem veste a planta
Que a seca deixou despida."

Vestindo um 'cinza-estio'
Pra ficar na cor da moda
O pranto entra na roda
Da seca que tece o fio
Por faltar água no rio
Vê a folhagem perdida
Mas, tal a Fênix vencida
Que das cinzas se levanta
"A chuva é quem veste a planta
Que a seca deixou despida."

Pedro Torres
Mote de Elenilda Amaral

Por debaixo dos panos eu te amei Hoje a dor que eu sinto é de saudade.

No mote:

Por debaixo dos panos eu te amei
Hoje a dor que eu sinto é de saudade

[Anonimo]

Entre quatro paredes eu fui sua
Nossos corpos unidos sobre a cama
Era um cavalheiro e uma dama
Dividiram esta noite com a lua
Bem baixinho eu dizia: eu sou tua
Era algo tão puro e de verdade
Tão real na maior simplicidade
Registrado em meu peito eu deixei
Por debaixo dos panos eu te amei

Inda lembro dos beijos bem molhados
Tuas mãos conhecendo o corpo meu
Eu sentindo o calor do corpo teu
Mil abraços por nós foram trocados
Os olhares ficaram registrados
Mas, a cama não tem mais validade
Tu se foste levando uma metade
E com a outra metade eu fiquei
Por debaixo dos panos eu te amei
Hoje a dor que eu sinto é de saudade

[Anonimo]

Nossos corpos febris todo suados
Nos lençóis que pintamos nossa arte
Queimaduras de brasa em toda parte
Na fogueira ardente dos pecados
O perfume por nós dois exalados
Perfumavam o ambiente de vontade
Acabou-se, porém, a alacridade
E sozinho no quarto eu chorei
Por debaixo dos panos eu te amei
Hoje a dor que eu sinto é de saudade

Um romance vivido em segredo
Evitando que a inveja dominasse
Um ao outro, para que nada faltasse,
Trabalhamos bem firmes nesse enredo.
Mas, o caso de amor terminou cedo
Por não termos a plena liberdade
Nós perdemos a nossa felicidade
Tu partiste sozinha e eu fiquei
Por debaixo dos panos eu te amei
Hoje a dor que eu sinto é de saudade.

Pedro Torres

Sou um mentiroso réu confesso!

Eu não sinto por ti nenhum amor
De você já não quero nem saber
Consegui não sei como lhe esquecer
E agora já não sinto tanta dor
Do teu beijo não sinto mais sabor
Que me queiras de volta eu não peço
Pois, não quero saber desse regresso
Hoje vivo uma vida de alforria
Só te digo no fim da poesia:
Sou um mentiroso réu confesso!

Pedro Torres

Do castelo imortal da poesia

Versinho publicado apenas pro blog:

Meu algoz, meu amor e minha paz
Minha luz, o que tens neste teu riso?
Tens a paz, toda a paz que eu preciso
E o abraço fiel que dói demais
E essa falta imensa que me faz?!..
Minha flor, és meu sol, tu és meu dia
Meu querer, sem razão, uma alegria
O meu sono, o meu sonho, a minha cama*
Meu desejo de amar, a minha dama
Do castelo imortal da poesia

Pedro Torres

Interessante como a poesia tem vida própria. Esta estrofe tinha originalmente um outro enredo, mas tomou outra direção enquanto eu a redigia. O verso marcado originalmente tem essa construção:

*Não cutuca essa ferida que inflama

É como se a ferida tivesse sido cutucada enquanto nascia a estrofe, tornando o verso inútil.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Por querer resguardar-se o coração Da ilusão de um amor, sai machucado.

Um versinho 'instrutivo' pra turminha.

Nesse lance de pega e não se apega
Com amores de puro fingimento
Quando alguém não se liga e o sentimento
Já é tanto que até no olhar se entrega
Se pergunta um ao outro um logo nega
Pois, ninguém quer sair por desprezado
Se é recíproco porém o amor coitado
Morre cedo por falta de atenção
Por querer resguardar-se o coração
Da ilusão de um amor, sai machucado.

Um querer que não é bem um querer
Um ficar por ficar de fantasia
Dá-se um beijo, um abraço e um bom dia
Que no outro já trata de esquecer
Como pode um alguém sentir prazer
Num amor infantil e tão aguado
Que não deixa sequer peito marcado
Pelas marcas mais lindas da paixão
Por querer resguardar-se o coração
Da ilusão de um amor, sai machucado

Não se deve a alguém se dar valor
Sem haver nem ao menos sentimento
Se foi lance banal pelo momento
Não se pode cobrar nenhum amor
Nem tampouco querer sentir calor
Em um trato que foi descontratado
Muito antes de os termos assinado
Nós olhássemos as letrinhas da ilusão
Por querer resguardar-se o coração
Da ilusão de um amor, sai machucado

Pedro Torres

Desisti de tentar lhe esquecer Pois, gastei toda a força do meu peito

Procurei por todos os alfarrábios
A receita pro gosto de hortelã
Do frescor do teu beijo da manhã
E não acho sequer em outros lábios...
Eu julguei que os dias fossem sábios
E que o tempo tratasse com repeito
Eu tentei, mas, tentei de todo jeito
Acabar de uma vez esse querer...
Desisti de tentar lhe esquecer
Pois, gastei toda a força do meu peito

Pedro Torres

Por querer resguardar-se o coração Da ilusão de um amor, sai machucado.

Nesse lance de pega e não se apega
Com amores de puro fingimento
Quando alguém não se liga e o sentimento
Já é tanto que até no olhar se entrega
Se pergunta um ao outro um logo nega
Pois, ninguém quer sair por desprezado
Se é recíproco, porém, o amor coitado
Morre cedo por falta de atenção
Por querer resguardar-se o coração
Da ilusão de um amor, sai machucado.

Pedro Torres

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Porque juro de saudade Vira uma bola de neve...

No mote do Poeta Dedé Monteiro eu tentei amenizar a 'dívida':

Devo não nego, pago se ela quiser:

Tem um alguém me devendo
Uma conta bem antiga
Pois hoje é minha amiga
Menos do que estava sendo
Este meu peito doendo
Um dia já esteve leve
Mas, a saudade me deve
E não paga nem metade
Porque juro de saudade
Vira uma bola de neve...

Sinto os juros correndo
E essa conta só cresce
Todo dia me aborrece
Digo que não tô podendo
E a saudade batendo
Na porta de quem lhe deve
Eu lhe peço que releve
Peço até por caridade
Porque juro de saudade
Vira uma bola de neve...

Esse infeliz cobrador
Todo dia bate à porta
De minh'alma quase morta
Pra cobrar esse valor
Sempre digo ao portador
Que o 'banco' entrou em greve
E ninguém lá se 'astreve'
Trabalhar só por vontade
Porque juro de saudade
Vira uma bola de neve...

Pedro Torres

Todo dia muda a cor Do quadro da minha vida

Mirando uma paisagem belíssima às vezes o declive se aplaina e sai assim o verso.

No mote do Poeta Padrinho Manoel Filó, eu tive que dizer:

No cinza das manhãs pardas
Brilhas linda criatura
Mostrando toda candura
Dess'alma pura que guardas
E a maresia que tardas
No teus cabelos, querida
Deixa até mais colorida
A tez mais viva da flor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida

Nem Rembrandt imitaria
As cores dessa paisagem
Contendo toda a aragem
Das brisas santas no dia
És por si a poesia
Por Camões já traduzida
Ou das procelas vencidas
Por Cervantes sonhador
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida


Pedro Torres

Também um galope no tom amarelo Daquele vestido na beira do mar

Estava passando na beira da praia
Quando a morena passou desfilando
o encanto mais doce eu admirando
Passava zombando segurando a saia
Vestindo um vestido tomara que caia
Que se não caísse eu ia derrubar
Aquela paisagem fez-me admirar
Pros sonhos dourados eu fiz um castelo
Também um galope no tom amarelo
Daquele vestido na beira do mar

Pedro Torres

Solta o grito da garganta Das grutas do coração

Proseando com o Poeta Ismael Gaião saiu esse versinho:

O Poeta se agiganta
Quando lhe falta razão
Que mesmo preso ele canta
Pelas grades da prisão
Solta o grito da garganta
Das grutas do coração

Pedro Torres

O poeta é um ser iluminado, Que faz verso com arte e sentimento

No mote do Poeta João Paraibano:

Tanta dor em um peito não tem cura
Pro poeta é tudo uma alegria
Faz um verso de amor na poesia
Não importa se há dor da criatura
E nem liga também pra falsa jura
De um amor que era puro fingimento
Pois reclama somente do momento
Quando viu ser seu beijo desprezado
O poeta é um ser iluminado,
Que faz verso com arte e sentimento

Tanto canta na dor como alegria
O poeta passeia por mundos tão estranhos
Sem ligar pro tamanho dos 'arranhos'
Pois da dor também nasce a poesia
Como a luz que clareia ao meio dia
Toda sombra pra ele é firmamento
E na arte do verso encontra alento
Pro seu peito de dores tão marcado
O poeta é um ser iluminado,
Que faz verso com arte e sentimento

Pedro Torres

Eu senti um abalo no meu peito Era a bala passando de raspão

Nesse mote invocado da Poeta Dayane Rocha eu imaginei:

Embrenhei-me sozinho mata afora
Numa época de caça já distante
Procurando encontrar noutra vazante
Um amor que há tempos foi embora
Um querer que domina toda hora
As veredas desertas da emoção
Com a arma de amor do coração
Atirasse mas errasse o suspeito
Eu senti um abalo no meu peito
Era a bala passando de raspão

Nesse tempo de caça já passado
Tava ainda procurando uma virtude
Um querer de te amar que eu não pude
Por motivo do erro acumulado
Com a arma do amor, cano serrado
O teu tiro mudou de direção
Acertou bem no alvo da ilusão
Nessa mira da arma com defeito
Eu senti um abalo no meu peito
Era a bala passando de raspão

Pedro Torres

Fui o alvo esperando o tiro certo
Só bastava o gatilho pra puxar
Nos meus olhos os teus olhos pra mirar
Diminua a distância pra mais perto
Não precisa dizer que estou incerto
E eu topo te dar meu coração
Mais o vento mudou a direção
E o tiro não pôde ser perfeito
Eu senti um abalo no meu peito
Era a bala passando de raspão

Dayane Rocha

Que o amor mais bonito que vivi Já nasceu programado pra morrer

Se pudesses agora ver meu rosto
Com a lágrima descendo pela face
Desse verso de amor que ora nasce
Sentirias quem sabe o mesmo gosto
Deste sal que salga o meu desgosto
Como fosse o querer não mais querer
Por tentar, e tentar lhe esquecer
Que eu quis esquecer mas esqueci
Que o amor mais bonito que vivi
Já nasceu programado pra morrer

Pedro Torres

Nossas horas contadas todo instante
Não deixava passar nenhum segundo
Eu pedia pra Deus e para um mundo
Me da mais desse tempo que é restante
Sou mulher sou esposa sou amante
Tantos planos contigo sonho em ter
Mas não guento todo esse meu sofrer
Em saber que um dia te perdi
Que o amor mais bonito que vivi
Já nasceu programado pra morrer.

Dayane Rocha

A este amor eu fui tao dedicada
Fantasiei de mais meu coração
Criei no pensamento ilusão
E a tal me deixou abandonada
Me feriu me deixou amargurada
E fez esse amor por si esmorecer
Me fazendo cada dia perceber
Que é verdade que eu já te perdi
Que o amor mais bonito que vivi
Já nasceu programado pra morrer

Debora Carvalho

Preta, quando deixaste nossa casa
Pra viver por aí, perambulando,
Tudo quanto era estável, ameno e brando
Mudou pra temporal que tudo arrasa.
Do que foi noutro tempo fogo e brasa
Só a cinza hoje resta. E pra esquecer
Fiz promessa, hipnose e fiz saber
A quem quis que do amor, eu desisti,
Que o amor mais bonito que eu vivi
Já nasceu programado pra morrer.

Bel Valentim

E a vaca lambendo a cria Que a seca tava lambendo

Quando cai a chuva grossa
Toda tristeza, varrendo
Sai tanajura voando
De uns meninos, correndo
E a vaca lambendo a cria
Que a seca tava lambendo

Pedro Torres

domingo, 13 de janeiro de 2013

Mulher nova, bonita e carinhosa Faz o homem gemer sem sentir dor

No mote do Poeta Otacílio Batista

Lindos olhos det om acastanhado
Um feitiço bonito em seu olhar
Com um jeito felino de se amar
Sob um céu por estrela iluminado
Com um cheiro suave e amendoado
No perfume sublime de uma flor
Exalados do corpo encantador
Da mulher mais bonita e perfumosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Pedro Torres

Passa tudo na vida, tudo passa, Mas nem tudo que passa a gente esquece

Mote de Das Neves Marinho

O primeiro olhar de um grande amor
Um abraço fiel e verdadeiro
E o sabor mais doce de um cheiro
Em um beijo que tarda com calor
Um segredo no peito, toda cor
Quando o frio do sol mais se aquece
Chega a noite e o dia adormece
Na fogueira que o tempo faz fumaça
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece

Pedro Torres

Angústia

Dessas dores no campo dos sentidos
Na estrada da vida em linhas tortas
Nossos sonhos de amar-se interrompidos
Repousando em almas semimortas

Vê-se o rio do choro abrir comportas
Pelos olhos de angústia ressequidos
Inundando de prantos coloridos
Os prazeres que fecharam suas portas

Todas cores do mundo desbotadas
E o cinza em tardes ensolaradas
Fazer sombra às noites de ilusão

Um aceno que fica na lembrança
E o afago da última esperança
Em lampejos de luz na escuridão.

Pedro Torres

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O ruim é ter ciúme Daquilo que não é seu

O perfume se acaba e fica o cheiro enganador no frasco.

Quando alguém lhe aparece
E lhe causa um calafrio
Até mesmo o amor mais frio
Com esse frio se aquece
É que a gente nunca esquece
Do que já lhe pertenceu
Feito um cheiro que morreu
Em um frasco de perfume
O ruim é ter ciúme
Daquilo que não é seu*

Pedro Torres

Frase publicada pela amiga Victoria Chiavelli