segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Dos Conselhos

Há quem tente apagar as negruras da própria alma com o borrão das ideias caducas. Antes de julgar o olho do jovem, tira a trave do teu olho obsoleto, pois, quem cega pra realidade bate de cabeça no muro que lhe afasta dos seus sonhos e isto é, apenas, para os que ainda sonham.

Quem não sonha já morreu e não se deu conta da podridão dos desenganos acumulados. Antes, é necessário que se estenda a alma num varal pra deixar o sol quarar os erros e pecados nodoados nela.

Quanto aos conselhos, não os dê. São inutilidades plenas. Os conselhos que você não seguiu e em seguida lhe conduziram ao erro não se tornam corretos por isso. Nem os que você seguiu e deram errado também não se inutilizam. O seu proceder é que determinou os frutos de sua árvore da vida.

Se há frutos podres, enterre-os na raiz e poderão servir de adubo para um pouco mais de tempo tentando cultivar boas coisas e, quem sabe, tentar colher alguma fruta madura. O que deve acontecer conforme a vontade de Deus irá acontecer. Quer você queira ou não queira!

E, ainda quanto aos conselhos, tanto os bons (que funcionaram) como os maus (que fracassaram) são inúteis se não forem aplicados a sua própria história. Cada um tem uma palavra a seguir dentro do coração. Dar conselhos é querer ser essa Palavra no íntimo de outra pessoa, o que é no mínimo uma contradição pra quem não sabe ouvir sequer o silêncio da ensurdecedora resposta do tempo.

Acumular bens materiais, sem o propósito ou o uso que agrada ao espírito é das maiores burrices de todo o universo. Pois, Tudo. Absolutamente tudo, perece. Nada, absolutamente nada, permanece. Independente do que você crê ou não ter ouvido de Deus sobre o estabelecido. Sua vontade será só lembranças e, na porta estreita da última morada só dá pra passar a alma, uma por vez, e nada mais. Todo o resto vira estrume. Insisto: quer você queira ou não queira!

Cada cabeça é um mundo e no meu, mando eu!

Pedro Torres

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