domingo, 18 de agosto de 2013

O carão que cantava em meu baixio Teve medo da seca e foi embora

Uma rã ficou muda atrás do pote
Passou maio e não veio a invernada
De manhã já não canta a passarada
E na cacimba não canta mais caçote
Cascavel com receio guarda o bote
E a aranha que tecia a toda hora
Nesse clima não tece teia agora
E se tecesse não dava p'rum pavio
"O carão que cantava em meu baixio
Teve medo da seca e foi embora."

A barragem secou e a ventania
Varre o resto das folhas pelo chão
A esperança calou-se, e a sequidão
Faz do leito rachado alegoria.
Um mosaico prosaico de agonia
Onde a água que aquece se evapora
Desenhando na lama que se tora
Os caminhos da sede e o desvario
"O carão que cantava em meu baixio
Teve medo da seca, e foi embora."

Pedro Torres
Mote de Manoel Filó
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