sábado, 3 de agosto de 2013

Ágio

Prenderam meu coração em uma gaiola, porque eu me sentia como um passarinho, longe de casa, sem saber ao certo, a direção de chegar no ninho. Inda despido, sem ter vaidade, caminhei tudo sem achar sozinho, qual fosse a rota da felicidade.

Noites escuras de silêncio amargo, sentindo a falta de também carinho, rodei o mundo em busca de amizade, e alguns ficaram à beira do caminho. Cruzei os mares, e vi oceanos, pedi pra Deus pra iluminar os planos, pra quem voava feito um passarinho.

Voltei cansado, ferido na asa, revi amigos da antiga casa, e acostumei-me bem devagarinho... Como quem salta de um precipício, no fim de tudo me vi no início, encandeado pela claridade.

Ergui meus braços para a imensidade, levei meu sonho na diversidade, dos muitos mundos que eu conheci. Calor fraterno onde me aqueci no afago terno que nunca esqueci, e vou levar para a eternidade...

 Sem me dar conta que estava no ninho, acordei chorando como que sozinho, e uma lágrima me causou saudade. Senti-me estranho sem poder doar, aquele amor que já pude dar, aos passarinhos da minha cidade.

Como se fossem menos ou mais, e me tirassem toda aquela paz, que eu aprendi ao saber voar...

Voltou meu corpo e teve que ficar algum pedaço da minh'alma ao longe. E foi assim que eu descobri, que o amor mais lindo que eu já vivi, veio comigo no meu coração. Que a minha alma tem esse condão, de deixar pedaços por onde eu passar.

E, novamente, calço-me de bota, busco o caminho, uma nova rota, e um novo jeito de aprender a amar. Me deem licença, que eu vou lá fora, porque por dentro a minha alma chora, como que por fora, também quer chorar.

Pedro Torres
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