quarta-feira, 5 de junho de 2013

Tenho n'alma as tatuagens Da minha origem cigana.

Andarilho das lonjuras
Dos recantos mais distantes
Meu sonhos são caminhantes
Por entre estradas escuras
Buscador doutras procuras
Quando meu peito se dana
Desarma-se a caravana
Vagueia noutras paisagens
Tenho n'alma as tatuagens 
Da minha origem cigana.

Viageiro sem ter porto
De chegadas e partidas
Tenho em minh'alma feridas
De um sonho perene e morto
Nesse meu caminhar torto
Levo o sonho à aduana
Sem desarmar a cabana
Seguindo nas carruagens
Tenho n'alma as tatuagens 
Da minha origem cigana.

Tenho por obrigação
Sempre que volto da lida
Ser caminhante da vida
De estradas sem direção
Evitando a contramão
Meu peito nunca se engana
Sem saciar-se da gana
Vai conhecendo as paragens
Tenho n'alma as tatuagens 
Da minha origem cigana.

Minh'alma foi arranhada
Nas garras ferinas dela
E fez no peito a sequela
D'uma saudade incrustada
Quando chega a madrugada
Que essa ferida se espana
Retorno à vida serrana
De algumas onças selvagens
Tenho n'alma as tatuagens 
Da minha origem cigana.

Passam-se meses, e anos
E os dias, vão lentamente
Do passado pro presente
Levando meus desenganos
Vou refazendo os meus planos
Sem me perder na semana
Desse tempo doidivana
Sigo enfrentando as miragens
Tenho n'alma as tatuagens 
Da minha origem cigana.

Pedro Torres
Mote: Raimundo Asfora, apresentado pela prima Thaís Nunes
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