terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Dois poetas e um céu estrelado...

Na mesma linha da resposta ao poeta Augusto dos Anjos em Versos Íntimos, o Padre Poeta, Brás Costa, ouve o verso do poeta Olavo Bilac, Ouvir Estrelas:

Ouvir Estrelas

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

E diz:

Contemplação

Caro Bilac o teu verso
Ajudou-me a refletir
E ensinou-me a ouvir
As filhas do universo.

Quando as vejo reluzir
Fico por horas disperso
Vendo nelas refletir
O que calado converso.

As estrelas reticentes
São as minhas confidentes
Iguais as tuas estrelas.

As minhas são mais singelas
Tu conversavas com elas
Já eu me contento em vê-las.

Ô mundo grande, esse dos poetas!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Lua nova:

Andas tão formosa e bela,
Permita-nos do teu clarão...

Quando o céu é mais bonito
A reluzir no infinito,
Encantamentos do sertão,
Canto um canto, de verão...

Oh! Enamorada dos poetas,
Musa da inspiração,
Cede um brilho de poesia
Dai-nos da sorte desmedida
Dessa descoberta não tardia.

Permitas a essência
Do que há de mais sagrado
Aconteça nesse instante.

Que nada nesse mundo vale nada,
Nem vale esse choro derramado.

Dá-me um bocado do amor teu,
Não me importa se de falsidade,
Já conheço esse jogo de maldade
Vingue, e chega de tanta saudade!

Pedro Torres

Uma outra alegria...

Um beijo,

Eu quero um trago desse teu 'cigarro'
Do veneno, da morte, o diacho!
Quero uma brisa na tua cidade
E, Raio de Sol, sabes que te quero!...
Quero ouvir aquela velha melodia,
Que falava da vida, do amor, da travessia?!

Quero ver-te debulhando as margaridas
'Num inverno que chegue de repente'
Quero as flores do jardim, mais coloridas,

Quero as águas transparentes de um riacho
Banhando a história bonita do amor da gente.
Só se, no fim, quem vence é a saudade
E somos nós os escritores do destino.

Serei broto num orvalho matutino,
Chorando a manhã que foi embora.

É a poesia renascida, poeta,
As rimas nossas mais inquietas,
As mensagens mais desconcertantes!

A alvorada dos pássaros mais cantantes
Os campos mais verdes e risonhos
A primavera melhor dos nossos sonhos.

Já não choro, minhas lágrimas já secaram!
Mas, sei das tuas procuras...

Das buscas por outras esperanças.
Das viagens por outras sertanias.
Da essência sagrada da mudança
Dos momentos de tristeza, e de alegrias.

Da gentileza do perfume, que te banha,
E da distancia, que insiste.
Mas, não me perguntes se estou triste,
Sabes bem que sem nós o eu não existe.

Foi essa chuva que banhou o amor da gente?
'Não respondas, deixe-os imaginar'
Dos besouros que não tardam, nas lanternas.
E, ao nascer um novo luar... Outro beijo...
Mas, não se acostume!

Pedro Torres

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Volverán las oscuras golondrinas

Volverán las oscuras golondrinas
en tu balcón sus nidos a colgar,
y otra vez con el ala a sus cristales,
jugando llamarán;

pero aquellas que el vuelo refrenaban
tu hermosura y mi dicha al contemplar;
aquellas que aprendieron nuestros nombres,
esas... ¡no volverán!

Volverán las tupidas madreselvas
de tu jardín las tapias a escalar,
y otra vez a la tarde, aun mas hermosas,
sus flores abrirán;

pero aquellas cuajadas de rocío,
cuyas gotas mirábamos temblar
y caer, como lágrimas del día...
esas... ¡no volverán!

Volverán del amor en tus oídos
las palabras ardientes a sonar;
 tu corazón, de su profundo sueño
tal vez despertará;

pero mudo y absorto y de rodillas
como se adora a Dios ante su altar,
como yo te he querido... desengáñate,
¡así no te querrán!

Gustavo Adolfo Becquer