terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O defeito

Agora à minha companhia o silencio
Cruel dos covardes e adoentados
Cujas desabilidades são agora feitas
Da eterna generosidade desmedida.

Um bom apanhado de fracassos,
O esconder-se a dor para não ferir.
Um não sorrir com a graça do palhaço
Por ver ali a personagem desprovida

Angústias não adornadas em alegrias
E sentir seu mundo também silente
Grato pela plateia ainda presente
Nos momentos sublimes da poesia

Que acontece, não por acaso,
Em dias difíceis de travessia...
Quando do céu já não vem chuva
E no chão já não há água

A realidade mais egoisticamente linda
Desperta no sertanejo o sentimento
Que não é o de estar só num picadeiro
Enquanto lhe zombam da sua quietude

Que é finita a estadia nesse terreno
Regado por régias águas
Dos reinos dos céus das águias
Das andorinhas, e outros pássaros.

Passa tudo por este espaço,
Mas não fica um nada de vazio
Que lhe faça a gentileza de gerir
A gentileza, em outro, um desvario.

Salve os mansos e encurralados
Pelas promessas falsas do desengano
Pois que destes somente é a cura
Pelo infalível remédio do divino

Pedro Torres