segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Bons dias...

"Os dias prósperos não vêm por acaso. Nascem de muita fadiga e muitos intervalos de desalento."

Camilo Castelo Branco

sábado, 24 de dezembro de 2011

Fumaça

Untam-se os instrumentos,
A música logo renasce...
Tanto de mim se foi... Na fumaça...
Que breve o momento passa!

Misturam-se os sentimentos,
Beijo a tua face, e amigos...
Ficamos até a sentir... Depois do tempo próprio
Em descumprir o velado, que arde...

Descortinamos o sentido da tarde!
E, de abertas as janelas algo nos invade.
Sentimos o cheiro da acolhedora chuva
E nos acena o pão, e a geléia de uva.

Tanta a saudade dessa dor doída
Da delícia da tua mordida
De na minha carne a tê-las,
Que a descoberto, vejo estrelas!

Inda cego pela pobreza, do querer riqueza.
Segue caminhando as suas veredas
E, esperando nada, tampouco, a sorte!
Estaria, pois, a planejar-lhe a morte.

Mas não morre o que já morreu
Nem se queda sem azar a lida
Expulsando do peito toda a delícia
De sentir-se nada mais, que nada.

Enfim, lembrar-se do que não finda
Tomas doutros cálices, outra medida
Apanhar as flores do campo perfumado
E sentir a brisa suave do campo iluminado.

Crer no além do que ora se apresenta
Tentar, tentar, como quem tenta
Encontrar a dita felicidade
Quem inda não acolheu em si a vida.

Dá-me uma bússula, sê meu norte
Guia-me pela escudidão de meu eu
Sê a mescla do mel e do sal
A estrela guia do meu cizento céu!

Clareia a minha visão obscurecida
Dá-me de beber da tua melhor bebida
Permitas-me observar o horizonte
E matar a sede em tua fonte.

Pedro Torres

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Natal do nosso Salvador

Ó Deus-menino, nascido
Onde não nascem os reis,
Que os homens hoje encontrem,
A riqueza que escondeis
Entre os maltrapilhos panos,
Que são, na verdade, enganos
Camuflando a Realeza
Da mais alta Majestade.
Consoladora ironia:
Sair de uma estribaria
Pra salvar a humanidade.

E vós, Maria, menina
Do sim e da humildade,
Vosso Salvador nasceu
Na vossa maternidade!
Vosso ventre virginal,
Sem pecado original,
Revestido de pureza,
Gerou quem não foi Criado.
Depois de muitos cansaços,
Vistes ressonar nos braços
Vosso Deus Verbo encarnado!

E vós, José, homem justo,
Vós que esperáveis o Bem,
Descendente de Davi,
Da cidade de Belém;
Ó filho contemplativo,
Fostes o pai putativo
Do Autor da natureza,
O Filho do Pai eterno.
Aquele menino Santo
Recebeu o acalanto
Do vosso abraço paterno.

E vós, ó homens de bem,
Amados do vosso Pai,
Não passais indiferentes,
O presépio contemplai!
Permiti, pois, que este infante
Sem riqueza exuberante,
Disfarçado de pobreza,
O redentor das nações,
Aproxime-se com jeito,
Aloje-se em vosso peito,
Nasça em vossos corações!

Pe. Brás Costa, Natal do nosso Salvador, 2010

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O construtor de repentes, Louro Branco


Ontem o Poeta Felisardo Moura nos presenteou com esse versinho:

O verso que faço é caro
Pelos metais que arranjo,
Se o verso atrasar eu tanjo,
Se o verso correr eu paro;
Se ficar grande eu aparo
Pra peça não ser comprida,
Se ficar curta e perdida
Boto uma emenda na frente
Sou construtor de repente
Nas oficinas da vida!

Poeta Louro Branco

sábado, 17 de dezembro de 2011

Ne me quitte pas*

Eu que sou 100% isento de chifre, hoje escrevi um verso de corno! O publico desejando que não sirva nunca aos meus amigos e amigas, mas, se por desventura acontecer, lhes console a certeza de que o clube é grande! Aí o batizei com um título em francês, por que já que é pra ser corno, vamos pelo menos ser finos!

Ne me quitte pas*

Mesmo que teus olhos vivos
Não procurem mais os meus
Mesmo com ou sem motivos
Não pronuncies Adeus!!!

Deixes meus lábios cativos
Sem poder tocar os teus
Deixes que teus "nãos" nocivos
Matem os meus "sins" plebeus.

Não precisas nem sorrir
Deites só para dormir
Se eu te velo, não te queixes.

Mesmo que minh'alma chore
A desdenhe, a ignore
Mas te peço: Não me deixes.

*Ne me quitte pas é o título de uma famosa canção de Jacques Brel escrita em 1958 e gravada a primeira vez em setembro de 1959. Ao contrário do que muitos pensam o compositor é belga e não francês, já que como sabeis, os dois paises falam a "lingua da diplomacia".

Brás Costa

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ledo engano...

Mesmo tendo me dito que esqueci
E fingindo total indiferença
Na verdade meu eu ainda pensa
Que teu tu, mesmo ausente, está aqui...
Estes anos, sem nós, eu só vivi
Remoendo a tristeza do teu não.
Quase morto cheguei a conclusão
Que dizendo esqueci, o meu eu mente...
Eu não posso esquecer completamente
O amor que inda doi no coração.

Poeta Brás Costa, no mote da Poeta Mariana Teles.

Pagando motes...

Poeta Lourival Batista 'pagando' um mote do Poeta Raimundo Asfora:

Senti das paixões abalos
E desesperos medonhos
Sonhos, sonhos e mais sonhos
Sem jamis realizá-los
Na fronte senti os halos
Das auras da juventude
Mas nunca tive a virtude
De dormir entre dois seios
Não tive amores, sonhei-os
Mas possuí-los, não pude.

Ainda 'pagando' um mote antigo, versejou:

Do gosto para o desgosto
O quadro é bem diferente
Ser moço é ser sol nascente
Ser velho é ser um sol posto
Pelas rugas do meu rosto
O que fui hoje não sou
Ontem estive, hoje não estou.
Que o sol ao nascer fulgura
Mas ao se pôr deixa escura
A parte que iluminou.

E respondendo um cantador que despontava à sua fama, disse:

Sua vida inda está boa
A minha é que está ruim
A sua está no princípio
A minha está bem no fim
Estou perto de estar longe
De quem está perto de mim

Poeta Lourival Batista

Eu quero teus seios puros...

No mote do Poeta Raimundo Asfora:
"Eu quero teus seios puros / Na concha das minhas mãos."

Versejou o Poeta Job Patriota:

Esses teus seios pulados
Nossos olhos insultando
São dois carvões faiscando
No fogão dos meus pecados
São dois punhais aguçados
Ameaçando os cristãos
Mas pros meus lábios pagãos
São dois sapotis maduros
"Eu quero teus seios puros
Na concha das minhas mãos."

As quadro velas

Quatro velas ardiam sobre a mesa,
E falavam da vida e tudo o mais.
A primeira, tristonha: “Eu sou a PAZ,
Mas o mundo não quer me ver acesa…”

A segunda, em soluços desiguais:
“Sou a FÉ! Mas é triste a minha empresa:
Nem de Deus se respeita a Realeza…
Sou supérflua, meu fogo se desfaz…”

A terceira sussurra, já sem cor:
“Estou triste também, eu sou o AMOR…
Mas perdi o fulgor como vocês…”

Foi a vez da ESPERANÇA – a quarta vela:
“Não desiste ninguém! A Vida é bela!
E acendeu novamente as outras três!

Obra prima do Poeta Dedé Monteiro 

Dois repentes

Dois poetas decantando a poesia:

Depois que a lua se esconde
Nasce o sol da cor de ouro,
Duas casacas-de-couro
Começam a cantar na fronde,
Uma grita, outra responde,
Como nós na cantoria,
Só não tem mais poesia
Porque não cantam rimando,
Canta o galo anunciando
O raiar de um novo dia.

Poeta Sebastião Dias Filho 

E disse o Poeta Jó:

Tristeza, dor, alegria
É tudo do mesmo tanto
Felicidade completa
Sé existe em quem é santo
Que em cada gole de riso
Há cem mil doses de pranto.

Job Patriota

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ondas de pensamentos...

O Poeta disse:

Que ondas de pensamentos
Invadem a sua alma,
Fazendo perder a calma,
Transbordando sentimentos?
... Serão apenas momentos
De tudo que se passou?
O poeta perguntou,
Mas a resposta eu não dei:
“Que sei eu do que serei,
Eu que não sei o que sou?”.


Marcos Passos
Recife, Dezembro de 2011

Tem que gostar do sertão...

"Tem que gostar do sertão
Pra saber isso o que é..."


Rebôco, troço, poleiro
Arupenba e caitatau
Gamela, cocho, girau
Terra frouxa e taboleiro
Enxadeco, marmeleiro
Caçuá e jereré
Caco, enxada jacaré
Moinho e mão-de-pilão.

Carne-se-sol e moela
Passoca, queijo, qualhada
Sarapatel e buchada
Arroz-de-festa e costela
Pão, galinha cabidela
Farinha seca e café
Perua, frango, guiné
Tutano, osso e pirão.

Mancha, toca, carrocel
Eram diversões da gente
Chibata ou corrêa quente
A brincadeira do anel
Pipa voando no céu
Traque, rojão, buscapé
Brincávamos em São José
De ser polícia e ladrão.

Cancão, Dimas e Xudù
Catôta, Otacilio e Jó
Biu, Antonio Piancó
E Louro do Pajeú
Sobrinho, Zezé Lulú
Patativa do Assaré
Marinho de São José
Milanês e Mergulhão.

Missa, novena e reizado
Terço, rosário, sequência
Reza, bendito, exelência
Promessa e santo roubado.
Pau-de-arara lotado
De gente pra Canidé
E os romeiros a pé
De Padre Cícero Romão.

Com muita saudade de todos,

Poeta Brás Costa.

Depois da estiagem...

Depois de nove meses de estiagem
Sem mais verde nem mesmo no baixio
Não tem água na nascente do rio
Tá rachada a parede da barragem
Sertanejo já quase sem coragem
Ouve um som no telhado (é o sofejo)
De uma nuvem cantando no despejo
No velório da morte do verão:
Quando um pingo de chuva molha o chão
Enche d’água o olhar do sertanejo

Padroeta Brás Costa

A dura vida de um poeta...

Quando a vida se faz dura
Com as peripécias dela
Eu seguro no cabresto,
Passo a perna e monto nela
Olho pra frente e prossigo
Quando ela é dura comigo
Eu sou mais duro com ela!

Padroeta Brás Costa

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Coisas "Sem Futuro..."

Pedir esmola pra dois,
Tomar partido em intriga,
Negociar com cigano,
Matar gato, apartar briga,
Confiar em candidato,
Investir em rapariga.

Poeta Wellington Vicente.Porto Velho, 14 de março de 2009

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quando começei a gostar de cantoria...

No mote do Poeta Felisardo Moura, versou o Padroeta Brás Costa:

Tinha nem onze anos de idade
Quando ouvi dois poetas inspirados
Soluçarem, tão bem metrificados
E falarem de dor e de saudade.
Comoveu-me foi a simplicidade
Do lugar onde ouvi a melodia
Uma casa de taipa e de poesia
Numa noite de lua, verso e nada...
Numa casa de taipa rebocada
Comecei a gostar de cantoria.

E assim arrematou o Poeta Paulo Moura

Foi meu pai quem mostrou-me a beleza
Da canção recitada com viola
Eu, menino, larguei de vez a bola
E vivi a escrever versos na mesa
Aprendi a conter minha tristeza
... Colocando minhas dores na poesia
Mas foi numa casinha que eu um dia
Fiz contatos com a glosa encantada
Numa casa de taipa abandonada
Comecei a gostar de cantoria.
 
Grande momento da prosa sertaneja brasileira.
 
 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Prosa Sertaneja

Pra se falar dessa poesia popular
Pra investir nas rimas do pensamento
E estender nossa cultura pelo vento
Basta uma prosa boa a se espalhar
Pelos batentes dessa gente a cochichar
Ser o cantar numa manhã passarinheira
Dialogar entre os brincantes pela feira
Formando o tempo que ponteia o improviso
Entre os gracejos pelas noites sem aviso
Cadenciando nossa canção estradeira 

Que sonoriza as palavras que se soltam
Harmonizando os delírios andarilhos
Pra entender que buscar força nos filhos
É aprender que alguns caminhos voltam
Juntam-se a nós e com versos nos escoltam
Querendo apenas que a gente não se cale
Não tem tropeço que a essa poesia abale
Pois ela tem a rima da nossa terra
Queremos paz, sem que se precise a guerra
E quem tiver de ser poesia não se cale 

Talvez assim essa mistura se combine
Pelos valores que norteiam a esperança
No Cirandar dessa semente que avança
Ser o direito que permite onde se opine
E quem tiver seu instrumento, logo afine
Vamos cantando por aí sem ser refrão
Compartilhando como quem partilha o pão
Ser o sorriso estampado, sem ser moda
Nossa palavra é de aço e ninguém poda
Viva a poesia popular do meu Sertão.

Confessor: Poeta Maviael Melo

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bom também, mas...

Não é que eu não aprecie
Toda cultura aramaica,
Não estude a língua hebraica
E não respeite a Torah.
É que essa cultura rara
Nem de longe se compara
A uma farra no Maitá.

Adoro a cultura grega
Polis, politica e idea
Ilíade e Odissea
ue Homero imortalizava.
Mas troco Zeus e Platão
Numa sopa e num "latão"
Lá em Maria da fava.

Leio cultura romana
Poetas, imperatores,
Politicos, gladiadores
Cidade eterna, imortal.
Mas, invés de ler Virgilio
Prefiro ouvir Otacilio
Com Dimas e Lourival.

Os belos alpes Suíços
A Orquestra de Viena
Tudo isso vale a pena
E eu os vi de pertinho
Porém, tudo eu trocaria
Para ouvir a voz de Bia
E o fole de Luizinho.

Na europa tem de tudo
Tem lugar rico e bonito
Mas São José do Egito
Não sai do meu pensamento.
Lá na casa dos meus pais
Não sou doutor eu sou Brás
La eu sou eu cem por cento.

Poeta Brás Costa,
Lungano 02.12.2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Setelinhas

Brás Costa

Vivo como um passarinho
Que quer cantar e não canta.
Quando vai nascendo um verso
Vem a saudade o suplanta.
Antes de nascer direito
Ou morre dentro do peito
Ou se entala na garganta.

Jessé Costa

Essa conversa me espanta
Fico mesmo abestalhado
Pois se teu verso que sai
Todos faz admirado
Esse teu verso que entala
Se um dia sai, abala
E deixa o mundo virado!

Felipe Júnior

Mesmo bem metrificado,
Os versos que vem de Brás,
Tem a coerência exata
Que se iguala aos geniais;
Faz com sentimentalismo,
Com força e com dinamismo,
Versos que a gente não faz.

Michael Moreira

Isso é por que meu amigo,
Um passarinho não canta
Morando longe do "ninhô"
A saudade lhe espanta
Mais volte logo pra casa,
Que essa distância atrasa
A inspiração que é tanta

Pedro Torres

Essa vida de gaiola
Brás, eu sei bem o que ela é!
É dor que se agiganta
Dando um abalo de fé.
Essa tormenta é tanta,
Que trava verso, não canta,
O poeta de São José.

Peleja em andamento!...