sábado, 18 de dezembro de 2010

Apótema

Nesta distância que nos encontramos
Não sei dizer quem está mais distante
Não sei qual dos dois está mais triste
Sei apenas até quando nos amamos

Nada do que não senti foi pecado
Nada que não existiu foi passado
Nem uma fração do erro cometido
Bastaria para o sonho adormecido

Quando o único presente for o abraço
Quando eu andar já quase louco
Eu vou chorar só mais um pouco
Pra aliviar meu cansaço

Pedro Torres

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Job Patriota

A dor de mim se aproxima
E pra não perder a calma,
Passo uma esponja de rima
Nos ferimentos da alma.

Job Patriota
Sempre um poeta socorre um outro numa dor

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Da Lucidez

É a possibilidade do amor
De ele acontecer de fato
De deixar você estupefato
Essa lucidez é quase dor

Ausência de medo, e medo,
De não sentir mais ausência,
E essa ausência é o segredo
Morrer para reviver o Aedo

O iminente perigo da felicidade
E a fragilidade de um riso largo
Que esbanjo por saber de algo
Que trazes, e meu peito invade

Doar-se a quem vence o herói
Ou ao imensamente insólito
De ser infinitamente incógnito
Que sua mísera essência corrói

Pedro Torres

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Reto

Confio às colunas deste edifício
O tempo, a honestidade, a fama.
Pois, não me custa morrer a míngua.
Se ao quedar inerte mostrar-te a língua
A libra, a improbidade, a tua lama.
E se reto fosses ao fim do início

E fui ao longe trabalhar outra ideia
Voltei com alguns calos e um plano
Armar a tenda pra nossa grande plateia
Da geração que plantaremos ano a ano

Por ti lutei com feras selvagens
Deslumbrei-me com lindas paisagens
E vi a luz desaparecer ao entardecer
De o tal crepúsculo, a morte do dia...

Também o tempo se fez ausente
Foi quando te senti presente
E o espaço insuficiente
Pra o poeta amar eternamente

Cada falta tua e cada volta
Cada falha nossa e o recomeço
Essa dor que o tempo transporta
À saudade que o coração suporta.

Pedro Torres