segunda-feira, 29 de março de 2010

Condito

Ou tal ater-se sem se atar,
Atear sem se queimar,
Dirá viver sem se atirar...

E seguir sem se abater,
Em um amar, sem viver...

Quero as mentiras mais suaves da vida
E de ti os beijos mais doces
Os abraços mais quentes e ternos, quero.

Ou que fiques dormindo um sono bem bom
Enquanto faço café, após nosso amor vingar-se
De toda saudade que sentimos àquele tempo...

Eu quero a tua companhia e teu desejo
Egoisticamente te quero inteirinha minha
E cuidarei de nossas crias, com todo o amor dessa vida
Da luz que irradias no olhar e do teu pulso forte.
Da harmonia, da paz, da calma, da perfeição... Tudo!

Pedro Torres

Doce

Vivia reclamando a desventura
De Deus lhe ter dado ser poeta
Ter-lhe incumbido de uma meta
E enchido seu peito de amargura

De modo que era triste o seu canto
Lágrimas banhavam o seu pranto
E, como anjo, apareceste criatura
Derramando, às canadas, tanta candura

Que quando já pensava: é sem jeito!
O coração bateu como nunca havia batido
E o poeta que acreditava ter morrido

Viu brotar o amor dentro do peito e,
Percebendo que acabara de ter nascido
De tanta felicidade, não coube em um só grito...

Pedro Torres

domingo, 14 de março de 2010

Mil Pedaços

Eu não me perdi,
E mesmo assim você me abandonou...
Você quis partir, e agora estou sozinho
Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que-o feriu
Adeus, adeus ,adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
Eu não me perdi,
e mesmo assim ninguém me perdoou..
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser: Vou fugir dessa dor.
Meu amor,
se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços...

Poeta Renato Manfredini Júnior

quinta-feira, 4 de março de 2010

Só Hoje

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal...
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir
(que te faça rir)

Hoje eu preciso te abraçar...
Sentir teu cheiro de roupa limpa...
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz!

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você...
Com qualquer humor, com qualquer sorriso!
Hoje só tua presença...
Vai me deixar feliz.
Só hoje

Poetas Fernanda Mello e Rogério Flausino

terça-feira, 2 de março de 2010

Dias de estradar

Eu e meus trinta e nove amigos
Encontramos acasos e abrigos
Eu, não somei tudo quanto podia
De tanto andar por aí, distraído...
Até sem rima pra minha poesia.

E quando pensei ter-me esquecido
Entristecido por tanta desventura
Encontrei na mais linda criatura
Cola pro meu coração partido.

Na matemática das métricas
Ousei desconstruir os versos
Fincados em tempos perversos
Grifei poemas em escritas brancas

Dividi contigo os meus recados
De perdão para os meus pecados
Tudo que pedi me foi negado
Um beijo, um abraço, um fruto
Nada, do que pra sempre muito

Um pouco do que mereço?
Quase toda essa sua sanha
Que o meu anseio assanha
Matar essa vontade tamanha
Que nosso enredo arranha

Antes, quero flores no teu caminho
Os espinhos que aparecerem
Piso-os todos, alegre e sorridente
E sangro todo o sangue que preciso for,
Por sangrar contente!
 E sinto toda a delícia da dor...

Das pedras que nos atirarem,
Façamos nossa fortaleza
Um manto de raríssima beleza
Sobre as pedras, observemos os horizontes,
os planos e os largos!

E, sob as pedras, em desenganos,
Nos abriguemos das piores tempestades
Nas mais lindas cavernas calcárias!

Pedro Torres