domingo, 24 de janeiro de 2010

Dom de Poesia, Poeta Welton Melo

Quando a voz que ecoa no meu peito
Sussurrar o seu verso derradeiro
E eu sentado encostado ao travesseiro
Fabricar um poema com defeito
Quando alguém me ouvir com preconceito
Pondo em dúvida a origem do meu hino
Pedirei com clamor ao pai divino
Me carregue do mundo dos mortais
Quando a luz do meu dom não brilhar mais
Deus ascenda o farol do meu destino

Quando a mina de verso se esgotar
E o meu nome cair no esquecimento
Tornar-me-ei um poeta sem talento
De sequer um soneto improvisar
Mas quem sabe alguém possa se lembrar
De um poema que fiz quando menino
E afirme com força, garra e tino
Que eu também já fui bom, anos atrás
Quando a luz do meu dom não brilhar mais
Deus ascenda o farol do meu destino

Poeta Welton Melo

sábado, 9 de janeiro de 2010

Chora, às pedras...

Quando a chuva serena cair, lá fora...
Quando o amor disser, não chora
Que já não vai embora...

Que o tempo, parou pra nós...
E jamais ficaríamos sós, àquela hora
Quando nosso amor é para sempre...

Lembra-te de tudo que aprendemos
Dos trovões na invernia: Amo você!
E beijos de relâmpago, um céu negro,
Iluminado em nosso canto, em verso

À noite de luar, numa luz de amar
As lágrimas, que não te furtariam a paz
À justa luta quanto digna a causa

Amamos até durante a despedida e, a vida
Viu-se principiar da nova estação, de regressar
Assistir a dor e conduzir um sorriso feroz...

E, sobre as pedras, a magia do horizonte atroz
Que ouvimos o infinito, e cada melodia da voz
Que se fez pra nós, até o surgir do outro dia...

Meu sol, minha vida, minha luz, meu tudo.
Só o polimento da mão separa a ágata,
Ah! Doce lado da minha amargura...

Pretensão de poeta falar do amor
E da dor que imensamente sente e,
Fingir-se tão completamente, o que deveras...
Que náufrago da própria embarcação!

E teus olhos, se porventura choras
É cascata de lágrimas que canta
O amor que a saudade decanta...

Vem, transborda-me a represa
E preenche-me de tua alegria
Faz-me pleno, em tua companhia
Sê comigo, a rima da minha poesia
Dá-me o sossego da tua inquietude

Depois de tudo, permanecer contigo
Quanto Arlequim ardesse e desejasse
Um amor de Colombina, em prantos
Partiria ao coração do Pierrot?!

Ah! Quanto quero isso, fevereiro...
Dizer-te, te amo, e a calmaria
De um sono razoável e, pra sempre!
O abissal carnaval!

Pedro Torres

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Mulher que Eu Amo

A mulher que eu amo
Tem a pele morena
É bonita, é pequena
E me ama também

A mulher que eu amo
Tem tudo que eu quero
E até mais do que espero
Encontrar em alguém

A mulher que eu amo
Tem um lindo sorriso
É tudo que eu preciso
Pra minha alegria

A mulher que eu amo
Tem nos olhos a calma
Ilumina minha alma
É o sol do meu dia

Tem a luz das estrelas
E a beleza da flor
Ela é minha vida
Ela é o meu amor

A mulher que eu amo
É o ar que eu respiro
E nela eu me inspiro
Pra falar de amor

Quando vem pra mim
É suave como a brisa
E o chão que ela pisa
Se enche de flor

A mulher que eu amo
Enfeita a minha vida
Meus sonhos realiza
Me faz tanto bem

Seu amor é pra mim
O que há de mais lindo
Se ela está sorrindo
Eu sorrio também

Tudo nela é bonito
Tudo nela é verdade
E com ela eu acredito
Na felicidade

Tudo nela é bonito
Tudo nela é verdade
E com ela eu acredito
Na felicidade...

Poeta Roberto Carlos

O Homem

-"No momento em que eu ia partir
Eu resolvi voltar"


Vou voltar!
Sei que não chegou a hora
De se ir embora
É melhor ficar...


Vou ficar!
Sei que tem gente cantando
Tem gente esperando
A hora de chegar...


Vou chegar!
Chego com as águas turvas
Eu fiz tantas curvas
Prá poder cantar...


Esse meu canto
Que não presta
Que tanta gente
Então detesta
Mas isso é tudo
O que me resta
Nessa festa!
Nessa festa!...


Eu!
Vou ferver!
Como que um vulcão em chamas
Como a tua cama
Que me faz tremer...


Vou tremer!
Como um chão de terremotos
Como amor remoto
Que eu não sei viver...


Vou viver!
Vou poder contar meus filhos
Caminhar nos trilhos
Isso é prá valer...


Pois se uma estrela
Há de brilhar
Outra então tem que se apagar
Quero estar vivo para ver


Oh!
O sol nascer!
O sol nascer!
O sol nascer!...


Eu!
Vou subir!
Pelo elevador dos fundos
Que carrega o mundo
Sem sequer sentir...


Vou sentir!
Que a minha dor no peito
Que eu escondi direito
Agora vai surgir...


Vou surgir!
Numa tempestade doida
Prá varrer as ruas
Em que eu vou seguir


Oh!
Em que eu vou seguir!
Em que eu vou seguir!...


Poetas Raul Seixas e Paulo Coelho

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Soul Parsifal

Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p'rá mim

Poetas: Renato Manfredini Junior e Marisa Monte

Presença do Perfume

Quando a mão com sutil delicadeza
Solta pingos de água num jardim
Cada pétala se abre dum jasmim
Num sorriso com dúlcida pureza.
Uma essência se exala com leveza
Dando beijos na mão com seu olor
Perfumando com plácido fulgor
Numa oferta divina do seu lume
Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor.


Cada dedo oferece os orvalhos
Derramados do céu da sua mão
E a flor faz surgir do coração
O presente divino dos seus galhos.
Colibris fazem vôos com atalhos
Numa pressa coberta de temor
Como lindos parceiros do amor
Beijam flores morrendo de ciúme
Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor.


A presença dos pingos cristalinos
Derramados da mão como presente
Faz a flor se abrir toda contente
Igualmente o sorriso dos meninos.
Do seu corpo surgem olores finos
Com mil beijos dum grande sedutor
Infiltrando-se nos dedos com ardor
Sem ouvir beija-flores com queixume
Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor.


Eu comparo a grandeza da verdade
Praticada através da ação humana
Quando a mão da virtude soberana
Joga os pingos divinos da bondade.
Sobre o campo da vida o amor invade
Com essências tocando o regador
Perfumando o seu gesto doador,
Onde Deus no seu peito logo assume
“Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor”.


Poeta Gilmar Leite no mote do Poeta Xico Borges

Nota: "Praticada através da ação humana"
O vocábulo "através", no poema, significando por meio de, por via de, não encontra respaldo gramatical ou literário para sua sustentação. Através significa: Por dentro de, por entre. Trata-se de um advérbio.
Mas, como na poesia pode tudo, inclusive o nada, tá valendo, como diz o poeta Miguel Marcondes.

Pedro Torres

Minha Fala

Eu quero pedir licença
Pros senhores dessa sala
Pra registrar minha fala
Dizendo um verso de amor
Sou um cantador
Me casei com a saudade
Namorei a liberdade
Dei meia volta na dor

Com muita sabedoria
Meu coração criou asa
E foi bater na sua casa
E por lá se apaixonou
Agora um novo amor
Isso é que é felicidade
Tristeza volte mais tarde
A alegria já chegou

Eu agora quero a paz
Quero a tua companhia
E minha vã-filosofia
A solidão carregou
Você é minha flor
Minha doce formosura
Minha febre, minha cura
Minha vida, meu amor

Mas nem tudo aqui é pranto
A gente tem poesia pra viver
A gente sonha, a gente ama, a gente briga
A gente arenga, se intriga
Mais depois vem o prazer

Poeta Maciel Melo

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mensagem de Ano Novo

Novo ano e nova história
Necessita ser mostrada
Cada dia é um capítulo
Dessa nossa caminhada
Deixando o rastro que prova
O sentido da jornada.


Esperanças se renovam
Projetadas novas metas
As estradas do futuro
Já recebem as novas setas
E as musas permanecem
Nos corações dos poetas.


Desafios surgirão
Para serem superados
As paixões farão seus ninhos
Nos peitos enamorados
E as lições do presente
São sementes do passado.


Nova bandeira hasteada,
Novo mastro, novo pano,
Novo toque de incentivo
Na busca de um novo plano
Novo estilo e novos versos
Pra termos um novo ano.


Poeta Wellington Vicente.
Porto Velho, 03/01/2010.