terça-feira, 2 de março de 2010

Dias de estradar

Eu e meus trinta e nove amigos
Encontramos acasos e abrigos
Eu, não somei tudo quanto podia
De tanto andar por aí, distraído...
Até sem rima pra minha poesia.

E quando pensei ter-me esquecido
Entristecido por tanta desventura
Encontrei na mais linda criatura
Cola pro meu coração partido.

Na matemática das métricas
Ousei desconstruir os versos
Fincados em tempos perversos
Grifei poemas em escritas brancas

Dividi contigo os meus recados
De perdão para os meus pecados
Tudo que pedi me foi negado
Um beijo, um abraço, um fruto
Nada, do que pra sempre muito

Um pouco do que mereço?
Quase toda essa sua sanha
Que o meu anseio assanha
Matar essa vontade tamanha
Que nosso enredo arranha

Antes, quero flores no teu caminho
Os espinhos que aparecerem
Piso-os todos, alegre e sorridente
E sangro todo o sangue que preciso for,
Por sangrar contente!
 E sinto toda a delícia da dor...

Das pedras que nos atirarem,
Façamos nossa fortaleza
Um manto de raríssima beleza
Sobre as pedras, observemos os horizontes,
os planos e os largos!

E, sob as pedras, em desenganos,
Nos abriguemos das piores tempestades
Nas mais lindas cavernas calcárias!

Pedro Torres
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