sábado, 18 de dezembro de 2010

Apótema

Nesta distância que nos encontramos
Não sei dizer quem está mais distante
Não sei qual dos dois está mais triste
Sei apenas até quando nos amamos

Nada do que não senti foi pecado
Nada que não existiu foi passado
Nem uma fração do erro cometido
Bastaria para o sonho adormecido

Quando o único presente for o abraço
Quando eu andar já quase louco
Eu vou chorar só mais um pouco
Pra aliviar meu cansaço

Pedro Torres

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Job Patriota

A dor de mim se aproxima
E pra não perder a calma,
Passo uma esponja de rima
Nos ferimentos da alma.

Job Patriota
Sempre um poeta socorre um outro numa dor

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Da Lucidez

É a possibilidade do amor
De ele acontecer de fato
De deixar você estupefato
Essa lucidez é quase dor

Ausência de medo, e medo,
De não sentir mais ausência,
E essa ausência é o segredo
Morrer para reviver o Aedo

O iminente perigo da felicidade
E a fragilidade de um riso largo
Que esbanjo por saber de algo
Que trazes, e meu peito invade

Doar-se a quem vence o herói
Ou ao imensamente insólito
De ser infinitamente incógnito
Que sua mísera essência corrói

Pedro Torres

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Reto

Confio às colunas deste edifício
O tempo, a honestidade, a fama.
Pois, não me custa morrer a míngua.
Se ao quedar inerte mostrar-te a língua
A libra, a improbidade, a tua lama.
E se reto fosses ao fim do início

E fui ao longe trabalhar outra ideia
Voltei com alguns calos e um plano
Armar a tenda pra nossa grande plateia
Da geração que plantaremos ano a ano

Por ti lutei com feras selvagens
Deslumbrei-me com lindas paisagens
E vi a luz desaparecer ao entardecer
De o tal crepúsculo, a morte do dia...

Também o tempo se fez ausente
Foi quando te senti presente
E o espaço insuficiente
Pra o poeta amar eternamente

Cada falta tua e cada volta
Cada falha nossa e o recomeço
Essa dor que o tempo transporta
À saudade que o coração suporta.

Pedro Torres

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sorriso

É preciso o sangue de nossos pés
Regue o caminho por onde andarmos
Pisando-o bravamente,
Por sobre espinhos, e até...
Inocentemente, que um irmão.
Pisasse-se das flores ali surgidas
E nada se violasse àquele arbusto.
Caminhais, pois em frente e adiante.
Sejais, pois pioneiro e rasga a carne.
Deixa-a exposta a teus inimigos
Em plena luz do dia e espera
A dor é menor do que parece
O que lhe é ofertado perece
É que de adubo servirá aos entes
Mas como nada lhes fez contentes
Não fica nessa terra em prejuízo
Aquele que tiver um reles juízo
Porá na boca para brilhar teus dentes
Um insustentável e incompreensível sorriso...

Pedro Torres

Pranto

Ninguém pergunta da minha dor
Mas, pra que preciso que alguém o faça.
Se somente eu chorarei o meu pranto
Uma a uma as minhas lágrimas...

Não! Não dou a ninguém, pois,
Quem não me fez Feliz antes.
Fico quieto no meu canto
E cozo todo meu amargor.

Delicio-me sozinho com minha dor
Compraz-me a companhia do silêncio
Porque a tormenta atormenta-me melhor
E de nada mais poderei saber do amor

Pedro Torres

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Carta

Nesta carta quero dizer-te
O quanto sinto a sua falta
O quanto o vento é forte e frio
Quando estou sem você...

Que és tu a minha alegria
A frase exata que me diria
Sentir o calor do ar que te rodeia
Bem no ponto de partida
De onde tudo ora inicia
Mais cedo do que nos tarda

Porque é com amor que se segue
À estrada virtuosa da felicidade
Pois quando lá no porto de chegada
Pesaremos as nossas vidas
Que somente a nós nos é devida
E receberemos cada um sua medida

Vamos sem medo de sermos felizes
Vamos deixar o amor acontecer
Vamos deixar com o tempo as cicatrizes
Vibrar de emoção e vida a cada amanhecer.
Vamos...

Pedro Torres

terça-feira, 26 de outubro de 2010

À José, Serra.

Nasceu planta, foi madeira
E tão logo foi cortada
Depressa foi transportada
Pra transformação primeira.

Ficou de outra maneira
Pois foi toda picotada
E a serragem transformada
Em papel de prateleira.

Daí seguiu pro escritório
Pra escola ou pro cartório
O seu destino fiel.

Porém não seguiu ditosa
E virou uma criminosa
Bola bomba de papel.

Jorge Filó

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Comunhão

Voaria esta cidade inteira
Como antes fizera, e beberia até a sorte.
Nós vamos beber esta noite
E vamos viver além da morte

Bem longe das ondas da praia
E bem perto de nossas casas
Assistiremos a todas as plateias
Abateremos os preconceitos

Deixemos as estações seguirem seu curso
Combatamos juntos, aguerridos de pulso
Ergamos pontes entre os que se calam

E os que demais falam
Vençamos o rei absoluto.
Não seríamos sós

Se da bebida amarga que apaixona
Dessa inquietação de folguedos
Conosco todos tomassem um gole
A vida seria comunhão...

Pedro Torres

Pedra bruta

Porque lapidar-se diamante?!...
Se se lhe alcança a formosura,
Desde que reles pedra dura
De brilho infindo e irradiante?...

E se de mera matéria pura,
De substância, sem mistura,
Fosse o tudo e o nada feito
Senhores de um teu direito

Espera o verso acabar,
De sair pela garganta...
Dá-me licença um pouco,
Tenho que chorar
Já volto com a poesia toda...

Em busca de encontrar-te
Fechei os olhos pra ver-te
E pus-me a vagar a esmo
À procura de mim mesmo

Fiz uma tentativa breve
Deixar Minh ‘alma leve
No alvor, tanta pureza.
Quanto se via natureza

Não, não quero ser d’aonde
Tudo é mera perfeição
Onde a terra é tão cheirosa
Tal perfume de marmeleiro

Cada curva tem o cheiro
De estrada perigosa
E de poetas, a inspiração...

Pedro Torres

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Et estiagem

Uma chuva dessas
Que da Terra a sede mata
Acordei de um sonho bom
E tu estavas ao meu lado
Antes e depois do sonho.

Eras tu o frescor da brisa suave
Da chuvinha fina ainda caindo
Fazendo barulho lá fora e nós alheios...
Que sonhamos um mesmo sonho...

Estava no fim da estação seca
Naquele período interposto
Da morte das paisagens ocres
E tudo que se lhe revelasse cor

E não temêssemos mais a dor
E a saudade não nos banhasse mais
E fosse repleta somente a nostalgia
De um sorriso de alegria no orvalhar...

Pedro Torres

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Elixir

Ter que partir
Agradecer e seguir
A dor de sentir
O plantar e florir
O desenho de colorir
Falar e ouvir
Começar e desistir
Ao longe, devagar, ir
De o farol reluzir

A ideia expandir
O calar e o bramir
Amar, existir
O gemer e o sorrir
Aumentar e reduzir
Desistir, persistir
Gerar, parir
Chegar, partir
O poema elixir...


Pedro Torres

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dúvidas

Quando não souber o que fazer e nem pra onde ir, paro o mundo e desço!

Pedro Torres

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mudança

Vivendo cá no Sertão
Faço verso mais bem feito
Sai tudo bem mais rimado
Parecendo que a rima
Veio morar do meu lado
Fazendo força no peito

Pedro Torres

domingo, 8 de agosto de 2010

Teus vinte anos e tua beleza

Essas vinte primaveras que te cercam
Te coroam de amor, de paz e luz
És linda, és meiga, porém só te disfarças
Por não saberes a beleza que possuis

Tuas vinte primaveras, vinte flores
Te perfumam, te beijam, te rodeiam
Não descobres a meiguice que tu tens
Porque os céus de amor te encandeiam

Teus vinte anos te deram mil encantos
Os teus olhos, teus sorrisos divinais
O coração que sentir o teu amor
Pulsa tanto que chora e se desfaz

Se tu tens atrativos de uma flor
És das flores a flor mais invejada
Se teus anos te fizeram como flor
És também flor entre as flores misturada

As aragens são tuas portadoras
As densas brumas te servem como véu
Te apresentas como linda patativa
Das gaiolas de luz que há no céu

Vestal linda dos templos de Diana
Parnasiana de sublime inspiração
Rainha amada das fontes de Castália
Dourado cisne do País do Coração

João Batista de Siqueira, Cancão.
Gentilmente enviado pelo organizador do livro Palavras ao Penilúnio, do escritor e poeta Lindoaldo Vieira.

"O livro pode ser adquirido nos endereços eletrônicos acima, no endereço do organizador Lindoaldo Vieira Campos Júnior (lvcamposjunior@hotmail.com), ou no Box Sertanejo (81 - 3446-8596), dentro do Mercado da Madalena."

Fonte: Interpoética

http://www.interpoetica.com/

Explêndido livro!

Pedro Torres

Aniversariante

Hoje, tua primavera e esse teu colorido.
Da parte da vida, o por viver e o já vivido
Os tantos outros planos e um dia ensolarado!...
Que estarei sempre amor, do teu lado.

Teu aniversário e restaram somente
Estilhaços dos sonhos da criança,
Os raros bons momentos na lembrança
De um viver-se feliz, eternamente...

Lembra-te de tudo quanto se esquece,
E do que a gente não esquece mais.
Da alegria que você merece...
Que hoje é também dia dos pais.

Mas, sou é poeta, vivo do exagero.
Já mandei avisar até no estrangeiro
Que hoje é festa no mundo inteiro!
Acaba-se o poema, fica teu cheiro...

(08 de agosto de 2010)

Pedro Torres

MARCAS

O ponteiro da saudade
Arranhou meu coração.


(Mote de Bira Marcolino)


As torres da minha infância
Já se perderam de vista
Uma nuvem saudosista
Aumenta mais minha ânsia
Com tamanha relevância
Que em tal situação
Vou buscar na oração
Cura pra senilidade
O ponteiro da saudade
Arranhou meu coração.

A minha mente inda guarda
As imagens do passado
Do meu sertão adorado
Que ficou na retaguarda
Cabeleira, outrora parda,
Hoje parece algodão.
Só a minha inspiração
Aumentou mais da metade.
O ponteiro da saudade
Arranhou meu coração.

A saudade, moça branca,
Acoitou-se no meu peito
Fechando a porta dum jeito
Que não tem quem quebre a tranca.
Só a poesia franca
Percebe a minha aflição
A rima, com seu condão,
Mantém minha liberdade.
O ponteiro da saudade
Arranhou meu coração.

Glosas: Wellington Vicente

Porto Velho-RO, 1° de agosto de 2010.

Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Poeta Vinicius de Moraes, Rio, 1942.

sábado, 7 de agosto de 2010

Turbilhão

A nossa vida é um carnaval
A gente brinca escondendo a dor
E a fantasia do meu ideal
É você, meu amor
Sopraram cinzas no meu coração
Tocou silêncio em todos clarins
Caiu a máscara da ilusão
Dos Pierrots e Arlequins

Vê colombinas azuis a sorrir laiá
Vê serpentinas na luz reluzir
Vê os confetes do pranto no olhar
Desses palhaços dançando no ar
Vê multidão colorida a gritar lará
Vê turbilhão dessa vida passar
Vê os delírios dos gritos de amor
Nessa orgia de som e de dor

La lalaia lalaia lalaia

Poeta Moacyr Franco

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Vício

A saudade tá viciada no sabor das minhas lágrimas.
 
Pedro Torres

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto

No entanto, a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida.
E, eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz

Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.

Eu deixarei... Tu irás e encostarás
a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite

Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço

E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só;
Como os veleiros nos portos silenciosos...

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Do Poetinha, Vinícius de Moraes.

terça-feira, 27 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

Elleanor Roosevelt

"O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos."

Elleanor Roosevelt

sábado, 5 de junho de 2010

Leva-me!

Além do horizonte, ao gosto que gostei
Perto da fonte dos sonhos que sonhei
Nas noites que acordei, nos dias que dormi

Da vontade que senti, das coisas que esqueci...
Ao viço antes solidário, dos desejos que deixei.
Ora insepultos por Terra, átono, inerte!

Átomo de qualquer força que a liberte!
Traz-me à mansidão das tuas certezas
E ao marasmo de tua perfeição!...

Busca-me dessas relvas olentes
O medo e, foge de mim silêncio!
E não me apavores quietude...

Do que não esqueço um só instante
Dos momentos que estiveram tão iguais
Onde subi ladeiras inteiras e a vi, vida

Nela, tão bela, e senti a vertigem...
Porque é criança quando somos primavera
A abrir clareiras em um peito ainda virgem.

Pedro Torres

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Diaba!

Volta pra casa o poeta ébrio,
Consigo suas palavras mudas...
Gira à procura d’outras vaidades
Ou até encontrar outras verdades
Escorrendo em linhas miúdas...

Não quero chorar rios de felicidades!
Diz-me da torrente da alegria que passa
E dentro da gente, no peito, fica
‘Co um alento de menta matinal e,
Logo após, um café bem quente...

Dar-se um fôlego de correr mil léguas
Sem censurar, sem críticas, sem tréguas,
Até em rimas de métricas sem réguas!
O teu nobre verso doce... Sem defeito!
Tomar um frescor zeferino que o sustente...

Que nada alimentas além da poesia.
Recebe cálices de incalculadas medidas;
E cursa as letras alheias por tuas veias;
Anda as tuas aranhas por tuas teias;
Das tapas ao vento leva-as à ventania...

Eu nada disse do que não houve
Tampouco diria do que houvesse
Deixaria conservar-se à superfície
A dádiva do amor que nos restasse
E algo do sangue que se sangrasse...

Se além do amor perfeito, amasse
E, por aí tu comigo se encontrasse
Talvez existisse um beijo infindo
E fôssemos viver um segredo lindo
De nós dois, pra acordar dormindo.
E beijar e amar e permanecer sorrindo...

Pedro Torres

domingo, 2 de maio de 2010

Ardil

Passaste por mim tal furacão
Fiquei bem no meio da tormenta
Onde tudo era profunda calmaria

Ora quando te vais à ventania
Nada de paz me alimenta
À tortuosa aragem do coração

As frases descolam-se do centro
Já não quero ficar no mesmo antro
Que te achas nesse meu dia tristonho

Senti falta de ti mesmo presente
E só agora que ficaste ausente
Sinto o frio ser enganoso, de tão quente...

Do que estou a rir às gargalhadas
Inda casto alheio às madrugadas
D’onde partiriam tantas alegrias...

É que preciso ler um poema teu
Com um triscado de saudade
Até uma pitada de liberdade

Algo que caiba no peito meu
Como o silêncio dessa noite fria
Ou, a noite desse tenebroso dia

Pedro Torres

Terra Mãe

Oh! Espartacus de poetas guerreiros
Oh! Atlântida de vates submersos
Salve! Meca de incrédulos violeiros
Salve! Jerusalém a mãe dos versos.

Protegei! Musa-mor, nós, teus herdeiros
Exilados, saudosos e dispersos
Abençoai! teus filhos estrangeiros
Que te amam de modos controversos

Oh! Augusta senhora solidária
Fonte de poesia centenária
Guardiã dos umbrais da inspiração.

Soberana dos versos arquiteta
Protetora de quem nasceu poeta
Fiz pra ti este verso em Oraçâo.

Brás Costa, Padre e Poeta (Padroeta)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Egoísmo.

Falam tanto em mal do século que esquecem de fazer o bem do dia.

Pedro Torres

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Da juventude extrema

"Não se pode exigir da extrema juventude a exata ponderação das coisas; não há como impor a reflexão ao entusiasmo."

Machado de Assis

terça-feira, 27 de abril de 2010

Abraço?...

Jamais te diria adeus!
Que sei não voltarias
A olhar nos olhos meus,
Enchendo-os de alegrias.

E, sem intervalos de ar
Iniciar uns abraços, sem par...

Mas, desse abraço, poeta!
Desse último, de despedida,
Que se dá antes da partida?!
Eu deixo pro fim da reta!

Pedro Torres

sábado, 24 de abril de 2010

Se Voltares...

Como o sândalo humilde que perfuma
O ferro do machado que lhe corta,
Hei de ter a minh'alma sempre morta
Mas não me vingarei de coisa alguma

Se algum dia, perdida pela bruma,
Resolveres bater à minha porta,
Em vez da humilhação que desconforta
Terás um leito sobre um chão de pluma.

Em troca dos desgostos que me deste,
Mais carinho terás do que tiveste
e meus beijos serão multiplicados...

Para os que voltam, pelo amor vencidos,
A vingança maior dos ofendidos
É saber abraçar os humilhados.

Poeta Rogaciano Leite, em Carne e Alma.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pensadores

Se pensar distingue os homens dos animais irracionais, pensar bem, os distigue entre si.

Pedro Torres

Com Tua Imagem na Memória

Meu quarto está gelado de Saudade!
As cortinas imóveis... sobre tudo
Desce a tristeza... Meu canário, mudo,
Já não vê quando chega a claridade!

Que silêncio mortal! Nem range a porta...
A sala é um ermo... as horas estão frias...
O piano é um cemitério de harmonias
Dormindo na mudez da noite morta!
*

Chego à janela: só tristeza existe...
O jardim não tem mais aquele encanto...
O cata-vento que oscilava tanto,
Já deixou de oscilar... tudo está triste!

Fumo um cigarro... em sonhos me embeveço...
Lembro uma data.. em cismas me dilato...
Leio uns versos, revejo o teu retrato...
E quero te esquecer, mas não te esqueço!

A vontade de ver-te me tortura!
Não posso mais... cansei na longa espera!
Vem, meu amor! Acorda a Primavera!
Tira minh’alma desta noite escura!

Poeta Rogaciano Leite, em Carne e Alma.

Pedro Torres
* Ver Comentário

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tem gente pedindo esmola, estipulando a quantia

Dei esse mote pro poeta Maviael Melo que me presenteou com este primeiro dez linhas:

Todo cavalo que é dado
É dispensado o sorriso
Conselho não é aviso
E nem se compra, é doado
Aceite então o ofertado
E agradeça com alegria
Quem determina franquia
De favores não decola
Tem gente pedindo esmola
Estipulando a quantia


Mote Pedro Torres, dez linhas do Poeta Maviael Melo, agora à pouco.

Escuro

A companhia desta noite
É o abjeto negror da vida,
Toda aquela escuridão...

Crepúsculo que acompanha,
Sem descansar seus passos
Do futuro, o que inda falta...

Que diria outro poeta?
Bebe a dor em si,
Até enlouquecer um tempo

Volta à incerteza da vida e,
Dada a certeza da morte,
Abriga-te sob o certo Sol.

E esta noite, somente noite,
Dedica-te a batalha nossa
Acolhei um só guerrear!

Pedro Torres

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mais Uma Vez

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Poeta Renato Manfredini Jr.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Advogado (11-08)

Defende todo direito,
Todo mérito e razão:
A justiça: seu preceito,
E sempre atento a questão...

Vejo assim, o advogado:
Ser um astro na oratória,
Pulso firme e dedicado,
Ele segue a trajetória...

Quase sempre enaltecido
Vejo um ser inteligente.
É nobre e reconhecido,
Dentre gente, que for gente...

Por isso, vai meu respeito
Para todo advogado,
O defensor do direito
Que sempre será lembrado

Poesia que integra o 4º livro do Poeta Wandisley Garcia:
Calendário Poético
http://www.wandisleygarcia.blogspot.com/

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Contra o amor

Minh'alma foi não sei para onde,
qualquer dia me contem do amor,
virei parte do nada,
desafiei as paixões,
apaguei todos os sentidos e sentimentos,
mostrem-me porquê perdi a razão.

Hoje não sou amante, só apaixonado,
quero minha fêmea de volta,
minha outra parte, o que foi daqui,
quero viajar por outros tantos lugares,
temos todos os amores e a coragem,
falta um sim ou então vem sem avisar.

Corro contra os ventos e mares,
o sol não me assusta,
deixem que floresçam as flores,
não sei mais escrever,
preciso antes arder de amor,
não lembro das luzes das estrelas,
sem destino perdi a memória,
luto contra a falta que me faz.

Meu sorriso volta quando vem,
viro menino por um tempo,
estendo minhas mãos,
entrego-me à sua ternura,
deixo ir por onde o instinto nos leva,
não sei mais dos meus sonhos,
paro por alguns instantes e lembro,
talvez ainda volte, a esperança é um talvez.

Quantos corações queria ter,
entregaria todos às nossas paixões,
faríamos planos novos para muitos amanhãs,
deixaríamos marcas em todos os amantes,
os dias e as noites teriam razão de existir,
diríamos ''não'' às despedidas,
as partidas ficariam proibidas,
íamos ser muitos em um só amor.

Quero as nuvens negras longe,
alguns medos ainda me rondam,
preciso de um Deus que me proteja,
que deixem longe os ventos do mal
e as tempestades que devoram a confiança,
sou justo e quase sempre injustiçado,
a paixão vai quando não quero,
o amor chega quando a solidão entra no peito.

Não sou contra o amor, a paixão,
não quero outro coração no meu,
sinto falta de seus carinhos, das horas juntos,
preciso plantar outra flor,
cantar outras músicas e sorrir,
talvez volte o desejo de me entregar,
quero a ansiedade, as promessas de amor,
guardei tudo aqui, só falta você.

Caio Lucas

A Cura

Pro fim do tédio
Pulou do prédio
Virou suco de gente
E deixou um bilhete
Nada comovente
E o globo girou
Num breve rodopio
De lá despencou
A vida já por um fio
De repente, quebrou.

Então encontrou o poeta
E a força que o suportava
Aliou-se a força do fundo
Nada mais lhe era devido
E o impulso que faltava
Veio como um gemido
Do seio do mundo.

Aquele mundo suporte
De repente, inexistia
O que era poesia
Virou reles fagulha
A apontar pro norte
Sopro de brasa, agulha

E cansado das incompreensões
Viu por terra as últimas esperanças
Sempre o que restava por último...

Na última ampulheta
Deu o giro final, fatal
Nada mais esperava
A alegria morrera
O poeta não suportou
A cura não curou
E a vida, não preponderou

Todos os poemas que escreveria
Com, ou sem, qualquer alegria
Ficou para outra ocasião
Devagarzinho silenciou seu coração
E o silêncio lhe doía mais
Que aquela estreita passagem
Tudo fora mera ilusão.

Pedro Torres

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Caxangá

No sertão coroado de facheiro
Sou o canário cantando atrás da grade
Venho hoje pedir cá da cidade
O cajado do mestre conselheiro
Minha mente jamais esquece o cheiro
D’uma chuva molhando a terra quente
Lavadeira lavando a dor da gente
Preta velha abanando o fogareiro
Pai Tomás acendendo o candeeiro
No momento que o Sol toca o poente



Toda minha visão é catingueira
Minha sede é de água de quartinha
Sou um fantasma das casas de farinha
Sou um pedaço de vida em fim de feira
A bala que tem mira certeira
Um cordel de palavra incandescente
Sou a presa afiada da serpente
Que cochila nos pés do cangaceiro
Esta noite eu retalho o mundo inteiro
Com a peixeira amolada do repente

Poeta Lirinha (José Paes Lira)

Passarinha

Voou pra bem distante
Meu pássaro canário.
Foi visitar outro cenário
Voar por outra vazante..

Eras tudo... – Oh, passarada vil!
Levaste embora meu amor
E toda chuvarada de abril

O meu sentir mais dolorido
Do meu jardim colorido
A sua mais bonita flor...

Mês que se fez desgosto
Para o fim deste agosto
Em meu poema sutil..

Sol, beirando à já posto
À argúcia do teu rosto
Deixar o corpo febril!

Sentir o frescor do mundo
Vindo da umidade da brisa
Nativa do riacho profundo
Da paz que a gente precisa.


Mas, se uma parte de saudade
Doer sem precisar a dimensão
Do que só um exato silêncio diz...

Lembra-te de nós, infinitamente!
Volta, e chega de tanta saudade!
Dá-me de beber da tua felicidade.

Pedro Torres

segunda-feira, 29 de março de 2010

Condito

Ou tal ater-se sem se atar,
Atear sem se queimar,
Dirá viver sem se atirar...

E seguir sem se abater,
Em um amar, sem viver...

Quero as mentiras mais suaves da vida
E de ti os beijos mais doces
Os abraços mais quentes e ternos, quero.

Ou que fiques dormindo um sono bem bom
Enquanto faço café, após nosso amor vingar-se
De toda saudade que sentimos àquele tempo...

Eu quero a tua companhia e teu desejo
Egoisticamente te quero inteirinha minha
E cuidarei de nossas crias, com todo o amor dessa vida
Da luz que irradias no olhar e do teu pulso forte.
Da harmonia, da paz, da calma, da perfeição... Tudo!

Pedro Torres

Doce

Vivia reclamando a desventura
De Deus lhe ter dado ser poeta
Ter-lhe incumbido de uma meta
E enchido seu peito de amargura

De modo que era triste o seu canto
Lágrimas banhavam o seu pranto
E, como anjo, apareceste criatura
Derramando, às canadas, tanta candura

Que quando já pensava: é sem jeito!
O coração bateu como nunca havia batido
E o poeta que acreditava ter morrido

Viu brotar o amor dentro do peito e,
Percebendo que acabara de ter nascido
De tanta felicidade, não coube em um só grito...

Pedro Torres

domingo, 14 de março de 2010

Mil Pedaços

Eu não me perdi,
E mesmo assim você me abandonou...
Você quis partir, e agora estou sozinho
Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que-o feriu
Adeus, adeus ,adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
Eu não me perdi,
e mesmo assim ninguém me perdoou..
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser: Vou fugir dessa dor.
Meu amor,
se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços...

Poeta Renato Manfredini Júnior

quinta-feira, 4 de março de 2010

Só Hoje

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal...
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir
(que te faça rir)

Hoje eu preciso te abraçar...
Sentir teu cheiro de roupa limpa...
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz!

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você...
Com qualquer humor, com qualquer sorriso!
Hoje só tua presença...
Vai me deixar feliz.
Só hoje

Poetas Fernanda Mello e Rogério Flausino

terça-feira, 2 de março de 2010

Dias de estradar

Eu e meus trinta e nove amigos
Encontramos acasos e abrigos
Eu, não somei tudo quanto podia
De tanto andar por aí, distraído...
Até sem rima pra minha poesia.

E quando pensei ter-me esquecido
Entristecido por tanta desventura
Encontrei na mais linda criatura
Cola pro meu coração partido.

Na matemática das métricas
Ousei desconstruir os versos
Fincados em tempos perversos
Grifei poemas em escritas brancas

Dividi contigo os meus recados
De perdão para os meus pecados
Tudo que pedi me foi negado
Um beijo, um abraço, um fruto
Nada, do que pra sempre muito

Um pouco do que mereço?
Quase toda essa sua sanha
Que o meu anseio assanha
Matar essa vontade tamanha
Que nosso enredo arranha

Antes, quero flores no teu caminho
Os espinhos que aparecerem
Piso-os todos, alegre e sorridente
E sangro todo o sangue que preciso for,
Por sangrar contente!
 E sinto toda a delícia da dor...

Das pedras que nos atirarem,
Façamos nossa fortaleza
Um manto de raríssima beleza
Sobre as pedras, observemos os horizontes,
os planos e os largos!

E, sob as pedras, em desenganos,
Nos abriguemos das piores tempestades
Nas mais lindas cavernas calcárias!

Pedro Torres

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Amargurar

Quem nunca soubera
Aonde começara a vida
Buscava o findar da morte

E antes que se apercebesse
Um dia antes da véspera
Acordou do pesadelo

Ouvia a dona da voz
Que lhe invadira a alma
Trazendo-lhe a paz, a calma
Ainda que muito feroz

Era tal rugido de leoa
Protegendo sua cria
Mas tudo lhe parecia
Menos doído e enfadonho

Àquele pesadelo medonho
Quis o poeta regressar
Apesar das espinhentas
Cenas de amargurar

Numa vontade ensandecida
Ingeria todo éter que podia
Quem sabe voltava um dia
Àquela paisagem querida

Sentindo o passar da era
Desgraça de sua existência
Chorou e pediu clemência
Pois, bem distante da fera

E tudo se estremeceu
Ao acordar das ondas boas
Do mar que aconteceu
Do barulho que atroas

Era o final da última estação
Quando o pulso inda pulsava
Que a corrente que faltava
Percorreu por sob o chão

E de tanto querer estar
Exclamava sem pensar:
Pode me chamar de louco,
O que veio ainda é pouco!

Reescreva tudo novamente
Alinhe a linha da palma da minha mão
Que eu só restarei contente
Quanto alegre meu coração

E o meu amor sorridente
Comigo para sempre ficar
Sem somente esse atravessar
De um se amar eternamente...

Quero o agora, agora
Que o futuro é de quem lá morar
E quero logo, sem demora
Tudo que me foi dado imaginar!

Pedro Torres

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Em branco

Amor que tarda
Noite que finda
Esperança vazia
Celeiro de vida...

Não querer falar
E não escutar
E fugir da luta
Sem se queimar...

Alvor d’outro dia
Se de iluminar
Arder dos olhos
Recriar a dança...

E sem qualidades
Em última centelha
O verso espelhar
Doer de saudades...

A pressa é o passo
Fatal da batalha
O cortar de navalha
Do fio e da morte...

Pretender o apreço?
Eis o recomeço
Do teu jardim
E nada de mim...

E, se me falto
Nada me sobra
A merda da obra
Gritar bem alto.

Pedro Torres

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cinza

E tudo desaparecera por completo...
Em minh’alma por tanto tão liberta
Ora acorrentada em cais de porto
Donde me carrego e, às vezes, me parto...

E lá, de saudades saciados, já fartos
Irmos caminhar à nossa estrela
Indagar a verdade, por devê-la,
O que nos espaçava, o deserto.

Nada do que antes nunca fora
Sentimos a um só tempo e sendo
O idear, que antes tão cruel,
Desvendar a alegria nesse papel...

Essa tal distância imaginária
Soasse então quão sanguinária
E fosse ilusão mal acabada, fiel
Do que se completa pela metade...

Mil vezes essa dor de não vê-la
Em meu canto inverso de amor
E viver intensamente essa dor
De exercitar a paciência, e tê-la...

Nessa estação inda chovê-la
Uma chuva bem chovida
De olhos d’água, sem retê-la
E permitir aquela correnteza...

Saber-se então de novos saberes
E entalar-se com o líquido precioso
Bebera nada, assim, tão gostoso
Fartar-se, por cumprir deveres...

E nada do que restara
Fora alegria que houvera
Totalmente consumida
Àquela quarta das cinzas...

E o verso triste que escreveria
Por te ter, por te amar,
Transformou-se em poesia,
Que me diz de ti, e do mar...

Pedro Torres

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

L'Âge D'Or

Aprendi a esperar
Mas não tenho mais certeza
Agora que estou bem
Tão pouca coisa me interessa...

Contra minha própria vontade
Sou teimoso, sincero
Insisto em ter
Vontade própria...

Que a sorte foi um dia
Alheia ao meu sustento
Não houve harmonia
Entre ação e pensamento...

Qual é teu nome?
Qual é teu signo?
Teu corpo é gostoso
Teu rosto é bonito...


Qual é o teu arcano?
Tua pedra preciosa?
Acho tocante
Acreditares nisso...

Já tentei muitas coisas
De heroína a Jesus
Tudo que já fiz
Foi por vaidade
Jesus foi traído
Com um beijo
Davi teve um grande amigo
Não sei mais
Se é só questão de sorte...

Eu vi uma serpente
Entrando no jardim
Vai ver
Que é de verdade dessa vez...

Meu tornozelo coça
Por causa de mosquito
Estou com os cabelos molhados
Me sinto limpo...

Não existe beleza na miséria
E não tem volta por aqui
Vamos tentar outro caminho
Estamos em perigo
Só que ainda não entendo
É que tudo faz sentido...

E não sei mais
Se é só questão de sorte
Não sei mais, não sei mais
Não sei mais...
Oh! Oh!

Lá vem os jovens
Gigantes de mármore
Oh! Oh! Oh! Oh!

Trazendo anzóis
Nas palmas da mão
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Não é belo todo
E qualquer mistério
Oh! Oh! Oh! Oh!

O maior segredo
É não haver mistério algum
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Poeta Renato Manfredini Júnior

domingo, 24 de janeiro de 2010

Dom de Poesia, Poeta Welton Melo

Quando a voz que ecoa no meu peito
Sussurrar o seu verso derradeiro
E eu sentado encostado ao travesseiro
Fabricar um poema com defeito
Quando alguém me ouvir com preconceito
Pondo em dúvida a origem do meu hino
Pedirei com clamor ao pai divino
Me carregue do mundo dos mortais
Quando a luz do meu dom não brilhar mais
Deus ascenda o farol do meu destino

Quando a mina de verso se esgotar
E o meu nome cair no esquecimento
Tornar-me-ei um poeta sem talento
De sequer um soneto improvisar
Mas quem sabe alguém possa se lembrar
De um poema que fiz quando menino
E afirme com força, garra e tino
Que eu também já fui bom, anos atrás
Quando a luz do meu dom não brilhar mais
Deus ascenda o farol do meu destino

Poeta Welton Melo

sábado, 9 de janeiro de 2010

Chora, às pedras...

Quando a chuva serena cair, lá fora...
Quando o amor disser, não chora
Que já não vai embora...

Que o tempo, parou pra nós...
E jamais ficaríamos sós, àquela hora
Quando nosso amor é para sempre...

Lembra-te de tudo que aprendemos
Dos trovões na invernia: Amo você!
E beijos de relâmpago, um céu negro,
Iluminado em nosso canto, em verso

À noite de luar, numa luz de amar
As lágrimas, que não te furtariam a paz
À justa luta quanto digna a causa

Amamos até durante a despedida e, a vida
Viu-se principiar da nova estação, de regressar
Assistir a dor e conduzir um sorriso feroz...

E, sobre as pedras, a magia do horizonte atroz
Que ouvimos o infinito, e cada melodia da voz
Que se fez pra nós, até o surgir do outro dia...

Meu sol, minha vida, minha luz, meu tudo.
Só o polimento da mão separa a ágata,
Ah! Doce lado da minha amargura...

Pretensão de poeta falar do amor
E da dor que imensamente sente e,
Fingir-se tão completamente, o que deveras...
Que náufrago da própria embarcação!

E teus olhos, se porventura choras
É cascata de lágrimas que canta
O amor que a saudade decanta...

Vem, transborda-me a represa
E preenche-me de tua alegria
Faz-me pleno, em tua companhia
Sê comigo, a rima da minha poesia
Dá-me o sossego da tua inquietude

Depois de tudo, permanecer contigo
Quanto Arlequim ardesse e desejasse
Um amor de Colombina, em prantos
Partiria ao coração do Pierrot?!

Ah! Quanto quero isso, fevereiro...
Dizer-te, te amo, e a calmaria
De um sono razoável e, pra sempre!
O abissal carnaval!

Pedro Torres

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Mulher que Eu Amo

A mulher que eu amo
Tem a pele morena
É bonita, é pequena
E me ama também

A mulher que eu amo
Tem tudo que eu quero
E até mais do que espero
Encontrar em alguém

A mulher que eu amo
Tem um lindo sorriso
É tudo que eu preciso
Pra minha alegria

A mulher que eu amo
Tem nos olhos a calma
Ilumina minha alma
É o sol do meu dia

Tem a luz das estrelas
E a beleza da flor
Ela é minha vida
Ela é o meu amor

A mulher que eu amo
É o ar que eu respiro
E nela eu me inspiro
Pra falar de amor

Quando vem pra mim
É suave como a brisa
E o chão que ela pisa
Se enche de flor

A mulher que eu amo
Enfeita a minha vida
Meus sonhos realiza
Me faz tanto bem

Seu amor é pra mim
O que há de mais lindo
Se ela está sorrindo
Eu sorrio também

Tudo nela é bonito
Tudo nela é verdade
E com ela eu acredito
Na felicidade

Tudo nela é bonito
Tudo nela é verdade
E com ela eu acredito
Na felicidade...

Poeta Roberto Carlos

O Homem

-"No momento em que eu ia partir
Eu resolvi voltar"


Vou voltar!
Sei que não chegou a hora
De se ir embora
É melhor ficar...


Vou ficar!
Sei que tem gente cantando
Tem gente esperando
A hora de chegar...


Vou chegar!
Chego com as águas turvas
Eu fiz tantas curvas
Prá poder cantar...


Esse meu canto
Que não presta
Que tanta gente
Então detesta
Mas isso é tudo
O que me resta
Nessa festa!
Nessa festa!...


Eu!
Vou ferver!
Como que um vulcão em chamas
Como a tua cama
Que me faz tremer...


Vou tremer!
Como um chão de terremotos
Como amor remoto
Que eu não sei viver...


Vou viver!
Vou poder contar meus filhos
Caminhar nos trilhos
Isso é prá valer...


Pois se uma estrela
Há de brilhar
Outra então tem que se apagar
Quero estar vivo para ver


Oh!
O sol nascer!
O sol nascer!
O sol nascer!...


Eu!
Vou subir!
Pelo elevador dos fundos
Que carrega o mundo
Sem sequer sentir...


Vou sentir!
Que a minha dor no peito
Que eu escondi direito
Agora vai surgir...


Vou surgir!
Numa tempestade doida
Prá varrer as ruas
Em que eu vou seguir


Oh!
Em que eu vou seguir!
Em que eu vou seguir!...


Poetas Raul Seixas e Paulo Coelho

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Soul Parsifal

Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p'rá mim

Poetas: Renato Manfredini Junior e Marisa Monte

Presença do Perfume

Quando a mão com sutil delicadeza
Solta pingos de água num jardim
Cada pétala se abre dum jasmim
Num sorriso com dúlcida pureza.
Uma essência se exala com leveza
Dando beijos na mão com seu olor
Perfumando com plácido fulgor
Numa oferta divina do seu lume
Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor.


Cada dedo oferece os orvalhos
Derramados do céu da sua mão
E a flor faz surgir do coração
O presente divino dos seus galhos.
Colibris fazem vôos com atalhos
Numa pressa coberta de temor
Como lindos parceiros do amor
Beijam flores morrendo de ciúme
Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor.


A presença dos pingos cristalinos
Derramados da mão como presente
Faz a flor se abrir toda contente
Igualmente o sorriso dos meninos.
Do seu corpo surgem olores finos
Com mil beijos dum grande sedutor
Infiltrando-se nos dedos com ardor
Sem ouvir beija-flores com queixume
Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor.


Eu comparo a grandeza da verdade
Praticada através da ação humana
Quando a mão da virtude soberana
Joga os pingos divinos da bondade.
Sobre o campo da vida o amor invade
Com essências tocando o regador
Perfumando o seu gesto doador,
Onde Deus no seu peito logo assume
“Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor”.


Poeta Gilmar Leite no mote do Poeta Xico Borges

Nota: "Praticada através da ação humana"
O vocábulo "através", no poema, significando por meio de, por via de, não encontra respaldo gramatical ou literário para sua sustentação. Através significa: Por dentro de, por entre. Trata-se de um advérbio.
Mas, como na poesia pode tudo, inclusive o nada, tá valendo, como diz o poeta Miguel Marcondes.

Pedro Torres

Minha Fala

Eu quero pedir licença
Pros senhores dessa sala
Pra registrar minha fala
Dizendo um verso de amor
Sou um cantador
Me casei com a saudade
Namorei a liberdade
Dei meia volta na dor

Com muita sabedoria
Meu coração criou asa
E foi bater na sua casa
E por lá se apaixonou
Agora um novo amor
Isso é que é felicidade
Tristeza volte mais tarde
A alegria já chegou

Eu agora quero a paz
Quero a tua companhia
E minha vã-filosofia
A solidão carregou
Você é minha flor
Minha doce formosura
Minha febre, minha cura
Minha vida, meu amor

Mas nem tudo aqui é pranto
A gente tem poesia pra viver
A gente sonha, a gente ama, a gente briga
A gente arenga, se intriga
Mais depois vem o prazer

Poeta Maciel Melo

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mensagem de Ano Novo

Novo ano e nova história
Necessita ser mostrada
Cada dia é um capítulo
Dessa nossa caminhada
Deixando o rastro que prova
O sentido da jornada.


Esperanças se renovam
Projetadas novas metas
As estradas do futuro
Já recebem as novas setas
E as musas permanecem
Nos corações dos poetas.


Desafios surgirão
Para serem superados
As paixões farão seus ninhos
Nos peitos enamorados
E as lições do presente
São sementes do passado.


Nova bandeira hasteada,
Novo mastro, novo pano,
Novo toque de incentivo
Na busca de um novo plano
Novo estilo e novos versos
Pra termos um novo ano.


Poeta Wellington Vicente.
Porto Velho, 03/01/2010.