sábado, 15 de agosto de 2009

Tão

Deuses vossos mandem-me a cura para a saudade
Que o meu mandou-me apenas ela e à cidade

Sejais piedosos com quem não conhece a verdade
Inda que tudo seja metade de uma vã vaidade

E, sobretudo juramos de tudo ser do todo metade
Ter acontecido seria uma estúpida chegada e partida
Embora de ambas as partes seja a partida mais doída
E que descubra de realizar a nossa jura de felicidade

Distantes do frio que nos aquecíamos sob o luar
Que só nos vestia aquele lençol da noite escurinha
Minha honra é tua e a tua honra é minha, sozinha
Ora um segredo: Estou "Sem Nome" e vou abanar...

Pedro Torres

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Nominada Cecília Meireles

"Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa / Não sou alegre nem sou triste: / Sou poeta..."

Cecília Meireles

Do Avesso

O avesso é o circunflexo, nada além do ponto de partida.

Aquela velha verdade absoluta do início, do caos, do absurdo, do espanto, da ignorância....

Um todo que a partir deste indeterminado ponto referencial gera a grande descoberta de que tudo isso não passa de uma  insatisfação covarde, imposta por uma horda de escrúpulos duvidosos, seu mero desprazer.

Todavia, alheios, e, não devaneios de mentes ensandecidas. Ou estaríam todas as coisas ainda esperando o mesmo trem em outra estação!

Pedro Torres

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pranto Meu

Você nem sabe o que se passa em mim
Quando destino meu olhar ao teu.
A amargura corrói a candura
Que ainda existe neste peito meu.

Você insiste em colocar um fim
Faz o meu sonho aos poucos dissipar
E eu vejo o mal que fiz ao meu jardim
Quando em teu beijo fui me embriagar.

Não quero ver-te linda criatura
Inerte fico em volta da doçura
Do teu sorriso foge o riso meu.

Não quero ver-te doce criatura
Tua alegria a minha desfigura
E abraça ainda mais o pranto meu.

Josimar Matos / Márcio Rocha

Imaterialidade

Mil borboletas celestiais
Povoam o UNIVERSO,
Materializam-se, tocam clarins.
Suas asas coloridas
Aparecem reluzentes,
Irradiando os tons da natureza,
Onde predomina
Um azul decomposto
Pela luz solar
E inebriam...
Sao ANJOS da paisagem,
Voam velozmente
E sigo-as com o olhar,
Rapidamente.
Caminho e conduzo-me mata a dentro,
Penetro no reino dos deuses,
Onde abriga a inteligencia nascente.
Estou numa mata ainda virgem,
Que esconde encantos e mistérios
Em suas entranhas.
Ocultam Fadas, Silfos, Floros,
Dríades, Homúnculos, Elfos,
Duendes e Gnomos.
Habitam o seio da natureza.
Percebo o CERNE da vida.
Vejo fungos perdidos.
Mitos e lendas confundem-me,
Mas amplio os meus poderes
Da visao e audiçao.
Alcanço assim o véu da matéria.
As Nereidas e Ondinas
Sao femininas figuras.
Torno-me Arcanjo solar.
Porém grotescas figuras humanas
Aparecem desfilando por mim.
Percebo que nao sou ANJO, nem DEUS, sem sonho.
Sou homem, só,
Errante como todos
Os homens...

Josimar Matos

Libertário

Preciso libertar esta dor que trava o peito
Caminhando no deserto da saudade.
Vou encontrar a imortalidade do poeta
Soltando meus versos de outrora.

Na loucura do anseio profundo e noturno,
Vou sentir o aroma de pétalas desfolhadas.
Despindo os olhos verei telas brancas.
Ausente estará meu coração ao chegar o momento do partir.

Sem perder o medo de perder-te
Irei mais uma vez aprisionar teu “Ego”, e então,
No silêncio dos meus delírios absorverei o tédio,
E verei estrelas em teu olhar.

Na candura dos momentos que me consomem
Decifrarei a tua decisão ou não,
De ficar ou partir sem piedade.
Aí serei apenas ausência, cansaço e sonhos.

Josimar Matos

Aprisionamento

(Fuga Breve)


Já não consigo mais disfarçar e nem ocultar
A prisão que há em meu corpo insaciado.
Não pretendo mais ofuscar meu olhar no teu,
Nem calar a voz que de mim emana a ti,
Dependo da tua presença que nunca vem.

É muito deprimente ter de conviver numa angústia
Onde somos cárceres um do outro,
Somente tendo a certeza da prisão sentenciada
Numa loucura de confusões e fugas constantes.
Não somos mais nem a sombra do ontem.

O deserto em meu peito mostra claramente
Que a lacuna do amar nunca mais será preenchida.
Seremos apenas lembranças e desejos vis,
Nesta breve insanidade de seres,
Que nunca souberam realmente amar.

Josimar Matos

Portais do pensar

Mesmo que tranque
Os portais do mundo
Não vislumbrando
O crepúsculo das
Tenças auroras,
Vou rompendo prantos.

Descerei numa fingida
Indiferença de cânticos,
Até que teu corpo
Rompa arfante e belo,
Pela vereda iluminada
Dos teus flancos aparentes.

Transvisto o anjo obsceno
Mergulhando no ofício do ímpio.
Disperso um pensar, um olhar, um gesto.
Sou reverso do que já fui e não sou mais.
Meu corpo é uma ruína do passado, sem beleza,
Acobertando uma ardente ousadia.

Minha silhueta e a tua se confundem,
Num turbilhão de sons e sombras.
És a fêmea da cultivada alegria carnal;
Sou o macho singular tangendo êxtases.
Debruçado na ânsia de uma agonia
Vou profanando tuas entranhas.

Meu conflito é eterno,
Pois não consigo expulsar a volúpia.
Sou o fracasso aniquilado
Sem sonhos ou rebeliões,
Num ritual de esquecimento,
Condenando a grotesca máscara do ser.

Josimar matos

Tuparetama

Tuparetama que encanta
Aos que pisam no seu chão...
Pela beleza do povo,
Por sua organização.
Não atoa que é chamada:
Princesinha do Sertão.

Tuparetama Suave
Feito balanço de rede;
Tuparetama dos Versos
Estampados na parede...
Quem tiver sede de versos,
Chegando lá, mata a sede.

Tuparetama dos vários
Quebra-molas no caminho,
Que servem pros visitantes
Passarem devagarinho,
Como quem diz a quem passa:
Fique mais um bocadinho!

Tuparetama pequena,
Pequena, porém formosa.
Que no meio do Sertão
Se exibe sempre orgulhosa...
Se o Sertão fosse um buquê,
Tuparetama era a rosa!

Minha singela homenagem a esta cidade que sempre me acolhe tão bem,

Vinícius Gregório

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

À sombra da ninfa

À sombra dessa ninfa

Neste meu poesia tudo vai
À sátira dum poeta do mar
Da diva do meu dolorido ai

Da angústia inda verdade,
De o resto ferir-lhe o corte
Vai tudo, exceto a vaidade!

Frescor da brisa suave, a sorte,
Que debaixo dessa sombra tem
E o cheiro do sândalo que sangra..

É o sentir-se agasalhado ao frio
O intenso fio de rio, de um amor
O presumir-se da verdadeira flor...

Não se presentear perfumes
Às ninfas já perfumadas, oras,
É cortês, pois, saberias disso!

As encontrarias banhadas
Vez por flores confundidas
Que até o sol lhes pareceria sopesar...

As mãos replenas de só ternura
De tantas candeias em sua face
E sorrisos de verdadeira criatura.

Diz-me minha deusa, a mim
Que mereço de ti um afago, e
À tua sombra, dum regozijo...

Viver, embora reles mortal
À debicar do teu ar angelical
Morrer então feliz lá no final...

Seria como no sonho que não tive
Mas quem dera, a este ser profano
Não fosse quimera, ser tão humano!

Ter-te-ia, à fazer-me sombra um dia...
E quem sabe, comporia uma linda canção
Ao som de harpas, uma bela melodia...

Ousadia da minha parte, perdão!
Causar-te um tal disparate
Dizer de outra coisa bela,

Senão, somente tu, que és poesia
Pura e casta, das comoventes Árias.
Das cordas enternecidas, ao tocarem para ti.

Ao trinar da mais comovente lira,
Que o poeta ao derramar das suas lágrimas,
Enferrujara as cordas, que se arrebentaram no final...

Pedro Torres

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Um só teto

Só te tenho
Porque fui sempre sua
Te retrato quando me expresso ao ponto
Mau passado, em branco
Te garanto refúgio
Te dou abrigo certo!

Desalmados de perto,
Destino incerto
Tão longe a se cantar
de perto, só olhar...

Encanto de traços,
Conhecidos laços
Que desatam os nós
Que em nós estão a engasgar!

Fernanda Arruda

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pombo Correio - Sebastião Dias

Pra você segunda-feira
Eu servirei de correio
Quem tiver cartas escreva
Que levo um malote cheio
Com lágrimas de quem não foi
E lembranças de quem não veio

Sebastião Dias

Ósculos e Amplexos

Trocando idéias com o Mestre da poesia Maviael melo, que recebeo o mote do Poeta Galdêncio de Sertania, debulhou essa coisa linda:
Os sábios de coração
Tem poder na natureza

E entoando a canção
Num vôo de passarinho
O tempo tece seu linho
Quando acaba o verão
Os sábios de coração
Não precisam de riqueza
Verdade posta na mesa
Isso é sabedoria
Um grande sábio nos guia
Com o poder da Natureza

Maviael Melo (Salve, Salvador!)

Ainda meio tímido no estilo, arrisquei esse 10 linhas:

No pinho do violão
Eu toco uma cantiga
E trago a mão amiga
Do caboclo do sertão
O sábio de coração
Traz o pobre à realeza
Numa sutil singeleza
De uma bela poesia
Aquecendo a noite fria
Com o poder da Natureza

Pedro Torres (Ave, Pajeú)

Ingratidão

E toda aquela paixão
Que acabou de repente
Me declarei novamente
Só que recebi um não
O meu simples coração
Não sente o que sentia
A boca que mais beijei
Hoje me nega um bom dia

Iago Tales

Abandono

Não quero mais o teu amor, perjura
Não me seduzas, coração fingido
Repara, vê como eu estou ferido
Por teu sorriso de voraz ternura

És como a cobra ao sentir bravura
Das criaturas que já tem mordido
Em teu espírito há um mal contido
Pra teu veneno não existe cura

Foge pra longe com os teus encantos
Enxuga noutro teus malditos prantos
Não me atormente com teus falsos ‘ais’

Esquece os tempos que jamais revivem
Deixa eu viver como as aves vivem
Por minha vida não pergunte mais.

Cancão

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Das uvas



Néctares fermentados de um pisoteado ledo
Dumas donzelas belas, alvas e pés desnudos...
À formar um vinho de paladar inigualável.

Então bebi dele, e tudo me embriagaram, que
Acreditaram em todo que acorrentado ia-se
Em mim, por cada trago das taças cristalinas

Devera eu, pois, ter nascido então mais cedo
E não doído daqueles chulés, de doce cheiro
E impiamente nutrir-me desse vil sentimento

Ah! Maldita sentença dessa vida é o tempo
Escolhido por quem não ama por completo
A demasiada angústia contida no concreto.

Que acode o desvalido ao quedar-se ébrio
E, após, devolve-lhe à mesma medida forte
E certa misericórdia de dor até lhe acolhe.

Que diriam as tuas papilas se soubessem,
Que as minhas já se abandonaram à sorte
Deste infortúnio de ser-te fiel até a morte

Por não poder adorar-te, uva, da tua boca
Restam somente as lembranças infelizes
De uma tempestade conduzindo o poeta

Ao vinhedo noturno à cata dela, parreira,
Que emprestara aquela exata ainda uva
E rogar ao meu Senhor fazei-me: o fruto!

Mesmo que um dia tudo em si se iniciara
Ah! Viver doravante como reles migalha
De algo que vinha antes deste teu ofício.

Pedro Torres

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu Tenho Medo

Eu Tenho Medo

Me envergonho em dizer, mas tenho medo
Medo esse de amar-te loucamente
De jurar-te um amor eternamente
E depois não saber pra quem jurei
Tenho medo sim, medo de mim mesmo
De me iludir e caminhar a esmo
Sendo rejeitado por quem tanto amei
Tenho medo de amar o inexistente
E que você seja mais uma ilusão
Um produto irreal de ficção
Projetado na mente de um poeta.
Perdi o controle Ó querubim!
Pois essa dúvida que brotou em mim
Me angustia e me desconcerta
Se quiseres esnoba essa paixão
Põe em dúvida também minha existência
Mas coloca tua mão na consciência
Para não nos causar inda mais dor
Duvida sim, do meu eu, do meu falar...
Só não ouse jamais a duvidar
Algum dia se quer do meu AMOR!

Welton Melo

domingo, 2 de agosto de 2009

Um repente de Valdir Teles...

Valdir Teles, cantando ontem, 01/08/09, com Geraldo Amãncio no Sítio Grossos, de São José do Egito, no tema: MINHA INFÂNCIA NO SERTÃO, saiu-se com essa obra prima:

Pai vinha de São José
Com uma bolsa na mão
Minha mãe abria a bolsa
Me dava a banda de um pão
Porque se desse o pão todo
Faltava pro meu irmão

Poeta Valdir Teles

Enviado para mim pelo Poeta Glaubênio Teles, filho do cantador de viola repentista, hoje fincado no Estado do Pará, donde lhe esmaga o coração a saudade de sua terrinha.

Muito obrigado poeta, pela generosidade com que nos presenteias com essa obra prima do mestre da cantoria de viola nordestina que é o teu pai Valdir Teles.

És poeta que honra a verve desse aedo, daí distante, abrindo veredas sem medo.

Parabéns e que Deus te ilumine, guarde e guie divinamente!

Pedro Torres

sábado, 1 de agosto de 2009

Perfeição

Perfeição
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar eros e thanatos
Persephone e hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção

Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

Poeta Renato Manfredini Jr.