sexta-feira, 31 de julho de 2009

Poeta Dimas Batista

Deus vê do céu bem visíveis
Nossos íntimos dilemas
Pra ele não tem problemas
De soluções impossíveis
Desde que são infalíveis
Os atos do grande ser
Todos têm que obedecer
Rico, pobre, bom ou mau
Não cai a folha de um pau
Sem nosso Deus não querer

x

Fraqueza da humanidade
Alguém dirá, mas não é
Diz a tradição até
Jesus chorou de saudade
Seu coração de bondade
Da Virgem se despedia
Chorava olhando a Maria
Do Horto da Oliveira
A saudade é Companheira
De que não tem companhia

x

Os carinhos de mãe, estremecida.
Os brinquedos do tempo de criança
O sorriso fugaz de uma esperança
A primeira ilusão de nossa vida.
Um adeus que se dá por despedida
O desprezo que a gente não merece
O delírio da lágrima que desce
Nos momentos de angústia e de desgraça
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece*

Poeta Dimas Batista
*Mote da poetisa Das Neves Marinho

Marinheiro

Eu combali com a saudade
E decidi singrar os mares
Em busca de um amor perdido

Acabei à nau, perdido
Em mares muito revoltos
Envolto em meus penares

Abaixei as velas, larguei o leme do barco
Entreguei nas mãos de Deus o meu destino
Que guiou esse poeta parco.

Já me via em perfeito desatino
Bem no meio do desmedido oceano
Quando Ele traçou pra mim um plano...

Fez do céu a grande cena
E da minha língua a pena
Na grande Tranquilidade.

Tomado de ar bravio
Encontrei na poesia o fio
Da minha felicidade!

E me apontou a claridade.
Fugir da saudade é besteira
Que o amor nunca tem fim.
É a esperança derradeira.

Há quem conte d'outra maneira
Que a saudade é a companheira
Mais fiel nas horas de amargura.
Inda há quem diga que foi assim:

Que tudo ficou pra depois.
Que tudo isso é verdade
"E na história bonita de nós dois
No final, quem venceu foi a saudade..."

Pedro Torres

quinta-feira, 30 de julho de 2009

“A morte está enganada, Eu vou viver depois dela”.

Quando eu partir deste abrigo
Seguir à mansão sagrada,
A morte está perdoada
Do que quis fazer comigo,
Quis que eu fosse igual ao trigo
Que ao vendaval se esfarela,
Mas eu vou passar por ela
De cabeça levantada
“A morte está enganada,
Eu vou viver depois dela”.

Manoel Filó

Quadrinhas...

Sou um poeta que prima
Pelas belezas do sertão
Expulso do peito a rima
Presas no meu coração

Só Jesus faz amor todo dia.
Eu vim ao mundo pra ser
Um pecador por merecer
Perdão da Virgem Maria.

Saudade fogueira em brasa
Ímã de mil magnetos...
Oferto a teu pai uns netos
pra vir morar na minha casa

Eu ave da noite e do dia
Se enterrado em cova rasa
Fica de fora uma asa
Por me sobrar poesia

Pedro Torres

À medida que for lembrando das quadrinhas que fiz vou postando aqui, agonizando umas tentativas.

Peço aos poetas da boa poesia que corrijam-me na métrica, porque to aqui pra aprender e quero honrar a iguaria que aprecio.

Divergência

Seja grosseira, me responda aos gritos
Encha de mágoa o meu interior
Seus seios virgens, quentes e bonitos
Também tiveram culpa em minha dor

Sem machucar os corações aflitos
Deve ser muito bom morrer de amor
Seus olhos mostram dois aerólitos
Enfeitando o espaço ao sol se pôr

Já que não posso merecer seu porte
Fico parado condenado a sorte
Que não nos trouxe condições iguais

Eu não sou cofre de guardar segredo
Ou tive culpa de nascer mais cedo
Ou foi você que demorou demais

Manoel Filó

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sem nome

Eu soube de tuas setas
Fiquei até sem palavras...
Ao ouvir por tuas lavras
Das juras suas secretas

Que por minhas portas abertas
Entrara o amor que incendeia
Nesse coração que alardeia
Desde as searas mais desertas

À cidade mais cosmopolita
És a morena mais bonita
Que tem lá na minha aldeia

Essa distância não existe!
E é mentira que estou triste!
É tudo um ledo engano!

Esse teu nada de essência,
Essa dor te tua ausência,
É o meu mais puro insano.

Pedro Torres

Vergonha

Quando passo, entre passos
Nas ruas do meu Recife
Chego em casa em pedaços
Miséria, dor e sofrimento

Nas calçadas e ruas esburacadas
O clamor do cheira cola
Criança de alugueis morrendo de fome
A pedir esmola por amor a um Deus

Velhos, aleijados e desgraçados
O que penso é a humilhação
Que fazem seu instrumento de trabalho
Uns reprovam, outros não

Qual a expectativas para estes seres
Que esquecemos que sentem frio
São almas humanas iguais a nós
Nas suas guerras intimas, estão por um fio

Manoel Fernandes Maia

Eu e o Galo-de -Campina

Triste sina de um Galo-de-Campina
Que era alegre bem antes da prisão,
Mas foi preso nas grades do alçapão
E hoje chora no canto a triste sina.

Eu também tive a sina repentina,
Pois um dia fui livre e hoje não.
Na tristeza, esse Galo é meu irmão:
Minha sina da dele é copia fina.

Hoje a casa do Galo é a gaiola.
Notas tristes no canto é que ele sola.
A saudade do Galo - a vastidão.

O meu canto é um canto de lamento.
A gaiola é o meu apartamento.
E a saudade que eu sinto é do sertão.

Vinicius Gregório

Meu peito e o chão

Preparei minha terra pra plantar,
Mas a chuva não veio até agora...
Enfeitei o meu peito para amar,
E a mulher que mais amo foi embora...

Mas as nuvens já vêm anunciar,
Que uma chuva virá regando a flora.
Só não veio ninguém pra me avisar,
Se quem amo virá na mesma hora.

Mesmo assim o meu peito é como o chão,
Sempre fértil, está de prontidão,
Esperando chover bem de mansinho...

Mas um chão, sem chover, pode rachar
E o meu peito, cansado de esperar,
Rachará nessa seca de carinho!

Vinícius Gregório
Recife 30/04/2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

Doces Lembranças

Mando de volta as cartas que enviaste,
Me declarando tão profundo amor,
E te pergunto por que é que deixaste,
O peito de amas sofrer tanta dor.

Ah! Lindas noites as quais me amaste,
E em beijaste, tal qual beija-flor,
Noites ardentes em que deliraste,
E trouxeste à tona um sonho multicor,

Hoje meu peito triste, amargurado,
Transformou todo sonho do passado,
Neste mundo cinzento em meu presente.

Para mim, restaram só doces lembranças,
Quando agarrava tuas longas tranças,
E tu roçavas em meu corpo quente.

Ciro Menezes

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Anjos

I
Anjos se lançam em pedras rijas
Pedras de amor de sentir-se dor
E são como águas que queimam
Ardem no frio e aquecem-se sós.

Celebram o raiar do sol, diário
Que de lá partem as liras e sons
Dos cânticos de ventos suaves
E das brisas fortes que afagam

Se bárbaros os recentes divinais
Que se apresentam, ora tristes
Para acompanhar o teu pesar,
Ora felizes em teus risonhos.

II

Se acaso então, eletricidade fui, hei
E nos breves penares estaria certo
A água da fonte jorraria no deserto
Cresce em decrescente, ou morrerei

Cheira os panos novos e suaves
Alivia os teus pés nos gélidos rios
Nas cascatas d'onde pedras cristalinas
Refletem linda cores inda impetuosas

Deslembra tudo, doa olor à flor mais cheirosa
Pois que és tu primavera, dês antes perfumosa
Dos espinhos que esmaguei de pés descalços
Pois inexistem travestidas as ruas de percalços

Se te passar, por um som, ou um vento frio
E acaso do cabelo castanho sedoso, um fio
Atrapalhar-se e te tocar suavemente, pensa
Relembra a palavra sinônimo de esquecer.

Descrente da língua pela qual me apaixonara
Triste do poeta que mergulhou nas palavras
Emaranhado no sombrio das letras só vazias
Que não te quero nada mais, nem de menos

Nunca deslembra da poesia de vivenciarmos
Nem por um segredo nosso à desvendarmos
Que fora uma mentira tua de minha ciência
Da carne incólume e imaculada conhecer-te

Das ideias secretas que imaginas não saberia
E não seriam revelados naquele pano branco
Do metro quadrado de linho do poema, mais
Esquece todas as juras vãs que te fiz, d'antes

III

Porque d'agora em diante eu serei mais feliz
Sabedor de tuas promessas de amor constante
Não quero provas da minha amiga verdadeira
Basta-me a tua palavra, honesta que honrarei

Vivo e morrerei por ela, minha adorada amiga
Na minha armadura não penetram lanças vis
E defendo teu reino contra os inimigos cruéis
Pois, existem nesta terra nobres senhores fiéis

Amigos de outras batalhas que travei e venci
Com glória e semblante sempre vencedor
Senti medidas de algum outro digno perdedor
Mas as adversidades fizeram-me crer no amor

E o zelo quis me conduzir a castelos de sonhos
E de ti me lembrei em cada travesseiro macio
E só quando, pra casa voltava cansado da luta
Encontrava no cio o amor de toda a minha vida

IV

Ah! Malditos moinhos que me revelastes certo dia
Faltaram-me palavras já no fim da vida a dizer-te:
Tua honra, por cego, intacta zelei, de tanto querer-te
Poeta pixote, o anjo da sorte, o cavaleiro errante!

Pedro Torres

Herdar o tempo

Eu quebrei mais de um tabú
Dormi no chão comi puro
Vencer na moleza é facil
Mas, eu venci dando duro
Peguei a nave do tempo
Voando atrás do futuro

Poeta Glaubênio Teles

domingo, 26 de julho de 2009

Adeus, até outro dia!

Sou de quem me entrego, não de ninguém...
Soberanamente, sou da rima a verso inteiro...
Nada além...
Se não fiz sonetos, sou torto, proposital
Perdão...

Mas estou vivo, e vívida demais a lembrança...
Sei conhecer a rima e o compasso, poeta
É defeito, mas também não quero e suplico
Ser nada além, que somente isso, teu

Tua poesia subterrânea, submisso, eu
Tua agonia ao aproximar-se, do tocar
Meu poesia alucinada, de um eu azucrinado
Minha bailarina da vida, meu dia primaveril

Quem aquecer a alma deste poeta, senão tu?
Que ficas irrequieta, na aproximação...
De um só reparar, conserto, sacrificar!
Nas últimas, idéias minhas, indo.

Vai queimar tuas abadas, fica, morrerei.
Que eu vou ali mergulhar, sozinho, sei.
Ver se encontro o cobre, riqueza pobre.
Do Pedro de lá, que deu o grito sórdido.
Primeiro de independência, tristeza da princesa.

Quero teu pensamento alcançar, minha manhã
E peço por delicadeza, faça-me da tua nobreza
Motivo por qual lutar, porque gritarei o frio
E sentirei calafrios, porque detesto rimar

Vou arrancar a espada, encravada àquelas margens
Daquele sujeito forçoso, do hino da pátria, amada
Vou trazer qualquer trocado, e fazer um bom roçado
Pra nós plantar um bom milho, quem sabe até, colhê-los

Quem sabe a mim me permitirás, um dia, conhecê-los
Que restaria a este vate, senão com o vento bailar...
Apadrinhar teus renovos e olhar aquele povo
Que se pôs todo a cantar:

Adeus, até outro dia... Poeta!

Pedro Torres

sábado, 25 de julho de 2009

Proposta

Saudade fogueira em brasa
Ímã de mil magnetos...
Oferto a teu pai uns netos
pra vir morar na minha casa

Pedro Torres

Tudo é Merda...

O mundo é simplesmente merda pura
E a própria vida é merda engarrafada;
Em tudo vive a merda derramada,
Quer seja misturada ou sem mistura.

É merda o mal e o bem merda em tintura,
A glória é merda apenas e mais nada.
A honra é merda e merda bem cagada;
É merda o amor, é merda a formosura.

É merda e merda rala a inteligência!
De merda viva é feita a consciência,
É merda o coração, merda o saber.

Feita de merda é toda a humanidade,
E tanta merda a pobre terra invade,
Que um soneto de merda eu quis fazer...

Poeta Damasceno Bezerra

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Que viria... Ou, Getúlio!

Vi na flâmula da pátria a esmo um astro,
Como uma estrela cadente que fenecia.
Uma Bandeira hasteada à meio-mastro,
Saudando uma tal Democracia...
E a bala disparada deixando o rastro,
Invisível da sua covardia...

Pedro Torres

O Carvalho!

O carvalho entorta com os vendavais e cresce forte e mostra em cada curva destra sua irresignações às imtempéries dessa vida borboleta...

Pedro Torres

Cervantes II

Se esqueçer é tarefa do acaso, lembrar é como um vestido para a lida diária de um viver distante. Como diria Cervantes, "A distância cura o amor..."

Pedro Torres

Novos Tempos

Às vezes
É o mundo todo .
Às vezes eu sozinha faço sentido
E navego em mares de águas d'antes revoltas...
E me equilibro, entre desafios
De um recordar errante...
Ou de um pensamento proposital, quem sabe?
E posso até chorar, também, às vezes..
Elucidar minhas incertezas.
Distante de mim,
Perto de ti...
Uma busca constante
De compreender-se
E ao mundo,
Às pessoas,
O que falam, e até
Satirizo às vezes e
Acho graça, mas
Ofereço o melhor de mim.
Ainda assim,
Uma poesia, um pensamento bom,
Uma idéia qualquer...
Um sorriso,
Ou quatro...
E só aqui me econtro
Em teus braços
Abraços, soluços,
Olhares e então
Renasço!

Pedro Torres

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Par

Derradeira, única, primeira
Eterna, sempre verdadeira
Amada, minha companheira
Amor da minha vida inteira

Pedro Torres

Paquera

Só Jesus faz amor todo dia
Eu vim ao mundo pra ser
Um pecador por merecer
Perdão da Virgem Maria

E se pra minha alegria
Tu quiseras me aceitar
Prometia te esquentar
Nas noites de chuva fria

Quem te olha com maus olhos, não te olha como eu.
Todo o meu amor é todo teu e te fito nesta linha.

Um perfume inebriante, sem álcool
Pura essência de flor
Que aguarda o mormaço quente
Uma gota do orvalho
Cada vez mais delirante
E seguindo sempre em frente
Com você no pensamento

A paixão que só me aumenta
E te acrescenta uma prolongada pausa
Para nos escutarmos
E aos nossos corações
Batendo cada vez mais forte
No mesmo compasso
Quando anoiteceu assim

Já completamente teu
Chegamos juntos a uma estrada
Que nos leva sempre
Aos nossos mais lindos sonhos,
Nossos coloridos sonhos
É sempre a mesma estrada
Que nos leva e que nos traz de volta
E te fito nesta linha...

Pedro Torres

sábado, 18 de julho de 2009

Vendavais...

As batalhas que se conquistam no silêncio da alma são as mais estrondosas!

Pedro Torres

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cervantes I

"A beleza na mulher honesta é como o fogo afastado ou a espada de ponta, que nem ele queima nem ela corta a quem deles se aproxima."

Miguel Cervantes

quinta-feira, 16 de julho de 2009

[Estações - Outono]

Caiu-se por terra meus sonhos,
E da árvore frondosa as folhas.
E despida de todos os pudores
A vi desnuda de quaisquer ares.

Jaz no chão, agora mais fecundo:
Todas suas flores antes cheirosas
E o idealizar deste poeta errante.
Peregrino desta trilha de húmus...

Fecundar a Terra em novo chão
Enfrentar feras, alimentar o cão
Vigília amiga do corpo cansado
E armo a rede segura e durmo.

E ali dos mais altos patamares,
Descubro um bocado de pano.
É linho branco puro estendido
São meus amores desertos, uno.

Já desejar somente não basta
E se na primavera não partira
E fosse aqui à quadra partida,
Enterrar-se do cadáver fedido.

Sob uma frutífera planta vil
Dês que frutos doces dera.
E o infeliz poeta primaveril
Morto fertilizasse a Terra.

Pedro Torres

Indo, Sócrates!

I

O recíproco e o estupendo
A saudade do meu poema
A confusão do meu dilema
Meus amores reunidos...

Ciúme de toda a natureza,
Do dia, da noite, da tarde,
Entranhas do meu coração
Artéria que pulsara forte

Meu barco à nau, sem norte
Minha vida e tu, A sorte...
E Deus, o leme! A morte...
Os tremas das minhas pernas

Das cinzas o subir fumaça
E sumiram em breves vôos
Levantar de minerais leves
Turvando o horizonte anil

E à alta velocidade voava
Expandia a curta extensão
Coração trigueiro, interior
Quanto mais me aceitavas

Necessitavas afugentar-me
Da colisão inevitável vinda
Mútuo de massas opostas
Reunião de meros corpos

II

Carbono matéria orgânica
Ferrenha fábula retorcida
Em inorgânico rudimento
De um teu persistir diário

Essa uma breve narrativa
Desta própria derradeira
Viagem de particular ida...
Seguro restou da partida

Na página do mesmo ano
Ode da ata de eu à Luz
Da copa de mil emoções
Fica o Dado de um Dito.

Pedro Torres

Firmes Teares

Eu vi o homem sentado na praça
Perdido no tempo da sua saudade
Olhando em desgosto a fria cidade
Querendo o respeito devido à raça
Eu vi o palhaço, sem riso e sem graça
Descendo a lona do seu picadeiro
Fechando a cortina, sem muito dinheiro
Deixando a esperança sem muita certeza
E vi a cigana sem carta na mesa
Sem ver no futuro, um presente inteiro.

Eu vi o presente tremendo de medo
Da falta de amor, dos homens covardes
Impondo na pena seus fúteis alardes
Criando interesses, ferindo o enredo
Eu vi a maldade dos podres segredos
Vi outra criança ferida na alma
Mulheres chorando e mãe sem ter calma
Jovens indefesos, no tempo, drogados
Meninas perdidas trocando recados
Vendendo o futuro por trocos na palma

Senti a saudade dos tempos de outrora
No tempo que o homem sentava à praça
Pra ouvir em silêncio um pouco da graça
Olhando sorrindo as cores da aurora
Um homem sereno, e rei da sua hora
Criando o seu tempo em pura harmonia
Trazendo o sorriso de volta a poesia
Fazendo o futuro em pleno presente
Um homem feliz e brincante contente
Sentado na praça em plena alegria

Senti a esperança voltar novamente
Na mente inocente da nova criança
De riso faceiro, bailando na dança
Em plena harmonia com o seu ambiente
Seguindo o seu curso olhando pra frente
Senti a bondade dos novos olhares
Que sorriam brilhos trazendo nos ares
Um pouco da graça dos velhos palhaços
Brincando de roda em troca de abraços
Traçando o futuro em firmes teares.

Poeta Maviael Melo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Não estiverdes só quanto estive
Bateste a porta e o bruto fora
Trancara teu espírito e tristes

Dirigi uma prece a ti, roguei
Tens a mim e não estarás só
Amigos verdadeiros somos

E fazem tudo mutuamente
Até a dor que um deveras
Outro deveras também ir

Ficar, em qualquer estado
Ausente de si, presente aí
Porém jamais esquecer-se

Nesse escuro conforto, id.
Ego, meu é não presente.
Tua cor preferida, linda!

Amar é antecipar-se até.
O doar-se infinitamente.
De tanto querer sangrar.

Não dar o gozo do choro
Ao pulha que te alimenta
De o teu doce choramingar

E confiaste ao travesseiro
Em teu silêncio, e as colhi.
Cada lágrima do teu amor,
Em mim.

Pedro Torres

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Silêncio da Noite...

No silêncio da noite eu tentei escutar
A nova palavra da velha poesia
Pra poder acordar em um novo dia
E ir colhendo outros versos pelo ar
Tão somente querendo encontrar
O descanso depois de uma Jornada
Veio o fogo queimando a madrugada
Aquecendo outro sonho que esfriou
E entre as chamas o vento sussurrou
Outras brisas rompendo a alvorada

Um cachorro deitado na calçada
Cão sem dono vivendo o seu inferno
A neblina com cheiro de inverno
Aquecia entre fronha a coisa amada
Um vigia embica uma lapada
E sussurra outros silvos pelo vento
Cada rua que passa ouve um lamento
No silencio da noite que adormece
Dá três voltas, se deita e agradece

A aquarela que pinta o firmamento
E a harmonia das cores traz o alento
De quem sonha com as cores da saudade
Uma estrela perdendo a claridade
Distancia o velho pensamento
Completando outra vez o movimento
Leva junto o sereno que restava
Entre restos um doido cutucava
Procurando a palavra que alimenta
Em silêncio resmunga e se lamenta
Pelas voltas que a vida então lhe dava

Um boêmio tocava ao violão
O acorde que vai se despedindo
Duas moças da noite passam rindo
Atiçando-lhe o poder da criação
Num soneto ele canta outro refrão
Dando voltas com a nova cantoria,
A madruga cochila aos pés do dia
Que invade o silêncio com seu canto
E a noite já sonha em seu encanto
Com a Luz que a tudo principia.

Poeta Maviael Melo

sábado, 11 de julho de 2009

“Não sou alegre, nem sou triste. Sou poeta“

Aos primeiros sinais da invernada,
Logo após longo tempo de estiagem,
Lá da serra, do vale e da barragem
Escutamos os sons da trovoada.
Vislumbrando a campina esverdeada,
Sertanejo se anima igual criança.
Logo mais, quando o mato se balança
E um corisco atravessa o céu nublado,
Cai a chuva no colo do roçado,
Germinando o pendão da esperança.

Poeta Marcos Passos

Abertura

Afasto-me desconcerto,
Sinto o chegar taciturno,
Do algoz invólucro meu...
Condenadas reticências!

O caldeirão de canalhas,
O Dono de todo o fosso,
Espúrios do rei deposto,
Ateares o seu desgosto.

Alguém dera ferir-me,
Com uma falsidade vã
Ao participar da carne
Da cura, parca e podre.

E despedaçado fiquei.
Convidarei à sua taça!
E bem naquela praça,
Venha e encontrarás.

Pedro Torres

Sintaxe Feminina

Leio: “Meu bem não passa-se um só dia
Que de você não lembre-me”… Ora dá-se!
Mas que terrível idiossincrasia!
Este anjo tem as regras de sintaxe!

Continuo: “Em ti penso noite e dia…
Se como eu amo a ti, você me amasse!
“Não! É demais! Com bruta grosseria
A gramática insulta em plena face!

Respondo: “Sofres? Sofrerei contigo…
Por que razão te ralas e consomes?
Não vês em mim teu dedicado amigo?

Jamais, assim, por teu algoz me tomes!
Tu me colocas mal! Fazes comigo
O mesmo que fizeste com os pronomes!”…

de Bastos Tigre

Libertas

Rabisquei poemas inteiros
Relato de pícaros sonhos
De intricados versos nossos

No céu negro estrelado
Do meu noturno vida
Esboço da linda estrela

De um sol introvertido
Trás da Terra abrigado
Prover de luz à orbe lunar

"Um estupendo estampido"
De brados silenciosos
Deserdados no motim

Roupa hilária de migalhas
Do vestido que fenecia
Da pátria que lhe paria

E do sujeito constrangido
"Às margens do Ipiranga",
Excessivamente plácidas...

Enfado de mochilas vagas
Da morena em mel e cio,
As picadas do guerrilheiro

Alvitres do verdadeiro
Anti-herói sanguinário
Da Poesia libertária

Ideia depois consagrada
Hirtos de ardor maior
Do trovador brasileiro

Pedro Torres

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cabra-Cega

À volta de incerto fogo
Brincaram as minhas mãos.
... E foi a vida o seu jogo!

Julguei possuir estrelas
Só por vê-las.
Ai! Como estrelas andaram
Misteriosas e distantes
As almas que me encantaram
Por instantes!

Em ritmo discreto, brando,
Fui brincando, fui brincando
Com o amor, com a vaidade...

— E a que sentimentos vãos
Fiquei devendo talvez
A minha felicidade!

Pedro Homem de Mello, in "Jardins Suspensos"

Ideias platônicas

No mundo das juízas tudo está acabado e belo, no concreto imperfeito, nada surge quanto não fora antes absurdamente conflito, ora indúbia em quaisquer mentes.

Pedro Torres

Índios

Índios
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Quem me dera
Ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro
Que entreguei a quem
Conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora
Até o que eu não tinha

Quem me dera
Ao menos uma vez
Esquecer que acreditei
Que era por brincadeira
Que se cortava sempre
Um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda

Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!
Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do iní­cio ao fim.

E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar por um instante
Em tudo que existe
E acreditar
Que o mundo é perfeito
Que todas as pessoas
São felizes...

Quem me dera
Ao menos uma vez
Fazer com que o mundo
Saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz
Ao menos, obrigado.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado
Por ser inocente.

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!

Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.

E é só você que tem
A cura pro meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

Poeta Renato Manfredini Jr.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Poeta Libertário

Poeta libertário
o mundo imundo
precisa de teus sonhos
necessita do teu saber
verifique nos teus pensamentos
pedaço do teu ser.

Poeta libertário
em teu pequeno quarto
passam idéias liberais,
nas entranhas da tua alma
encontre-se com você.

Sois forte na neblina
encruzilhada dos eleitos,
encontro dos tranquilos,
com o coração em chamas
num território perfeito.

Poeta libertario
eis ousado pelos
gemidos que ouve,
dos desolados que choram,
pela vida que faz renascer,
pela tua suave poesia.

Poeta Manoel Fernandes Maia

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Birra

Minha cabeça parece uma caixa cheia de pedra.
Estou atolada de pensamentos de todas as espécies e formas.
Isso de ter que ser educada e feliz a todo tempo não cola mais.
Tenho machucado as pessoas
E não me preocupo nem um pouco à respeito.
Não quero mais remediar as babaquices que faço.
Muitos me machucam
E falam coisas horríveis de mim,
E não estão preocupados se me sinto bem, ou mal com isso tudo.
Não acredito em pessoas que vivem a sorrir,
Quem assim se comporta mente, mais quem não mente?
O que eu faço com toda essa angústia e medo?
Mais seria mesmo medo? Medo do que então?
Mais a angústia é verdadeira e pertinente,
Tão de um jeito que começo a me acostumar com ela, seria bom?
Não sei... Não sei de nada, nada que remeta à realidade.
Tenho que organizar minhas idéias
Tenho que por pra fora essa dor.
Amor é pra ser sentido e não só idealizado.
Como posso cultivar se tento ódio no meu coração?
Onde foi parar aquela menina que fui? FUI...
Tudo um dia se vai.
Qualquer sentimento bom que podia existir por alguém se transformou em rancor.
Não me arrependo, mas se pudesse voltar atrás faria tudo diferente.
Não só isso, mas todos os momentos de erro.
Não sei onde está o perdão.
Preciso de carinho e cuidado.
A solidão corrói os meus dias e horas
Isso me cansa e ilude.
Preciso de uma chuva de paixão.

Quero cerveja!

Bruna Nunes

Estranheza

Eu escrevi uma coisa assim ontem,
Falando desse tipo de paixão,
Escrevi no meu diário:
Que sinto saudade de uma paixão
De alguma coisa que me tire do sério.
Que me tire do chão,
Que me tire o fôlego,
Que me deixe pensando dia e noite, noite e dia
E que eu saiba e sinta que é recíproco.
Porque amar sozinha já não cola mais...

Bruna Nunes

Chocolate

Eu não senti o gosto daquele chocolate!

Que repartimos com a boca
Porque era tu a minha delícia mais louca
E o teu sorriso, depois, o melhor sabor...
E a saudade d'agora, minha maior dor.

Poderíamos também ter dividido sonetos,
Quadras, sextilhas, decassílabos, os teus segredos
E abrir o jogo, nosso amor, nossos momentos...
Mais feliz? Mais forte? Quem sabe... Sem medos!

Tua sutileza, palavras pescadas ao vento
É bala de canhão a mil por hora em minha testa!
Carinhosa, doce, generosa e incompleta, poeta
Minha doce bailarina da vida, alento.

E se não te provoco um sorriso, é que sinto
E penso até que a felicidade me esqueceu
Que armou distante, por um instante, acredito
O amor mais lindo que esse poeta conheceu

Pedro Torres

Eu Sei

Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Sexo verbal
Não faz meu estilo
Palavras são erros
E os erros são seus...

Não quero lembrar
Que eu erro também
Um dia pretendo
Tentar descobrir
Porque é mais forte
Quem sabe mentir
Não quero lembrar
Que eu minto também...

Eu sei! Eu sei!...

Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone
Pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas...

A noite acabou
Talvez tenhamos
Que fugir sem você
Mas não, não vá agora
Quero honras e promessas
Lembranças e histórias...

Somos pássaro novo
Longe do ninho
Eu sei! Eu sei!...

Poeta Renato Manfredini Jr.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Nós de nós dois

Descobri que sem tu, nada não sou
Metade da minha parte, poeta
Não foi mentira e é paixão...
Foi só amor que não fizemos ainda.

Amor falsificado emborrachado, demasiado
Do fôlego que me traiu em teu abraço demorado...
Da chuva que caiu, a noite que vai, e eu que fico
E o dia que amanheceu em cinza magnífico...

Da rima que desconheço quando aconteço
Porque não estamos poesia
Desata este nó de nós dois
Ou me dizes sim apenas, pois

Que o desprender de nós é meu ofício, alimento
E sentir tua falta não me sustenta, jamais
À segurança, mora comigo, ama,
Dá vida a um rebento, em tua cama!

Que a corda e os nós dos cegos
Eu cometo em mil pedaços e arrebento,
Transformo em matéria prima, prostra serventia
Saber da garantia do não sufocar-se um tormento

Que o teu distanciar-se além da distância
Me fez pensar em outro sofrimento
Numa pinga barata, uma dose de esquecimento
Que não trago, por detestar o momento

De sentir-me ausente do que ora sinto
Deste sempre, insistente e novamente, eterno
Somente um mais recente, poema meu
Que não consegues esconder, nem eu, sentimento

Sou o seu presente mais caro, tua poesia mais rara
Quanto é você a melodia, meu ninar.
Abraçar-te então e festejar, celebrar a felicidade
E ter uma festa de amigos e fermentos!

E beber, e comer, do cruzar de todo dia,
O mais gostoso da nossa alacridade.
E numa cama macia, trocarmos agrados
Até amanhecermos o dia esquecendo-se do café!

E nos embaralharmos e te fazer, mulher
Tu me estender e nós nos completarmos
E minha represa cheia, já pelas beiradas,
Com uma lágrima tua, de alegria, trasbordar-nos!

Que de repente nos fortalece tudo
E no mundo não há lugar melhor
Pra plantar as sementes verdadeiras
Companheiras nossas, guerreiras

E tudo acontece depois,
Por merecimento!
Mas diga amor e tá feito,
Dá-me o teu beijo, e partiremos...

Pedro Torres

domingo, 5 de julho de 2009

La Maison Dieu

La Maison Dieu
Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos , Renato Russo e Marcelo Bonfá

Se dez batalhões viessem à minha rua
E 20 mil soldados batessem à minha porta
Á sua procura
Eu não diria nada
Porque lhe dei minha palavra
Teu corpo branco já pegando pêlo
Me lembra o tempo em que você era pequeno
Não pretendo me aproveitar
E de qualquer forma quem volta
Sozinho pra casa sou eu
Sexo compra dinheiro e companhia
Mas nunca amor e amizade, eu acho
E depois de um dia difícil
Pensei ter visto você
Entrar pela minha janela e dizer:
- Eu sou a tua morte
Vim conversar contigo
Vim te pedir abrigo
Preciso do teu calor
Eu sou
Eu sou
Eu sou a pátria que lhe esqueceu
O carrasco que lhe torturou
O general que lhe arrancou os olhos
O sangue inocente
De todos os desaparecidos
Os choque elétrico e os gritos
- Parem por favor, isto dói
Eu sou
Eu sou
Eu sou a tua morte
E vim lhe visitar como amigo
Devemos flertar com o perigo
Seguir nossos instintos primitivos
Quem sabe não serão estes
Nossos últimos momentos divertidos?
Eu sou a lembrança do terror
De uma revolução de merda
De generais e de um exército de merda
Não, nunca poderemos esquecer
Nem devemos perdoar
Eu não anistiei ninguém
Abra os olhos e o coração
Estejamos alertas
Porque o terror continua
Só mudou de cheiro
E de uniforme
Eu sou a tua morte
E lhe quero bem
Esqueça o mundo, vim lhe explicar o que virá
Porque eu sou
Eu sou
Eu sou

sábado, 4 de julho de 2009

Que nome darias?

Como sabes que aquilo que buscas ainda não tem nome se não o conheçes?

Pedro Torres

Sempre nunca...

E eu aqui tão manso e sereno
Ouvindo até uma canção de amor
Sentindo aquele nada novamente
Provável misericórdia que se aproxima...

Sim, a mesmíssima velha canção de amor.
Que já decorei cada frase, acorde,
Notas musicais, guias suaves e melodias,
Do poeta que se apresenta em poesias...

Mas não está triste por ninguém.
Egoísta, fica triste sempre só, de per si
E sente um dó e a solidão que se acovarda
E arrebenta-se, pois, e tardiamente...

Vai a um barco de um só remo
E restam-lhe forças e não se empresta
Ao melhor construir-se do seu instante
Rompante de sentimentos, a conter-se.

Inacreditável delírio intolerante de dedos,
Alheios, insuportáveis na memória inconsciente.
Mais vivo! E presente a cada ato inconsequente.
Digo nunca e empenho-me integralmente, sempre.

Sigo. Não toco. Mantenho o dito e consumado.
Pedras não choram, permanecem, não pensam
Querer não é típico de pedras, pedras de enigmas
Indecifráveis por outras pedras, senão a própria

Da flora, preposição secundária somatória
Canalha outrora, agora agoniza inconsciente
Da praga, que peço ao Senhor me pague
Em prata, do sangue roubado do tesouro.

Pedro Torres

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Praga instantânea!

A esse pai minúsculo:
Ordeno, imediatamente!
À morte lenta e dolorosa
E condeno ao inferno,
Da vida mais opaca,
O fraco, o covarde,
O falso e agora,
Manco!
E ele toca...

Pedro Torres

Pau duro

Após longas cinzas acordei, refeita
Melada, aberta, descoberta, amada
Inteiramente pronta, sapiente, metade.

Madeira dura que cupim não tasca
Morre de dor de cabeça que lhe empresto...
Das palavras que ouvi e o vento, não leva.

Do médico de minh'alma, que ora saudade
Falou-me baixinho e ouvi devagar, bem alta
Dos anjos que zelariam meu sono, e dormi

Acordei refeita em sedimentos de até saudade
Que até meu pensamento primeiro foi: Felicidade!
De tão absorta em meu mundo idealista, chorei.

Encontrei-me completamente tua, parte
De em minha parte incompleta,
Na mesma busca frutificarmos, juntos...

E tu permanente forte e perene ao lado
Entregues, revelados, combinados,
Rasgados, felizes, multiplicados...

Pedro Torres

Lamento Contra um 12 de Outubro

Pelas praças e becos da cidade
Prolifera uma raça desnutrida
Que sem rumo, sem vez e excluída
Sobrevive a tamanha crueldade
Se lhes sobra viver em liberdade
Liberdade sem pão não vale nada
De barriga vazia e cara inchada
Vão cheirando um restinho de esperança
Pra que festa no dia da criança
Num País de criança abandonada?

Leonam Menezes

Ciro Menezes

Dizer de Ciro Menezes, poeta sutil, não é tão simples quanto falar de suas poesias.

Sempre recheadas do melhor caldo do descendir futuros sonhos alheios, e sentimentos. Um dom, que Deus deu a este gênio da cultura brasileira contemporânea.


Clímax

São dois corpos diferentes
Em busca de um só caminho,
E os prazeres são mais quentes
Nos aconchegos do ninho.

Entre beijos inocentes,
Começam trocar carinho,
E os beijos tornam-se ardentes
Ao se despirem do linho.

Com olhares mais precisos,
Numa troca de sorrisos,
São os dois entrelaçados.

E os corpos em movimento,
Eternizando o momento
Do casal de namorados

Linda!

Visão Nefasta N/D

Que coisa triste sinto nesse instante,
Vendo a meu lado, quase inconsciente,
Uma criança se sente distante,
Mas o seu corpo, sei que está presente.

Sociedade bruta, ignorante,
Visão tão fria, tão inconsequente,
Governo inerte esse que não garante,
O alimento para o inocente.

Mas como é triste essa sociedade,
Como é covarde essa realidade
Que nos massacra sem ter compaixão...

Vamos gritar ao mundo: agora basta,
E suprimir essa visão nefasta,
Unindo todos num só coração.

Bravíssimo!

Pedro Torres

Para votar nas poesias de Ciro Menezes, visite os seguintes endereços

Clîmax
http://www.talentos.wiki.br/poesia.php?id_poesia=1471

Visão Nefasta
http://www.talentos.wiki.br/poesia.php?id_poesia=1470

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Filhos de Deus, Amém!

Sou o mar soltando a rima
Em cada onda quebrada
Pela proa da jangada
Ora embaixo, ora em cima
O meu ciclo não termina
É corrente quente e fria
Conheço a barra do dia
E a linha do horizonte
Sou base pra qualquer monte
O meu nível rege a guia

Navego pela poesia
Num Galope a Beira Mar
Sou o verso pra rimar
O ciclo que se inicia
Meu canto não silencia
E sonoriza o balanço
Eu nunca paro e nem canso
Vou invadindo fronteiras
Fincando frases bandeiras
Em cada ponto que avanço

Sou valente sendo manso
Bravio, calmo e sereno
Pra ser grande, sou pequeno
Querendo colo e descanso
Sou a passada do ganso
Na mansidão nova Lua
Recebo versos das ruas
Por onde o vento trafega
E entre espumas me entrega
Saudades das noites suas

Em meus sonhos perpetua
Outro canto de saudade
Vou construindo a idade
Eu sou o tempo que atua
Formando outra pele nua
Com a semente do bem
E cada verso que vem
Traz outra rima de Paz
Somos isso, e muito mais
Filhos de Deus, Amém!


Maviael Melo

Navegante

Lembro de uma carta que te escrevi
Um dia, na areia da praia, talvez...
E uma onda que abençoei tudo apagou

E outra onda que veio trouxe de volta
A lembrança de tudo que restou
Do que nunca esquecerei

O que estava escrito eu não sei
Sei que era pra sempre
E havia um começo, e não havia fim

Era sobre eu e você e um vento mansinho
Alisando teus cabelos, teus pelos nus
Ah! Isso aconteceu comigo também uma vez...

Lembro bem o dia, ou era noite?!
Tu que me digas, não mais amiga
Que estavas tão longe de mim...

Por estar tão perto,
Senti-me descoberto,
E me escondi.

Tudo quanto queria, e quis e quero
É o que me perturbas a todo instante
Residas, pois em mim e só, somente só.

Ficar sempre nesse meu deserto,
Com essa sede de teu mar, de teu sal
De teus lábios róseos, meus pesadelos...

Então outras ondas viriam, e levariam
Algum outro escrito meu, até um novo dia
E tu encontrarias um poema perdido de amor...

Pedro Torres