terça-feira, 30 de junho de 2009

Francesa

Agora sim estás triste
E sem duvidar da fonte
Das águas cristalinas
Inodoras, Incolores e Insípidas
Que amargam ao gole da sede
Que não é da garganta
Do nó do pranto
Que resistes em mim
Deságuas o sem-fim
E sem receios
Acorrenta-se ao amor.

Que te proíbes em vão
Porque já em jaulas
De um fliperama
Das bolas que voltam
A cada nova ficha
Comprada e validada.
Que a máquina não aceita
Qualquer inverdade.

E viver na cidade
Não é em vão.
É preciso pão
Ainda que seja
Tudo o que reste
Plantar o trigo
E colher os favos
Bater na pedra
E moer a casca
Integralmente

Pois do fermento
O dormido
É mais saudável
E até amargo, encorpado
Lá na França.
O cheiro inesquecível
Da infância...
Do pão quente do forno!

Pedro Torres

Vento No Litoral

Legião Urbana
Composição: Renato Russo

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...

Eieieieiei!
Olha só o que eu achei
Humrun
Cavalos-marinhos...

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Poeta Renato Manfredini Jr.

Ecos de Respeito

Será o tempo, juiz implacável dos nossos planos
Da saudade, recompensa tardia dos nossos desenganos
E do teu germe companheiro, testemunha fiel aos poucos anos

E me dissolvo em nuvens parcas
E vôo em plena escuridão de minh'alma
Porque silêncios que apunhalam covardemente
E peço que se afastem dela, novamente e sempre

Fui um vento que passou e deixou silêncio
Emudeceu o melhor dos verbos eloquentes, não tremas
Que expressava o sentimento do punhal encravado,
Fincado em minhas costas e peito nu, aberto em chagas.

Do alto vi colinas verdejantes e agonizei
E de lá não pude voltar, pois que distante
Audácia? A praia d'onde bronzeio pensamentos diários
E sem pára-quedas saltei em teu vazio absurdo

Disposto a queimar-me em mil fogueiras em brasa
E ser consumido vivo até ver-me cinzas, carcaça
Chamuscando inicialmente a pele como torresmo
Para negar aos abutres pedaços de minha carne

Abandono-me à sorte minha, exclusiva e repentinamente
E nada compartilharei que em ti te encontres
Pois só adiante e depois de apodrecida a carne
Filhos de moscas brotarão nela como larvas famintas.

Descobrirás dolorosamente, aí sim o desperdiçar do tempo
Que o tempo perdido era a mais preciosa gema, e ainda
De muitos quilates, mas não polida em tua idéia torta
E talvez encontres a solução definitiva da morte, e te rejeite sem azeite.

Não advogo causas perdidas para o meu Senhor
Luta selvagem até extrair-se de todo o suor e a dor
E implantar a delícia do sacrifício de viver intensamente
O orvalho de amanhecer sempre e parir tua própria cria!

Quando nunca aparecer nada por fazer, e o último poema
For sempre o recomeço de uma nova linha por escrever
Vamos caminhar por entre becos e ruas desertas e povoadas
Não dividir ego, id, superego e desencontrar-se volitivamente

E viver a ermo como náufragos de um mundo pobre
Soberanos de uma anarquia de planos sarcásticos de nobres
Que não te compreendem por que além do tempo a tua doença
Não ira, que dos pecados me alimento e vomito

Fertilidade desta matéria de cópula pronta espera
E agora tesa em ti pensar, ereta e pungente
Lactante, órfã e humana que chora e se esconde
De si, não de mim, o que arranco e ponho as escâncaras

Suga-me todo o bem que desejas e cresce, dá-me o teu peito
Aceita morrermos juntos pecaminosamente e permanecermos
Que anjos caídos não conhecem a candeia e se confundem
E cumprindo a promessa de respeitar cada pensamento teu, vou...

Pedro Torres

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pedaços de mim

Quem inventou o amor?
Eu quero conhecer outras suas teses
Agradecer pela dor que sinto diariamente
E pelo sangue que derramo dos olhos, contente

Pelo coraçãozinho que desenho na prova final
E dos meus pensamentos que se nos confundem
Na hora mais inadequada, ser namorado, namorada...

E da zombaria gostosa de que estou apaixonada
Acorrentada a uma estranha idéia, dantes amargura
Vinda da sepultura que guardei mais bem guardada

Acordar já como se houvesse chorado a noite toda
Desde que dormi durante o dia, e não vi as lágrimas derramadas
De uma saudade que sinto desgraçada, meu tormento

E acreditar racionalmente que tudo isso é bom
É demais para o meu sensato e humano pensamento
E sinto uma felicidade tão imensa, que me anula

Assusta saber que perdi as rédeas do meu destino
Penso que posso embaralhar meus cabelos e entrar em desatino
E não encontrar neles a tua mão que me dá paz

É que meu espírito se acalma, se me dizes alguma coisa
E já não escuto mais aquela voz insana, desumana
Pois Autorizada por meu amor verdadeiro, meu amor.

E as malditas filosofias vãs, pagãs... As favas com os divãs
Quero teu colo, teu abraço fraterno e amigo, e tudo
E quero frutos doces, da mordida já provada, proibida
Um pedaço de mim.

Pedro Torres

domingo, 28 de junho de 2009

Sono verdadeiro

Vou dormir um sono verdadeiro
Talvez sonhe com um mundo melhor
Sem hipócritas, estupradores e ladrões

Carnificina assassina de emoções das pedras
Que das janelas vejo sendo atiradas por meninos
Traquinagem de almas pequeninas, minúsculas cenas.

E na novela passa um monte de abobrinhas
Preencher o vazio do oco coco
Miolos de pote, azedumes, costumes.

A virtude é uma reta indivisível
Para poucos, menos invisível e até crível
Ainda que em um sonho, acordado

Imaginar-te nua andando pela sala
E olhos esbugalhados indagando
Que é aquilo?

Tieta, Pedro Bala, e tantos personagens...
Não são tão lindos quanto a vida do escritor
Meu bem amado, morena cravo e canela.

Que te debruças na janela
E fumas um cigarro sem companhia
Sem nenhum tapa, na cara limpa e goza a fumaça cinza

E sem passar de mãos em mãos vais em frente
Sem arrependimentos e sentindo o vento quente
Que de repente te leva bem próximo de uma confusão

Imprópria e que te aproprias, por egoísta
Que queres posto em escritos teus
E em teu seio, escrito o mais bonito verso meu.

Que ninguém respeita por alhear-se ao teu destino
Dos pensamentos que se lhes absurdam em suas mentes
Não maturadas, como amoras frescas colhidas e não tragadas.

Pessoas estragadas por não aproveitadas, desperdício de vontades
Que não perdes tempo, que nesse tempo, tempo é essencial
Providências, afazeres, e o amor trivial...

Quem sabe um copo traz um pouco de alegria
Ou o vazio seja a fonte toda de tua existência
E essa decadência, que te confundia seja tua rebeldia

Romper de idéias previamente planejadas por senhores
Doutores de uma ciência caduca desde o nascimento
Que não se precisa a data nem o momento.

Que sabemos existir e assim nos encontramos livres
E nessa caminhada nos encontramos para copular
Fazer filhos, agasalharmos um ao outro no frio

Encontrar para o mesmo encontro nosso um conforto
Ainda que de futilidades que sabemos a força do poço
Que infinita seja, pois, essa busca incessante que nos incendeia

E nos amaremos na rede, na teia e no chão quente de um pântano
De lamas de larvas de um vulcão de muitas matérias inorgânicas
Que alimentem esse corpo de mesmos elementos e nos dê espaço

Para em atos complexos sedimentarmos algumas palavras
Que descrevam os fatos mais relevantes
Eis que o todo deveras saber impossível realizar

E a parte nossa seria talvez amar incondicionalmente
Ainda os fracos, frascos e seus comprimidos
Oprimidos, esquecidos e cartelas ou tabelas matemáticas

Para evitar a regra, voltemos à rudeza, olhemos a lua
E volto a minha fertilidade, virilidade, te imagino sim
E não posto no verso tudo que não carece e repito a prece

Até definitivamente pegar teus modos e aprender contigo
Como seguir essa vida de orvalhos matinais sem jornais
E ficar informado do que se produziu à distância...

Pedro Torres

sábado, 27 de junho de 2009

Natália

Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Vamos falar de pesticida
E de tragédias radioativas
De doenças incuráveis
Vamos falar de sua vida
Preste atenção ao que eles dizem
Ter esperança é hipocrisia
A felicidade é uma mentira
E a mentira é salvação
Beba desse sangue imundo
E você conseguirá dinheiro
E quando o circo pega fogo
Somos os animais na jaula
Mas você só quer algo tão doce
Não confunda ética com éter
Quando penso em você eu tenho febre

Mas quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você

É complicado estar só
Quem está sozinho que o diga
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida
Quando tudo é solidão
É preciso acreditar num novo dia
Na nossa grande geração perdida
Nos meninos e meninas
Nos trevos de quatro folhas
A escuridão ainda é pior que essa luz cinza

Mas estamos vivos ainda
E quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você

Poeta Renato Manfredini Jr.

Oito?

É do meu duvidar
Que vens certeza
De idéias claras.
À luz de velas,
De candelabros,
Ou caravelas
D'onde navegam
Planos...

Uma casa,
Um filho,
Um sonho.
Pés no chão,
Frio no corpo,
Calor na alma,
Na cama,
Sermão...

Silêncio teu...
E eu ateu
Ateio o fogo
De uma novidade
De outrora.
E te descobres
Em chamas.
Madrugada...

Ciclos de vida,
Desde a Phoenix
Que pressentia
O aproximar-se
Dos raios do sol.
Quem à aurora
Encontrei-a no tempo
Despertando...

Vespertina,
De repente
Um espanto e o terrível
Abandonar-se
Da busca.
O Surgir inevitável,
Por zelo,
Do amor...

Duvidar
Saber
Temer
Zelar
Estremecer
Lacrimejar
Da doce incerteza
Viva...

Respeito
O teu tempo.
Sereno,
Desnudo,
Calmo,
Atento!
Espírito
Luta...

Descobrir
Pesado
Grave.
Saudade
Filhos
Idade
Tudo
Refleti...

Concluí ser o saber
Consciente
Do que me foi informado
Pelo presente e passado
Que merecemos
Na cidade
A felicidade
De sermos,
Dessa vez...

Pedro Torres

Onde Virgulino passeou, Passo deixando saudade.

Se esse mote não for de minha autoria, minha memória me traiu e lembrei de uma cantoria que devo ter ido em outra 'geração' onde cantadores valentes cantavam para o primo Virgulino Ferreira em um 'pé de parede':

Onde Virgulino passeou
Passo deixando saudade


Pedro Torres

Agradecimento ao Poeta Ciro Menezes pelo socorro na metrificação desse mote, sem tirar e nem por nenhum sentido. Primeira de Luxo poeta!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ave Migrante

Se é sina de passarinho
Sair e buscar sozinho
Gravetos para o seu ninho
Vou seguir o meu caminho
Bater asas e voar...

Ir, veredas desbravar
Acolher a retirante
Ave migratória.
Conceder-lhe a vitória
De não ser um ser errante.

Tirar vendas em Cervantes
Pra não destruir moinhos
Tratadores das sementes.
Vou ao relento, tempos cientes
Passarinhos...

Vou adiante pousar
Construir e espalhar os segredos dos sonhos
Irei descendir o futuro do olhar
De cada vôo, em mares abertos
Pelos sertões, entre labaredas
Abrir caminhos, tirar espinhos
Pra acalantar os sonhos dos meus,
Passarinhos.

Pedro Torres e Maviael Melo
26 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Penas de outrora

Em algum momento
Estive te perdendo
Ouvi tua voz e tudo
E à volta, aquela música
E a chuva que fez
No tempo exato
A sua parte
Delícia nossa
Hoje, só hoje.

Tira-me daqui
Eu quero ir
A qualquer parte
Não quero ficar
Aqui.

Esperar ainda
Um pouco mais?
Ser tudo tão definitivo:
Quanto o início e o fim
Por onde começaríamos?
E até onde iria,
O nosso querer, minha Heroína?
Meu Dado da sorte
Lança-me nas veias...
Os teus escritos
Que guardo segredo
Até a morte!

Oferta-me o teu cacto resistente
E com tua pena, descreves a flor
E seus espinhos defensores...

Não é quando faz sentido
Que dói até um pouco?
Eu sei...
Mas logo passa!
Por um cheiro de álcool,
Uma espera em vão,
E o trem repleto.
A mesma estação
E outra viagem...

A paciência que finda
E tu ainda não...
Quase cilada, poeta
Por um não querer,
A letra que não vai
E conhecer teu conto,
O teu desejo, mais recôndito.
A pena leve, de tuas letras...

Pedro Torres

terça-feira, 16 de junho de 2009

O sertão está no cio / Querendo ser fecundado

Estive no sertão estes dias, em plena envernada e cheia do Rio Pajeú, como há muito não se via e, um dia, sentado na praça, me veio ao coração um mote:

O Sertão está no cio
Querendo ser fecundado


Conversando com o poeta Maviael Melo, nem contei a história toda da minha viagem, só passei pra ele o mote, que debulhou uns versos, cuja leitura me é dificultosa, pelas lágrimas que embaralham a vista:

O rio se excita e transborda
Com a bonança das chuvas
Seguindo e fazendo curvas
Num trovejar que acorda
E um sertanejo recorda
Das agruras do passado
Mas sente o solo molhado
Vê o vergel no baixio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

O coração pulsa forte
Quando a paixão lhe aperta
Sentindo a alma deserta
Resolve fugir pro norte
Fica mais perto da morte
Entristecido e fadado
Mas se o céu vê nublado
Se alegra e requebra o rio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Com o cantar do carão
Ele chora igual menino
O padre ressoa o sino
Pra agradecer num sermão
As chuvas que no sertão
Deixa tudo esverdeado
As bonecas do roçado
Vão preenchendo o vazio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

E assim começa a quermesse
Com alegria na aldeia
A lua cheia clareia
Um ancião que agradece
Uma mãe faz outra prece
A Jesus, o filho amado
O filho dorme enrolado
Se protegendo do frio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Por Maviael Melo
Em 16 de junho de 2009
http://www.maviaelmelo.blogspot.com/

Provocado, o Poeta Raphael Moura nos prestigiou com essa belíssima estrofe:

Um Passarinho sai cantando
Avisando: - A chuva vem!
Vai feliz por que também
Vai reformar o Seu Ninho
Com o cantar do passarinho
O trovão corta o Serrado
O Sol dispede do lado
E a Chuva vem no baixio
O Sertão Está no Cio
Querendo ser Fecundado

Raphael Moura
17 de junho de 2009

Minha Colaboração Poetaaa!!!
Humilde, mas de Coração!!

Pedro Torres

Altas Serras

Está chovendo em meu roçado
Que beleza, tá alegre a natureza
E você lá distante altas Serras
Eu não me esqueço, um só segundo

Da água doce, já tornei
E acredite eu conheço bem a fonte
Sem ver a aurora um horizonte
Sem poesia...

Poeta, venha pra cá
Traga essa sua alegria
Cantar cantigas de amor
Que o sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Deixe na terra
Um copo
Uma saudade
Que reviver a Volante...
É embriagar-se de felicidade

Siga os ventos soprando cá do norte
Trazendo chuvas, esperança e boa sorte
Confortando o coração desse poeta
E permaneça até chegar a boa morte

Sua poesia aqui terá mais fuga
Deixe pra trás essa sua solidão
Venha cá alegrar a mocidade
Experimentar o sabor dessa cidade
Salvador de um nobre coração

Mando a chave da porta da minha casa
Junto dela um abraço bem fraterno
Vista uma roupa bem simples
Que aqui não precisa disso não

Calce a sandália, bote o chapéu de couro
Pegue a sanfona, bote dentro do matulão
Arouche o nó, pegue a estrada, venha simbora
E estrada afora, traga pouco do sertão

Limpe as vozes daquela menininha
Safoninha choradeira do arrebol
Com saudade da terrinha ela não chora
E como as águas do rio Pajeú
Venha simbora adocicar o mar

Pedro Torres
(Em construção, à quatro mãos...)

domingo, 14 de junho de 2009

Flores

Antes, quero flores no teu caminho, os espinhos que aparecerem, piso-os todos firme, satisfeito, e alegremente; E sangrarei todo o sangue que preciso for, por sangrar contente.
E sim, há pedras no caminho, elas são maravilhosas, com elas, construímos nossas melhores fortalezas; sobre elas, observamos os melhores horizontes, os planos e os largos; sob elas, nos abrigamos das piores tempestades, nas mais lindas cavernas calcárias.

Forza oggi e siempre!

Pedro Torres

sábado, 13 de junho de 2009

Acordada, alegre, contente...

Teus silêncios me doem
Tuas pausas me doem
O teu silêncio, abrupto.
Do silêncio meu, corrupto.

Não estar ao teu lado
Não é o que me importa
É quando fecho a porta
E penso no telefone, em te ligar

E saber de ti, e não o fiz
Não foi preciso e talvez devesse
E me doeu, devidamente
Realista, concreto, matéria egoísta!

Como só tu aceitas
E detestas um beijo na testa,
Um abraço demorado,
Um beijo molhando, até o êxtase!
O ir à nuvens em um veículo,
Pés no chão, Sim senhora!

Ser o teu primeiro e derradeiro
Por ser o Único, princípio.
Honra o espírito
Que da carne já comi
E estou cheio Dele
E somos um só, desde então.

Aquele descançarmos após as ironias
Dos deliciosos desafios intelectuais
Das descobertas individuais
Descobertas debaixo das cobertas
Dos vendavais debaixo dos lençóis
A que seríamos arremessados, inevitavelmente

Quando nos uníssemos cósmicos, cosmopolitas...
Amor de galáxias em expansão
Surgir de constelações, vida e luz.
Encontro de corpos celestes
Autorizados pelo Mestre,
Que rima.

E depois que tudo se assenta
E nos damos conta
Do que somos e a que viemos
E o ainda recente intante momento
Que passamos juntos, e não cessa
Foi breve demais e nada foi em vão

É quando cansamos das brincadeiras
De nos amarmos com pedradas
Pedras de enigmas nossos
Alheios e abstratos, retratos
De um presente inacabado
E um futuro que fabricamos
Imaginário e demasiadamente forte

A nossa sorte, alheia a nossa vontade
Vivamos pois a verdade
Desses pequenos instantes
Quando realizamos as melhores
Idéias em nossos planos

Saber que não estás só. (sós)
Seria talvez o meu recado
E o meu próprio remédio
Minha pílula diária de felicidade
Se montássemos imaginária cidade
E de concreto a erguêssemos à nossa frente

Polindo a palavra amor em nossa mente
Que eu julgava conhecer e tu repudias
Viver à noite, sonhar o dia
E à tarde, fazer poesia
Quando nos encontraríamos?
Pra sermos felizes...

Onde seria o nosso lugar? E a cor favorita tua, qual é?
Tuas mãos, tua boca, teus cabelos, teus olhos
Tu tudo! Um batuque de samba bem brasileiro...
Curvas perfeitas
E me transporto...

Fico contigo um pouco
Dou-te um pouco de mim
Que eu conheço tua tristeza
Que você é realeza
E ninguém te descobriu assim

Mas eu te sei e não te esconderei, e te encontraria
Na mais remota letargia, na escuridão vazia
Jamais imaginei que te encontrarias em mim
Alegra-te, porque eu te menti

E devo confessar que dessa vez
E devia ter-te dito, e não disse
Tá doendo mais que de costume...
Secreta e frequentemente, em nós...

Coloca uma blusa preta,
De luto por aqueles que pensam pouco
E fazem pouco dos que pensam muito
E vai à luta, à rua, mas não fica nua
Não desnuda teus pensamentos, à toa!

À noite é boa e fria, ungida e alegre
Porque o artista que tá la fora
Namora a lua, que não demora
Cante uma cantiga, toca a tua alma
Encontre uma amiga, que te dá calma

Nem que seja uma bebida
Uma ideologia barata
Embalada em um saco plástico...
Temporário, mas guarda o recipiente
E joga na lixeira, reciclável!
Evita a culpa do dia seguinte...

Pedro Tores

Resposta insandecida

Procurei no coração de uma bandida
Um abrigo para a minha solidão
Mas seus versos impregnados de paixão
Fez do meu peito uma árvore ressequida

Seguro minha vontade ensandecida
E decido de uma vez não mais amar
Enquanto essa rima dela não mudar
Não mudo, o mote da minha vida!

Se a vitrola dela emperrou
E aquela música não mais tocou
Que culpa tem a agulha afiada,

Da radiola velha eferrujada
Que não toca mais canção de amor...
E faz sua vida não valer mais nada?

Pedro Torres

Expectativa do preso...

Você é como a chave da prisão, velha, enferrujada, com a ponta trincada, já quase se partindo, enfiada numa tranca com defeitos, no último giro para a liberdade de um bandido perigoso que se regenerou ao percebê-la, assim...

Linda demais!

Pedro Torres

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Estação do Tempo

A festa tava bonita
Meu verso passou correndo
Levando a rima e querendo
Soltar teu laço de fita
Pra vê se tu acreditas
Em cada rima do verso
A festa foi um sucesso
Quando em teus olhos fitei
Nova saudade eu cantei
Na estação da “Progresso”

E essa saudade canção
Foi viajando comigo
Querendo em teu colo, abrigo
Sentindo á face tua
Sonhei naquele salão
Com o teu bailar tão faceiro
Cheguei acordando inteiro
Carregado de saudade
Trazendo a sonoridade
Desse cantar estradeiro

Espere-me que estou chegando
Cantando o meu canto novo
Pode espalhar pra o povo
Que o verso está se formando
Estou na viola levando
Notícias alvissareiras
Que pelas noites brejeiras
Em motes nos foram dadas
De amores tantas jornadas
Mensagens, vidas inteiras!

E chegarei com saudade
De começar outro verso
E ao mestre sempre que peço
É conforme a sua vontade
Trouxe um pouquinho da verdade
Que pelo tempo encontrei
E a canção que cantei
Soltando versos ao vento
É pra encantar o momento
Do beijo que não lhe dei.

Maviael Melo

Luar no Sertão e tu distante...

Eu sempre procuro
Entender a motivação
Para fazer tuas
As minhas lágrimas
E seus
Os meus sorrisos mais alegres
Dos meus dias mais inteiros
Momentos mais verdadeiros.

Porque às vezes, poeta
Um dia perfeito
É só...
Um não estar só!
É estar contigo.

Tu sabes
O que cabe no coração
De um poeta

Então,
Porque do espanto
Com tão medíocres palavras?
Por acaso visse a covardia de lua de ontem?
E não estavas lá...
Tá difícil, poeta...

E o problema da poesia
Nem é a vírgula e nem virgulem
É a falta da rima,
Sob o arco-íris noturno.
Um ausentar-se precipitado,
De mim.

Pedro Torres

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Amor de chuva

Sou aquela nuvem que paira no ar
Carregada de sentimentos, a te olhar desejosa
Sinto o teu cheiro, e estás seca, sedenta!
E vestida de verde...

Sobre ti me debruço
E jorro abundantemente,
Das águas que transporto em mim...
Em teu seio nu.

E faço brotar lindas florestas
E jardins perfumosos
E te gelo o corpo inteiro
E penetro no teu mais íntimo.

Dou-te filhos e frutos doces
Desço a Terra porque necessito de ti
Do calor e suor, de teu lençol
Onde me deito e corro pro mar...

De manhãzinha sou encanto
E acolho o teu mais lindo pranto
De gozo, paixão e amor,
Sou eu, tão melhor, tão bem.

Sou a água que te serve de vida
E reflito em um lago azul, o teu rosto
Que um dia levo a mensagem,
Das tuas lágrimas, ao longe...

Respingos das tuas verdades
De o teu sonhar acordada
De amores tardios, e outros
Que aconteciam, enquanto chovia...

Pedro Torres

terça-feira, 2 de junho de 2009

Refrigerante

Estive indo embora e pensei
Em dizer-te antes de ir
Pra que te lembres sempre
De ouvir a música...

E talvez aí eu mereça
Aquele beijo
E uma resposta
Breve, com uma brisa
Antes, eu me esqueça.

Sempre estive aqui
E talvez ausente
Tudo de uma vez
Bem presente.

Na praça?
Não sei aonde
Mas quero sim
E é o estar só.

Não sei do que se trata
Se da gramática,
Da nova poesia, dos Luíses
Da nova lousa...

Palavras que se me perdem
As quais pertenceriam,
Se minhas as vontades
Mais constantes, e me levassem

Ou nada então significasse
O mais errante cigano
Um meu querer?
Não importa!

Pedro Torres