terça-feira, 28 de abril de 2009

E trouxe a cura para o amor sujeito

Nenhuma regra é absoluta
Há de sempre carecer de outra que a complete
É voltar se preciso for, para encontrar no caminho
Pisando espinhos, um grande amor

E se o futuro é incerto, o que passou não te é sócio
Para nós, a jura é um lindo espelho
Que o tempo oxida, mas não se culpa o ócio

Que gosto tem aquele teu batom vermelho?
E das alfabetas palavras áticas e sedentas tuas... Marte!
A vontade do teu Cheiro, viajar comigo a toda parte
Tu és a minha rima, meu concreto, minha seta,
Desmantelo de poeta!

Se em teus pés um vento forte
Assoviar canções do norte...
Temporal e ventania,
Não adestram a tua sorte

Pedro Torres

Carta do nosso amor

Eu penso nas folhas da árvore frondosa
Daquela menina tão bela e charmosa
E digo de mim uma frase famosa.

Que acalantam sonhos de todos os planos
E em todas as palavras que não falamos,
Porque não vivemos o mesmo romance.

É como o vulcão que disse o profeta0000
Da rima perfeita, da métrica concreta.
Que o acordou em plena madrugada
Do mês de abril que findou descoberta.

É a mãe e a irmã, do menino Jesus
Que viveu por nós a nossa bandida cruz
Não posso escrever nossa história de amor
Sem você, demerara, poeta!

E um verso escorreito eu quis te fazer
Só pra te dizer o que escrever de nós

Esse eu, a que me refiro
Tu o conheces já muito bem
Não só do além mar, mas de muito além

De tempos e eras distantes, quando fomos amantes
Delirantes, mais que antes, agora e por toda a vida
Não posso retirar deste verso, nem uma linha!
Estou preso à verdade, que é quase minha...

Sem borrar a maquiagem poeta, te alinha!
Que esse sol posto, não pode o teu rosto iluminar
Ouvindo os galopes da beira do mar!
Eu pude entender que a felicidade depende apenas
De um simples teu sim.

Que nunca se acaba, nem sei se termina...
Mas que uma lágrima não seja o fim.
Do que não conheço, minha doce ilusão
A derradeira e primeira, história de amor.

Busquei nesse verso, falar do que veio à minha mente
Há uma brisa suave e fresca a passar. É fresca a brisa!
É um presente que sei eu, que vem e ameniza
A saudade que sinto, de te conhecer linda, poeta!

Quando digo efêmero, digo passageiro
Como esse carro que ali passou
Estou me referindo, a escala de tempo
Que tu ainda não acordou

E este poema, vai em letras largas
Que é como penso, catando as palavras
E por falar nelas, estás cheia de novidades...
E tentaram nos calar, e a linha cortar.
Mas não há quem impeça, o poeta pensar!

E é nesse mundo que nos encontramos, das ideias
Enfim realizamos um grande sonho
Esse sonho é só nosso, sonoro.

A brisa cessou, mas o clima é ameno!
E eu tão sereno, cá estou, a te contar o sonho
Que foi tu sonhou...

Como é que sabes, que adivinhação é essa?!
Não somos nós uma só pessoa, mais bela, poeta
Divididos em duas partes, iguais?!

Não por aqui onde caminhamos
Um simples passeio, um estalar de dedos...

Me dói o peito, mas, sem doer
E pensei na maldade, de quem quis evitar
Nosso se encontrar....

Cadê o teu nome, ato aos meus versos?
Imagine quando um dia, nós pudermos revelar
Falar, poeta, pra todos os cantos deste planeta

Que eternos nós somos, pura poesia,
E lá vem mais um dia...
E como posso saber se tudo vai acontecer?
Acendo um cigarro e o trago...

É simples demais, simplificar o amor
Mas quem inventou essa palavra, bendita?!
Me diz por favor...

Só sei que está escrito em diversas línguas
E sim, acontece, mais de uma vez, o mesmo milagre!
Outra palavra que alguém inventou....

Quem fez a palavra, trouxe a Consciência,
Para o que criou...
Eu quero que venhas às alturas comigo, novamente

Um dia o que foi desfeito, agora será refeito
Essa rima não presta...
Não é aí, a nossa cidade é bem maior!

Foi, talvez por isso, que eu vim primeiro...
Pra te socorrer, do lá menor...

É um som, um acorde, em um violão
Que canta cantigas, tristes e românticas
Que da tristeza, dessa sabemos...

Sabemos do tempo nós poetas.
Não há como eu estar triste, sabendo que tu, também não o estás!
Sabendo de tudo que existe, agora eu posso te falar:

Não te prendes a conceitos que tu não criaste
Porque conceitos, está em toda parte
E nada resolveu, até agora, e agora novamente
Repetindo a palavra, para que compreendas, que agora
Dita pela terceira vez...

Se acordasse já bem cedinho, tu tens que saber
Foi um barulho de passarinho
Que por aí passou e fez um ninho
Bem perto da tua casa e pra ti cantou

'Comédia Romântica', que redundância...
Mas que lindo o pensar de quem o inventou
Se é romantismo é porque o amor aconteceu nessa história
De nós dois, agora!

Estás escutando o passarinho? É um curió...
Podes imaginar o que sinto aqui, sozinho, sem tu
Aqui o nosso cais, porto de partiremos
Pra muitas e longas viagens...

Vou deixar o passarinho, te contar o resto!

E me transformo em pleno Ar e neblina
Cedinho, com o Sol a raiar
Te encontro neste sonho acordado de coexistirmos

Te vi erótica, sentada no chão, do teu banheiro,
Cabelo preso, a água caindo, fazendo carinho...
Decidi, não descrever a cena, por zelo.

Começou agorinha uma chuva bem fina
E tu minha rima estás a sonhar...

Eu aqui acordado velando teu sono, te fiz uma prece!
Vê se não esquece da beira do mar

Não sei descrever essas ondas fluviais, ali do asfalto
E a hora que falto eu não te faltei.
Estive presente em cada segundo. O sinal abriu...
É a coisa mais linda que vi nesse mundo

O carro atravessa o sinal vermelho,
Fico pensando no que te falar e ando ligeiro
De madrugada, pra lá e pra cá

Falando baixinho a quem agora dorme
Não nos meus sonhos, que está muito acordada

Por falar em presente, o que foi aquilo, que não te sobrou
A chuva daqui agora se acalma e baixo a minha voz
Para um dia sabermos o que se passou...

Pedro Torres

Poeta verdadeiramente triste é alegrias demais

Bebe da tua poesia bandida
Não prova nada mais além
Do amor, poeta, só o infinito

Esquece essa rima e o amor que trago um trago
Para ti e pra mim tomarmos juntos, de vida
Só nós dois e o dia bom e chuvoso,
E um solo bom e Barroso...

Que quando o coração aperta, poeta, não tem jeito
É correr de felicidade ou mesmo à toa
É segurar o remo, dessa nossa canoa
É a calma do teu peito, no meu peito
É não quimera, poeta, é não...

Pedro Torres

Poeta algum tem defeitos:

Para nós, loucos de todos os gêneros, "tomar banho de chuva", não significa apenas molhar-se com a água fresca que, uma vez resfriada nas densas nuvens, volta à Terra.

É o delírio de cada célula nervosa do nosso corpo à doer-se de saudade dos pingos que ainda gotejando em nossas cabeças em brasa, e esse fogo, Raio de Sol, ninguém mais vê.

Para nós, poetas de todos os gêneros, "dar-se ao vício", não significa abrir só uma garrafa de aguardente e dela sorver todo o seu conteúdo, tantas e tantas vezes e tanto, até que o organismo acostume-se com o etéreo e eterno liquefazer-se.

É glosar paixões e engasgar-se com o beber, por esquecer-se completamente de respirar, enquanto não saciada a sede de amar. Mas, esse liquido, Amor, ninguém mais vê.

Para nós, doidos de pedra, sem gênero, "viver é mais do que um conceito alheio e abstrato", não tem derivações ideológicas, nem correntes filosóficas. Não se explica, não tem retrato!

Vês! Já há correntes na filosofia! Brindemos à poesia e à cicuta então!...

Pedro Torres

Saliva compartilhada

Quedou-se em pranto
Meu verso branco
Tirou o manto
Rasgou o véu, subiu ao céu!
Quebrou-se o encanto

E veio o espanto e a descoberta
De boca aberta
Compartilhar saliva
Eu, Ser poeta
O teu sonho acalentar

E de dia, quem me faz companhia...
Não que eu mereça, mas que eu te esqueça
Quanto tempo devo dormir?
Para o sonho ser verdadeiro, tem que ser dormindo?

E para um sonho eterno,
Quanto tempo tenho que dormir?
Acordarmos juntos, ao amanhecer
E te conhecer
E te amar
Sem acorrentar-se à necessidade de dar

Decisões que a gente leva
Pra a cama
Pra casa, pro campo
Para o milharal, colher o milho, fazer um filho
E se embrenhar na mata densa
E suar suores que a gente não pensa
Existir
Na mata densa...

Um sonho insólito...
De goiabada ou doce de leite?
Insônia
Como é teu nome insônia?

Me dói, te saber existente
E somente dizer isso
Sem te identificar, gente
Que abril demorado...

E esse teu namorado?!
Nem vou comentar...

Que cara feia naquela nuvem!
Quem mais vê cara feia em nuvens?!
Ou estamos sós poeta...

Agora são dois, naquelas mesmas nuvens
A se olharem, feios
Mas um ainda olha, e se aproxima, pra se beijar
Mesmo sem ver, sendo nuvem
A saliva, compartilhar...

Pedro Torres

O ácido do mundo não corrói os pensamentos meus

O ácido do mundo não corrói os pensamentos meus
É a poesia tua que me amolece, completamente
Quem sabe um Raio de Sol, sabe uma nota musical... (Am+)
Em escala, Ser tão verdadeira, que nem sente...

Honestamente, nossos dias nunca mais
Serão iguais, depois de abril!

Pedro Torres

Noite Perfumosa

Escrever letras juntinhas, bem fáceis de entender
Seria mais fácil se um sonho, viesse a nós atender
Envolver nos seus braços e nos guiar por seus caminhos
Se o que sinto é saudade, d'onde cantam os passarinhos?

E o meu curió tem pena?
Vem comigo, compõe a cena, do mais lindo espetáculo do mundo
E eu que não fico mudo, sou de palavras fáceis, dessa vez me calei
A poesia me espedaça diversas vezes por um momento

Permite percorrer distâncias imensas, medidas sem métrica
Voando meus pensamentos, pelo vento, que te encontram poeta
O descontruir-se diário, inteiro, comletamente sóbrio
Sem vaidades, pudores, ou dos sentimentos... Desabam!

E da tua rubra face desaguam no meu leito empedernido
A noite tão perfumosa e dolorida, e descobrir-se
O encontro alheio dos próprios sonhos, contigo
Em um conceito único de muitas personalidades

Vem companheira, sem cheiros emprestados de boticários
Mas a tua essência mais pura de pecado e ardor
Que és a estrela mais linda, deste nosso firmamento
Encontro da rima certa, para o meu incerto pensamento

Reunidos vos socorrereis de almas nobres e gentis
Que lhes farão companhia, um anjo triste, ficará alegre
Há de aproximar-se, para tomar Raios de Sol e luz
Poeta não permite tragédias em comédias, nem seu inverso

Não pergutar, se não souber a resposta, não faz sentido!
Qual teu nome meus amores reunidos? Raio de Sol, poeta
Porque pensar suas dúvidas, se não tratam de razão?
Querem saber da verdade, do amor, da ilusão...

Ah! Chuvas poucas já não existirão, e em breve aquele vulcão
Louco acordará em amarelas brasas e a muitos queimará, consumindo-os
Tua deusa encantadora abalou-se e acredite, eram Gêmeos!
Se do Olympo pois, quem sou eu e quem es tú, de Afrodite?

Neste mesmo dia de abril

E de tanto esperar respostas, do Olympo
Começou a duvidar do que sinto
E provou exageradamente o maldito "absinto"
Com gosto amargo de baunilha e sãndalo

Aí do céu as cores multiplicaram-se, e seus pés mais velores
Sua pálidas faces rubraram, d'onde sangue lhes restasse
E amaldiçoei tudo que de Sócrates se bebeu e não sobrou
Até quem bem alto meu espírito voou e fato consumado

(...)
A brisa cessou, o tempo fechou e estremeçeu o Templo do Herege
De longe a notícia Terríficante
as malditas larvas do fundo mais profundo
E o imundo do mundo mais imundo
(...)

Sentindo só a dor e a delícia
E o anjo caído celebrando sua leva e sua lavra
Colheita de tolo, almas sebosas
Leva contigo e torra no teu próprio fogo que mando vir tir buscar!

Ameen

Pedro Torres

Neste mesmo dia

Sinto o estalar dos crepitantes pensamentos teus
Verdadeiras incendiárias das falhas nossas
Que me aquecem, e não que eu possa
Ofereço a ti o meu ir, resignado ar de momento...

Intocável essência de amor meu, senti o teu ciúme
De estranho e amargo sabor e de ridículo perfume
Vem! Abraça-me e acalma, e serenamente,
Arranca dos meus versos este azedume!

Mais que eterno, nosso amor será solene,
Alegrias contra o mal que se nos acumula...
Chovem de dentro para fora, em direção contrária
E enlaçam, a liberdade do teu rosto e gosto.

O extrair-se da manhã mais cristalina, um sol brilhante
A felicidade de viver como quisera, esse orvalho...
Amar e não apagar a chama é não consumir-se
Num verdadeiro, juntos que sonhamos, sonho...

Se não dormes, e na cama te arrebentas
E então chove mais um sereno na lagoa
Vou ficar pois eu, poeta, rindo muito à toa
Feliz em encontrar-te em um sorriso, assim, cínico...

Mesmo à noite, caos normais dormem afoitos
Sem o devido coito e una, a língua! Inclusive, que chuva é essa,
Despencada agora lá de cima que chega e cessa, de repente,
Serias tu a refrigerar essa vontade delirante e bela?

Não me alimentam esses plásticos que me cercam
Ou tudo isso eu devoraria, ao simples arrepio de um cabelo teu
Quem sabe uma causa justa e nobre, sente!
Defendermos depois de nos amarmos sempre,

E, neste mesmo dia, amanhecer-mos...

Pedro Torres

Não se acostume

Um beijo,

As lágrimas mais verdadeiras,
Que esperei que aconteceram.
Que vi naquele dia de luar.
"Que lua cheia, Linda" !

Emprestam-se os advérbios
Os adventos, os ventos e tu ventura?
Donde procuras semear?
Ou fostes colher sementes...

Queres é saber do lôdo e do orgânico
No protóxido de hidrogênio fluvial.
Das menssagens de um artigo ar...
Dá pro barqueiro ler.

Naquelas águas negras,
Daquele rio espelho.
Vermelho de mim não há,
De minh'alma talvez um pouco...

Eu que chovendo estou,
Por suores e desafios.
E fios de vida que sinto e o frio,
Raízes de mim.

E as Florestas em torno?
São frutos doces do meu desejo.
Que desejo tardio o dejejum.
Porém desejar !

Mais um beijo, mas não se acostume...

Pedro Torres.

Manhã de abril

I
Somos os donos deste mundo, entortamos o tempo e a luz
Determinamos o maior dos terremotos, porque vimos a Terra viva gozar à morte
E vivemos à sorte, de navegar sem leme, sem direção, e com um mesmo remo...
Seguindo rumo a um mesmo horizonte e nos alcançamos

II
Que venha então o vulcão do norte, celebrar o encontro dos libertários
Com lumes incandescentes, ardentes, impacientes...
Atores dessa vida só, eterna! Protagonizamos o dia seguinte do presente
E plantaremos nos corações da juventude, uma semente de repente!

III
Dois poetas apaixonados, oprimidos num espaço
Vazios de si mesmos, preenchido por nós dois
E sem exclamar a sorte, virá o vento do norte
À chover suavemente, regando o melhor da vida

IV
A sanha do teu cabelo, embaralha nossos beijos
Há tanto aprisionados em tua boca e em minh'alma
Quero estar contigo, na mesma lavoura santa
Fazer um filho bem lindo: Florbela, Clara Lua?

IV
As maçãs são todas iguais, mas não aquelas que dividimos
Com quem amamos, alheios dos corpos, alinhados pelo espírito
Se a verdade liberta, a ignorância condena, o que calha
Eu que antes nunca só, esses sim, seriam dias infiéis...

V
Quero tocar-te como a abelha e servir-te como o gafanhoto
De alimento, o morrer simples do poeta, e te confiar o mel
Viajar no mundo das juízas, porque toleras Platão
Vou agora trucidar a ideia tua e te mostrar a verdade nua

VI
Pois, meu amor não tem dúbias correntes é poesia casta
Trovai à cicuta e não desdiz o pecado ateu
Porque encontrar-se no tempo com o seu amor eterno
Foi da poesia a sua maior virtude!

Feliz páscoa amor meu

Porque pensas maltratar meu coração com teu desprezo
E esperas de mim as respostas quão vento já não te leva mais
Sou eu culpado das tuas amarguras agora
Pela franca rebeldia dos teus falsos amigos
Que de ti querem apenas livrar-se dos Percalços
Que a vida lhes havia reservado e que facilmente sobre ti recaem?

Ah! Criancinha de sangue envenenado...
És esperança, nascimento e formosura
A aurora da minha mais linda desventura
Porque que me foi dado expulsar
Do teu sangue tudo que lhe é exótico e áspero:
Eu determino!

Andais aí cercada pelos mais sinceros laços
De amor fraterno que conquistas...
Um a um entregando-se completamente aos olhares.
Afasta-te, querido satanás! Que tomo trago sozinho rapaz...

Vem, seduz e me conquista, mulher pura, e toma luz!
Neste palco da vida que pelego sejais também artista
Como o carvalho levando sopro de todo lado e pancadas de ventania
Entorta, enverga e nasce torto e assim morre
E não paga uma conta a quem não deve!

Rasga a mortalha da morte e lhe cospe à cara!
Que a vida lhe mandou um recado bem cedo:
Eu vi a cara da grande prostituta e ela estava morta.
E eu, como sempre, poeta das dores alheias que as minhas são dóceis,
Finjo não se tratar de choro...
Porque está meu amor à mostrar uma cara para tantos
E para si uma não própria
Sabendo que ali bem ao alcance de suas mãos está o infinito?

Eu determino, pelo sangue de tudo que for mais sagrado:

Não se rasga a mesma pura seda duas vezes,
Diante do teu Deus, nem do diabo,
Nem se veste o linho mais nobre
Em dias de festa, ou de jejum

Um raro poeta triste

Pedro Torres

Jesus faz amor...

Quem diria uma teoria do tempo
Poria fim a expansão do firmamento
Removendo a idéia do amor platônico
Exintinguindo de vez o casamento,
Da idéia de infinito amor e nascimento?

Só Jesus faz amor todos os dias
Sem perguntas nem respostas, só poesias
Verbo, palavras de alegrias
Contaminam cada partícula sub-atômica

Porque não distribuir energia nuclear
Gratuitamente para toda a humanidade?
Acabar de uma vez com a disputa
Aliás, puta! Cala a tua boca!

Eu não dei a ti nenhum Direito
De a mim faltar com o respeito
Ao próximo um copo d'água lhe negar
Tampouco a tua sanha arreganhar!

É tão pobre se auto-intitular
De doutor, sem curar uma ferida
De quem nunca ouviu falar na vida
Do mais íntimo valor que tem o Ser

Onto, tonto eu ando tonto
Com tanto tonto com sede de poder
Embreagados, evaidecidos com a beldade
Com o lindo, o ídolo e o rapaz!

Pisando humildes, esquecidos, sem saudade
Planejando um progresso circunflexo
Numa era em que o tempo é uma reta
Que ninguém admite direção sem uma meta!

Pedro Torres

[Estações – Primavera]

Deixei guiar-me à luz de vagalumes
Esvaziei o conteúdo e o volume
Extrai de mim todo o azedume
Trovei do vitríolo as delícias tenebrosas
Transportei águas em cantis perfurados
E deixei escapar gotas preciosas
Da água ainda rara lá nos cumes

Se um dia quisera eu então partir
Que fosse, pois na primavera
Queria ver as plantas que brotaram
Por onde andei desperdiçando as águas
Ver as flores do lindo sombrião vermelho
Eternizar a imagem do velho espelho
E não achar neste mundo mais defeito

Respeitar cada pensamento oposto
Temer o Verbo, e não o posto
Ir em frente e adiante
Encotrar-me com meus melhores sonhos
Todos frutificados jorrando de uma fonte
Inesgotável de amor por longos anos.

É chegada uma certa manhã da primavera !

Para o meu irmão Danilo,
30 de março de 2009
Pedro Torres.

Desistir de ser poeta...

Estudar astrofísica, computação e matemática
Dedicar-se às ciências exatas e decorar constelações
Abdicar da prosa, dos versos, e contar as sílabas do repente
Expulsar todo e qualquer sentimento, e viver como um reles cata-vento

Adquirir um relógio, uma régua e um compasso
De movimentos repetitivos e finalidade pífia...
Sacar uma calculadora científica e contabilizar o tempo
Seguir das regras cada passo e defendê-las sem questionamentos

Esquecer da ideia a existência e comprar uma ideologia barata
No shopping da esquina, por questões meramente econômicas...
Apertar o gatilho da última bomba atômica
E quem sabe fazer desaparecer desse mundo uma moda...

Estabelecer conceitos para todo o conhecimento produzido
Construir um pensamento só e não tomar mais nem um trago
De minuta, viver soberbamente sóbrio e seguir uma vida curta
Aventuras? Proibidas! E, paixões verdadeiras, absurdo!

Não entregar o coração a outro e não alimentar coração bandido
Observar o céu com olhos alheios, e te detestar, poeta!
Ver a Terra como um mero esteio, de não versos. E, raciocinar, teus seios...
Plantar sementes de frutos bem azedos e colhê-los enquanto ainda verdes

Porque revelar segredos para quem não conhece a poesia,
Quando a rima já não compreende os meus versos?
Quanto ela, não quiser vir  mais aninhar-se no meu canto...

Ser poeta é ter verso todo dia
E viver inspirado eternamente...

Pedro Torres

E trouxe a cura para o amor sujeito

Nenhuma regra é absoluta
Há de sempre carecer de outra que a complete
É voltar se preciso for, para encontrar no caminho
Pisando espinhos, um grande amor

E se o futuro é incerto, o que passou não te é sócio
Para nós, a jura é um lindo espelho
Que o tempo oxida, mas não se culpa o ócio

Que gosto tem aquele teu batom vermelho?
E das alfabetas palavras áticas e sedentas tuas... Marte!
A vontade do teu Cheiro, viajar comigo a toda parte
Tu és a minha rima, meu concreto, minha seta,
Desmantelo de poeta!

Se em teus pés um vento forte
Assoviar canções do norte...
Temporal e ventania,
Não adestram a tua sorte

Pedro Torres

1 poema pro tempo

Eu sou um poeta tempo, só.
Mas não sou um poeta só.

Nem sou só um poeta.
Nem sou só um tempo, poeta.

Sou eterno contradizer-me !
E tu, quem te faz companhia?

E quando formos embora...
Ficarás, ou não, à revelia?

És eterno?
Sois é só um tempo em um tempo só.

Não és a mistura azeda de sacrifícios...
Instantâneos mortais como nós,
Como eu, poeta.

Pedro Torres

Problemática

O problema não é a loucura,
O problema é a cura.
O problema não é a viagem,
O problema é a passagem.
O problema não é a regra,
O problema é aceitá-la.
O problema não é o preço,
O Problema é ter que pagar.
O Problema não é a rima,
O Problema é toda a poesia.

Pedro Torres