quinta-feira, 28 de maio de 2009

Vagueio em estado

Os sons dos sapos na lagoa
Que coisa boa
Depois da chuva, não tem saúva
Porque é noite e tá frio

E no teu canto, pro teu espanto,
Um assovio, que calafrio...
Não é ninguém, Só um vem-vem!

A essa altura...
Liderasse um bando de orangotango
E fosse a um bar
Encher o copo, encher a cara, se embriagar

Aquecer a alma
E ver se acalma, esse cantar
Dos besouros, de tudo
Que no Sertão, virou mar...

Na viagem de volta
O frio te aquece os pensamentos
Retomas a viagem, à janela, o vento frio...
Na face, te faz retornar à viagem antiga

E recomeças a escutar a cantiga
De sapos na lagoa, que coisa boa
Estás voltando, calada, e o vento frio
Na tua face

Quem não se aquece
Com o vento frio
Dessa tua madrugada
Reclama

Não sente a chama
Dessa brisa
Dessa manhã
Desse sol dentro de ti

Do pássaro que canta
Alegre
Feliz
Pela chuva que caiu

Da névoa na pista
Que turva a vista
E te complica, multiplica, amplifica
Pensas até em amar

E foges do recreio
Fechas a janela
Atendes a razão
E dá a ti mesmo, um não

E dói, o resto da noite
Mas o implacável frio
Aquece-te a carne e tu ardes
E ouço o gemido, sofrido, solitário, silencioso

Saudade de gritar, Sorrir, Cantar
E amanhece o dia
Ainda frio
Está vazio

O inevitável já aconteceu
O que vai acontecer
Pode ser imprevisível
Breve

Independente da vontade
De ninguém,
Minha loucura mais perfeita!

Sim,
Eu te fiz uma prece!

Pedro Torres
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